segunda-feira, abril 26, 2010

Das citações

Meus senhores, se a esquerda sorriu ao ouvir as citações de Aguiar-Branco, não foram de amarelo tingidas as inflexões dos lábios. Não perceberam o recostar na cadeira feito de profunda descontracção atirando para a frente a gargalhada que se dispensa aos bobos involuntários.

(BTW, povo é um substantivo inclusivo, não se enganem)

Aguiar-Branco arrisca-se a ser o enfant terrible da direita quando a coragem já não lhe traz desgraças. Ávida por um herói, a nossa direita aposta no branqueamento de uma festa que é feita pela esquerda, não por imposição desta mas por falta de comparência da anterior. A desistência vem de uma certa vergonha feita do antes e depois com permanências mal explicadas nos hemiciclos e corredores de poder.

Citemos então Sérgio Godinho, mas com a coragem de citar toda a letra:

Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

domingo, abril 25, 2010

sexta-feira, abril 23, 2010

segunda-feira, abril 19, 2010

De paixão

Um outro tipo de vulcão

Processo Expositivo em Curso

JLS Poster 2

Já inaugurou.
Mais informações aqui. Apareçam.

sexta-feira, abril 16, 2010

Da falta de clareza

Martim Avillez Figueiredo foi demitido da direcção do ‘i’.  Porquê? Eis:

«Um mail enviado por Francisco Santos, administrador da Sojormedia, à direcção editorial refere um conjunto de metas de redução de custos, que, na sua opinião, “são vitais para a sobrevivência do ´i´ no quadro da fortíssima (quase total) dependência do seu accionista, grupo Lena, acompanhada de uma fraquíssima capacidade de gerar receitas”.»

A que se seguiu:

«O director do "i", Martim Avillez Figueiredo, entregou hoje uma carta ao presidente do grupo Lena, em que pede explicações sobre o corte de custos. Na sequência dessa carta, a administração decidiu demiti-lo.»

Não sei de que Martim Avillez se queixa. Não se percebe como um promotor dessa iniciativa da economia liberal chamada Compromisso Portugal fique indignado quando na falta de resultados financeiros suculentos hajam cortes orçamentais. It’s business stupid e a tua dignidade profissional não passa de um romantismo bacoco, ou qualque coisa do género. Bem prega frei tomás.

quinta-feira, abril 15, 2010

Convite

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Está tudo pronto para a inauguração da exposição “Ricardo III”, Sàbado, 17 de Abril às 18:00. Ouvi dizer que haverá vinho licoroso e, com um pouco de sorte, uma conversa estimulante com o artista. Apareçam.

Mais informações aqui.

quarta-feira, abril 14, 2010

Castelo de cartas

José Guilherme Gusmão num excelente post sobre a falácia do sistema de saúde privado vs. público.

Eu próprio já tinha abordade este tema com números aqui, aqui e aqui.

E este vídeo só demonstra o castelo de cartas que é o discurso da direita liberal sobre o assunto. De facto, para mim aquele que é o grande argumento desta direita, o direito de escolha, cai completamente por terra uma vez que a relação comercial entre seguradora e segurado é fortemente assimétrica em favor do primeiro.

Falta de memória histórica

Hungria vai virar à direita, com os extremistas a forçar a balança
Húngaros dão vitória folgada aos conservadores

O partido da extrema-direita (xenófoba), Jobbik,  ficou com 16.74%. Algumas pérolas:

  • «"Porco judeu, porco judeu!", gritavam os apoiantes do Jobbik ao presidente da câmara de Budapeste. "Para o Danúbio!", gritam»
  • «Dois jovens com o braço estendido numa saudação nazi dizem, primeiro mais baixo e depois com mais força: "Para o campo de concentração!"»
  • «Mas o Jobbik, Movimento para uma Hungria Melhor, não é só um partido: é uma milícia que patrulha as ruas exibindo símbolos nazis, em fardas de combate e camuflados ou uniformes negros.»
  • «Viktor Orbán [direita conservadora que ganhou as eleições com 52.7%], que já foi primeiro-ministro entre 1998 e 2002, não quer ter nada a ver com o Jobbik, embora membros do seu partido façam afirmações e tenham ligações a publicações claramente anti-semitas»

Isto faz-me lembrar a ascensão do partido nazi na Alemanha depois da direita conservadora no poder ter entregue alguns ministérios chave como forma de controlar ‘o crime’.

Claro está que isto não assusta a nossa direita, excitadíssima com estes resultados.

Há uns anos tive a oportunidade de estar em Budapeste e já na altura assisti a uma manifestação de extrema-direita. Não percebo magiar e as palavras de ordem não me soavam a nada inteligível mas o ódio estava estampado nas caras deformadas pelo gritar. São estes que tiveram quase 17%.


Membros de milícia do Jobbik

Da pedofilia e da direita

“Os ataques não são genuínos porque os seus autores não estão minimamente preocupados com as vítimas dos pedófilos. Sabe-se que os media de esquerda (quase todos, repito) não se importam com a pedofilia e com pedófilos à solta, como o prova o caso da Casa Pia. Esta gente pretende apenas atacar um dos seus alvos de sempre, a Igreja. Agora é este tema, como podia ser qualquer outro (condenação do uso do preservativo, defesa da vida humana antes das 10 semanas, denúncia da imoralidade da homossexualidade e da destruição social que provoca, etc.). Não são para levar a sério. É mais uma luta ideológica dos imorais.”

Tenho medo se esta direita chega ao poder, muito medo. Nunca se sabe o que esta gente faria aos ‘imorais’.

Um pouco de humor

em duas penadas de jornalismo mal-intencionado arrasa-se com o verdadeiro macho português

Contra o branqueamento

sábado, abril 10, 2010

Convite

JLS Poster 1
O trabalho proposto resulta da interpretação, por meio da Fotografia, do processo criativo envolvido na encenação da obra de Shakespeare Ricardo III pelo Grupo de Teatro de Letras , dirigido pelo encenador Ávila Costa . Tal como o Poder, também Ricardo atrai o Público para a maquiavélica vertigem da conspiração através dos seus monólogos. Nesses momentos, Ricardo apenas partilha o palco com as suas considerações e estas com a nossa curiosidade por uma certa malvadez de conquista. Ricardo espelha-nos. Aumentado o nosso desconforto, começamos a descobrir Ricardo em todas as restantes personagens e há algo de claustrofóbico em toda esta encenação.

A construção de tal enredo é feita com máscaras após desconstrução não do indivíduo mas da sua percepção dessa mesma encenação. As palavras agrupam-se em frases, que se separam em respirações e que necessitam de intenções sedentas de que o actor esteja lá, na zona. O actor é intérprete e assume a imensa  responsabilidade de o mostrar perante nós, sem a rede da escrita, da tela, do papel fotográfico sensibilizado e fixado. Através da fotografia e expondo o resultado de forma quase cronológica, constrói-se uma narrativa necessariamente incompleta. A tensão de palco transmuta-se em suspensão dos corpos no papel e as máscaras são cristalizadas apenas no contexto oferecido pela informação do sujeito fotográfico. De resto, o que se expõe tenta ser tão intemporal como a própria peça, não por uma relação de implicação mas antes porque o tema assim o determina.

Nuno Vieira Matos
nunovieiramatos@gmail.com
http://nunovieiramatos.blogspot.com
http://www.nucleoartefotografica.com

Agradecimentos: Ao Ávila Costa pela oportunidade e pela disponibilidade, aos actores do GTL pela cooperação (André Canário, André Pardal, Bruno Matay, Carolina Rocha, Catarina Salgueiro, Cláudia Pinto, Isabel Martins, Ivo Santos, Joana Araújo, Joana Lima, Joana Campelo, Jorge Albuquerque, Jorge Completo, Mariana Vieira, Marisa Russo, Miriam Vieira, Mónica Carrusca, Raquel Cipriano ), ao João Figueiredo Dias pelo apoio, logística e meios disponibilizados, ao Flávio Nunes por gentilmente ceder os vídeos, ao Núcleo de Arte Fotográfica (NAF) pelas oportunidades que cria, à Câmara Municipal de Mafra  pelo espaço, ao Pedro Ramos pela disponibilidade  e à Cristina por estar sempre lá.

quinta-feira, abril 08, 2010

“Fotografias de Lisboa à Noite” de Luís Pavão

Ainda na senda dos saldos da Assírio e Alvim de que já falei aqui, um novo livro num registo completamente diferente: “Fotografias de Lisboa à Noite” de Luís Pavão.

O autor, em jeito introdutório pergunta “E porque não tirar umas fotografias em Lisboa à noite?”. Sim, porque não? Brassai, em 1932, já o tinha feito em Paris lançando o livro “Paris de Nuit” tornando-se num clássico da fotografia de rua. Quase meio século depois, Luís Pavão embrenha-se durante 4 meses nessa noite lisboeta traçando as suas cumplicidades e tirando mais de 5000 fotografias. O livro é uma selecção de óbvio interesse documental mas também artístico essencialmente das zonas da Baixa, Cais do Sodré, Bairro Alto e Avenida. Deixo aqui umas fotografias para aguçar os sentidos.

Lisboa-a-Noite-001-02
Coliseu

Lisboa-a-Noite-002-02
Estação de Santo Amaro

Lisboa-a-Noite-003-02
Rua Washington

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Ritz Club

Lisboa-a-Noite-005-02
Mercado 24 de Julho (Madrugada)

quarta-feira, abril 07, 2010

Do mérito (em jeito continuado)

Visto aqui.

“Dados empíricos mostram que as pessoas bem-parecidas podem ganhar mais 10 ou 15% ao fim do mês do que o grupo de homens e mulheres de aparência média. E estes, por sua vez, também ganham mais do que os menos bafejados por Adónis e Afrodite.”

Dizem que a meritocracia é um sistema justo. Ui.

Do ‘nuclear’

Cíclicamente o tema da energia nuclear ressurge. Como muito bem diz o meu companheiro de escritas, tem tendência a aparecer nos momentos de crise mais propício ao desespero.

Henrique Raposo diz-nos que devemos debater ‘o nuclear sem tabus’. Em jeito seguidista (que concerteza não aplica a outros assuntos) lá vai dizendo que Portugal se queda só numa espécie de birra anti-nuclear. Por fim, remata associando erros industriais a regimes de uma certa ideologia. Brilhante. O que Henrique Raposo parece não saber é que a energia nuclear foi e é debatida em Portugal e no  Mundo e que longe de tabus, a sua repulsa por alguns países e o seu abandono por outros tem argumentos de carácter técnico. Mas dizer que é um tabu é mais fácil, fazendo tábua rasa de tudo o que já foi discutido.

Por outro lado, Luis Moreira fala do elevado nível de segurança das centrais nucleares de hoje, ignorando por completo o complexo problema dos resíduos radioactivos gerados nessas mesmas centrais. Em adição, concerteza Luis Moreira não desconhece a fórmula do cálculo do risco que  multiplica frequência com severidade. Embora o elevado nível de segurança possa tornar a frequência muito baixa, a severidade pode tornar o risco incomportável.

Sou contra a energia nuclear e debato-o sem tabus e sem falsos argumentos. O impacto de um possível acidente nuclear e a incapacidade de tratar os resíduos radioactivos é-me suficiente.

Mira Amaral necessita de ir para o Hospital


Parece impossível. A trama política na génese do abaixo assinado contra as energias renováveis e a favor do pro-nuclear revela-se cada vez mais descabida e ser mais uma pedrada suja da Direita conservadora numa altura de fragilidade económica, quando medidas nocivas ao bem comum conseguem pegar mais facilmente.

terça-feira, abril 06, 2010