sábado, março 06, 2010

Rei Édipo…zinho

Encenação de Rei Édipo no TNDMII. Belo cenário. Belos figurinos. Belo acompanhamento musical. Péssimo teatro. Pretendem a ‘novelização’ de um texto onde se fala da destruição do Homem (e não apenas de um homem) pelos deuses com a crueldade brincalhona de uma criança? O coro tornava-se aborrecido; porque a ele se recorria em demasia; porque nele se notava maior esforço em manter uma aparente sintonia que passar a correcta entoação. E o mensageiro da desgraça que vem informar da morte em desgraça de Jocasta e do vazamento dramático de Édipo? Mau, muito mau. Agarrava-se ao manto vermelho como um bebé ao seu cobertor ao invés de o agarrar com o desespero de um náufrago à corda de onde outros caíram. E o cego vidente que supostamente deveria ter a sobranceira do seu mestre solar mas que piava um cântico monocórdico de teleponto? E aquela ovação final? Para quem? Porquê?


Édipo e a Esfinge, Francis Bacon

1 comentário:

Carlos Nunes disse...

é incrível como o mesmo espectáculo pode suscitar opiniões tão diferentes.
Eu achei que se conseguiu uma belíssima versão, achei o coro extraordinário e não achei nada de especial nem o cenário, nem os figurinos e nem as luzes. A música achei-a demasiado presente e sempre muito alta.

A única coisa que concordo é com a muito má contribuição dos 3 actores mencionados.

mas o teatro é isto mesmo. cada espectador vê um espectáculo diferente... e ainda bem!