sexta-feira, março 30, 2012

Da greve

A greve geral foi um fracasso, considerando os números da adesão e a pouca atenção recebida pela maioria da população. A greve geral tem sido usada de forma leviana e sem que a CGTP explique de forma clara o que pretende. Estão encurralados e agem de sangue quente, parece-me. Com tiques de centralismo democrático (apesar do aparente federalismo), a central lá vai definhando deixando um vazio (os amarelos não devem contar). A arrogância de quem esteve e quem está à frente permanece, com justificações medíocres e risíveis. No meio de tudo isto haveria espaço para comissões de trabalhadores mais fortes mas de momento sem energia potencial.


A polícia foi novamente repressiva com tiques que já vêm do cavaquismo. Na blogosfera, alguns bloggers de direita andavam muito ocupados a mostrar um vídeo onde achavam se provar que os desacatos tiveram origem nos manifestantes. Não tardou em chegar um outro vídeo desmentindo o primeiro. Não vi ainda nenhuma retracção. De parte da outra direita, mais subtil, não houve denúncia nem repúdio. Dá para ver do que são feitos.


domingo, março 25, 2012

Chama-se ciclo

Liberais perdem no Sarre e dificultam ainda mais a governação de Merkel
Parece que os liberais perderam a favor da esquerda. Não tenho outras cogitações que não atribuir estes resultados ao carácter cíclico do parlamentarismo. Ver que outros vejam alterações do partido no poder noutros países de qualquer outra forma é risível.

Adeus Tabucchi

Que melhor investimento estrangeiro aquele que vem por amor à língua, daquela falada, que vai passando à margem de acordos e certificados. Um adeus a quem nos amou.

Da ironia

sábado, março 24, 2012

Corolários

Constância

MEC sempre foi uma personagem que me passou ao lado. Conhecia-lhe a assertividade das opiniões e as múltiplas investiduras em projectos como editoras discográficas, imprensa, etc. Nenhum destes projectos me chamou à atenção embora reconheça que tiveram dimensão nacional. Entretanto, após um período afastado dos holofotes, MEC regressa como cronista do Público. Li-lhe as crónicas nos primeiros tempos, mas dali resultava um sabor sem-sal. De vez em quando, por imposição de um título menos negligenciável, volto a tentar. Nada. Entretanto, o Público deixa o visado entrevistar Eusébio e dali sai apenas salivação e pouca informação. Agora, sai uma entrevista ao MEC pelo Pedro Mexia (muito mais interessante que o entrevistado) e confirmo a minha indiferença. E aquela defesa da monarquia, a apologia do nacional-misticismo? Entediante.

Da riqueza

A partir daqui um artigo sobre "Libertarianism Does Not Equal Selfishness" (libertarianism é a versão norte-americana de liberal). Para mim há um paradoxo entre "human flourishing through freedom and its natural product, social cooperation" e "libertarianism must largely be about the individual's selfish pursuit of wealth, or material goods.". Considerando a verdade inquestionável de que os recursos são limitados (Lavoisier), a acumulação de riqueza de um implica a destruição de riqueza de outro. A assimetria na distribuição resultante destas premissas só se torna 'moralmente aceitável' assumindo a meritocracia como um sistema justo (ou quase-justo). Não li ainda nenhum argumento sério a favor da meritocracia (sc. before ph.).

Não me oponho à criação de riqueza (se bem que as minhas balizas do 'moralmente aceitável' para a geração dessa riqueza sejam mais apertadas que de um donald trump). Oponho-me antes à forma como esta é distribuída.

sexta-feira, março 23, 2012

O tea party do bairro

Pedro Picoito, numa crónica da RR tenta justificar que os gays devam ser considerados como grupo de risco e, como tal, impedidos de adoptar. Para tal, num post expande a sua justificação com artigos. A caixa de comentários é um bom contraditório às teses de Picoito sem que este tenha tido capacidade de responder (no fim acabou por fazer uso de apenas um dos artigos que achava mais relevante mas even so). Do lados dos defensores desta teoria até um suposto psicólogo tentou puxar da 'sua experiência' sem ter respondido a quem lhe pedia factos em vez de frases feitas.

Como resultado, a ILGA lançou um comunicado pedindo contraditório e expondo a argumentação faltosa de Picoito. Picoito achou primeiramente imensa graça, depois deve ter ficado preocupado.

Depois veio a cavalaria do cachimbo, também eles preocupados. Primeiro veio o Carlos Botelho chamando de cruzados que contrariou Picoito; “que não sabiam conversar, brutais e sem sentido de humor”! Que eram “ fanáticos”, imagine-se. Quando peço ao Botelho para ser mais concreto a quem ele se referia, esqueceu aquelas merdas do peito às balas e dos heróis da pátria e o caralho. O Botelho acobardou-se e nada responde.

A seguir a Botelho, Picoito deixa transparecer o suor quando tenta branquear a longa lista de comentários ao post inicial. Desta feita deixa os 'estudos científico', já mete Focault e reduz os gays à ILGA.

Por fim, veio o melhor na pena de Maria João Marques. Em vez de ter debatido nos comentários do post inicial, tenta fazer tábua rasa e inicia um novo post. Desta feita a educação de Picoito é substituída pelos dentes arraigados desta pequena fera que nem tenta esconder o seu asco. Recupera os adjectivos de Botelho, como “fanáticos”, “cruzados”. O pior é que n\ao introduz nada de novo ao debate, facendo apenas uma jogada cubista de tentar alterar o ângulo de ataque.

Com este gente não vale a pena discutir. Tentei enquanto não fui insultado. À cobardia de Botelho, ao insulto da Marques e à falta de argumentação do Picoito não tenho nada a acrescentar.

quarta-feira, março 21, 2012

De Marx

Mais um post interessante do Miguel Madeira. A caracterização e crítica feita por Marx ao sistema de produção capitalista tem os seus méritos.


sábado, março 17, 2012

Da promessa

Passo semanas sem ver uma única notícia do saudosista paulo portas, demagogo dos sete costados, monárquico pragmático e ministro tutelando uma reforma dourada. No entanto, hoje:

Paulo Portas anuncia criação de visto especial para investidores

A grande medida deste senhorzinho é isto, vender vistos. Não devia andar a mediar a situação do país nos orgãos da união europeia? Não devia encontrar medidas de apoio à diáspora daqueles que respondem ao chamamento do grande timoneiro passos? Tantas promessas, tanto vigor encafoado na sua boina e colete de homem do campo, tanto branqueamento dental e tão pouca, tão pouquinha elevação.

segunda-feira, março 12, 2012

Do paraíso perdido

O governo irlandês pediu uma restruturação da dívida dos bancos (aqui). Eva prepara-se para comer a maçã.

quarta-feira, março 07, 2012

Do populismo

O homúnculo que preside aos destinos da França queixou-se do excesso de estrangeiros. Já houve quem respondesse à altura: aqui e aqui.

terça-feira, março 06, 2012

So this is where feminazi came from... interesting


Do mérito

O João Vasco tem um interessante post sobre mérito. Sim, isto também é mérito.

domingo, março 04, 2012

Seu nome era Maria

"Gosto muito mas sempre que como feijão preto fico com o coração triste"

Ao que parece, este dito provinha da mãe da minha avó materna (bisavó materna?) sempre que se deliciava com um prato de feijão preto (nome antigo do feijão frade).

Vivência

"Sentado a uma mesa onde só podia ter um lápis e papel, [Noé] Sendas viu trazerem-lhe um carrinho, e nele, os seis cadernos de Beckett. Durante 15 dias, copiou os diários à mão. Não pôde fotocopiá-los, fotografá-los. Pôde tirar o lado vivencial e era isso que lhe interessava."

Artigo de Ana Dias Cordeiro no Ípsilon sobre a obra de Noé Sendas à volta dos diários alemães de Beckett

Não me interessa esta obra em particular do Noé Sendas (patente no Museu do Chiado) até porque não a vi (ainda). Interessa-me este bocado de prosa, este mastigar de tempo que rareia.

sábado, março 03, 2012

Do leftismo

Ao ler uma entrevista a dois "free market individualist anarchists" que se intitulam "leftists", restam-me dois comentários:

1) Tenho pena que o entrevistador não tenha aflorado a questão do mérito. A questão biológica é inerentemente anterior a quaisquer considerações filosóficas/morais/whatever, nem que seja por balizamento destas últimas.

2) Que "an economic system characterized by peaceful, voluntary exchange" é uma utopia que não se torna possível com a abolição do estado, principalmente em sistemas que prevêem propriedade privada. Mesmo assumindo que o 'mercado' não iria permitir desigualdades em termos de uma média rolante (que permite), não as impede em períodos de tempo significativos em relação à esperança média de vida humana. Isto contraria, não só a 'voluntary exchange' como ainda coloca em causa o 'individualism'.

Não me parece que, historicamente, estes entrevistados se possam chamar de 'leftists'.

sexta-feira, março 02, 2012

Ciência?

Anda um grande burburinho por uma 'artigo científico' onde a autora escreve que quem aceita que se aborte um feto, deverá, por corolário, aceitar que se mate um recém-nascido. Sumariamente, o argumento será que o recém-nascido também não tem consciência da sua existência.

Em primeiro lugar não se trata de um 'artigo científico' mas antes um artigo sobre ética feito por uma estudante de filosofia. Um tratado de moral, portanto.

Em relação ao conteúdo, é uma opinião da qual discordo. Não sei onde de deverá traçar a linha para permitir um aborto. Contudo, para mim é claro que, no prazo estabelecido pela lei não considero infanticídio a prática da IVG pelo facto de que não estamos a falar de um ser com vida autónoma capaz de respirar e com os mecanismos básico de suporte à vida. O recém-nascido tem. O que acabei de dizer não o considero ciência mas uma apreciação moral da IVG.