domingo, fevereiro 14, 2010

Deixemo-nos de merdas…

…e perguntemos porque esta direita portuguesa, de repente, tão defensora das liberdades de opinião e expressão nunca tenham olhado com o mesmo fulgor para Alberto João Jardim (AJJ). A resposta é simples: es un hijo de puta pero es el nuestro hijo de puta. Trinta anos de poder ininterrupto com controlo da imprensa, com amiguismo e clientelismo político. Ao pé disto, Sócrates apenas pode baixar os olhos como aprendiz humilhado.

Deixemo-nos de merdas e perguntemos porque esta direita portuguesa manifesta-se frente ao Parlamento e não frente ao Palácio de Belém, onde um PR cobarde e inseguro hesita perante o óbvio e é arrastado para um crime político (embora para Cavaco ser arrastado para crimes políticos já é uma praxis). A resposta é fácil: o objectivo é destruir Sócrates e não colocar Cavaco em xeque (mais um dos deles).

Deixemo-nos de merdas e perguntemos porque certa esquerda de associa, como alegres suicidas (e não como resolutos kamikases), a este movimento?

Do lado do PSD, a tentar cavalgar a onda de descontentamento, os abutres afilam-se perante a hipótese do cadáver fresco de Sócrates. Temos um Rangel, meretriz política tão cínico (que em Grego até vem de cão) como os seus pares de partido e que vem sendo apresentando por alguns como a solução para o PSD. Assim, vêm justificar em ultrapassagens pela direita o recuo das promessas feitas por Rangel para virar costas ao Parlamento Europeu e afiar os dentes para PM. Rangel faz até o impensável, usando o hemiciclo da europa para campanha interna. Até isto lhe foi justificado (pelo es el nuestro…).

Segundo lado deste triângulo é o Sócrates do PSD. Passos Coelho habitua-se a ser hiena, entre o riso histérico mas plantado e a ansiedade por sangue que ainda agora começou a apodrecer. Manuela Ferreira Leite foi a primeira a enxotar as moscas e agora Sócrates prepara-se também para ser repasto. Passos Coelho tem imagem e vende – tudo se vende, até a integridade.

Aguiar Branco é o joguete; será o joker que face à derrota será confrontado com a escolha: apoiar um e outro (e Relvas já se adiantou). Dele as crónicas não rezarão.

No fim, o PSD é tal e qual o PS mas como menos competência para a distribuição de lugares pelos boys, pela coesão interna e pela manipulação da imprensa.

Do CDS nada de consequente se espera para lá do sorriso Pepsodent e estilo ultrapassado de Portas. Além do que, a possibilidade de poder vir a se tornar alavanca de um governo de maioria relativa serve melhor os interesses do grande timoneiro do partido mais à direita do parlamento.

Da direita liberal… nada. Apenas uns blogues, uma palavras de ordem virtuais e o histerismo recente de participarem numa manifestação. Torna-se mais fácil serem uns eternos Vasco Pulido Valentes que tentarem seguir o exemplo de outros países europeus e avançarem com um partido. Mas engraçado é que dos inúmeros artigos que vão lançando não tenha visto nada da Alemanha ou nada do seu deputado do CDS.

Do PCP vem o de sempre e nada se espera de muito consequente sobre liberdade de expressão. Nunca foi uma prioridade dos leninistas. Com uma base de apoio a minguar seguem alegremente para o abismo histórico.

Do BE vem a surpresa desagradável. Engordou. Custa-lhe sair dos bancos perfumados do Parlamento. Um católico em permanência desculpa por o ser, vai liderando timidamente a bancada. Louçã corre o risco de ser tomado como o movimento com déficit democrático, com muito colegial a seguir-lhe. De resto, nesta situação onde o Bloco deveria fazer a diferença mantém-se calmo, institucional. Estou desiludido. Já nem falo de Alegre nem de Salvaterra de Magos.

Sinto-me cansado. O problema deste país sempre foram as elites nunca foi o povo mas será sempre este a pagar a inépcia daqueles. Sinto-me mesmo muito cansado.

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