quarta-feira, junho 30, 2010

Da hipocrisia

Não entendo as golden shares. Parecem-me uma tentativa tímida de compromisso entre empresas nacionalizadas e privadas. Mesmo que não fossem douradas, parece-me disparatado que o estado tenha participações na estrutura accionista de uma empresa . O conceito de representação do povo não deve estender-se à tomada de decisões e lucros de uma empresa privada pelas óbvias dificuldades de representabilidade. Assim, ou bem que uma empresa é nacionalizada (monopólios naturais) ou completamente privada. Assim, no decurso de uma privatização, o estado deverá abandonar a estrutura accionista e segmentar a empresa de forma a garantir concorrência. Nunca compreendi a segmentação da Rodoviária Nacional em empresas de acção regional: o monopólio nacional transforma-se em monopólios regionais que, ainda por cima, ficam com menos mercado fazendo sobressair os 'overheads'.

O caso da PT, no presente, é claramente um monopólio natural. A sua privatização sem segmentação (com umas tentativas imberbes de concorrência que só demonstram a ingenuidade do nosso empreendorismo) gerou apenas uma forma de alguns (os accionistas) ganharem dinheiro fácil. Esta onda de indignação que vem contra o uso da golden share por parte do estado para vetar a venda da vivo à telefónica é ridícula. Quando o accionista comprou a sua quota parte da PT já sabia da golden share com todos os seus riscos (evidenciados hoje) e vantagens (too big to fail sponsored pelo contribuinte que sustenta as distribuições de lucros tão apetecíveis).

Resumindo, a parte fraca em todo este arraial é, efectivamente, a população que paga a energia a preços absurdos e sustenta uma estrutura de administradores e accionistas por demais onerosa.

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