domingo, dezembro 13, 2009

Das distopias e curas milagrosas

Henrique Raposo é um candidato a populista mas acho que ainda não sabe. De vez em quando no seu Clube das Repúblicas Mortas vai lançado pequenos ditos que vão pulando de ridículo em ridículo. Um destes intitula-se “A Linguagem”. Neste, HR desvia tudo o que marca a diferença entre extrema-direita e extrema-esquerda/ecologismo radical e alvitra que se são vistos de maneira diferente é uma questão de linguagem. Remata anunciando Orwell como possível cura.

Tipos como HR tão prontos em apostar nas abordagens Maquiavélicas empregues no pragmatismo das decisões políticas heróicas a bem de uma certa ordem mundial assente nos princípios do capitalismo e darwinismo social, transformam-se radicalmente quando assim lhes garante uma saída fácil. HR tenta ignorar os fins dos dois grupos antagónicos juntando-os pela metodologia (também este um exercício reducionista por conveniência). Fraco, muito fraco.

A referência a Orwell também é muito forçada. Sabe HR perfeitamente que Orwell visou desmascarar regimes totalitários e securitários. Na distopia Orwelliano, a democracia já tinha sido resolvida para um mínimo denominador garantindo a conservação do estado de sítio. Numa era onde as ditaduras se vão espraiando, as democracias musculadas negando a noção de classe como foreground de beleza calma como as paisagens pintadas do século XVIII, vão perpetuando as desigualdades em proveito de oligarcas através do estado social, das agências de informação, dos departamentos mais ou menos secretos de investigação, longe dos escrutínio da opinião pública.

De facto, não deixa de ser irónico que a maior democracia do mundo (em população) seja exímia no uso da novilíngua. Tal como HR aconselho Orwell. Contudo, a sintomatologia só fica realmente ausente se coadjuvado por Chomsky.

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