sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Exposição: “Ricardo III”

Vou estar na Fábrica Braço de Prata no dia 27 de Fevereiro das 18:00 às 20:30 disponível para conversar sobre a minha exposição fotográfica “Ricardo III”.

Exposição até 28 de Fevereiro

Mais informações sobre a exposição aqui.

01NVM089036_thumb5302NVM089013_thumb43

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Da tolice

Um misto de surpresa e orgulho tolo perceber que a minha estratégia de leitura para a angustiante pilha de romances que mantenho na mesa de cabeceira é semelhante à de Adolfo Luxúria Canibal:

“Já sei que quando me vou deitar, bem dentro da madrugada, os olhos piscos e o cérebro aos tropeções, vou encontrar o Sr. Silva e os outros Silvas todos lá do lar da Feliz Idade e, pelo menos durante duas ou três páginas, compartilhar as suas memórias e impressões deste Portugal que suspira ser espanhol e ter salários europeus e com eles rir ou apoquentar-me. Depois, com a beatitude dos justos, adormeço de cansaço, deixando a catrefada de Silvas a imiscuir-se-me nos sonhos!”
Adolfo Luxúria Canibal in Correio da Manhã acerca do novo romance de valter hugo mãe, “a máquina de fazer espanhóis”  (negritos meus)

domingo, fevereiro 21, 2010

Convite

Exposição Fotográfica
Ricardo III

nuno vieira matos


Local: Fábrica Braço Prata
Até 28 de Fevereiro

Mais informações aqui.

01NVM089036_thumb5 02NVM089013_thumb4

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Neste Governo acredito

Um grupo constituído por valter hugo mãe, belíssimo escritor com sorte de interpretar as suas próprias letras, António Rafael e Miguel Pedro dos Mão Morta, e Henrique Fernandes dos Mécanosphère.

Um EP intitulado Propaganda Sentimental descoberto este fim de semana,com cinco temas de um amor não linear nem formatado.

E eu com os sangues mornos de os ouvir.

domingo, fevereiro 14, 2010

Detesto…

…o Carnaval e o Dia dos Namorados. Detesto as reportagens do fim de dia com as paradas que ridiculamente tentam mimetizar o carnaval do Rio ou com as paradas de um qualquer carnaval luso vindo não sei de onde e que enche de orgulho  um autarca reluzente. Detesto ver os sinais exteriores de enamoramento que se tornam obrigatórios e de ver as meninas deste país entre risinhos patetas e olhar demorado pensando em como seria bom se ele fosse assim todos os dias.

Hoje foi um mau dia para sair de casa.

Mas não quero ser desmancha prazeres e assim quero também aproveitar este dia para lembrar uma campanha:

deverão elas(es) sofrer em silêncio?

Laço Branco

Um grande filme sobre a origem do mal, sobre como aparece o nazismo na Alemanha, sobre como o protestantismo amansou o Norte da Europa, sobre como a educação conservadora e rígida corrompe a infância, sobre como a educação conservadora e rígida corrompe o adulto, sobre como a moral não vem da religião, …

Vejam, vale a pena.

Nota: o filme foi todo filmado a preto e branco e a fotografia é do melhor que tenho visto nos últimos anos.

Deixemo-nos de merdas…

…e perguntemos porque esta direita portuguesa, de repente, tão defensora das liberdades de opinião e expressão nunca tenham olhado com o mesmo fulgor para Alberto João Jardim (AJJ). A resposta é simples: es un hijo de puta pero es el nuestro hijo de puta. Trinta anos de poder ininterrupto com controlo da imprensa, com amiguismo e clientelismo político. Ao pé disto, Sócrates apenas pode baixar os olhos como aprendiz humilhado.

Deixemo-nos de merdas e perguntemos porque esta direita portuguesa manifesta-se frente ao Parlamento e não frente ao Palácio de Belém, onde um PR cobarde e inseguro hesita perante o óbvio e é arrastado para um crime político (embora para Cavaco ser arrastado para crimes políticos já é uma praxis). A resposta é fácil: o objectivo é destruir Sócrates e não colocar Cavaco em xeque (mais um dos deles).

Deixemo-nos de merdas e perguntemos porque certa esquerda de associa, como alegres suicidas (e não como resolutos kamikases), a este movimento?

Do lado do PSD, a tentar cavalgar a onda de descontentamento, os abutres afilam-se perante a hipótese do cadáver fresco de Sócrates. Temos um Rangel, meretriz política tão cínico (que em Grego até vem de cão) como os seus pares de partido e que vem sendo apresentando por alguns como a solução para o PSD. Assim, vêm justificar em ultrapassagens pela direita o recuo das promessas feitas por Rangel para virar costas ao Parlamento Europeu e afiar os dentes para PM. Rangel faz até o impensável, usando o hemiciclo da europa para campanha interna. Até isto lhe foi justificado (pelo es el nuestro…).

Segundo lado deste triângulo é o Sócrates do PSD. Passos Coelho habitua-se a ser hiena, entre o riso histérico mas plantado e a ansiedade por sangue que ainda agora começou a apodrecer. Manuela Ferreira Leite foi a primeira a enxotar as moscas e agora Sócrates prepara-se também para ser repasto. Passos Coelho tem imagem e vende – tudo se vende, até a integridade.

Aguiar Branco é o joguete; será o joker que face à derrota será confrontado com a escolha: apoiar um e outro (e Relvas já se adiantou). Dele as crónicas não rezarão.

No fim, o PSD é tal e qual o PS mas como menos competência para a distribuição de lugares pelos boys, pela coesão interna e pela manipulação da imprensa.

Do CDS nada de consequente se espera para lá do sorriso Pepsodent e estilo ultrapassado de Portas. Além do que, a possibilidade de poder vir a se tornar alavanca de um governo de maioria relativa serve melhor os interesses do grande timoneiro do partido mais à direita do parlamento.

Da direita liberal… nada. Apenas uns blogues, uma palavras de ordem virtuais e o histerismo recente de participarem numa manifestação. Torna-se mais fácil serem uns eternos Vasco Pulido Valentes que tentarem seguir o exemplo de outros países europeus e avançarem com um partido. Mas engraçado é que dos inúmeros artigos que vão lançando não tenha visto nada da Alemanha ou nada do seu deputado do CDS.

Do PCP vem o de sempre e nada se espera de muito consequente sobre liberdade de expressão. Nunca foi uma prioridade dos leninistas. Com uma base de apoio a minguar seguem alegremente para o abismo histórico.

Do BE vem a surpresa desagradável. Engordou. Custa-lhe sair dos bancos perfumados do Parlamento. Um católico em permanência desculpa por o ser, vai liderando timidamente a bancada. Louçã corre o risco de ser tomado como o movimento com déficit democrático, com muito colegial a seguir-lhe. De resto, nesta situação onde o Bloco deveria fazer a diferença mantém-se calmo, institucional. Estou desiludido. Já nem falo de Alegre nem de Salvaterra de Magos.

Sinto-me cansado. O problema deste país sempre foram as elites nunca foi o povo mas será sempre este a pagar a inépcia daqueles. Sinto-me mesmo muito cansado.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Emily Dickinson

Water is taught by thirst;
Land, by the oceans passed;
Transport, by throe;
Peace, by its battles told;
Love, by memorial mould;
Birds, by the snow.

Quem nunca perdeu a sua arte?

domingo, fevereiro 07, 2010

Da democracia

Penso não perceber o alcance destas democracias quando se sentem constantemente ameaçadas por agências de rating. Estas instituições… não… estas empresas não são reguladas, não são escolhidas e vivem de vender uns ratings que visam reflectir a capacidade de um país ou empresa (cada vez menos diferenças) de respeitarem as suas dívidas.

Em adição, numa economia que transpira o mérito e a pocura  do sucesso… não… do estatuto, não se percebe quem defende estas agências quando falharam redondamente nas previsões do passado, quer em falsos positivos quer em falsos negativos. O argumento prende-se essencialmente com uma noção de inevitabilidade que apenas encontro paralelo na espiral decadente determinista das mitologias nórdicas.

As opções governamentais já tão afastadas do sufrágio democrático pelas pouco honestas decisões políticas tornam-se ainda mais afastadas do eleitor. Quando a ‘democracia’ vai servindo de fachada para manter as ilusões de onde o poder se encontra, que devemos pensar?

Juno

O filme Juno (2007) realizado por Jason Reitman (que apresentou no ano passado o malogrado Up in the Air) apenas poderia ter sido protagonizado por Ellen Page no papel principal. Sem grandes pretensões  a ser um grande filme, é concerteza daqueles que se aninharam nas boas memórias e que vai sendo lembrado quando precisamos de um pouco de conforto.

Manderlay e o Agora depois disto tudo



Recentemente vi o filme de onde a imagem exibida foi retirada: Manderlay, dirigido por Lars von Trier, uma sequela de Dogville, onde os incómodos tabus dos EUA são exibidos com uma clareza que caminha levemente sob o gume de uma faca sem ferir, mas a amassar a consciência dos que vivem na ilusão de uma sociedade sóbria e livre nos EUA. A meu ver, Dogville foi um filme genial. Eu considero muito difícil fazer-se uma obra onde temáticas de cariz político e moralista são exibidas sem a desvirtuarem absolutamente, relegando o público para a esfera do mundano e comum. Niguém vê um filme de cariz artístico ou entretenimento para vivenciar o mundano do dia a dia. Dogville mostrou-o mais claro do que no dia a dia e, na minha opinião os EUA retratados em Dogville são os EUA de Norte a Sul, de Este a Oeste, onde a aparência moral e religiosa enegrecem os valores liberais e laicos do tempo da sua fundaçāo. Dogville foi um sucesso, mas como filme Manderlay falhou. Isto nāo é nenhuma novidade, Cannes e o público de von Trier já há muito enterraram o filme com comentários semelhantes.

No entanto, isso não quer dizer que a moral do filme não seja genial. Para mim é. Em miúdos, o filme retrata a falha numa tentativa de mudança na organização social de uma quinta no sul dos EUA onde existe escravatura, mesmo 70 anos depois da abolição em toda a União de Estados. Os escravos de origem Africana, depois de libertos, não conseguem libertar-se e abraçar a livre iniciativa para agir de modo a se alcançar uma vida melhor e a responsabilidade consciente de que os homens livres devem ter perante os seus actos ou perante a ausência dos mesmos. Sem os Senhores e as suas ordens que mantinham uma ordem, mesmo que na base da escravatura, as árvores, que protegem a terra de tempestades, são cortadas, as colheitas são cuidadas sem conhecimento técnico e mais um conjunto de acontecimentos ocorrem, semelhantes na ignorância dos agentes que os motivam. Não vi já esta História? Quantas vezes? Em consequência de más decisões, habituados a culpar os Senhores pelas amarguras da vida, incapazes de assumir os próprios erros, os recém libertos recusam a liberdade, entregam-se novamente à servidão e perseguem os seus libertadores em fúria.

Ao contrário de Dogville, Manderlay não é típico ou exclusivo dos EUA. Manderlay é a História do Portugal no pós 25 de Abril de 1974. Os libertadores acabaram por ser geralmente enchuvalhados, os Senhores, que fujiram para o Brasil, voltaram para compor a coisa e se continuar a culpar o Patrão pelas amarguras da vida que recusamos resolver individualmente com responsabilidade e o Salazar foi votado pela nata dos escravos como o maior entre os Lusos. No outro dia, a líder do grupo de escravos que é o PSD, Manuela Ferreira Leite, fez mesmo uma declaração de apoio saudosista aos Senhores que, com o chicote ou com a PIDE, exerciam a ordem com autoridade, resultando num Portugal onde as coisas lá iam andando sem estas poucas vergonhas de hoje. Como diz o escravo General Ramalho Eanes, Portugal ainda não é uma Democracia madura. Como filho de escravos e sem saber se me vou tornar num, congratulo-me de ainda haver democracia em Portugal, gosto dela, mesmo sabendo que os escravos libertos andam a fazer muito para a destruir. Espero que a Democracia se vá aguentando até à total extinção da escravatura, sem muito saber que fazer para isso acontecer.

Espero não fazer como a personagem principal de Manderlay, que acaba por frustrar todos os seus objectivos e fujir do pântano.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Convite

Exposição Fotográfica
Ricardo III
nuno vieira matos

Local: Fábrica Braço Prata
Inauguração: 4 de Fevereiro, 19:30
Até 28 de Fevereiro

Mais informações aqui.

01NVM089036 02NVM089013

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Do Mário Crespo

Não querendo ser chato mas esta história do Mário Crespo tem arestas a limar. A blogosfera insurge-se contra Sócrates com base em:

  • Declarações do Mário Crespo
  • Baseadas num(a) amigo(a) que não identifica
  • Entre Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e um executivo da televisão privada que não identifica
  • Num texto publicado no site do Instituto Sá Carneiro
  • Recusado pelo JN com a justificação de que se trata de “um relato de um acontecimento não confirmado e que não tinha contraditório”.

Quando o Mário Crespo resolver este problema de referências e provar o que diz então serei o primeiro a sair à rua pedindo a demissão do PM e condenação nos tribunais. Até lá, segue a palhaçada. Se Mário Crespo fizesse isto nos EUA que tanto ama já teria um processo a decorrer nos tribunais.

Nota: não sou um Abrantes mas gosto de actos consequentes.