segunda-feira, abril 26, 2010

Das citações

Meus senhores, se a esquerda sorriu ao ouvir as citações de Aguiar-Branco, não foram de amarelo tingidas as inflexões dos lábios. Não perceberam o recostar na cadeira feito de profunda descontracção atirando para a frente a gargalhada que se dispensa aos bobos involuntários.

(BTW, povo é um substantivo inclusivo, não se enganem)

Aguiar-Branco arrisca-se a ser o enfant terrible da direita quando a coragem já não lhe traz desgraças. Ávida por um herói, a nossa direita aposta no branqueamento de uma festa que é feita pela esquerda, não por imposição desta mas por falta de comparência da anterior. A desistência vem de uma certa vergonha feita do antes e depois com permanências mal explicadas nos hemiciclos e corredores de poder.

Citemos então Sérgio Godinho, mas com a coragem de citar toda a letra:

Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

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