terça-feira, outubro 20, 2009

Do Saramago

Antes de mais importa informar que sou ateu, nado e criado no seio de uma família católica predominantemente não praticante (embora com a tendência de uma exagerada beatice com o avançar da idade). Importa, também, referir que acho a crença num qualquer deus ou entidade transcendente uma fase evolutiva humana que, tendo garantido a sobrevivência num passado distante, irá ter tendência a desaparecer à medida que a consciência ‘média’ se desenvolve. Transladando isto para o campo político aplica-se o ‘deixa-os poisar’ (assim mesmo, com ‘i’). Tirando abusos de posição por parte de clérigos e histerismos por parte de crenças mais fervorosas (fervidas?) que requerem intervenção por parte da sociedade (não necessariamente ateia/laica), tenho a firme convicção que cabe à evolução do homem (já não tanto genética mas cultural) colocar um término nas crenças.

Como consequência desta introdução não posso achar a intervenção de Saramago, no estio do seu novo livro, feliz.  Concordando ou não com o conteúdo, esta agressividade choca com o intento humanista que certamente instigou o Nobel a fazer tais declarações (marketing? mas acreditam mesmo que foi marketing? enfim). Contudo, mais que fazer uma apreciação crítica  à intervenção de Saramago pode-se considerar abuso. Mas eis que tudo é possível: Dirigente do PSD "convida" Saramago a deixar de ser português. Cavaco já havia dado o mote na saga contra Saramago. Manuela Ferreira Leite até falou nos 6 meses sem democracia. Agora a expatriação eufemisticamente embrulhada em papel de rebuçado-ironia. Ou acham que a censura não começa por um “a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?”

1 comentário:

Luna disse...

Mais do que a opinião sobre Saramago, tenho que dizer que me revejo completamente na tua posição relativamente à religião e ao seu destino com a evolução da sociedade. Mesmo mesmo pá.