quarta-feira, junho 30, 2010

Da hipocrisia

Não entendo as golden shares. Parecem-me uma tentativa tímida de compromisso entre empresas nacionalizadas e privadas. Mesmo que não fossem douradas, parece-me disparatado que o estado tenha participações na estrutura accionista de uma empresa . O conceito de representação do povo não deve estender-se à tomada de decisões e lucros de uma empresa privada pelas óbvias dificuldades de representabilidade. Assim, ou bem que uma empresa é nacionalizada (monopólios naturais) ou completamente privada. Assim, no decurso de uma privatização, o estado deverá abandonar a estrutura accionista e segmentar a empresa de forma a garantir concorrência. Nunca compreendi a segmentação da Rodoviária Nacional em empresas de acção regional: o monopólio nacional transforma-se em monopólios regionais que, ainda por cima, ficam com menos mercado fazendo sobressair os 'overheads'.

O caso da PT, no presente, é claramente um monopólio natural. A sua privatização sem segmentação (com umas tentativas imberbes de concorrência que só demonstram a ingenuidade do nosso empreendorismo) gerou apenas uma forma de alguns (os accionistas) ganharem dinheiro fácil. Esta onda de indignação que vem contra o uso da golden share por parte do estado para vetar a venda da vivo à telefónica é ridícula. Quando o accionista comprou a sua quota parte da PT já sabia da golden share com todos os seus riscos (evidenciados hoje) e vantagens (too big to fail sponsored pelo contribuinte que sustenta as distribuições de lucros tão apetecíveis).

Resumindo, a parte fraca em todo este arraial é, efectivamente, a população que paga a energia a preços absurdos e sustenta uma estrutura de administradores e accionistas por demais onerosa.

How’s that for a statement?

PSD-Madeira rejeita voto de pesar pela morte de Saramago na assembleia municipal do Funchal

Jardim condecora Zeinal Bava na celebração do Dia da Madeira

terça-feira, junho 22, 2010

domingo, junho 20, 2010

Do fado de lisboa

Não me agrada o concurso para levar o fado de lisboa a património da humanidade. Os requisitos para a candidatura implicam tirar o fado do seu âmbito popular e colocá-lo nos grilhões da burocracia do estado.  o fado, que tem sido acossado por variações mais vendáveis (os grilhões da ganância do mercado), definhará nos museus, no papel e na não espontaneidade.


“O Fado”, José Malhoa

Das notícias de hoje II

VPV já não tem idade (nem espaço) para ser ingénuo. Mas hoje no Público (a preguiça continua instalada) escreve “o campeonato do mundo acabou por se tornar uma falsificação. é um mercado e uma bolsa de jogadores. pouco mais”. a seguir vai descobrir que a saúde também pode ser um negócio e que se gasta mais no I&D de armamento que de doenças de terceiro mundo. é um fofo, portanto.

Das notícias de hoje

Leio hoje no Público (link não disponível por uma indisfarçável preguiça) que o secretário-geral do CDS vai abandonar funções para se candidatar à presidência do belenenses.  Deve ser esta a política de seriedade do paulinho.

Das boas associações

Estou deliberadamente a associar de forma pavloviana Voyager de Herbie Hancock a Diane Arbus.

sexta-feira, junho 18, 2010

Saramago

Um jogador da bola morre em tempo incerto logo depois de fazer trinta e picos, o mesmo acontece com os que se reformam do ofício e se delegam aos bancos de jardim e aos jogos de tabuleiro. José Saramago faz parte da minoria de pessoas, que se passearam pelo tempo e espaço da humanidade, que nunca morreriam se não fosse o anjo que ceifa a levar-lhes a vida. Havia muito mais para saír deste senhor do que o que já tinha saído, é uma morte prematura, antes do tempo, um potencial desperdiçado numa mortalha.
Sinto muito...
Fica a obra. Até sempre Saramago!

quinta-feira, junho 17, 2010

Notas sobre o Mundial

Sim, vejos os jogos...
Constantemente me pergunto "quem é este gajo?", "donde conheço estes nomes da malta da Argentina?", "serei o único a pensar que Portugal joga muito mal?".
Apoio a Coreia neste Mundial. Não interessa qual delas. As duas se calhar e se houvesse uma Coreia do Este e outra do Oeste, também as apoiava.
Já agora, parabéns Nuno, cumprimentos à tua senhora.

segunda-feira, junho 14, 2010

Brilhante


Um alter Goya, por Forges. Roubado daqui.

sábado, junho 12, 2010

Wendy & Lucy

Wendy and Lucy não é um grande filme. Tudo bem, é isso que faz a sua grandeza. A narração é linear e simples com poucas incursões de uma pequena cidade no Oregon; de facto, o fim do filme é a fuga para a terra prometida onde há emprego e alguma esperança: Alasca.

Este é um filme com crítica social o que nos dias que correm soa a anacronismo; so be it! I could not care less. Wendy (Michelle Williams,  Brokeback Mountain) é mulher-menina acompanhada pela sua cadela Lucy em plena viagem rumando ao norte dos EUA num velhíssimo Honda Accord. Falam de uma claustrofobia social, um lastro feito de crise e de como pequenos gestos podem fazer a diferença. Mas também é um história de compromissos e de como aos da mó de baixo tudo pode ser negado.

Um belíssimo filme que vem colocar uma marca de realidade nos pomposos  road movies americanos.

sábado, junho 05, 2010

Dos falcões israelitas

Em relação à invasão do barco humanitário por elementos das forças armadas israelitas tenho cá para comigo que Israel demonstrou claramente as suas fraquezas. Países com um elevado nível de militarização e consequente baixa liberdade civil terão sempre de ocupar os seus falcões. Há sempre alguém pronto a dar a ordem que vai soltar os cães raivosos, apetrechados de alta tecnologia para a morte.

Não vou dizer que no barco apenas estavam inocentes. Não estavam. Mas a desproporção de meio utilizados é obscena. Pornográfica. Risível de ridículo (como os textos da Helena Matos e César das Neves).

Aos que se permitem a vergonha de estar com Israel NESTE episódio, aos que confundem defesa com subjugação, aos que não conseguem ver os vários lados do conflito, tenho pena e alguma vergonha.

Só uma pequena nota, quem colocou o Hamas no poder foram os falcões israelitas. Uns atraem os outros. Quem se lixa será sempre o povo de um e outro lado.