domingo, abril 15, 2012

Da educação

Nuno Crato, o independente à frente do ministério da educação tem um plano. Não lhe posso fazer a crítica da falta de coerência com o programa eleitoral, apenas de resultados: a taxa de progresso das suas reformas é mesmo muito fraca. Contudo, no que respeita a novas medidas, todas associadas com manobras de austeridade, o Crato é campeão de eficiência.

Uma das medidas que Crato apresenta no programa eleitoral e em vias de implementar são mais exames. Sem nenhuma medida tomada para aumentar a eficácia da educação em Portugal, Crato prepara-se para colocar em cima do aluno o peso acumulado e consequência de um mau ensino (mau é um exagero, apenas uso do catastrofismo inquisidor deste Crato). Não vejo aqui nenhuma medida corajosa, bem pelo contrário. Mas toda a direita autoritária anda em pulgas com esta cristianização do percurso escolar.

Contudo, entrando neste jogo, entendo que os exames são uma forma de controlar a qualidade quer do aluno quer do sistema de ensino. Sob este ponto de vista parece fazer sentido. Será? Não, desde os anos 40 que a resposta é não. O controlo de qualidade não deve ser feito por inspecção do produto final ou de pontos isolados na cadeira de produção. O controlo de qualidade deve ser feito o mais em tempo real possível com estratégias de controlo que incluam acções em feedback (para trás, para evitar o problema no futuro) e feedforward (actuar mais à frente para corrigir/atenuar o problema). O foco? Deve ser no aluno. Não nos professores, no ministério, nas paixões de uns pela matemática e de outros pelo autoritarismo. As medidas que o Crato quer implementar são retrógradas de um ponto de vista do controlo de qualidade e afastam-se das melhores práticas assumidas pelos países europeus com sistemas de ensino reconhecidamente mais eficazes. Ao professor cabe fazer uma avaliação contínua do aluno e, sempre que possível, ajustar o seu método. Podem existir organismos de apoio nas escolas para este trabalho? Porque não? Devem os pais serem chamados à responsabilidade? Porque não? Mas assistimos quer a um aumento do número de alunos por turma, quer à vontade deste ministro de fazer a separação dos alunos por performance numa espécie de darwinismo social. O mérito continua a encher-lhe a boca assim como lhe enchia o ego por cada livro que publicava. Depois desta experiência como ministro espero que se retraia desse seu narcisismo intelectual que a realidade deixa-lhe pouco espaço para odes.

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