sexta-feira, janeiro 20, 2012

Das diferentes utopias

Hoje, numa ida à lavandaria do costume instalada num modelo, lá estava a banca para mostrar os benefícios da história edp-sonae. um casal de idosos ouvia atentamente a verborreia estudada da funcionária. eu também, por curiosidade. durante os dez minutos que demorou a convencer o casal a aderir, a funcionária nunca referiu que esta alteração implicava a alteração do tipo de contracto da edp de mercado regulado para liberalizado.

esta e muitas outras histórias denunciam a falácia da ideologia liberal: uma relação não regulada entre duas partes só é livre (e justa) se e só se as duas partes tiverem a mesma informação (poderia falar até das mesmas capacidades, mas já nem vou por aí); ou seja, se a relação for simétrica. pois bem, nunca são. temos pena. utopias temos todos.

Da falta de vergonha

cavaco silva terá dito: "As minhas reformas não chegam para as despesas". nesse caso deverá ter resposta idêntica que os seus companheiros distribuíram a quem ganha bem menos que ele: se não tem não gasta. a falta de vergonha deste tipo chega a ser embaraçosa.

Adenda: ou se despede ou é derrubado. outra consequência lógica.

da hipocrisia

llosa recusa pela segunda vez presidir ao instituto cervantes. acho bem, é uma consequência lógica das suas orientações ideológicas. o próprio disse, na primeira recusa, que tal cargo não se coaduna com o ser escritor, que deve manter a independência e a liberdade. fica-lhe bem. na segunda recusa já alega falta de disponibilidade, que o ser escritor não lhe permite a plena entrega ao cargo. uma metamorfose incómoda. entretanto descubro que, afinal, llosa até pertence ao patronato do instituto. em adição, llosa viaja a convite do instituto para viajar e divulgar a língua espanhola por esse mundo afora. que aconteceu à independência e à liberdade de llosa? concerteza mantêm-se balizados nas orlas das suas produções literárias.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Da oligarquia

Mais um valioso contributo do miguel madeira.

A história é areia movediça para os imberbes deste mundo

Não é todos os dias que referencio o cachimbo pelas boas razões.

Da ejaculação precoce

S&P corta rating a nove países, França perde AAA e Portugal passa a “lixo”

Governo lamenta e considera infundado corte do "rating" de Portugal

S&P usou corte de rating para fazer política, diz Passos Coelho

Este governo perdeu a vergonha. Tornou-se declaradamente incompetente e repete as desgraças socráticas. O passos está desorientado como só um menino fica quando se perde dos pais; há um pânico do vazio naquelas cabeças coroadas. A promessa fundamental de não atribuir desculpas a outros caiu; já nada resta.

Eleições antecipadas já!

domingo, janeiro 08, 2012

Hoje sinto-me pessimista

Parece que foi encontrada uma última entrevista dada por Pier Paolo Pasolini. Compara o consumismo ao nazismo pela foram como manipula e violenta os corpos. Fala como essa industrialização ruiu a cultura de campesinato católico italiano. Que os extremistas fazem explodir bombas de dia mas que há noite se deixam inebriar pela tv. Acha ainda que, enquanto o fascismo é totalitário, o consumismo é totalizante (dá o exemplo dos dialectos, resistentes ao fascismo).

Como escreveu Marcuse, sem memória não há utopia e nunca um regime, como o regime capitalista, destruiu tanto a memória. Estará tudo terminado quando a arte perecer.

Pasolini morreu em 1975. Os bons morrem cedo.

terça-feira, janeiro 03, 2012

Da pequenez

Os liberaizinhos da praça acham muito bem esta venda da jerónimo martins a uma subsidiária holandesa. rejubilam pois é um resultado do nosso peso fiscal. Não referem o moralismo enjoadinho de alexandre soares dos santos; nada disso, o capital além de não ter ideologia ou país parece não ter vergonha. Mas acho que devem seguir o exemplo deste muy valoroso empresário e emigrarem para onde paguem menos impostos, não se vá dar o caso de eu achar que falamos de meninos.

Obviamente, apesar de despojado de ética, este movimento financeiro é perfeitamente legal. Também é perfeitamente legal não voltar a fazer compras no pingo doce. É o que farei.