quinta-feira, dezembro 30, 2010

Espetacular

Comunistas e liberais: a mesma luta!

terça-feira, dezembro 28, 2010

Do risco

Percebo que o Miguel Madeira tocou na ferida quando leio isto. De repente a questão já não é o aquecimento global (AG) em si (muitos insurgentes ficarão incomodados). A questão agora é “se os resultados do combate ao AG compensam toda a liberdade retirada e recursos necessários para esse combate. Hoje, como há 5 anos atrás, a resposta é não.” Eu continuo cá para mim que este pessoal não percebe o que é análise e controlo de risco.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Not only in America

Tive a oportunidade de conhecer americanos deste calibre. São boas pessoas até se falar numa keyword; estilo Pavlov. Mas o que achava caricatural por se passar lá, passou a ignorância quando vejo o mesmo discurso deste lado do atlântico.

The Daily Show With Jon Stewart Mon - Thurs 11p / 10c
Big Red Dogs
www.thedailyshow.com
Daily Show Full Episodes Political Humor & Satire Blog</a> The Daily Show on Facebook

domingo, dezembro 12, 2010

domingo, dezembro 05, 2010

O milagre de S. Pedro… Moreira

O Pedro Moreira parece ter encontrado uma fórmula milagrosa. Nem socialismo nem liberalismo. O personalismo é que é. Pois bem, sofre do mesmo mal do liberalismo: a crença no livre arbítrio. Ademais, ainda o tenta enquadrar numa doutrina cristã o que não deixa de ser um paradoxo.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Primeiro vieram buscar os …

Merkel: 'Multiculture has failed'

Claro que a Angelita coloca as culpas nos imigrantes.

Shared non sense

O AA vê nos semáforos uma perigosa ingerência dos estados na liberdade das pessoas (aqui e aqui). Parece-me a mim que ao AA falta conhecer umas quantas instalações fabris com e sem segurança activa onde o nanny-Executive Board implementa regras que visam a organização e evitam os acidentes (mesmo, com estatísticas a prova-lo).

O ridículo acontece quando tentam transformar aquilo que é a organização de tráfico em formas de incompetência do estado.

Só para terminar:

File:Road traffic accidents world map - Death - WHO2004.svg
Deaths for road traffic accidents per 100,000 inhabitants in 2004 (quanto mais escuro maior o número de mortes)

Oligarquias liberais

NAACP Links Tea Party Factions and Hate Groups

quinta-feira, outubro 14, 2010

Comentário II

Governo minoritário holandês toma posse apoiado num populista anti-islâmico

Cá está o pragmatismo dos liberais. Os nazis tiveram a passadeira estendida pelo conservadores. Na Holanda, os liberais assinam acordos com xenófobos. Makes sense.

Comentário I

BE quer que Governo negoceie extinção do Serviço de Belas-Artes da Gulbenkian

O BE quando muito pode reunir-se com a direcção da Gulbenkian. O Governo não se deve meter numa decisão de uma instituição que não é pública. Se a Gulbenkian recebe dinheiros públicos (a preguiça impede-me de ir ver) então cortem-nos caso não concordem com as decisões.

O meu candidato

A sério.

sábado, outubro 09, 2010

Quando a realidade não segue a teoria

O jornal de negócio entrevistou um tal de Tim Howkins, CEO de um tal IG Group, uma empresa de um tal trading in financial derivatives e afins. Parte da entrevista versa assim:

Qual a sua perspectiva em relação à Irlanda?
A Irlanda é um sítio terrível, actualmente. Tiveram que injectar quantias exorbitantes no sector financeiro. Os bancos estão completamente destruídos. Pouco se está fazer na Irlanda para tentar solucionar o problema. É uma economia em muito más condições.”

Portugal pode ter de fazer o mesmo [recorrer ao FMI]?
É menos provável que o faça. Se tivesse que fazer um “ranking” dos países que terão de pedir ajuda, colocaria Itália, Espanha e a Grécia à frente de Portugal.”

 

Entretanto a BBC dá a seguinte notícia: Irish unemployment 'has peaked'.  Actualmente o desemprego está nos 13.7%!

O prémio Nobel da paz…

… serve para lembrar que o dinheiro chinês vem manchado de culpa. But the show business must go on.

Eu juro que não quero comparar…

… mas começa a ser difícil:

Polícia francesa elaborou ficheiro ilegal sobre ciganos

Não gosto…

… da atitude de quem busca um prémio, de reconhecimento forçado. Por isso não peguei ainda (porque espero ainda conseguir ler) em nenhum livro do Lobo Antunes e do Vargas Llosa. Este último com a desvantagem de ter conseguido o que queria. Difícil é esquecer 1983…

segunda-feira, setembro 27, 2010

Continuando a ronda pela blogosfera…

…o sempre certeiro Miguel Madeira faz a melhor análise do PS que já vi: aqui.

domingo, setembro 19, 2010

No fundo no fundo, os liberais são a direita autoritária com toques modernistas

Quando se esperaria ver daquelas cabeças uma boa opinião, eis que chega isto: um elogio liberal e demagogo às políticas racistas de sarkozy.

sábado, setembro 18, 2010

Do ridículo

Dick Armey é um dos líderes do Tea Party, defendendo uma versão liberal-conservadora (european style) contra os liberais (american style). John Stewart nem teve de se esforçar muito; o ridículo do discurso simplesmente ‘would pop up’.

Nota 1: a referência ao 2nd amendment é bastante esclarecedora das prioridades; excelente resposta do John Stewart.

Nota 2: Será que nesta altura eu poderia pegas nas personagens do Tea Party e fazer uma extrapolação relativamente a todos os liberais? Nã, I am better than that.

Os vídeos (a parte 3, por alguma razão, não está completa):

http://www.thedailyshow.com/watch/tue-august-17-2010/exclusive---dick-armey-extended-interview-pt—1

http://www.thedailyshow.com/watch/tue-august-17-2010/exclusive---dick-armey-extended-interview-pt—2

http://www.thedailyshow.com/watch/tue-august-17-2010/exclusive---dick-armey-extended-interview-pt--3

quarta-feira, setembro 15, 2010

O grande pesadelo do capitalismo

Como uma criança em fase de crescimento que começa a ter noção dos seus limites, assim vai o capitalismo: em período de negação.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Um filme que nunca consegui ver até ao fim

Professores em Universidades Portuguesas


Estive a semana passada na seguinte conferencia: aqui.
Conheci muitos investigadores Portugueses ligados a Universidades Portuguesas. Três destaques:

Conversa com Professor X:

Professor X: Sou pago para dar aulas.
Eu: E faz investigação nos tempos livres?
Professor X: Não, dou aulas nos tempos livres...

Conversa com Professora Y:

Eu: E já pensou aplicar esse algoritmo em segmentação de imagens confocais de células?
Professora Y: Sabe, eu sou do técnico e somente recebo imagens com relevância médica. Não percebo muito dessas coisas.

Monólogo de Professor Z:

Eh pá, não percebo nada de mecânica, eu sou de controlo e percebo de modelos, fiz isto sozinho na brincadeira e agora vou tentar publicar, se eles não aceitarem, deito fora e não penso mais nisto...

segunda-feira, agosto 30, 2010

Do social-marialvismo

O Rodrigo Moita de Deus, com o qual discordo na grande maioria dos assuntos, surpreende com esta cruzada pelo SNS e contra a hipocrisia do governo português.

Do autoritarismo

Este post do Luís Rainha, demonstra claramente que o autoritarismo não é apenas uma maleita do estado; acontece nas empresas, nos grupos sociais, na família. Mas contudo, os liberais continuam a fazer a sua luta em apenas uma frente. Chama-se enviesamento.

Do humor

Roubado daqui.

Da resposta

Ao cuidado do Francisco: Os beneficios sociais estimulam o desemprego?

Do radicalismo economista (III)

Para acabar, ainda este.

«Let me then make that diversity clear. We are not environmentalists. We ardently oppose environmentalists. We consider environmentalism a form of mass hysteria akin to Islamic fundamentalism or the War on Drugs. We do not recycle. We teach our daughter not to recycle. We teach her that people who try to convince her to recycle, or who try to force her to recycle, are intruding on her rights.»
O direito dela em não reciclar colide com o direito de todos nós a ter um ambiente saudável com uma utilização de recursos sustentável. A comparação entre ambientalistas e radicais islâmicos demonstra a desonestidade intelectual deste tipo que o André parece admirar. Na falta de capacidade argumentativa tenta-se criar o pânico e colocar-se acima dos demais. Este registo é digno de um estado totalitário o que não deixa de ter a sua piada.

«I am frankly a lot more worried about my daughter’s becoming an environmentalist than about her becoming a Christian. Fourth, we face no current threat of having Christianity imposed on us by petty tyrants; the same can not be said of environmentalism. My county government never tried to send me a New Testament, but it did send me a recycling bin.»
Este último parágrafo é só para deixar claro a forma de pensar desta gente. Como dizem do outro lado, é self-explanatory.

Do radicalismo economista (II)

Continuando, desta vez aqui.

«This suggests that environmentalists — at least the ones I have met — have no real interest in maintaining the tree population. If they did, they would seriously inquire into the long-term effects of recycling. I suspect that they don’t want to do that because their real concern is with the ritual of recycling itself, not with its consequences.»
Ah e tal, os gajos de esquerda são arrogantes e assim…

«I explained to her that time is also a valuable resource, and it might be worth sacrificing some cups to save some time. Her teachers taught her that mass transportation is good because it saves energy. I explained to her that it might be worth sacrificing some energy in exchange for the comfort of a private car. Her teachers taught her to recycle paper so that wilderness is not converted to landfill space. I explained to her that it might be worth sacrificing some wilderness in exchange for the luxury of not having to sort your trash. In each case, her five-year-old mind had no difficulty grasping the point. I fear that after a few more years of indoctrination, she will be as uncomprehending as her teachers.»
Este parágrafo é profundamente lastimável. O que o André parece querer colocar ao largo é que medidas como a reciclagem visam a protecção de um equilíbrio natural e cuja disrupção pode ser fatal. Ou seja, a liberdade que o autor apregoa para ele colide com a liberdade de outros. A finitude de recursos nunca permitirá que toda a população aprecie os pequenos luxos referidos no texto. O tal egoísmo ético apregoado por estas gentes é isto mesmo: um paradoxo em si.

Do radicalismo economista

André Azevedo Alves está numa cruzada contra o ‘ambientalismo’ (aqui).

Exemplo de alguns argumentos que vai transcrevendo:

«Ironically, recycling does not eliminate environmental worries. Recycling is a manufacturing process and, (…)  can produce pollution. An EPA study of toxic chemicals found such chemicals in both recycling and virgin paper processing, and for most of the toxins studied, the recycling process had higher levels than the virgin manufacturing did.»
O processo de reciclagem não é um processo de purificação; Como tal existirá um processo de concentração de compostos no papel reciclado; uma das razões porque não se recicla ad eternum. O que se poupa é um uso de matérias-primas. Em adição, o processo de reciclagem de papel é bem menos poluente que o processo de fabrico de papel porque partimos de matéria-prima já bastante processada. Básico.

«Nor will recycling more newspapers necessarily preserve trees, because many trees are grown specifically to be made into paper. A study prepared for the environmental think tank Resources for the Future estimated that if paper recycling reached high levels, demand for virgin paper would fall. As a result, writes economist A. Clark Wiseman, “some lands now being used to grow trees will be put to other uses.” The impact would not be large, but it would be the opposite of what most people expect—there would be fewer trees, not more. »
Uma idiotice pegada. O autor assume à partida que se não houver fabrico de papel deixam de haver árvores. A relação causa-efeito é aqui forçada para garantir uma base de argumentação. Ainda por cima, o próprio autor garante que o impacto até não é assim tão grande.

«Finally, curbside recycling programs require additional trucks, which use more energy and create more pollution.”»
O papel quando usado será sempre sujeito a transporte, ou para um centro de recilcagem ou para um centro de tratamento de resíduos urbanos, ou… Percebido?

«Recycling is widely used where the economics are favorable but inappropriate where they are not. Government regulations may override the economics, but only at a high cost and by requiring actions, such as curbside recycling, that people will not do voluntarily.»
Estou-me nas tintas para as economics. De novo, a incapacidade para uma análise de risco desta gente é por demais atrofiante. E afirmações como a última sem suporte estatístico são de uma falta de honestidade atroz.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Da interrogação

Quando penso que percebi o liberalismo volto à estaca zero. O governo alemão, uma coligação da direita conservadora e direita liberal aprovou um novo imposto sobre a banca. Deve haver alguma nuance que eu não entendo.

u_Angela_Merkel_Guido_Westerwelle.jpg

domingo, agosto 22, 2010

Da lucidez

O Miguel Madeira é um dos pensadores da blogosfera mais lúcidos. Por exemplo.

sábado, agosto 21, 2010

Da meninice

O André é da corrente liberal näive; ou então deve sentir um tremor de emoção com os dislates da opus dei.

Da súmula


cartoon de André Carrilho

Ainda da polémica gerada pela hipocrisia de um estado militarista. Esteve muito bem André Carrilho nas respostas que deu.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Das ganas

terça-feira, agosto 03, 2010

Dos chumbos

Há um erro que se comete, talvez pelas temperaturas altas que se vão fazendo sentir e que tornam menos eficiente o controlo de impulsos primários: o apreço pelo soundbyte. A notícia pode referir um conjunto de pontos que constituem um programa; contudo, se um dos pontos puder ser removido do programa e assim ser utilizado como arma de arremesso então, by Murphy’s laws, tal será feito.

Do programa da ministra da educação salientou-se o facto de se abolirem as retenções por mau aproveitamento. Logo aqui, os defensores da meritocracia vêm clamar contra aquilo que julgam ser uma medida de facilitismo e de embelezamento de números sem referirem o resto do programa. Não gostam da ideia de haver alternativas ao chumbo nem apresentam alternativas para o acompanhamento dos alunos retidos.

De um modo geral, uma retenção é um mecanismo de tentativa e erro. O aluno não teve aproveitamento este ano então tenta de novo no próximo ano; com um pouco de sorte terá um outro professor que até explique melhor; ou os pais usam o serviço de um explicador particular. A mim parece-me que, contudo, poderão haver melhores maneira de recuperar um aluno com mau aproveitamento sem a necessidade de retenção. Para que tal possa acontecer um outro conjunto de medidas teriam de ser aplicadas.

Se eu me insurjo contra esta medida do ministério da educação é porque me parece que as restantes medidas (propostas e adoptadas nesta legislatura) não permitem uma verdadeira alternativa ao chumbo. Assim é difícil não achar que estamos a assistir a um branqueamento estatístico (tão comum nos mercados financeiros -  deve ser isto a modernidade).

Discuta-se o programa e não uma medida em particular.

Já agora, da minha experiência pessoal, vindo de uma região com graves problemas de pobreza, posso afirmar que as retenções eram motivo mais que frequente de exclusão social.

Mas é sempre agradável ver os conservadores a partilhar opiniões:
CDS-PP considera “um disparate” e uma “injustiça” terminar com os chumbos no ensino
PCP diz que terminar com os chumbos é medida “facilitista” e que “desqualifica” o ensino

Olé (II)

Ter uma boa parte da direita contra a proibição das corridas de touros e agora o Carlos Vidal… isto é quase um argumento em si!

Da cobardia

Que a Helena Matos gosta da notícia fácil e descontextualizada eu já o sabia; que fosse cobarde eu suspeitava. Hoje tive a confirmação. Postando um vídeo da intervenção da polícia francesa que arrasta mães e filhos de uma comunidade de imigrantes desalojados, escusa-se de tecer quaisquer comentátios deixando a seguinte pergunta: “O que vê aqui?”. Depois é só ir à lista de comentários povoada pelas alminhas seguidoras dos vários blogues das direitas culpabilizar e escarnecer as mães.

Só posso imaginar a Helena num risinho patético esfregando as mãos de satisfação por ver o seu corpo de mercenários fazer aquilo que ela não tem coragem.

Só uma nota adicional: não me lembro de ver esta gente a inurgir-se contra a utilização de crianças palestinianas pelo exército israelita como escudos humanos.

quarta-feira, julho 28, 2010

Olé

Parlamento da Catalunha acabou hoje com as corridas de toiros

Pode ser que pegue ao resto da península.


Image:Bull killed with a dagger (France).jpg

terça-feira, julho 27, 2010

‘SCAPE: Mitch Epstein


Omaha, Nebraska, from the series “What is American Power?”, Mitch Epstein 2008

Também aqui

.

segunda-feira, julho 26, 2010

sábado, julho 24, 2010

SIMULACROS por SUSANA VIDAL

blog Citemor: EM ENSAIO | Susana Vidal | "Simulacros"

co-produção, residência de criação, estreia

Citemor - Festival de Montemor-o-Velho

Sábado 24 e Domingo 25 Julho | 22:30

Espaço Mota-Engil/Real Estate


Estamos a simular que trabalhamos, que amamos, que odiamos, que fodemos, que queremos, que criamos, que somos artistas, pais, modernos, pais modernos, inovadores e únicos. Estamos a simular que fazemos um espectáculo, estamos a simular que podemos mudar o mundo. Simulamos cada vez melhor que estamos aqui.

Estamos a simular...

Não pensas em ser puta quando fores grande, não pensas em ter um filho deficiente, não pensas em ter um acidente, não pensas em perder a quem amas. Não pensas em ser nem tímido nem fracassado. Não pensas em não ter ideias brilhantes e inovadoras. Nem te imaginas a não ser uma artista. Nem te imaginas a não viver em liberdade ou numa guerra. Não pensas em sentir-te infeliz. Mas ao mesmo tempo, por esquisito que pareça, passamos o tempo a evitar a infelicidade, a morte, a dor, o medo... ou pelo menos tentamos!

Há coisas que nunca queres ser, fazer ou converter. Há coisas que nunca queres que aconteçam, parece que sempre acontecem aos outros mas, de repente, um dia acontecem-te...

Susana Vidal



Criação, direcção e texto: Susana Vidal Intérpretes: Carla Ribeiro, Maria João Garcia Figuração: Arminda Céu, Graça Composição sonora e apoio à direcção artística: Alberto Lopes Espaço cénico e adereços: Eric Costa Desenho de luz: Alexandre Coelho Direcção técnica: João Cáceres Alves Produção executiva: Mafalda Sebastião Co-produção: Sociedade Informal e Citemor






Bilheteira no Teatro Esther de Carvalho e transporte em autocarro para o local do espectáculo

> Bilhete: 10 euros Bilhete com desconto: 7 euros (desconto aplicável a menores de 25 anos, estudantes e profissionais das artes do espectáculo)



Contactos Citemor: telefone 239 689 505 | e-mail info@citemor.com

http://citemor.blogspot.com/

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terça-feira, julho 20, 2010

Do espanto

Mais aqui; http://www.dv8.co.uk/

Do poder ao povo… ou não

Lendo as linhas gerais do programa de David Cameron denominado Big Society (acho um mau nome; aproxima-se demasiado de Big Brother), só posso dizer que será algo para seguir atentamente.

Um programa deste género só resultará se efectivamente descentralizar os centro de decisão aproximando-os do povo. Contudo, existem algumas pontas soltas que não me deixam confortável:
- Parece ser um programa que pretende transferir para as comunidades locais a responsabilidade da prestação de serviços e não o controlo democrático; i.e., um programa para cortar despesas e nada mais;
- Não se percebe como vão ser distribuídos os fundos, se por burocratas se por privados; necessita-se de uma ‘terceira via’;
- Parece-me que não existe plano de articulação relativamente ao que é de implicação nacional e local; problemas locais devem ser resolvidos localmente, mas os nacionais…;
- A escolha de 4 localidades para testar a implementação da Big Society, denominadas “comunidades de vanguarda” (sic), teve como racional o facto de ‘they can already cite examples of the type of community activism the Big Society says it is about’; Isto parece-me simplesmente parvo; um bom plano de testes deve incluir potenciais showstoppers e não apenas os best-cases com o risco de os resultados saírem enviesados.
- O programa é muito vago não permitindo uma clara discussão pública o que é um mau começo.

A ver vamos. Irei ficar atento a este programa. Começa mal mas pode ser que dê liberdade suficiente às comunidades locais de tomarem efectivamente o controlo da sua execução e, quiçá, expandir o raio de aplicação.

Do cinismo

Eis que do éden do liberalismo vem esta pérola:

Singapura liberta jornalista britânico que escreveu livro sobre pena de morte
Alan Shadrake foi libertado hoje, depois de, no domingo passado, ter sido detido pela polícia de Singapura, acusado pelo governo local de difamação. (…) publicou recentemente um livro que relata a história da pena de morte em Singapura (…).
(…)
“Tenho estado acordado a maior parte do tempo desde que me arrancaram da cama às 06h00 da manhã de domingo”, comentou Shadrake, acrescentando: “Dormi apenas algumas horas no chão da prisão. De resto, tenho sido interrogado o dia inteiro, explicando todos os capítulos do meu livro, a história, a pesquisa e o porquê de o ter feito”.

No fundo não surpreende.

segunda-feira, julho 19, 2010

Do contra-poder

Para merdas destas: Banana Worker Killed In Panama Labor Protest, isto (baseado na obra “Vinhas da Ira” de John Steinbeck):

Da pocilga mental

make drinkers responsible, ou como o egoísmo (são egoísmo do deus mercado) trabalha.

sábado, julho 10, 2010

segunda-feira, julho 05, 2010

Saramago ausente da Feira do Livro em Viseu

Sim, segundo a última edição do Jornal do Centro, parece que nenhum livro de Saramago pode ser comprado na Feira do Livro a decrorrer por esta altura na minha amada terra mãe. Porque será que não me encontro nada impressionado com este facto?



Imagem:
The Uncanny
Pintura a óleo sobre tela por Vicky Yuh, 2009

domingo, julho 04, 2010

(Novamente) Da ética

Quando o argumento é se nunca jogaste não podes vir para aqui argumentar em prol da ética e afins, então estamos mal. O ‘elitismo’ argumentativo sempre foi a maneira de tentar acabar uma discussão por quem não aceita que regras elementares de bom senso se sobreponham aos vícios bafientos de um desporto gerido por uma associação Mafia-like.

Quando o argumento é “tu farias a mesma coisa”, então estamos desesperados. Quere-se que o outro lado evidencie a mesma propensão para a asneira, procurando uma cumplicidade que amaine a argumentação. Quem usa este argumento acaba por assumir uma certa vergonha pelo comportamento que tenta desculpar com outros.

Quando o argumento passa por incluir no “jogo” o quebrar de regras então estamos perdidos. Sendo assim terminem-se as regras. Que o chico-espertismo ascenda ao trono; nessa altura pararão de lhe chamar desporto e chamar-lhe-ão somente jogo; nessa altura parem de associar países a grupelhos; nessa altura vamos deixar os fãs pagarem a totalidade das contas.

Só uma adição, quando um jogo “significa tudo para ti"; toda a tua existência na terra”, então estamos fodidos.

sexta-feira, julho 02, 2010

(Ainda) Da ética

Aproveitando a boleia do alexandre (miss you baby).

No município de Mafra reina o senhor Ministro dos Santos há muitos muitos anos pelo PSD. Ministro de nome, a figura de presidente coaduna-se melhor com a personagem já que lhe permite fazer melhor uso da salivação abundante vinda da raiva a tudo o que se lhe opõe. De resto vai sendo também o patriarca que com tudo resmunga e que para tudo ostenta a sua mão de ferro. Sempre pensei que aquele senhor, na época certa, encheria o parque desportivo municipal Eng.º “Ministro dos Santos” (é o que vos digo, o homem é um fofo) de opositores para lhes tirar da condição humana.

Este senhor, com desejos reprimidos de expansionismo resolveu criar empresas municipais e uma auto-estrada. Deu merda. O Tribunal de Contas pediu contas e as contas estão mal (que a matemática também não é famosa no concelho). A auto-estrada é ilegal, os contratos de construção por uma das empresas municipais são ilegais, a relação entre as duas empresas municipais é ilegal, as expropriações feitas são ilegais e os meus pensamentos roçam já também a ilegalidade. Mas o bom português dirá: pelo menos tem obra feita que tanto ajuda a população. Nada disso ó meu apático pedaço de gente, as portagens são caras e as estradas alternativas voltaram a encher.

Quanto à proposta de extinção das duas empresas municipais? Tirando os proponentes (BE), todos os restantes partidos votaram contra. O PSD para não indispor o querido líder. O CDS para não indispôs o PSD. O PS para não indispor o PS nacional. A CDU (surpresa, surpresa!) porque deve ter de facto telhados de vidro… fino.

Da ética

Para que serve um penálti? Para punir um comportamento defensivo que impede uma jogada com grande probabilidade de golo. Assim, é marcado o penálti colocando a equipa atacante em posição tão boa ou melhor como aquela em que estava  antes de sofrer a falta.

Vi, quase por completo, o Gana-Uruguai. Vi equipas que nos 90 minutos regulamentares estiveram equilibradas de onde sai um justo empate. No prolongamento o equilíbrio desfaz-se e vemos o Gana a querer o golo, jogando de forma empenhada para isso. O Uruguai fazia um jogo defensivo que impedia o golo da equipa Africana mas em termos ofensivos era pouco convincente.

No último minuto do prolongamento, de um lance de bola parada, o golo certo é negado ao Gana através da mão faltosa de um jogador Uruguaio em cima da linha de golo. Ditam as regras: cartão vermelho e penálti. O resto da história é triste: Gana falha penálti e de seguida falha outros três já no desempate por grandes penalidades com a equipa claramente desmoralizada.

Na situação em que ocorre uma falta que impeça um golo que de outra forma seria certo e não apenas provável, a punição, para além do cartão vermelho, deveria incluir a validação do golo. Marcar penálti é favorecer quem comete a falta; é favorecer o chico-espertismo, a falta de ética, a falta de desportivismo, a falta de fair-play.

No fundo, o que aconteceu hoje no Gana-Uruguai, é apenas uma tradução para as 4 linhas da falta de ética que grassa por esses mercados fora, onde a ganância vai marcando e heróis são formados na base da filha-da-putice; e, claro, vai sempre alguém dizer: regras são regras.


O herói

quinta-feira, julho 01, 2010

No PSD diz-se SCUTS Aleluia

A vida ensinou-me a desconfiar intelectualmente de alguém que se diz do PSD. As pessoas mais burras que eu conheci foram sempre do PSD. Eu pergunto-me se um QI baixo é requerido para se ser militante desse partido. Então se tivesse sempre havido portagens nas SCUTS a crise não seria assim tão grave? Diz que sim o presidente do grupo parlamentar do PSD. Bem, isto revela azelhisse, o que não se entende, principalmente para quem é filho político do Professor Cavaco, que deseja nortear tudo de acordo com análises de custo benefício.
Então não houve crescimento económico e benefícios com as SCUTS sem portagens?
Já agora, para quem gosta de emitar os EUA, proponho que o PSD compare os custos de portagens em Portugal com os custos de portagens nos EUA por Km, principalmente nas regiões mais pobres.
Estes senhores somente defendem as elites e defendem cegamente. Eu sou visceralmente contra isso porque as elites não sofrem nada com a crise e os níveis de sofrimento em Portugal atingem hoje em dia valores inconcebíveis para qualquer humanista. Firmo a palavra humanista. Onde está o humanismo? Os Católicos de Direita, que se desbravam contra os direitos dos homossexuais, que se dizem humanistas na herança de Thomas Moore, nada dizem.

quarta-feira, junho 30, 2010

Da hipocrisia

Não entendo as golden shares. Parecem-me uma tentativa tímida de compromisso entre empresas nacionalizadas e privadas. Mesmo que não fossem douradas, parece-me disparatado que o estado tenha participações na estrutura accionista de uma empresa . O conceito de representação do povo não deve estender-se à tomada de decisões e lucros de uma empresa privada pelas óbvias dificuldades de representabilidade. Assim, ou bem que uma empresa é nacionalizada (monopólios naturais) ou completamente privada. Assim, no decurso de uma privatização, o estado deverá abandonar a estrutura accionista e segmentar a empresa de forma a garantir concorrência. Nunca compreendi a segmentação da Rodoviária Nacional em empresas de acção regional: o monopólio nacional transforma-se em monopólios regionais que, ainda por cima, ficam com menos mercado fazendo sobressair os 'overheads'.

O caso da PT, no presente, é claramente um monopólio natural. A sua privatização sem segmentação (com umas tentativas imberbes de concorrência que só demonstram a ingenuidade do nosso empreendorismo) gerou apenas uma forma de alguns (os accionistas) ganharem dinheiro fácil. Esta onda de indignação que vem contra o uso da golden share por parte do estado para vetar a venda da vivo à telefónica é ridícula. Quando o accionista comprou a sua quota parte da PT já sabia da golden share com todos os seus riscos (evidenciados hoje) e vantagens (too big to fail sponsored pelo contribuinte que sustenta as distribuições de lucros tão apetecíveis).

Resumindo, a parte fraca em todo este arraial é, efectivamente, a população que paga a energia a preços absurdos e sustenta uma estrutura de administradores e accionistas por demais onerosa.

How’s that for a statement?

PSD-Madeira rejeita voto de pesar pela morte de Saramago na assembleia municipal do Funchal

Jardim condecora Zeinal Bava na celebração do Dia da Madeira

terça-feira, junho 22, 2010

domingo, junho 20, 2010

Do fado de lisboa

Não me agrada o concurso para levar o fado de lisboa a património da humanidade. Os requisitos para a candidatura implicam tirar o fado do seu âmbito popular e colocá-lo nos grilhões da burocracia do estado.  o fado, que tem sido acossado por variações mais vendáveis (os grilhões da ganância do mercado), definhará nos museus, no papel e na não espontaneidade.


“O Fado”, José Malhoa

Das notícias de hoje II

VPV já não tem idade (nem espaço) para ser ingénuo. Mas hoje no Público (a preguiça continua instalada) escreve “o campeonato do mundo acabou por se tornar uma falsificação. é um mercado e uma bolsa de jogadores. pouco mais”. a seguir vai descobrir que a saúde também pode ser um negócio e que se gasta mais no I&D de armamento que de doenças de terceiro mundo. é um fofo, portanto.

Das notícias de hoje

Leio hoje no Público (link não disponível por uma indisfarçável preguiça) que o secretário-geral do CDS vai abandonar funções para se candidatar à presidência do belenenses.  Deve ser esta a política de seriedade do paulinho.

Das boas associações

Estou deliberadamente a associar de forma pavloviana Voyager de Herbie Hancock a Diane Arbus.

sexta-feira, junho 18, 2010

Saramago

Um jogador da bola morre em tempo incerto logo depois de fazer trinta e picos, o mesmo acontece com os que se reformam do ofício e se delegam aos bancos de jardim e aos jogos de tabuleiro. José Saramago faz parte da minoria de pessoas, que se passearam pelo tempo e espaço da humanidade, que nunca morreriam se não fosse o anjo que ceifa a levar-lhes a vida. Havia muito mais para saír deste senhor do que o que já tinha saído, é uma morte prematura, antes do tempo, um potencial desperdiçado numa mortalha.
Sinto muito...
Fica a obra. Até sempre Saramago!

quinta-feira, junho 17, 2010

Notas sobre o Mundial

Sim, vejos os jogos...
Constantemente me pergunto "quem é este gajo?", "donde conheço estes nomes da malta da Argentina?", "serei o único a pensar que Portugal joga muito mal?".
Apoio a Coreia neste Mundial. Não interessa qual delas. As duas se calhar e se houvesse uma Coreia do Este e outra do Oeste, também as apoiava.
Já agora, parabéns Nuno, cumprimentos à tua senhora.

segunda-feira, junho 14, 2010

Brilhante


Um alter Goya, por Forges. Roubado daqui.

sábado, junho 12, 2010

Wendy & Lucy

Wendy and Lucy não é um grande filme. Tudo bem, é isso que faz a sua grandeza. A narração é linear e simples com poucas incursões de uma pequena cidade no Oregon; de facto, o fim do filme é a fuga para a terra prometida onde há emprego e alguma esperança: Alasca.

Este é um filme com crítica social o que nos dias que correm soa a anacronismo; so be it! I could not care less. Wendy (Michelle Williams,  Brokeback Mountain) é mulher-menina acompanhada pela sua cadela Lucy em plena viagem rumando ao norte dos EUA num velhíssimo Honda Accord. Falam de uma claustrofobia social, um lastro feito de crise e de como pequenos gestos podem fazer a diferença. Mas também é um história de compromissos e de como aos da mó de baixo tudo pode ser negado.

Um belíssimo filme que vem colocar uma marca de realidade nos pomposos  road movies americanos.

sábado, junho 05, 2010

Dos falcões israelitas

Em relação à invasão do barco humanitário por elementos das forças armadas israelitas tenho cá para comigo que Israel demonstrou claramente as suas fraquezas. Países com um elevado nível de militarização e consequente baixa liberdade civil terão sempre de ocupar os seus falcões. Há sempre alguém pronto a dar a ordem que vai soltar os cães raivosos, apetrechados de alta tecnologia para a morte.

Não vou dizer que no barco apenas estavam inocentes. Não estavam. Mas a desproporção de meio utilizados é obscena. Pornográfica. Risível de ridículo (como os textos da Helena Matos e César das Neves).

Aos que se permitem a vergonha de estar com Israel NESTE episódio, aos que confundem defesa com subjugação, aos que não conseguem ver os vários lados do conflito, tenho pena e alguma vergonha.

Só uma pequena nota, quem colocou o Hamas no poder foram os falcões israelitas. Uns atraem os outros. Quem se lixa será sempre o povo de um e outro lado.

segunda-feira, maio 24, 2010

Foda-se…

… que coisa tão boa , my little noir Mariza -  e quando tudo parecia acalmar ao minuto 4 ela volta de lá.

(roubado de forma desavergonhada daqui)

domingo, maio 23, 2010

Do dia de ontem

Ontem tive a oportunidade de ver duas exposições que fortaleceram a minha opinião sobre os artistas exibidos e que no processo me deram a conhecer dois espaços magníficos.

Na Galeria Carlos Carvalho Arte Contemporânea, Daniel Blaufuks expõe “O Ofício de Viver”, uma série fotográfica baseada nos diários de Cesare Pavese, centrada na volatilidade das recordações.  A fotografia aparece-nos aqui no seu papel primordial de cristalizar os momentos como forma de memória per si e não apenas documental.

As fotografias são apresentadas em vários formatos, a cores e a preto-e-branco e lembram  naturezas mortas com elementos assumidamente alegóricos numa forma de mensagem encriptada. Desta forma pretendem apelar às nossas recordações pessoais e colectivas. O corpo de fotografias exposto mantém o interesse do artista na relação espaço-tempo e nos elementos da questão da memória individual e colectiva.

O espaço expositivo era-me desconhecido e surpreendeu-me bastante. A galeria foi projectada pela equipa de arquitectos Aires Mateus e tem aquilo que se espera de um espaço deste género, linhas simples, depuradas de elementos ornamentais, mas com elementos geométricos capazes de criar uma estrutura virtual que suporte exposições em vários formatos.

“O Ofício de Viver” estará na galeria Carlos Carvalho até ao dia 29 de Maio.

 

Uma vez estacionado o carro, começo a percorrer a baixa lisboeta a pé sob um sol demasiado forte. Começo a subir  a colina do castelo aproveitando as sombras deixadas pela proximidade entre os edifícios.  Levo a máquina numa mão para o que der e vier, e na outra mão um mapa de como chegar ao Palácio do Marquês de Tancos. Uma vez na Rua da Costa do Castelo, inicio o seu varrimento em busca da porta 23. Falho-a. Quando passo pelo número 21 interrogo-me que raio de palácio deixa-se ignorar. Volto atrás e rapidamente encontro a porta 23. Aparentemente estou numa entrada de serviço. Ligo para o número escrito na porta. Rejeitam a chamada e apenas tenho de esperar uns segundos para entrar. Alguém (raramente pergunto o nome, o que normalmente torna-se arrependimento) abre-me a porta e faz-me entrar num edifício notoriamente abandonado há vários anos. Os azulejos nas paredes vão apresentando falhas e o chão em madeira range acomodando-se à novidade de alguém sobre ele caminhar. Passo por 2 ou 3 salas de enorme pé direito e de uma luz angustiante; viradas para o Tejo e o sol continuava impiedoso. Chegamos então à sala maior; grandes janelas e uma mesa no centro; em cima da mesa estava o que trouxe até ali: o mais recente trabalho da Catarina Botelho, “o outro nome das coisas”. Eis-me então, sentado numa mesa texturizada de frente para as enormes janelas com um Tejo de azul grave no campo de visão e com a possibilidade de desfolhar um livro de provas onde se observa uma parede fotografada em diferentes horas do dia e, portanto, com diferentes condições de iluminação. Um texto distribuído numa sala adiante informava que a artista, durante ano e meio fotografou a mesma parede usando sempre a mesma perspectiva. O resultado é um atlas de uma interioridade que acaba por responder a uma pergunta deixada no texto, “mas pergunto-me se não é o próprio trabalho que se está a desviar, a contornar, a encontrar um novo corpo”. Eu diria, que o trabalho, o corpo, prossegue na sua linha mestra e que se relaciona com a demonstração da intimidade da artista. A série “dias úteis” (já prometi escrever sobre esta série mas ainda sem resultados práticos) já havia iniciado o diálogo entre obra e espaço expositivo (decorreu num edifício Pombalino abandonado), e “o outro nome das coisas” promete trazer a continuação.



vistas de instalação “dias úteis”, 2008

Infelizmente, a apresentação decorreu apenas ontem. Espero sinceramente que hajam novas oportunidades (eventualmente outros edifícios?) para repetir esta “intervenção”.

domingo, maio 09, 2010

Do maior cantautor vivo

Ver este post do Daniel Oliveira com a letra integral da performance de JMB “FMI” e um email onde fala de direitos de autor.

Da boa escrita

Três pessoas escrevem na blogoesfera como ninguém:

Maradona

Ana Cássio Rebelo

Pedro Vieira (este ainda desenha)

Tenho dito!

domingo, maio 02, 2010

A meio caminho

JLS Poster 3

Já inaugurou.
Mais informações aqui. Apareçam.

Da dívida pública

Portugal viu o seu rating da Standard & Poor’s descer dois níveis na sua escala, de A+ para A- devido ao medo de incumprimento no pagamento da dívida. O meu economês sendo fraco andou atento nos últimos dias e aparentemente a dívida pública em termos percentuais do PIB parece ser o termo para qual todos olham. Então descobri que a CIA (não percebo a relação) já me fez a papinha toda ao criar uma lista ordenada das maiores dívidas públicas em percentagem do PIB (referente a 2009). Segue então algumas entradas iteressantes:
2 – Japão: 192%
6 – Singapura: 118% – o éden para os nossos liberais
7 – Itália: 115% – a atravessar uma crise política com a coligação no poder a desmembrar-se; rating da S&P: A+
8 – Grécia: 113% – a fonte de todo o mal
10 – Bélgica: 99% – o governo cai mais uma vez numa crise política prolongada e eventual fragmentação do país; rating da S&P: AA+
11 – Iceland: 95% – outra fonte de todo o mal
18 – Alemanha: 77% – look who’s next
19 – Portugal: 75% – hum

Confesso que fico um pouco perdido a não ser que estas análises sejam pouco objectivas.

De qualquer modo já se sabe quem vai acabar por pagar este nervosismo do gene-capital (mais do que deus-mercado): os fracos da cadeia. Observem o poder sintético destas duas notícias:

TGV: “Eu sigo o meu plano e sou fiel a ele”, diz Sócrates

Sócrates admite não saber o impacto da redução do subsídio de desemprego

Aconselho

“Foder e ir às compras” do dramaturgo Mark Ravenhill (não conhecia) encenada por Gonçalo Amorim (um grande actor – ainda me lembo do Frankenstein -  e um encenador em vias de se tornar dos melhores) e interpretado por um elenco quase todo desconhecido para mim (embora alguns tenham já alguma filmografia) mas de uma grande qualidade. Das melhores peças que já vi (ainda para mais se comparar com o muito mais subsidiado e badalado Édipo).

Até 15 de Maio na Sala Principal do São Luiz.
Mais informações aqui.

segunda-feira, abril 26, 2010

Das citações

Meus senhores, se a esquerda sorriu ao ouvir as citações de Aguiar-Branco, não foram de amarelo tingidas as inflexões dos lábios. Não perceberam o recostar na cadeira feito de profunda descontracção atirando para a frente a gargalhada que se dispensa aos bobos involuntários.

(BTW, povo é um substantivo inclusivo, não se enganem)

Aguiar-Branco arrisca-se a ser o enfant terrible da direita quando a coragem já não lhe traz desgraças. Ávida por um herói, a nossa direita aposta no branqueamento de uma festa que é feita pela esquerda, não por imposição desta mas por falta de comparência da anterior. A desistência vem de uma certa vergonha feita do antes e depois com permanências mal explicadas nos hemiciclos e corredores de poder.

Citemos então Sérgio Godinho, mas com a coragem de citar toda a letra:

Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

domingo, abril 25, 2010

sexta-feira, abril 23, 2010

segunda-feira, abril 19, 2010

De paixão

Um outro tipo de vulcão

Processo Expositivo em Curso

JLS Poster 2

Já inaugurou.
Mais informações aqui. Apareçam.

sexta-feira, abril 16, 2010

Da falta de clareza

Martim Avillez Figueiredo foi demitido da direcção do ‘i’.  Porquê? Eis:

«Um mail enviado por Francisco Santos, administrador da Sojormedia, à direcção editorial refere um conjunto de metas de redução de custos, que, na sua opinião, “são vitais para a sobrevivência do ´i´ no quadro da fortíssima (quase total) dependência do seu accionista, grupo Lena, acompanhada de uma fraquíssima capacidade de gerar receitas”.»

A que se seguiu:

«O director do "i", Martim Avillez Figueiredo, entregou hoje uma carta ao presidente do grupo Lena, em que pede explicações sobre o corte de custos. Na sequência dessa carta, a administração decidiu demiti-lo.»

Não sei de que Martim Avillez se queixa. Não se percebe como um promotor dessa iniciativa da economia liberal chamada Compromisso Portugal fique indignado quando na falta de resultados financeiros suculentos hajam cortes orçamentais. It’s business stupid e a tua dignidade profissional não passa de um romantismo bacoco, ou qualque coisa do género. Bem prega frei tomás.

quinta-feira, abril 15, 2010

Convite

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Está tudo pronto para a inauguração da exposição “Ricardo III”, Sàbado, 17 de Abril às 18:00. Ouvi dizer que haverá vinho licoroso e, com um pouco de sorte, uma conversa estimulante com o artista. Apareçam.

Mais informações aqui.

quarta-feira, abril 14, 2010

Castelo de cartas

José Guilherme Gusmão num excelente post sobre a falácia do sistema de saúde privado vs. público.

Eu próprio já tinha abordade este tema com números aqui, aqui e aqui.

E este vídeo só demonstra o castelo de cartas que é o discurso da direita liberal sobre o assunto. De facto, para mim aquele que é o grande argumento desta direita, o direito de escolha, cai completamente por terra uma vez que a relação comercial entre seguradora e segurado é fortemente assimétrica em favor do primeiro.

Falta de memória histórica

Hungria vai virar à direita, com os extremistas a forçar a balança
Húngaros dão vitória folgada aos conservadores

O partido da extrema-direita (xenófoba), Jobbik,  ficou com 16.74%. Algumas pérolas:

  • «"Porco judeu, porco judeu!", gritavam os apoiantes do Jobbik ao presidente da câmara de Budapeste. "Para o Danúbio!", gritam»
  • «Dois jovens com o braço estendido numa saudação nazi dizem, primeiro mais baixo e depois com mais força: "Para o campo de concentração!"»
  • «Mas o Jobbik, Movimento para uma Hungria Melhor, não é só um partido: é uma milícia que patrulha as ruas exibindo símbolos nazis, em fardas de combate e camuflados ou uniformes negros.»
  • «Viktor Orbán [direita conservadora que ganhou as eleições com 52.7%], que já foi primeiro-ministro entre 1998 e 2002, não quer ter nada a ver com o Jobbik, embora membros do seu partido façam afirmações e tenham ligações a publicações claramente anti-semitas»

Isto faz-me lembrar a ascensão do partido nazi na Alemanha depois da direita conservadora no poder ter entregue alguns ministérios chave como forma de controlar ‘o crime’.

Claro está que isto não assusta a nossa direita, excitadíssima com estes resultados.

Há uns anos tive a oportunidade de estar em Budapeste e já na altura assisti a uma manifestação de extrema-direita. Não percebo magiar e as palavras de ordem não me soavam a nada inteligível mas o ódio estava estampado nas caras deformadas pelo gritar. São estes que tiveram quase 17%.


Membros de milícia do Jobbik

Da pedofilia e da direita

“Os ataques não são genuínos porque os seus autores não estão minimamente preocupados com as vítimas dos pedófilos. Sabe-se que os media de esquerda (quase todos, repito) não se importam com a pedofilia e com pedófilos à solta, como o prova o caso da Casa Pia. Esta gente pretende apenas atacar um dos seus alvos de sempre, a Igreja. Agora é este tema, como podia ser qualquer outro (condenação do uso do preservativo, defesa da vida humana antes das 10 semanas, denúncia da imoralidade da homossexualidade e da destruição social que provoca, etc.). Não são para levar a sério. É mais uma luta ideológica dos imorais.”

Tenho medo se esta direita chega ao poder, muito medo. Nunca se sabe o que esta gente faria aos ‘imorais’.

Um pouco de humor

em duas penadas de jornalismo mal-intencionado arrasa-se com o verdadeiro macho português

Contra o branqueamento

sábado, abril 10, 2010

Convite

JLS Poster 1
O trabalho proposto resulta da interpretação, por meio da Fotografia, do processo criativo envolvido na encenação da obra de Shakespeare Ricardo III pelo Grupo de Teatro de Letras , dirigido pelo encenador Ávila Costa . Tal como o Poder, também Ricardo atrai o Público para a maquiavélica vertigem da conspiração através dos seus monólogos. Nesses momentos, Ricardo apenas partilha o palco com as suas considerações e estas com a nossa curiosidade por uma certa malvadez de conquista. Ricardo espelha-nos. Aumentado o nosso desconforto, começamos a descobrir Ricardo em todas as restantes personagens e há algo de claustrofóbico em toda esta encenação.

A construção de tal enredo é feita com máscaras após desconstrução não do indivíduo mas da sua percepção dessa mesma encenação. As palavras agrupam-se em frases, que se separam em respirações e que necessitam de intenções sedentas de que o actor esteja lá, na zona. O actor é intérprete e assume a imensa  responsabilidade de o mostrar perante nós, sem a rede da escrita, da tela, do papel fotográfico sensibilizado e fixado. Através da fotografia e expondo o resultado de forma quase cronológica, constrói-se uma narrativa necessariamente incompleta. A tensão de palco transmuta-se em suspensão dos corpos no papel e as máscaras são cristalizadas apenas no contexto oferecido pela informação do sujeito fotográfico. De resto, o que se expõe tenta ser tão intemporal como a própria peça, não por uma relação de implicação mas antes porque o tema assim o determina.

Nuno Vieira Matos
nunovieiramatos@gmail.com
http://nunovieiramatos.blogspot.com
http://www.nucleoartefotografica.com

Agradecimentos: Ao Ávila Costa pela oportunidade e pela disponibilidade, aos actores do GTL pela cooperação (André Canário, André Pardal, Bruno Matay, Carolina Rocha, Catarina Salgueiro, Cláudia Pinto, Isabel Martins, Ivo Santos, Joana Araújo, Joana Lima, Joana Campelo, Jorge Albuquerque, Jorge Completo, Mariana Vieira, Marisa Russo, Miriam Vieira, Mónica Carrusca, Raquel Cipriano ), ao João Figueiredo Dias pelo apoio, logística e meios disponibilizados, ao Flávio Nunes por gentilmente ceder os vídeos, ao Núcleo de Arte Fotográfica (NAF) pelas oportunidades que cria, à Câmara Municipal de Mafra  pelo espaço, ao Pedro Ramos pela disponibilidade  e à Cristina por estar sempre lá.

quinta-feira, abril 08, 2010

“Fotografias de Lisboa à Noite” de Luís Pavão

Ainda na senda dos saldos da Assírio e Alvim de que já falei aqui, um novo livro num registo completamente diferente: “Fotografias de Lisboa à Noite” de Luís Pavão.

O autor, em jeito introdutório pergunta “E porque não tirar umas fotografias em Lisboa à noite?”. Sim, porque não? Brassai, em 1932, já o tinha feito em Paris lançando o livro “Paris de Nuit” tornando-se num clássico da fotografia de rua. Quase meio século depois, Luís Pavão embrenha-se durante 4 meses nessa noite lisboeta traçando as suas cumplicidades e tirando mais de 5000 fotografias. O livro é uma selecção de óbvio interesse documental mas também artístico essencialmente das zonas da Baixa, Cais do Sodré, Bairro Alto e Avenida. Deixo aqui umas fotografias para aguçar os sentidos.

Lisboa-a-Noite-001-02
Coliseu

Lisboa-a-Noite-002-02
Estação de Santo Amaro

Lisboa-a-Noite-003-02
Rua Washington

Lisboa-a-Noite-004-02
Ritz Club

Lisboa-a-Noite-005-02
Mercado 24 de Julho (Madrugada)

quarta-feira, abril 07, 2010

Do mérito (em jeito continuado)

Visto aqui.

“Dados empíricos mostram que as pessoas bem-parecidas podem ganhar mais 10 ou 15% ao fim do mês do que o grupo de homens e mulheres de aparência média. E estes, por sua vez, também ganham mais do que os menos bafejados por Adónis e Afrodite.”

Dizem que a meritocracia é um sistema justo. Ui.

Do ‘nuclear’

Cíclicamente o tema da energia nuclear ressurge. Como muito bem diz o meu companheiro de escritas, tem tendência a aparecer nos momentos de crise mais propício ao desespero.

Henrique Raposo diz-nos que devemos debater ‘o nuclear sem tabus’. Em jeito seguidista (que concerteza não aplica a outros assuntos) lá vai dizendo que Portugal se queda só numa espécie de birra anti-nuclear. Por fim, remata associando erros industriais a regimes de uma certa ideologia. Brilhante. O que Henrique Raposo parece não saber é que a energia nuclear foi e é debatida em Portugal e no  Mundo e que longe de tabus, a sua repulsa por alguns países e o seu abandono por outros tem argumentos de carácter técnico. Mas dizer que é um tabu é mais fácil, fazendo tábua rasa de tudo o que já foi discutido.

Por outro lado, Luis Moreira fala do elevado nível de segurança das centrais nucleares de hoje, ignorando por completo o complexo problema dos resíduos radioactivos gerados nessas mesmas centrais. Em adição, concerteza Luis Moreira não desconhece a fórmula do cálculo do risco que  multiplica frequência com severidade. Embora o elevado nível de segurança possa tornar a frequência muito baixa, a severidade pode tornar o risco incomportável.

Sou contra a energia nuclear e debato-o sem tabus e sem falsos argumentos. O impacto de um possível acidente nuclear e a incapacidade de tratar os resíduos radioactivos é-me suficiente.

Mira Amaral necessita de ir para o Hospital


Parece impossível. A trama política na génese do abaixo assinado contra as energias renováveis e a favor do pro-nuclear revela-se cada vez mais descabida e ser mais uma pedrada suja da Direita conservadora numa altura de fragilidade económica, quando medidas nocivas ao bem comum conseguem pegar mais facilmente.

terça-feira, abril 06, 2010

sábado, março 27, 2010

Dia Internacional do Teatro - ou o dia em que vou às putas

Estou a escrever no dia 27 de Março - dia Internacional do Teatro - sobre esse dia. Podia escrever linhas e linhas a explicar porque o teatro é uma arte mestra e fina, mas não me encontro para aí virado. Eu gosto muito de teatro, vou ao teatro sempre que posso e hoje até já fui ver um espectáculo dirigido por Paul Zaloom ali num teatro perto de mim. Havia uma coisinha no meu sub-consciente que não me deixava ficar descansado no dia de hoje sem entrar num teatro.
Eu nutro um grande amor pelo teatro, mas nada faço por ele. Na realidade, acho que trato o teatro como uma puta. Vou lá, pago o dinheiro, tiro satisfação e depois ponho-me a andar para a minha rica vidinha. Não vou fazer juízos de valor, mas não me consigo sentir bem com essa minha conduta.

Fica aqui isto:

quarta-feira, março 24, 2010

Da hipocrisia

Governo alemão atinge ponto mais baixo nas sondagens
”O Governo de Angela Merkel atingiu o ponto mais baixo de popularidade nas sondagens de um Executivo na Alemanha nos últimos dez anos." (…) A coligação no poder, que junta a União Democrata Cristã (CDU) de Merkel com o Partido Liberal (FDP), do ministro dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle, obteve uma aprovação de apenas 40 por cento dos interrogados”

Em contrapartida as agências de rating devem andar felicíssimas com esta coligação entre direita conservadora e direita liberal.

Uma das polémicas prende-se com o aproveitamento de viagens de estado pagas pelo dinheiro dos contribuintes para negócios privados do companheiro de doMNE, pasme-se, liberal. Vou repetir: aproveitamento indevido do dinheiro dos contribuintes associado com ministro de direita liberal.

O problema é o povo… o povo não entende nada de política.