terça-feira, agosto 09, 2011

Do que vai acontecendo por londres

A direita portuguesa está muito nervosa com o que vai acontencendo em londres (com contágio para outras cidades britânicas). Nalguns exemplos tentam fazer tábua rasa do gatilho que desencadeou todo este processo: a morte de um homem pela polícia e a vigília que se seguiu. Não há quebra do nexo  causal; existe sim uma auto catálise que torna as consequências em causas.

Noutros exemplos (mais este, e este), a direita conservadora esquece por momentos toda a pompa e deixa antever o seu verdadeiro rosto (o mesmo que levou a direita conservadora alemã entregar o poder a Hitler). Para esta direita lidamos com "escumalha", "bichos" e a autoridade tem de ser mais repressiva (cito: "dar enxertos de porrada"). Aliás, o exército é que era.

Os liberais também se quedam nervosos. De repente lembram-se que irão sempre necessitar do estado para manter os direitos de propriedade e até acham bem as tiradas paternalistas de Cameron: “Se vocês são velhos o suficiente para cometerem tais crimes também são velhos o suficiente para serem punidos”. O capitalismo não é a forma de organização de menor energia; necessita de manutenção constante e de cunho repressivo. 

Estes motins não são ideológicos (como alguma esquerda quer fazer entender), não há nenhum discurso político nestes actos. Há sim um reflexo das más políticas dos políticos britânicos e de uma hipocrisia da sociedade que à tolerância caridosa chama de multiculturalismo.

Condeno esta onda de violência pelo simples facto de que me repugnam actos violentos. Mas não fico surpreendido; a probabilidade de uma tal ocorrência não é baixa e há bem pouco tempo paris também foi palco de motins. Não queiram desumanizar, não queiram fazer disto um caso de delito comum para que depois todas as medidas de retaliação (contenção é eufemismo) sejam branqueadas.

1 comentário:

Wyrm disse...

Excelente post.