domingo, maio 26, 2013

Martins

Contra o Martim não tenho nada contra, apenas desinteresse. Contudo as reacções a este caso são-me relevantes. Há uma que gostaria de destacar em excerto:
"Nada me move contra o rapaz que julga ter inventado um negócio, até porque tem, ainda, algum do encanto da juventude, mesmo se me parece que poderá vir a tornar-se num adulto perigoso. O que assusta é ver sair da toca toda esta gente fascinada com o lucro a qualquer preço, gente completamente insensível que olha para as pessoas e só vê mão-de-obra, gente que vê em Martim Neves um jovem que não precisa de ser ensinado, porque, segundo essa gente, já sabe tudo o que é preciso.
O António Gil Cucu ganhou um prémio há um ano. Para todos estes obcecados que confundem coração, cabeça e estômago com a carteira, um estudante de Latim, ainda que internacionalmente reconhecido, nunca será um empreendedor, porque estas coisas da cultura não dão dinheiro, não têm mercado, não geram emprego. António Gil Cucu, com tantos defeitos, ainda pode vir a doutorar-se, que é meio caminho para que o mandem calar."
António Fernando Nabais
Em relação à sagração do "empreendedorismo", outro excerto do blogger mais sensato da praça:
"De qualquer forma, há um dado inegável - os países capitalistas mais desenvolvidos são os que têm um maior grau de proletarização (isto é, menos trabalhadores por conta própria); será que poderemos assim concluir que o discurso da promoção do "empreendedorismo" vai (talvez infelizmente, mas isso é outra história) contra os ventos da história?"
Miguel Madeira
Com isto não tenho nada mais a dizer.