quinta-feira, agosto 13, 2009

Diferenças

O artigo do João Teixeira Lopes sobre as diferenças entre o PCP e o BE está a causar muita celeuma.  No 5 dias, o Carlos Vidal e o Nuno Ramos de Almeida tentam desconstruir o texto do JTL. O que diz JTL?:

1. “O PCP mantém intacta a visão estalinista sobre o indivíduo e os Direitos, Liberdades e Garantias fundamentais”
2. “A legalização do aborto é uma causa do PCP porque incide sobre as mulheres trabalhadoras. Mas a paridade já não o é e os direitos LGBT muito menos.”
3. “Os massacres da nomenclatura chinesa sobre as minorias muçulmanas ou sobre dissidentes políticos encontram razão na necessidade de preservar um Partido Comunista ao comando do Estado, mesmo que a economia se reja já pelas leis selvagens de um capitalismo desenfreado.”
4. “O mesmo se passa face ao tresloucado regime da Coreia Norte que Cunhal condenou como sendo um regime de sucessão dinástica mas que a «geração Jerónimo» recuperou como genuína experiência socialista.”
5. “O PC insiste no centralismo democrático e no controlo das organizações satélite. O Partido é a Razão primeira e última.”

Estes são os pontos que julgo resumirem o artigo de JTL. Carlos Vidal tenta desconstruir o ponto 1 mas não chego a perceber se conclui. E o esvaziamento dos conceitos “Direitos Humanos” e “Democracia” não fazem grande sentido pois esses sim são indicadores de que a realidade está politicamente errada (penso que não era esta a perspectiva no texto de JTL).

Depois, Nuno Ramos de Almeida, apesar de discordar com “a posição do PCP em relação aos regimes ditatoriais da Coreia do Norte e da China” e com o centralismo democrático, não crê que “se possa definir o essencial da política do PCP por isso”.  Penso exactamente o contrário, pois estas visões e esta forma de organização reflectem opções ideológicas relevantes. Depois o Nuno teme que “Teixeira Lopes se esqueça do combate do PCP pela justiça social e pelos direitos dos trabalhadores, coisa de pouca monta, sem transcendência”. Claro que isto não é verdade e o Nuno sabe. Não foi a luta pelos trabalhadores que JTL colocou em causa.

Depois Nuno afirma que “o direito dos homossexuais viverem livremente a sua vida, é uma causa fundamental, mas não é da esquerda, nem da direita”. Em princípio não será, mas a praxis mostra que o é. Aliás, o companheiro de blog Paulo Jorge Vieira lembra que “o PCP é contrário (neste momento) à adopção por casais homossexuais. Tal como o PS! E ao contrário do Bloco de Esquerda que a defende no seu programa e nos seus projectos”. Para mim, a discriminação não acaba apenas com a possibilidade de os homossexuais se poderem casar. Sem possibilidade de adopção será sempre uma forma tímida de abertura.

Torna-se sintomático que o principal foco de discussão sejam os direitos LGBT e não o apoio dos regimes chineses e norte-coreanos. Pena.

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