quinta-feira, dezembro 31, 2009

Do nada

No outro dia, no doce balançar de um estômago cheio, pus-me a varrer a panóplia de canais que os meus pais por lá têm para grande contentamento do meu progenitor. Fiz uma paragem no “Sexo e a Cidade – o filme”. Durou cerca de 15 minutos após os quais a ansiedade de fuga ditou o afastamento para a cozinha deambulando pelas nervosas preparações da próxima refeição de minha mãe.

Deste quarto de hora ficou um enorme espaço publicitário e a recriação cosmopolita e necessariamente anónima das princesas americanas (the land of plenty and opportunities). As grandes preocupações prendem-se com o tamanho do guarda-roupa. Os empregos são de glamour. As mulheres são estereótipos. Os respectivos ou são tudo ou são nada. Boçalidades que vão atraindo réplicas. It’s fashion stupid. ‘Tá bem.

"Sex And The City" look-a-like lingerie models pose outside Liverpool Street Station to lauch INSINUATE lingerie brand on May 8, 2008 in London, England.

Mais clementes

Maria João Avillez entevista Tolentino Mendonça para o i. Daqui vêm rasgados elogios ao poeta e clérigo de uma certa parte da blogosfera. Da obra poética não conheço, até porque dos poetas profanos gosto dos genuínos. Do clérigo não tenho sequer a curiosidade. Mas, devido à vaga de fundo pus-me a ler a entrevista. Não percebo a excitação. Maria João Avillez faz as perguntas confortáveis permitindo um jogo de palavras dóceis, de melaço que cola e que só lambendo conseguimos o seu despego. Da entrevistadora não espero mais do que isto; já o demonstrou em diversas ocasiões. Do entrevistado, parece dos bebés que por qualquer gracinha arrancam os olhares enternecidos que circundam o berço. Para quando uma entrevista a sério longe deste proselitismo manhoso?

domingo, dezembro 27, 2009

Do terrorismo de estado

Para todos aqueles que paternalizam Israel numa espécie direito a retaliação colocando a Palestina numa posição exclusivamente ofensiva (ver aqui):

“Ela tem o braço direito enfaixado até à mão e queimaduras no pescoço. Mal consegue mexer a cabeça.”

“"Lá, tinham-lhe limpado a pele e posto ligaduras. Ao fim de três horas aqui, quando tirámos as ligaduras para limpar, saía fumo das feridas e cheirava muito mal, a fósforo.”

“O braço queimado é o direito, e a mão tem crostas negras.”

“As bombas de fósforo branco são incendiárias. Podem ser lançadas pelos militares no terreno para iluminar ou criar um ecrã de fumo. Mas estão proibidas pela Quarta Convenção de Genebra quando lançadas em zonas com "concentrações de civis" onde os alvos militares não estão claramente separados. E são sempre proibidas se forem lançadas do ar.”

“Quando o corpo humano é atingido por uma bomba de fósforo, a queimadura continua até ter oxigénio, por vezes até ao osso.”

“’Então começámos a levá-los para a sala de operações, para limpar as queimaduras, e encontrámos material estranho.’ Shaban abre um saco de plástico e mostra uma matéria que parece areia com sangue.”

“E há o cheio do fósforo a queimar, podíamos senti-lo."

“Mas além do fósforo, fala no uso de DIME (Dense Inert Metal Explosive), um explosivo novo. O ferido chega com vários buraquinhos no tronco, que parecem ferimentos superficiais, mas em estado crítico. ‘Abrimos o abdómen e descobrimos muitos danos nos órgãos, perfurações nos intestinos, danos no fígado, sangramentos, e não conseguimos perceber o que está a causar aquilo. Depois de tentarmos reparar tudo, duas horas depois da operação, começa a sangrar e a sangrar, a ponto de não o conseguirmos ressuscitar.’”

“Mas ‘as mais importantes armas ilegais que Israel tem usado’, remata Gilbert, ‘são o cerco, o bloqueio, e o bombardeamento indiscriminado de civis’.”

Clemências

“(…) pretende que os métodos de datação estão todos errados,  a idade da Terra conta-se por milhares de anos, o Dilúvio é que baralhou as contas todas aos cientistas  que não se aperceberam que os dinossáurios só se extinguiram há 40 mil anos.  Aliás, na introdução, de Mattei critica veementemente os cientistas que, para além de não aceitarem que a teoria da evolução não é suportada por evidências, negam a «verdade» metafísica, mais concretamente que Deus criou o Universo e a Terra (…)”

Depois umas alminhas ficam perturbadas quando me admiro que um bispo ganhe o prémio Pessoa. Com pares como este que estão à espera? Como dizia minha mãe em tempos conturbados: juizinho.

sábado, dezembro 26, 2009

Entre iguais

As teorias do conscious capitalism têm a mesma seriedade que as teorias do inteligent design. Ambos acreditam em mãos invisíveis, ambos são roupagens modernas para  mitos antigos, ambos estão assentes em leituras cegas de evangelhos e na descrença da finitude (no primeiro caso de recursos e no segundo de paciência).

Do fascismo chinês

Bem colocado por João José Cardoso aqui.

sábado, dezembro 19, 2009

Procura-se...

... Leica R6.2 em bom estado. Lente orfã necessita de encaixe adequado.

Pretty thing.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Parabéns a metade

Uma belíssima notícia: a aprovação em Portugal do casamento homossexual. Mas, este partido de pseudo-socialismo não consegue fazer o pleno e mantém uma outra discriminação: a adopção. Até o CDS-PP acha isto óbvio. Não chega. A ILGA e Miguel Vale de Almeida mantêm uma dívida para com a comunidade LGBT deste país.

Entretanto já começaram os disparates. Pior é quando vêm de um Jorge Miranda clamando que esta lei de inconstitucional. Porquê? Porque na constituição, o casamento prevê filiação. Fiquei assim a saber que casais heterossexuais sem filhos são uma inconstitucionalidade. Agora resta saber o que Cavaco Silva vai fazer com esta nova lei. Já não se trata de bom-senso mas de decência.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

terça-feira, dezembro 15, 2009

“Altas-Luzes” de Rita Carmo

Saldos na Assírio e Alvim dão em dois sacos cheios de livros, principalmente de fotografia. Se, em adição, estiverem a projectar o resultado da exposição da Catarina Botelho feita num edifício em reabilitação no Chiado então aproximo-me de um orgasmo contido. Mas à Catarina voltarei depois (tem de ser, não posso contornar).

Um dos livros que comprei é uma colectânea de fotografias (essencialmente retrato – a pensar em ti alexandre) da Rita Carmo, fotógrafa da Blitz desde 1992. A colecção de fotografias de músicos que passaram pelos palcos portugueses tem o nome de Altas-Luzes – talvez uma apropriação exagerada dos highlights anglo-saxónicos.

Avisa-se num dos prefácios que o livro não pretende apresentar a história da música popular nos últimos doze anos, antes quer ser uma montra do trabalho da Rita Carmo. Contudo, olhando para o seu trabalho, poderíamos esperar mais (uma olhadela pelo blog tornam estas palavras óbvias). Não se percebe porque a contextualização, para além da legenda mínima, não aparece em algumas fotografias.  Também não se percebe o critério ordenador uma vez que não possa pela cronologia ou estilos (apenas elementos que se vão repetindo permitem micro-estruturas dentro do livro). Talvez ter uma fotografia por artista (embora nem sempre se mantenha este credo) se torne demasiado castrador.

Anyway, é um belíssimo livro com fotografias que pretendem ir além do óbvio e que facilmente poderiam ser carta de visita do artista retratado (se esse hábito ainda figurasse em pleno século XXI). Deixo algumas das fotografias que mais gostei.

Altas-Luzes-001
Carlos Paredes, Teatro São Luiz, Lisboa, 1992

Altas-Luzes-002
Julian Cope, Coliseu dos Recreios, Lisboa, 1992

Altas-Luzes-003 
Cranberries, Coliseu dos Recreios, Lisboa, 1995

Altas-Luzes-004
PJ Harvey, Lisboa, 2000

Altas-Luzes-005
Clã, Bica do Sapato, Lisboa, 2000

Altas-Luzes-006
Adolfo Luxúria Canibal, Belém, Lisboa, 1998

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Sexo e Violência


Lembro-me de um tempo já bem distante em que tudo o que nos saía do corpo era sexo e violência. O resto era vivido a título individual: o sonho do amor, a amizade, o carinho, os ideais, as lutas, a liberdade, a respiração saudável fora do fétido provincianismo Português. Eu não queria desenvolver a minha interacção com o meu exterior somente através de sexo e violência, como se vivesse num mundo de constante hostilidade e à beira da catástrofe total, do Armageddon. Lembro-me de olhar para os outros, para as famílias felizes e os namorados felizes a fazerem actividades felizes. Lembro-me de tentar o oposto do que era, do que me saía do corpo feito diabo exorcizado.

Pagaste-me uma cerveja, já não nos víamos há muito, estavas mais gordo, falei-te do que não conseguia fazer e tu foste mestre. Disseste: "Queixas-te de fazer só sexo e violência quando tentas fazer coisas diferentes, ser algo diferente. Queres deixar de fazer só sexo e violência? De agora em diante faz só por fazer sexo e violência, nada mais. Vais ver que isso passa logo passado algum tempo."
Tinhas toda a razão, assim fiz e assim aconteceu.

Pensei em ti quando me separei do meu amor. Nada me apavora mais do que a ideia de a ver. Chegava ao ponto de a ver noutras mulheres, onde ela não se encontra, de a cheirar em todo lado. Durante muito tempo, quando isso acontecia fujia, escondia-me, queria-me vaporizar no éter. Mas ao pensar em ti tudo passou. Agora, olho fixamente para todas as que se parecem com ela, quedo-me imóvel sempre que o seu perfume me desassossega e não fujo. Se possível falo com a mulher que cheiro, com a mulher que olho, converso com ela, fico com o contacto dela. Agora tento ver o meu amor em todas as mulheres que cruzam o meu percurso. Cada vez menos o veja nelas. Cada vez mais me sinto próximo delas.
Obrigado pá!

Visual Mass Culture


Image by Enki Bilal
The fall of the Roman Empire is normally attributed to the year of 476, when Rome lost the political and military hegemony within its territory. However, Rome was more than a large territory politically dominated by a government centralized in the Italian peninsula. Rome was culture, language, technology, religion; Rome was a way of life. Nowadays it is accepted that the Catholic Church and La Cosa Nostra are remnants of the Roman Empire, still alive today. Unquestionably, as a country the USA is the Roman Empire of today, the only country that was able to dominate a considerable portion of the world in several fields of influence like political, cultural and through military force. The role of the US culture in building and maintaining the Empire is normally considered of minor importance. However, after World War II, acculturation phenomena in European and Asian nations slowly “Americanized” the local cultures into what they are today. For example, while looking at Japanese culture, it is possible to identify the US as the source of most of the references used in building and shaping the dominant culture today. Similar phenomena can be observed in India, China, Korea, Germany, France and even my Portugal. The US culture lives all over the world, properly mutated and adapted to the already existent cultural features. Would Bollywood exist without Hollywood? This rhetorical question is not a naïve question; it contains the value of visual mass culture in the propagation of the Empire through acculturation. Cinema was the most powerful tool in this acculturation phenomena and the most influential form of popular mass culture. Probably Internet will take over some of the role in acculturation that is being played by cinema through youtube, web TV, web radio, web newspapers and blogs.
How long would the Roman Empire have lasted if it contained a cultural weapon as strong as the visual mass culture emanating from Hollywood during the 20th century? Cinema carved myths and stories that never really happened on the memories of modern societies, exerting a primordial influence in the reflection of world History, of the US past and its potentialities. Ben-Hur and Liz Taylor’s Cleopatra present historical references that are millions of years separated from each other. The reality portrayed in Western movies never existed. More recently, the princess lover of the main character in Mel Gibson’s Brave Heart was in reality a child when the represented historical scene really happened. In addition, as a foreigner living in the US, I often realize that only independent movie productions really portrait the society that I face every day. When a society looks at its past with a misinformed eye, the efficacy and sense in the motivating ideas that are used to shape a present and a future may be compromised.
Visual mass culture also presents a strong influence in more individualistic and micro social aspects of societies, like fashion, styles of life and in the end consumerism. On the other hand, many popular visual references also play a clear instructive role in the social development of individuals. Children need to be taught many things in order to be successful adults. However, due to several taboos, children are not taught how to have sex, how to kiss, how to love or practice excesses. These activities need to be taught, they are not instinctive and are normally learned through the visual references of cinema, Internet and pornography. In my opinion, being sex one of the richest and most important human needs in the quest of happiness, it is appalling to even consider that the sexually ignorant and barbaric content of sex scenes in pornography is teaching teenagers and adults how to make love.
The danger of living more through the impulses originated from visual mass culture than from those originated from reality is being faced today in society. Even if it is true, such reality is still in an embryonic stage and there is no clear historical distance to analyze it.

domingo, dezembro 13, 2009

Do humano

Ver o ar assustado de Berlusconi de faces ensanguentadas, atónito pela sua vulnerabilidade fez-me lembrar o sujo ditador como descrito no Outono do Patriarca de Garcia Marquez.

Das distopias e curas milagrosas

Henrique Raposo é um candidato a populista mas acho que ainda não sabe. De vez em quando no seu Clube das Repúblicas Mortas vai lançado pequenos ditos que vão pulando de ridículo em ridículo. Um destes intitula-se “A Linguagem”. Neste, HR desvia tudo o que marca a diferença entre extrema-direita e extrema-esquerda/ecologismo radical e alvitra que se são vistos de maneira diferente é uma questão de linguagem. Remata anunciando Orwell como possível cura.

Tipos como HR tão prontos em apostar nas abordagens Maquiavélicas empregues no pragmatismo das decisões políticas heróicas a bem de uma certa ordem mundial assente nos princípios do capitalismo e darwinismo social, transformam-se radicalmente quando assim lhes garante uma saída fácil. HR tenta ignorar os fins dos dois grupos antagónicos juntando-os pela metodologia (também este um exercício reducionista por conveniência). Fraco, muito fraco.

A referência a Orwell também é muito forçada. Sabe HR perfeitamente que Orwell visou desmascarar regimes totalitários e securitários. Na distopia Orwelliano, a democracia já tinha sido resolvida para um mínimo denominador garantindo a conservação do estado de sítio. Numa era onde as ditaduras se vão espraiando, as democracias musculadas negando a noção de classe como foreground de beleza calma como as paisagens pintadas do século XVIII, vão perpetuando as desigualdades em proveito de oligarcas através do estado social, das agências de informação, dos departamentos mais ou menos secretos de investigação, longe dos escrutínio da opinião pública.

De facto, não deixa de ser irónico que a maior democracia do mundo (em população) seja exímia no uso da novilíngua. Tal como HR aconselho Orwell. Contudo, a sintomatologia só fica realmente ausente se coadjuvado por Chomsky.

A/C: Liberais

Alguns dos liberais da praça gostaria de comentar esta notícia? Americanos mudam-se aos milhares para o México para usufruírem do SNS. Deve se o mercado a funcionar.

«It sounds almost too good to be true: a health care plan with no limits, no deductibles, free medicines, tests, X-rays, eyeglasses, even dental work — all for a flat fee of $250 or less a year.»

«"It was one of the primary reasons I moved here," said Judy Harvey of Prescott Valley, who now lives in Alamos, Sonora. "I couldn't afford health care in the United States. … To me, this is the best system that there is."»

«It's unclear how many Americans use IMSS, but with between 40,000 and 80,000 U.S. retirees living in Mexico, the number probably runs "well into the thousands," said David Warner, a public policy professor at the University of Texas.»

Former Floridians Jessica Moyal and husband Henri use Mexico's health care program to save money.

Aí estão eles…

… começando a proibir.  Primeiro os minaretes, depois as pessoas. Ainda vamos ver a guarda suíça numa cruzada contra os infiéis.

sábado, dezembro 12, 2009

Clemência (III)

Para quem ainda não notou, hoje acordei com um sabor na boca a sarcasmo.

Clemência (II)

Já agora, uma pequena amostra de das pessoas que deliram com os Clementes que andam por aí.

Contexto? Aparentemente a peça “O que se leva desta vida” de Gonçalo Waddington, João Canijo e Tiago Rodrigues levou ao descontentamento de alguns idosos pelo jargão incluído. Até se ouve o típico “Estamos pior queó Salazar”. Foda-se, haja clemência.

Clemência

Um padre ganha o prémio Pessoa. Pena. Um prémio que já foi entregue a nomes como Herberto Helder, António Ramos Rosa, Maria João Pires, José Cardoso Pires, por exemplo, vai agora para o autor das seguintes afirmações:

“No que diz respeito à família, toda a tradição da humanidade sempre se configurou nesse nexo de família em volta de um casal de homem e mulher, aberto a geração de filhos e integrador de gerações. Este núcleo tem sido sempre permanente”

Logo aqui nota negativa em Antropologia para nem falar de bom senso para Manuel Clemente. Como diria a Nogueira Pinto: “palhaço”. Em contrapartida, penso que Cavaco estava mais feliz a elogiar o clérigo que quando tramou Saramago. Valha-nos isso que Cavaco é homem de cultura e talvez nos presenteie com outro bolo-rei.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

If you are going to Pittsburgh

Visit this exhibit in the Mattress Factory.

Na série "os homens são umas bestas"



e


Dois filmes a ver.
O querer e o ser numa sociedade que exige papeis de nós. A confusāo emocional daí proveniente pode ser um grande entrave ao desenvolvimento da nossa vida com dignidade e amor próprio, quando nos leva a tomar o caminho da opressão dos nossos sonhos, contrariando a nossa esperança de plena liberdade, o verdadeiro objectivo de vida do ser humano moderno: ser livre. A segurança consegue-se através da liberdade, o contrário é do domínio da aparência, da ilusão, da esquizofrenia.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Digital Era


Relatively to performing a certain activity, the basic difference between being an amateur and being a professional is in the fact that the first is paid and the second is not. Except for rare exceptions, in order to be worthy of payment, a professional must do a job with recognized value. One does not need to be an expert in microeconomics in order to understand that a better final product will be more expensive and consequently the better the professional the more expensive it will be. Consequently, only a minority of individuals can normally afford professional hands of excellence in performing portrayals or artistic representations that may satisfy basic needs of grandiosely perpetuating likeness into eternity. Contrary to painting or drawing, where years of learning and study are essential to achieve the minimum requirements to do a satisfactory job in that field, photography contains within its technique the illusion that you only need to press o button.
Due to its relative low costs, the appearance of photography in the 19th century was an enormous revolution in the Western World. In this context, the appearance of the carte-de-visite, a type of pocket fitting photography, patented in Paris in 1854 by the photographer André Adolphe Eugène Disdéri, became extremely popular in Europe among the middle class as a way of owning portraits that not only could be easily shown, but also easily offered. However, a third-party professional or semi-professional service was needed in order to own a desired portrait.
The ability to own a photographic camera represented another change through several periods of the 20th century. But still, the elaboration of a good image with photography requires knowledge that goes beyond the simplicity of pushing a button. Also here, time for practice and money to spend in equipment are required to do a good job and mainly to do it professionally. The recent appearance of a digital era in photography dramatically changed this scene.
Nowadays, several pictures can be taken rapidly in an attitude of trial and error with zero expenses and a negligible amount of time in printing. In addition, the use of digital photography computer software allows the production of pictures resembling high quality work previously undertaken by professionals or even resembling paintings. Consequently, being today a professional in portraying likeness also requires revolutionary creative talents that go beyond technical training, that are of the order of the artistic talent. Associated to the reality of Internet, these revolutionary events have created the possibility of anyone with a computer to offer to billions within a globalized world the new carte-de-visite as a post in a website. This banal situation of photographic sharing through the Internet has been exposing citizens from different and even distant countries to an exchange of visual information relatively to the likeness of cultures, communities, celebrities and other social aspects. This globalization of likeness makes of each one of the intervenient a vector of information, but not journalists, historians or anthropologists because these activities require more reflection than simply the recording of images and present deontological codes that require a long time to achieve and use in professional practice. The passion of amateurs is not enough to satisfactorily perform any of these activities. One can say that, in this period of acceleration of History, the digital era has generated a vastness of work material for professional artists, journalists and social scientists, new work in all senses.

terça-feira, dezembro 08, 2009

Das Honduras

Miguel Madeira aproveita a crónica de MST no Expresso sobre as Honduras para resumir de forma muito clara a ilegalidade de todo o acto. Aqui.

Muito bem

Tantas vezes me enojam as facadas da Fátima Campos Ferreira ao código deontológico dos jornalistas. Tantas vezes escrevi ao provedor do telespectador da RTP. Mas ela continua a fazer das suas. É bom saber que não sou o único.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Parabéns Bochechas


Retirado daqui:
Porque é que a direita reclama a vitória do 25 de Novembro? Só vejo lá pessoas de esquerda, o senhor, Melo Antunes, Vasco Lourenço...

Pois claro. A direita só contou em Braga. Foi o PS que organizou todas as manifestações. A direita andava fugida, silenciosa e alguns iam às nossas manifestações. Vi lá pessoas de extrema-direita que eu conhecia, de punho erguido a dizer: "PS, PS!". E há outra coisa muito importante no 25 de Novembro: a neutralidade do Otelo. O Otelo nunca gostou dos comunistas, mas era esquerdista e era manipulado por aquele grupo da Isabel do Carmo e do Carlos Antunes. Mas era uma pessoa que tinha um certo bom senso, ao contrário do que dizem. Tanto que, uma vez, num comício que nós fizemos no dia 2 de Maio de 1975, que foi a nossa arrancada para a rua, depois de não nos terem deixado entrar no estádio 1.o de Maio e nos expulsaram da tribuna, ao Zenha e a mim, apesar de ambos sermos ministros do Governo... Nessa altura, houve alguém que começou a gritar: "A foice e o martelo na cabeça do Otelo!" Eu fiquei incomodado. Estava na janela da sede do Partido (hoje FAUL) a discursar quando eles começaram a berrar esse slogan. E eu disse: "Camaradas, não se enganem de direcção! O Otelo é um epifenómeno, não é nosso inimigo!" Nunca foi, de resto.

domingo, dezembro 06, 2009

Dos minaretes porque não me conformo

Hoje, no Público, uma grande reportagem sobre a islamofobia na Europa ainda no rescaldo do referendo na Suíça que proíbe a condstrução de minaretes. Algumas transcrições:

"(...) relatório, levado a cabo pela Open Society Institute (...) desmente três mitos. Primeiro que s muçulmanos não se querem integrar. Segundo, que as necessidades dos muçulmanos são diferentes. Terceiro que, que os muçulmanos não se envolvem na vida política e cívica."

"Em 26 cantões, 22 votaram votaram como a maioria e apenas 4 disseram 'não à proibição'. (...) os 4 cantões de excepção têm mais conhecimento prático sobre viver com muçulmanos."



Entretanto Helena Matos presenteia-nos com uma pérola ao nível dos discursos da extrema-direita europeia:

"O governo suíço teve uma atitude deplorável neste referendo sobre a construção dos minaretes. Invocando constantemente o receio de a Suíça vir a sofrer represálias caso os eleitores votassem contra a construção de mais minaretes, o governo acentuou o que de pior existe nos estereótipos sobre os muçulmanos e o islão. Ao acentuar o medo, o governo suíço colocou os seus cidadãos sob uma chantagem que nenhum governo decente tolera quanto mais promove e que deve ter ofendido profundamente os muçulmanos reduzidos àqueles que se vingam quando são contrariados."

Não viu Helena os cartazes dos apoiantes da proibição (ver aqui) onde minaretes apareciam como mísseis e em primeiro plano o olhar ameaçador da mulher com burka (uma das maiores vítimas?). Não ouviu nem leu as argumentações da extrema-direita/direita conservadora? Helena tem cada vez menos credibilidade ao procurar argumentação primária e sem o mínimo de seriedade. Mas é esse o jogo não é?

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Uma floresta de minaretes a arder

No seguimento do post anterior:

Foto: A forest of burning cigarettes - Instalação de Tony Oursler apresentada na Metro Pictures no Chelsea em Nova Iorque de Fevereiro a Abril de 2009.

Dos minaretes

A Suíça referendou uma alteração à constituição para proibir a construção de minaretes com o gáudio dos católicos que lascivamente relembram os belos dias da inquisição. Os conservadores esmagam cristo-crucificado entre o peito e a camisa engomada com o arfar orgásmico de tanta censura. Os liberais rejubilam porque… err… porque é a Suíça pelo amor de deus! O resultado é obvio: afastar quaisquer hipóteses de integração dos muçulmanos da sociedade com o reforço da clausura da mulher nos espartilhos de uma qualquer tradição.  Guetos sociais e de classe, reforço dos radicais muçulmanos, reforço dos radicais de direita e nós já sabemos onde estas merdas vão parar.

Um exercício de imaginação: peguem nesta imagem, troquem minaretes por torres de igreja, a burka pelos véus rendados negros e a bandeira pela portuguesa e espanhola.

Climategate

John Stewart resume basicamente aquilo que penso deste ‘climategate’.  Why the fuck did you do that for? Estas tácticas da política pragmática dos republicanos (no data? we will make the data) não enobrece a ciência e apenas serve como distracção. Espero nos próximos dias as demissões dos responsáveis (pelo menos).

Sempre te amei Posídon

“A fotografia para mim é um percurso meio aquático. Na hora de tirar uma cópia da banheira, dá ideia que se está a pescar um peixe, fresquinho.”

Fernando Lemos em entrevista a Sérgio B. Gomes (Ípsilon, Público, 4.11.2009).
Toda a entrevista aqui.


© Enric Vives-Rubio/Público

Don’t mind the music

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Comment on Identity

The representation of a human subject in the visual arts relies intimately in the semiotics embedded in the forms that are shaped as communication tools during the conceptual and creative process. Human representation can present several objectives and in opposition reject to serve certain purposes, it is manipulated. Painting was the form used in the early periods of portraiture to represent a sitter, being today possible to perceive, from such paintings (Figure 1), the use of simple symbolisms, highly related to the common cultural references of the artist’s and sitter’s environment and time. Knowing the meanings of what is used in defining the persona of the sitter is the key in understanding her or his identity. However, today visual arts cannot act with the same level of simplicity. Identity is the combination of all characteristic factors relative to a collective or individual that makes of it a definable and recognizable entity, easy distinguishable from entities of different types. In the example given in Figure 1, where a European king from the late 16th century is portrayed, the familiarity with the known symbols allows the perception of the greatness of the role he played in society. The sitter is in opposition to other ranks of his society with less power. One should expect that the meanings of the representation were better perceived at the time when the portrait was created, but also that the portrait may have served as a vehicle to propagate through time the used symbols as being related to what characterizes a king. This propagation can be observed in the 1996 portrait of the king of pop (Figure 2).

In opposition to the king’s portrayal, the expression of a human subject in modernist visual arts from the turn of the 20th century can be characterized by the dissociation between the signifier (outer form of the subject) and the signified (the sitters inner essence)(ref 1). This distance initiated the characteristic rupture and fragmentation of the self into several meanings and messages that is defined today in visual arts. Later, the influences of psychoanalytic theory in art (ref 2) after World War II, combined with a multicultural globalized world, simultaneously exposed and questioned several identities. It is in the act of exposure that I will give special attention to the Portuguese artist Paula Rego in questioning and defining female identity. Among many outcomes of the French and American Revolutions in the 18th century, associated to the evolution of subjectivity into the actual postmodern era since Descartes in the 17th century, the concept of human rights for all women and men gradually became part of the identity of the cultures in the Western World. Today, artistic and popular movements of the Western World, that were developed under the clear philosophical elegy of human rights, have been imported in the last decades into countries like China where there are no human rights, where Olympic stadiums were recently built with slave child labor. Is artistic creation and consequent definitions of identity performed by imitation in China?
The industrial revolution in the 19th century that triggered the development of technology also increased the power of purchase and the quality of life of those who once did not have access to education, health care and other basic needs. World Wars attracted women to the job market. Consequently, habits and ways of life from conservative religious movements associated to old traditions started to be questioned relativity to the negative discrimination of humans in the context of sexual orientation, skin pigmentation, gender, nationality and religious and political beliefs. Socialist movements were born. Nowadays, tolerance towards difference within minorities or socially disadvantaged sectors of society is becoming the rule. Together with global modern societies, visual artists are redefining the identity of women, gay and several minorities of the world after the stated social and cultural revolutionary events. What is the identity of women in a circumstance of equality with the opposite gender? In addition, global issues of identity related to new cultural factors as consumerism related to aesthetics and celebrity culture affect the search of human visual identity in a way that is transversal to all groups of society.
Until very recently, women were unfairly characterized through History by male oriented interpretations of the female identity (ref 3). From Figure 3 to 6, Paula Rego represents women performing roles that are easily perceived by the viewer, but unusual to represent and exhibit. The woman that is represented in her underwear as a dog urinating near the bed (Fig 3) can address either rebellion or submission towards male dominion. Snow white swallowing the apple (Fig 4) in such a familiar home environment can induce on to question of how many women exist in the world swallowing poisoned apples everyday. The woman giving birth in Fig 5 is one of those that terrify me because as a male I will never understand how much of it is true. The woman that is a man or the man that is a woman in Fig 6 reveals a secret that the little girl didn’t want to know and that I would not like to verbalize for the sake of my happiness. All these interpretations are short and are mine, depending on my subjectivity, completely influenced by my cultural background, my personal experiences and empathy and support that I always nurtured for feminist movements. In my opinion, these images are filled with Portuguese references, but maybe a US American would not notice any foreign references. Universally, the experience of seeing women represented in the work of Paula Rego by exposing taboo and uncomfortable truths may activate the need of rethinking the role of women in many aspects of modern societies and consequently their female identity.





Refs:
1 PORTRAITURE Facing the subject. Edited and Introduced by Joanna Woodall. Manchester University Press 1997. Page 241
2 PICTURING THE SELF Changing views of the subject in visual culture. Gen Doy. I.B. Tauris & Co Ltd 2005. Page 145
3 CLAUDE CAHUN a sensual politics of photography. Gen Doy. I.B. Tauris & Co Ltd 2005. Pages: 20-23.

terça-feira, dezembro 01, 2009

A desenvoltura dos 30

Quando acabei a última página d’O Aroma da Goiaba onde Plinio Apuleyo Mendoza desmonta biograficamente o seu amigo Gabriel Garcia Marques (e onde descobri a profunda urgência em ler Crónica da Morte Anunciada) estava em Praga e senti que ao invés da continuação do chão tinha um degrau e todo o meu corpo sentiu a vertigem instantânea do vazio.

Aproveitei o meu plano de comprar a Metamorfose de Kafka no idioma original (uma das grandes influências de Gabriel Garcia Marques – e ‘ops’ que se fecha este círculo) e na mesma livraria comprei um autor popular, Jan Neruda (e ‘ops’ lembra o Pablo da America Suada e sou como um corpo aos encontrões num vagão escuro), que se popularizou através de contos da sua Praga-mulher. O livro chama-se Prague Tales – from the Little Quarter (Malá Strana) e são estórias da segunda metade do século XIX vividas pelo common people.

Num dos contos, num apontamento presumivelmente biográfico, vem o seguinte parágrafo:
«Yesterday I turned thirty. I feel like a person. Only since yesterday do I feel like a real man: my blood flows to a strict rhythm, my every nerve is of steel, my each thought profound. It’s miracolous the way a man can mature overnight – no, not overnight, but in an instant. What power is there in the realization: Now you are thirty! Only thus can I truly enjoy myself, for I feel not only that I can do great things, but that I will! I look at everything with a lofty calm. And now, yes, now I will resume my diary and create a fresh portrait nof myself. I know that one day I will read the pages of my diary with pride. And I know that whoever reads these pages after my death will exclaim, “Now there was a man!”»

Em 2010 a maior parte dos meus amigos vai fazer 30 anos. Eu próprio também mas como sou um late crop sinto que os mando à minha frente para uma certa execução de pena. Mas a minha coragem forçada lá vai gritando: ide que sigo atrás, ide que já sinto os empurrões.


Malá Strana e castelo de Praga

Um samba sobre o infinito

Aqui.