segunda-feira, agosto 30, 2010

Do social-marialvismo

O Rodrigo Moita de Deus, com o qual discordo na grande maioria dos assuntos, surpreende com esta cruzada pelo SNS e contra a hipocrisia do governo português.

Do autoritarismo

Este post do Luís Rainha, demonstra claramente que o autoritarismo não é apenas uma maleita do estado; acontece nas empresas, nos grupos sociais, na família. Mas contudo, os liberais continuam a fazer a sua luta em apenas uma frente. Chama-se enviesamento.

Do humor

Roubado daqui.

Da resposta

Ao cuidado do Francisco: Os beneficios sociais estimulam o desemprego?

Do radicalismo economista (III)

Para acabar, ainda este.

«Let me then make that diversity clear. We are not environmentalists. We ardently oppose environmentalists. We consider environmentalism a form of mass hysteria akin to Islamic fundamentalism or the War on Drugs. We do not recycle. We teach our daughter not to recycle. We teach her that people who try to convince her to recycle, or who try to force her to recycle, are intruding on her rights.»
O direito dela em não reciclar colide com o direito de todos nós a ter um ambiente saudável com uma utilização de recursos sustentável. A comparação entre ambientalistas e radicais islâmicos demonstra a desonestidade intelectual deste tipo que o André parece admirar. Na falta de capacidade argumentativa tenta-se criar o pânico e colocar-se acima dos demais. Este registo é digno de um estado totalitário o que não deixa de ter a sua piada.

«I am frankly a lot more worried about my daughter’s becoming an environmentalist than about her becoming a Christian. Fourth, we face no current threat of having Christianity imposed on us by petty tyrants; the same can not be said of environmentalism. My county government never tried to send me a New Testament, but it did send me a recycling bin.»
Este último parágrafo é só para deixar claro a forma de pensar desta gente. Como dizem do outro lado, é self-explanatory.

Do radicalismo economista (II)

Continuando, desta vez aqui.

«This suggests that environmentalists — at least the ones I have met — have no real interest in maintaining the tree population. If they did, they would seriously inquire into the long-term effects of recycling. I suspect that they don’t want to do that because their real concern is with the ritual of recycling itself, not with its consequences.»
Ah e tal, os gajos de esquerda são arrogantes e assim…

«I explained to her that time is also a valuable resource, and it might be worth sacrificing some cups to save some time. Her teachers taught her that mass transportation is good because it saves energy. I explained to her that it might be worth sacrificing some energy in exchange for the comfort of a private car. Her teachers taught her to recycle paper so that wilderness is not converted to landfill space. I explained to her that it might be worth sacrificing some wilderness in exchange for the luxury of not having to sort your trash. In each case, her five-year-old mind had no difficulty grasping the point. I fear that after a few more years of indoctrination, she will be as uncomprehending as her teachers.»
Este parágrafo é profundamente lastimável. O que o André parece querer colocar ao largo é que medidas como a reciclagem visam a protecção de um equilíbrio natural e cuja disrupção pode ser fatal. Ou seja, a liberdade que o autor apregoa para ele colide com a liberdade de outros. A finitude de recursos nunca permitirá que toda a população aprecie os pequenos luxos referidos no texto. O tal egoísmo ético apregoado por estas gentes é isto mesmo: um paradoxo em si.

Do radicalismo economista

André Azevedo Alves está numa cruzada contra o ‘ambientalismo’ (aqui).

Exemplo de alguns argumentos que vai transcrevendo:

«Ironically, recycling does not eliminate environmental worries. Recycling is a manufacturing process and, (…)  can produce pollution. An EPA study of toxic chemicals found such chemicals in both recycling and virgin paper processing, and for most of the toxins studied, the recycling process had higher levels than the virgin manufacturing did.»
O processo de reciclagem não é um processo de purificação; Como tal existirá um processo de concentração de compostos no papel reciclado; uma das razões porque não se recicla ad eternum. O que se poupa é um uso de matérias-primas. Em adição, o processo de reciclagem de papel é bem menos poluente que o processo de fabrico de papel porque partimos de matéria-prima já bastante processada. Básico.

«Nor will recycling more newspapers necessarily preserve trees, because many trees are grown specifically to be made into paper. A study prepared for the environmental think tank Resources for the Future estimated that if paper recycling reached high levels, demand for virgin paper would fall. As a result, writes economist A. Clark Wiseman, “some lands now being used to grow trees will be put to other uses.” The impact would not be large, but it would be the opposite of what most people expect—there would be fewer trees, not more. »
Uma idiotice pegada. O autor assume à partida que se não houver fabrico de papel deixam de haver árvores. A relação causa-efeito é aqui forçada para garantir uma base de argumentação. Ainda por cima, o próprio autor garante que o impacto até não é assim tão grande.

«Finally, curbside recycling programs require additional trucks, which use more energy and create more pollution.”»
O papel quando usado será sempre sujeito a transporte, ou para um centro de recilcagem ou para um centro de tratamento de resíduos urbanos, ou… Percebido?

«Recycling is widely used where the economics are favorable but inappropriate where they are not. Government regulations may override the economics, but only at a high cost and by requiring actions, such as curbside recycling, that people will not do voluntarily.»
Estou-me nas tintas para as economics. De novo, a incapacidade para uma análise de risco desta gente é por demais atrofiante. E afirmações como a última sem suporte estatístico são de uma falta de honestidade atroz.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Da interrogação

Quando penso que percebi o liberalismo volto à estaca zero. O governo alemão, uma coligação da direita conservadora e direita liberal aprovou um novo imposto sobre a banca. Deve haver alguma nuance que eu não entendo.

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domingo, agosto 22, 2010

Da lucidez

O Miguel Madeira é um dos pensadores da blogosfera mais lúcidos. Por exemplo.

sábado, agosto 21, 2010

Da meninice

O André é da corrente liberal näive; ou então deve sentir um tremor de emoção com os dislates da opus dei.

Da súmula


cartoon de André Carrilho

Ainda da polémica gerada pela hipocrisia de um estado militarista. Esteve muito bem André Carrilho nas respostas que deu.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Das ganas

terça-feira, agosto 03, 2010

Dos chumbos

Há um erro que se comete, talvez pelas temperaturas altas que se vão fazendo sentir e que tornam menos eficiente o controlo de impulsos primários: o apreço pelo soundbyte. A notícia pode referir um conjunto de pontos que constituem um programa; contudo, se um dos pontos puder ser removido do programa e assim ser utilizado como arma de arremesso então, by Murphy’s laws, tal será feito.

Do programa da ministra da educação salientou-se o facto de se abolirem as retenções por mau aproveitamento. Logo aqui, os defensores da meritocracia vêm clamar contra aquilo que julgam ser uma medida de facilitismo e de embelezamento de números sem referirem o resto do programa. Não gostam da ideia de haver alternativas ao chumbo nem apresentam alternativas para o acompanhamento dos alunos retidos.

De um modo geral, uma retenção é um mecanismo de tentativa e erro. O aluno não teve aproveitamento este ano então tenta de novo no próximo ano; com um pouco de sorte terá um outro professor que até explique melhor; ou os pais usam o serviço de um explicador particular. A mim parece-me que, contudo, poderão haver melhores maneira de recuperar um aluno com mau aproveitamento sem a necessidade de retenção. Para que tal possa acontecer um outro conjunto de medidas teriam de ser aplicadas.

Se eu me insurjo contra esta medida do ministério da educação é porque me parece que as restantes medidas (propostas e adoptadas nesta legislatura) não permitem uma verdadeira alternativa ao chumbo. Assim é difícil não achar que estamos a assistir a um branqueamento estatístico (tão comum nos mercados financeiros -  deve ser isto a modernidade).

Discuta-se o programa e não uma medida em particular.

Já agora, da minha experiência pessoal, vindo de uma região com graves problemas de pobreza, posso afirmar que as retenções eram motivo mais que frequente de exclusão social.

Mas é sempre agradável ver os conservadores a partilhar opiniões:
CDS-PP considera “um disparate” e uma “injustiça” terminar com os chumbos no ensino
PCP diz que terminar com os chumbos é medida “facilitista” e que “desqualifica” o ensino

Olé (II)

Ter uma boa parte da direita contra a proibição das corridas de touros e agora o Carlos Vidal… isto é quase um argumento em si!

Da cobardia

Que a Helena Matos gosta da notícia fácil e descontextualizada eu já o sabia; que fosse cobarde eu suspeitava. Hoje tive a confirmação. Postando um vídeo da intervenção da polícia francesa que arrasta mães e filhos de uma comunidade de imigrantes desalojados, escusa-se de tecer quaisquer comentátios deixando a seguinte pergunta: “O que vê aqui?”. Depois é só ir à lista de comentários povoada pelas alminhas seguidoras dos vários blogues das direitas culpabilizar e escarnecer as mães.

Só posso imaginar a Helena num risinho patético esfregando as mãos de satisfação por ver o seu corpo de mercenários fazer aquilo que ela não tem coragem.

Só uma nota adicional: não me lembro de ver esta gente a inurgir-se contra a utilização de crianças palestinianas pelo exército israelita como escudos humanos.