segunda-feira, maio 24, 2010

Foda-se…

… que coisa tão boa , my little noir Mariza -  e quando tudo parecia acalmar ao minuto 4 ela volta de lá.

(roubado de forma desavergonhada daqui)

domingo, maio 23, 2010

Do dia de ontem

Ontem tive a oportunidade de ver duas exposições que fortaleceram a minha opinião sobre os artistas exibidos e que no processo me deram a conhecer dois espaços magníficos.

Na Galeria Carlos Carvalho Arte Contemporânea, Daniel Blaufuks expõe “O Ofício de Viver”, uma série fotográfica baseada nos diários de Cesare Pavese, centrada na volatilidade das recordações.  A fotografia aparece-nos aqui no seu papel primordial de cristalizar os momentos como forma de memória per si e não apenas documental.

As fotografias são apresentadas em vários formatos, a cores e a preto-e-branco e lembram  naturezas mortas com elementos assumidamente alegóricos numa forma de mensagem encriptada. Desta forma pretendem apelar às nossas recordações pessoais e colectivas. O corpo de fotografias exposto mantém o interesse do artista na relação espaço-tempo e nos elementos da questão da memória individual e colectiva.

O espaço expositivo era-me desconhecido e surpreendeu-me bastante. A galeria foi projectada pela equipa de arquitectos Aires Mateus e tem aquilo que se espera de um espaço deste género, linhas simples, depuradas de elementos ornamentais, mas com elementos geométricos capazes de criar uma estrutura virtual que suporte exposições em vários formatos.

“O Ofício de Viver” estará na galeria Carlos Carvalho até ao dia 29 de Maio.

 

Uma vez estacionado o carro, começo a percorrer a baixa lisboeta a pé sob um sol demasiado forte. Começo a subir  a colina do castelo aproveitando as sombras deixadas pela proximidade entre os edifícios.  Levo a máquina numa mão para o que der e vier, e na outra mão um mapa de como chegar ao Palácio do Marquês de Tancos. Uma vez na Rua da Costa do Castelo, inicio o seu varrimento em busca da porta 23. Falho-a. Quando passo pelo número 21 interrogo-me que raio de palácio deixa-se ignorar. Volto atrás e rapidamente encontro a porta 23. Aparentemente estou numa entrada de serviço. Ligo para o número escrito na porta. Rejeitam a chamada e apenas tenho de esperar uns segundos para entrar. Alguém (raramente pergunto o nome, o que normalmente torna-se arrependimento) abre-me a porta e faz-me entrar num edifício notoriamente abandonado há vários anos. Os azulejos nas paredes vão apresentando falhas e o chão em madeira range acomodando-se à novidade de alguém sobre ele caminhar. Passo por 2 ou 3 salas de enorme pé direito e de uma luz angustiante; viradas para o Tejo e o sol continuava impiedoso. Chegamos então à sala maior; grandes janelas e uma mesa no centro; em cima da mesa estava o que trouxe até ali: o mais recente trabalho da Catarina Botelho, “o outro nome das coisas”. Eis-me então, sentado numa mesa texturizada de frente para as enormes janelas com um Tejo de azul grave no campo de visão e com a possibilidade de desfolhar um livro de provas onde se observa uma parede fotografada em diferentes horas do dia e, portanto, com diferentes condições de iluminação. Um texto distribuído numa sala adiante informava que a artista, durante ano e meio fotografou a mesma parede usando sempre a mesma perspectiva. O resultado é um atlas de uma interioridade que acaba por responder a uma pergunta deixada no texto, “mas pergunto-me se não é o próprio trabalho que se está a desviar, a contornar, a encontrar um novo corpo”. Eu diria, que o trabalho, o corpo, prossegue na sua linha mestra e que se relaciona com a demonstração da intimidade da artista. A série “dias úteis” (já prometi escrever sobre esta série mas ainda sem resultados práticos) já havia iniciado o diálogo entre obra e espaço expositivo (decorreu num edifício Pombalino abandonado), e “o outro nome das coisas” promete trazer a continuação.



vistas de instalação “dias úteis”, 2008

Infelizmente, a apresentação decorreu apenas ontem. Espero sinceramente que hajam novas oportunidades (eventualmente outros edifícios?) para repetir esta “intervenção”.

domingo, maio 09, 2010

Do maior cantautor vivo

Ver este post do Daniel Oliveira com a letra integral da performance de JMB “FMI” e um email onde fala de direitos de autor.

Da boa escrita

Três pessoas escrevem na blogoesfera como ninguém:

Maradona

Ana Cássio Rebelo

Pedro Vieira (este ainda desenha)

Tenho dito!

domingo, maio 02, 2010

A meio caminho

JLS Poster 3

Já inaugurou.
Mais informações aqui. Apareçam.

Da dívida pública

Portugal viu o seu rating da Standard & Poor’s descer dois níveis na sua escala, de A+ para A- devido ao medo de incumprimento no pagamento da dívida. O meu economês sendo fraco andou atento nos últimos dias e aparentemente a dívida pública em termos percentuais do PIB parece ser o termo para qual todos olham. Então descobri que a CIA (não percebo a relação) já me fez a papinha toda ao criar uma lista ordenada das maiores dívidas públicas em percentagem do PIB (referente a 2009). Segue então algumas entradas iteressantes:
2 – Japão: 192%
6 – Singapura: 118% – o éden para os nossos liberais
7 – Itália: 115% – a atravessar uma crise política com a coligação no poder a desmembrar-se; rating da S&P: A+
8 – Grécia: 113% – a fonte de todo o mal
10 – Bélgica: 99% – o governo cai mais uma vez numa crise política prolongada e eventual fragmentação do país; rating da S&P: AA+
11 – Iceland: 95% – outra fonte de todo o mal
18 – Alemanha: 77% – look who’s next
19 – Portugal: 75% – hum

Confesso que fico um pouco perdido a não ser que estas análises sejam pouco objectivas.

De qualquer modo já se sabe quem vai acabar por pagar este nervosismo do gene-capital (mais do que deus-mercado): os fracos da cadeia. Observem o poder sintético destas duas notícias:

TGV: “Eu sigo o meu plano e sou fiel a ele”, diz Sócrates

Sócrates admite não saber o impacto da redução do subsídio de desemprego

Aconselho

“Foder e ir às compras” do dramaturgo Mark Ravenhill (não conhecia) encenada por Gonçalo Amorim (um grande actor – ainda me lembo do Frankenstein -  e um encenador em vias de se tornar dos melhores) e interpretado por um elenco quase todo desconhecido para mim (embora alguns tenham já alguma filmografia) mas de uma grande qualidade. Das melhores peças que já vi (ainda para mais se comparar com o muito mais subsidiado e badalado Édipo).

Até 15 de Maio na Sala Principal do São Luiz.
Mais informações aqui.