terça-feira, julho 20, 2010

Do poder ao povo… ou não

Lendo as linhas gerais do programa de David Cameron denominado Big Society (acho um mau nome; aproxima-se demasiado de Big Brother), só posso dizer que será algo para seguir atentamente.

Um programa deste género só resultará se efectivamente descentralizar os centro de decisão aproximando-os do povo. Contudo, existem algumas pontas soltas que não me deixam confortável:
- Parece ser um programa que pretende transferir para as comunidades locais a responsabilidade da prestação de serviços e não o controlo democrático; i.e., um programa para cortar despesas e nada mais;
- Não se percebe como vão ser distribuídos os fundos, se por burocratas se por privados; necessita-se de uma ‘terceira via’;
- Parece-me que não existe plano de articulação relativamente ao que é de implicação nacional e local; problemas locais devem ser resolvidos localmente, mas os nacionais…;
- A escolha de 4 localidades para testar a implementação da Big Society, denominadas “comunidades de vanguarda” (sic), teve como racional o facto de ‘they can already cite examples of the type of community activism the Big Society says it is about’; Isto parece-me simplesmente parvo; um bom plano de testes deve incluir potenciais showstoppers e não apenas os best-cases com o risco de os resultados saírem enviesados.
- O programa é muito vago não permitindo uma clara discussão pública o que é um mau começo.

A ver vamos. Irei ficar atento a este programa. Começa mal mas pode ser que dê liberdade suficiente às comunidades locais de tomarem efectivamente o controlo da sua execução e, quiçá, expandir o raio de aplicação.

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