segunda-feira, agosto 29, 2011

Fernando Ramôa Ribeiro

O título desta notícia diz tudo sobre a vida e obra de Ramôa Ribeiro. Vi-o nos corredores da Torre de Química do IST quando por lá andei, mas nunca fui seu aluno. Ligeiramente interagi com ele de forma indirecta relativamente à política da gestão da Escola. Normalmente, como muitos da sua idade, nunca se conseguiu ver livre do Salazarismo na sua forma de ser e agir politicamente. Não digo isto como insulto ou com preconceito ideológico. Cresci num Portugal onde a Democracia não se ensinava nas Escolas, onde o Professor tinha sempre razão, onde a sua autoridade era sempre inquestionável, mesmo relativamente a questões que iam além do ensino e actividades académicas. Um Portugal onde as corporações de elites bajulam os seus líderes e ídolos, espezinhando opiniões divergentes sem qualquer hesitação. Há quem diga que o 25 de Abril vai morrendo nos funerais dos Capitães de Abril e dos velhos Comunistas. Eu digo que o Salazarismo vai morrendo nos funerais dos filhos das corporações que mantiveram um regime, muito além de 1974, de muito respeitinho e dignidade neste nosso belo Portugal.
Academicamente, o brilhantismo de Ramôa Ribeiro não se discute na praça pública, mas fica morto em arquivo ou citado em publicações científicas e na vida e obra dos seus discentes e alunos.

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