quarta-feira, agosto 26, 2009

Pensamento do dia


Não conheço ninguém do Texas que não tenha andado numa Escola Privada em todos os estádios do seu processo educativo.

domingo, agosto 23, 2009

Até logo

Vou de férias e volto daqui a uma semana. Entretanto, deixo estas pérolas de meados da década de 90.

Piratas

Não, não vou falar dos Partidos dos Piratas que vão surgindo que nem cogumelos e cuja importância eu coloco perto do zero. Parece-me estúpido ter um partido com interesse em apenas uma área muito restrita. Para isso servem os movimentos, associações, etc. Vou antes deixar a ligação para uma perspectiva diferente da pirataria na costa da Somália. Adão Cruz aventa (sic) e eu aconselho.

sábado, agosto 22, 2009

Afinidades II

aqui havia trazido Alain de Botton, o filósofo que se muda para o Aeroporto Internacional de Heathrow arrancando de mim uma certa inveja. Agora descubro que Alain de Bottom foi convidado pela iniciativa TED Ideas Worth Spreading para uma palestra de 15 minutos. O tema trazido é o sucesso na sociedade contemporânea com todas as suas implicações. Uma das ideias interessantes que Alain nos traz é a inveja como força motriz. Ainda, que a meritocracia é utópica e altamente destruidora para os ‘loosers’. De facto, segundo Alain, existem demasiados factores externos aleatórios que enviesam o conceito de mérito. Eu acrescentaria um: genética (mas sobre isto pretendo escrever um post com mais tempo). Por fim, outra ideia que gostaria de salientar é a recuperação do conceito Marcusiano de que é a vida a determinar a consciência. Aqui fica o video:

sexta-feira, agosto 21, 2009

Coisas boas

Tenho dois posts para vós (o meu camarada de blogue já referenciou o terceiro):

O primeiro sobre o pânico neoconservador de um sistema de saúde público. O segundo sobre a dimensionalidade do homem (epá tem Marcuse e tudo – isto são rebuçados para mim).

Muito mais importante que o Circo

é o assunto relatado neste texto.

Esqueci-me ontem

O fim do que se iniciou com a Primavera de Praga fez 40 anos. Não consigo deixar de parar para reflectir sobre uma das primeiras grandes obras que li, sempre que me vem à memória esse episódio da História Mundial.



A Insustentável Leveza do Ser. Como sempre o livro é melhor do que o filme.
Lembro-me da cena descrita em ambos, onde Tomás publica um texto, que equiparava, em termos metafóricos, os males causados pelos Comunistas Soviéticos aos males que caíram sobre o Povo depois do Rei Édipo ter enfurecido os Deuses ao assassinar o Pai e se casar com a Mãe, na Tragédia de Sófocles. O texto acabava por recomendar aos Comunistas a mesma punição voluntariamente autoinfligida ao Rei Édipo por iniciativa própria.

Segundo o mesmo raciocínio, eu também recomendo, metaforicamente, o mesmo fim de Édipo a José Sócrates, Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas e muitos dos seus súbditos no poder local, governativo e partidário, pelos enormes males causados à minha Pátria.
Metaforicamente falando, se amassem Portugal e os seus ideais de Democracia, como a meu ver um governante deve amar, estes personagens do mundo real deviam arrancar os olhos voluntariamente com as próprias mãos e depois vaguear por esse mundo fora consumidos pela culpa e vergonha pelos seus actos cometidos para o prejuízo do País.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Crónicas

Mais uma belíssima crónica de Carlos Esperança.

Do pragmatismo

Quando Chávez aboliu a limitação de mandatos várias vozes se levantaram contra aquilo a que apelidavam de sovietização do regime Venezuelano.

Quando ocorre o golpe de estado nas Honduras (sim, foi um golpe de estado), algumas vozes justificam com a tentativa do presidente deportado querer suspender a limitação de mandatos.

Antes de continuar, quero dizer que concordo com a limitação de mandatos (tenho bicheza autárquica no corpo).

Entretanto, Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, com ligações pouco esclarecidas às guerrilhas de extrema-direita, ‘viu’ o senado aprovar um projecto-lei  para a realização de um referendo para uma revisão constitucional que lhe permita continuar à frente dos destinos do país (aqui).

A notícia é de hoje. E hoje ainda não ouvi nenhumas das vozes anteriores piarem um comentário sequer. Lá diz o pragmático: ‘sí, es un hijo de puta, pero es nuestro hijo de puta’.

Precisamente

«El famoso fotógrafo británico David Bailey ha expresado su hartazgo del tipo de modelos que se busca hoy, que parecen "androides" o maniquíes de escaparate, según declara en una entrevista en The Times.
(…)
"Antes se podía distinguir a una mujer (fotografiada por Helmut) Newton, por (Cecil) Beaton o por quien fuera. Una mujer Bailey tiene un aire muy distintivo. Es una mujer de carne y hueso, una mujer sexual", ha afirmado.»

David Bailey
Installation shots 'Baileys Democracy'
© David Bailey, 2006
Courtesy: Faggionato Fine Art, London

Cavaco - uma das palavras mais escritas neste blog


Notícia de última hora ao estilo do nosso inventivo e criativo jornalismo Português:

Cavaco tem um relacionamento extraconjungal com Dias Loureiro, será que isso lhe pode custar a reeleição? Num pujante esforço conjunto entre pares de informação séria, depois de a foto acima apresentada ter sido submetida a análise profunda e combinada por parte dos especialistas em Hermenêutica Gestual dos Jornais Expresso, O Público, Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Correio da Manhã, ficou provado que Cavaco e Loureiro revelam, através do nível de intimidade daquele abraço, nutrir um pelo outro mais do que uma cordial amizade. Nenhum membro da Casa Civil do Presidente da República prestou até ao momento qualquer tipo de declarações. Aguardamos seriamente o desenlace da actualidade relativamente a esta matéria. Será Cavaco o Kennedy Português?

A meu ver, este tipo de notícia ficcional é o que nos reserva o futuro do jornalismo Português se continuarmos com notícias como esta e esta, ou então com mensagens subliminares para acéfalos como a presente nesta, com o link relacionado dirigido ao caso Português. Se calhar a Casa Civil do Presidente anda a ouvir uns barulhinhos no computador e no telefone, assim como o Procurador Geral da República há uns tempos atrás.

Agora a sério. Watergate à portuguesa? Mas de onde vem esta gente auto e heterodenominada de "jornalistas"? Mas estes "jornalistas" sabem usar expressões idiomáticas chave e títulos com factos que os comprovem?
Cavaco e a sua "Casa Civil" também têm muito jeitinho para a ficção e para criar a amálgama, como se verificou na sua mais bela promessa, já aqui referenciada, de fazer de Portugal a Califórnia da Europa.

Estes "jornalistas", associados à equipe de Cavavo, conseguem descontruir todos os exercícios de lógica e semântica.
Haverá alguma diferença entre este tipo de manobras baratas e a famosa época de boatos de Santana Lopes quando fazia campanha para ser eleito Primeiro Ministro?

quarta-feira, agosto 19, 2009

Afinidades

Gosto de vaguear pelos aeroportos. Um pouco de provincianismo talvez mas de uma grande curiosidade. Na base disto vem o prazer enorme em ver pessoas. Não as colecciono porque me falta a sistematização e a catalogação (vai existindo mas é débil). Assim, o que me interessa é a imensa variabilidade que posso encontrar num aeroporto, um caldo genético de inúmero proveniências, veículos transitórios de toda a espécie e feitio.

Até agora tinha guardado esta ‘mania’ para mim e para poucas pessoas mais. O que mudou? Encontrei alguém que não só sente este fascínio pelos corredores superlotados dos aeroportos como ainda faz disso obra. Porra, há gajos a sério. Atentem nisto:
«En principio parece el lugar menos idóneo para la reflexión, pero el filósofo suizo Alain de Botton ha decidido buscar inspiración en el tráfico incesante de un aeropuerto internacional. (…) se ha convertido en residente del aeropuerto de Heathrow, el de mayor tráfico de Europa, según informan varios medios británicos. El filósofo, de 39 años, afirma que el gestor aeroportuario BAA, propiedad del grupo español Ferrovial, le ha dado completa libertad editorial y de acceso a todas las zonas del aeropuerto»

E isto:
«Para el escritor suizo, Heathrow es "un lugar extraordinario", y si uno quisiese llevar a un marciano al lugar que mejor resume "todo lo que caracteriza a la civilización moderna, con sus altibajos, ese lugar sería sin duda un aeropuerto"»

Grande Mestre

Já são dois os livros que li de George Steiner, ambos recomendados via Antena 1 pelo Professor Carlos Amaral Dias e o Jornalista Carlos Castanheira Magno. Estou convertido ao carácter de interdisciplinariedade no modo como Steiner interpreta e analisa o mundo de hoje e o seu passado.
Fica aqui a primeira parte de uma entrevista fabulosa:

terça-feira, agosto 18, 2009

Bernardo

Bernardo, quando era novo, gostava de jogar ao berlinde, de jogar à defesa nos jogos de futebol, disputados no descampado junto à escola, e dos desenhos animados das 5.

Bernardo saiu da Faculdade com todo um mundo a povoar-lhe a cabeça e o trago amargo de derrota pela vitória  de ser um senhor doutor. De repente o objectivo já não era a licenciatura mas o autocarro já não podia esperar mais.

Bernardo levantou-se grunhindo impropérios e pontapeava as paredes à revelia da vontade. Quando olhava para aquela criança, principalmente com o sono a toldar-lhe o juízo, perguntava-se como tinha chegado ali? – Porra, já sou pai? – mas logo a seguir o cheiro a fezes de leite abanou-lhe os sentidos e o dever prosseguiu na calma de um refugo.

Bernardo, naquele dia acordou entusiasmado. Levou todo o dia a despedir-se daqueles companheiros que partilharam salas, open-spaces, reuniões e cafés de máquina. Despediu-se ainda das senhoras da limpeza de quem, secretamente, tinha pena. Caras novas já eram muitas, algumas da idade do filho já a acabar a faculdade. O filho já não ligava muito lá para casa e aquelas caras novas também tinham o desdém de lábios a que Bernardo já se habituara. Quando Bernardo chegou a casa chorou agarrado aos joelhos.

Bernardo tem coração fraco. Pensa consigo – estou-me cagando! – Enquanto isso aturava o filho nas visitas da tarde, entre as 14 e as 19 que as enfermeiras faziam daquilo o seu trono. Sente vergonha de pensar que a mulher do filho é jeitosa mas não consegue parar de olhar. Dói-lhe a vida. Os tubos enviados goela abaixo não ajudam e envergonham. A mulher já estava de luto não fossem pensar que era folgada como a nora. De facto, a nora fodia com um e outro mas a sogra não o sabia; adivinhava pelo brilho nos olhos que isto de ser mulher tem muita coisa, muito sofrimento e poucas alegrias. O aborrecimento era geral.

Bernardo morreu nessa noite engasgado de si.

Tabu

Umas semanas atrás li um artigo (desculpem a falta de memória e consequentemente a falta de referência) sobre a prática de topless. A entrevista era feita à mãe e à filha. A mãe, da geração de 60, fez topless e admite ter saudades. A filha (geração 2.0) repudia a ideia de colocar as meninas ao léu.

O século XX ocidental assistiu a duas guerras mundiais, à guerra fria, à guerra do Vietname, aos regimes ditatoriais da Alemanha, Itália, Espanha, Portugal, União Soviética, etc. Tudo isto acabou por ter um efeito contracção-distensão. Na luta e no pós-luta contra as guerras e os regimes ditatoriais apareceu um movimento fragmentado de libertação que incluía o corpo. Os tabus eram desafiados e o sexo começava a ser encarado com a naturalidade que lhe era devida.

Que aconteceu entretanto? Porque temos filhos com mais tabus que os pais em relação ao corpo, ao sexo e, contudo, cada vez mais relacionados com o mundo e multiplicando os canais de comunicação de uma forma nunca antes vista? Como é que o narcisismo crescente da nossa sociedade sacia-se com uma vergonha pueril sobre os nossos genitais? Não era suposto sermos livres? Porque estamos presos às convenções de género e de “bom comportamento” regredindo, em alguns aspectos, a geração anterior?

Se entretanto tiver alguma ideia sobre este assunto volto a ele.

Aqui, posto de escuta …

No autorádio: Give Me That Slow Knowing Smile de Lisa Ekdahl.

A voz é de menina mas o travo é amargo. O teaser:


Desabafo ou o divã do povo

Depois de ter lido a frase de Carolina Patrocínio: "Só como cerejas quando a minha empregada tira os caroços por mim. E uvas sem grainhas. É uma trabalheira."

Passei a olhar para a minha vida de um modo muito diferente. Concluo que não tenho nenhuma noção de diferenças de classes, se calhar porque nunca conheci pessoas assim, pensava que isto somente tinha existido antes da Revolução Francesa...

Acho que o estracto social ao qual pertenço desceu muitos pontos na minha consideração. Depois de ter lido esta frase, sinto-me um verdadeiro proletário que trabalha 10 horas por dia, muitas vezes no fim de semana, com direito a 3 semanas de férias no Natal, que limpa a casa, faz a comida, lava a roupa, passa a ferro e tira os caroços da fruta...

segunda-feira, agosto 17, 2009

Vai apanhar

Espero que isto seja um começo:
«O acordo que foi iniciado na semana passada entre os Estados Unidos e a Suíça, no caso em que o UBS foi processado pelo governo americano para divulgar o nome dos titulares de 52 mil contas acusados de fugir aos impostos, vai envolver a divulgação de cerca de 5.000 donos de contas, adianta a Reuters, que cita o semanário “NZZ am Sonntag”.»

Até porque acontece disto:
«A Justiça dos Estados Unidos, que procura incriminar a UBS e os seus clientes americanos acusados de evasão fiscal, publicou ontem “on-line” um testemunho de um americano que confessa ter estado envolvido num desses esquemas e conta como foi ajudado por aquele banco suíço a cometer fraude através de uma estrutura internacional complexa.»

Carácter

Falta de carácter … civilizacional, é o que parece faltar no Iraque.

«Secuestros, asesinatos, mutilaciones y torturas. Los testimonios recogidos por la ONG Human Rights Watch en Irak dibujan el contorno de la campaña brutal contra los homosexuales que se ha difundido en el país. (…) El compañero sentimental de una de las víctimas mortales de esta campaña de violencia, citado por HRW, cuenta así como acabó la vida de su pareja: "Cuatro hombres armados enmascarados y vestidos de negro irrumpieron en la casa. Preguntaron por él, le insultaron y se lo llevaron delante de sus padres. Fue encontrado en el barrio al día siguiente. Habían arrojado su cadáver en la basura. Le habían cortado los genitales y le habían arrancado un trozo de la garganta".»

«Militiamen are torturing and killing gay Iraqi men with impunity in a systematic campaign that has spread from Baghdad to several other cities, a prominent human rights group said in a report. (…) The bodies of several gay men were found in Baghdad's main Shiite district of Sadr City earlier this year with the Arabic words for "pervert" and "puppy" _ considered derogatory terms for homosexuals in Iraq _ written on their chests. (…) a well-informed U.N. official as saying in April that the death toll was probably "in the hundreds." (…) Human Rights Watch accused authorities of doing nothing to stop the killings and warned that reflected an overall inability to protect the people. (…) "They had thrown his corpse in the garbage. His genitals were cut off and a piece of his throat was ripped out," Hamid was quoted as saying.»

«So-called honour killings also account for deaths where families punish their own kin in order to avoid public shame. (…) The report says members of the Mehdi Army militia group are spearheading the campaign, but police are also accused - even though homosexuality is legal. (…) Witnesses say vigilante groups break into homes and pick people up in the street, interrogating them to extract the names of other potential victims, before murdering them. (…) "We've heard stories confirmed by doctors of men having their anuses glued and then being force-fed laxatives which leads to a very painful death," says Ms Moumneh told the BBC. (…) Mehdi army spokesmen and clerics have condemned what they call the "feminisation" of Iraqi men and have urged the military to take action against them.»

Kids

“As praças norte-americanas abriram em forte baixa, com o mercado a especular que a economia mundial não está a crescer a um ritmo que justifique os fortes ganhos das acções nos últimos meses.”

Estas notícias são muito fofas. Fazem-me lembrar uma cambada de putos nos seus joguinhos de macho alfa brincando com papelinhos fazendo de conta que dominam o mundo. Foda-se! Dominam mesmo!

Nota: Estou-me borrifando para a aparente polémica do ponto de exclamação! Só para deixar bem claro: mesmo!

domingo, agosto 16, 2009

Os tentáculos da estupidez

Barack Obama está numa cruzada pelo serviço nacional de saúde nos EUA. Este tema está a criar uma cisão no seio da sociedade americana, entre os apoiantes e os contestatários. Aos primeiros resta o desespero de ter acesso aos serviços de saúde. Aos segundos vem o bicho papão dos “tentáculos burocráticos” so Estado. O pânico histérico não deixa a razão tomar posse e não se pensa nos “tentáculos burocrácticos” das seguradoras privadas.

Os defensores do mercado livre pretendem até que se aprofunde o sistema privado de saúde removendo qualquer regulação estatal (a génese do mal). Até, pretendem que o Estado facilite as doações particulares (facilitar = tax deductible, claro) para ajudar as pessoas não abrangidas por nenhum plano de saúde. Por exemplo, isto. Enfim, não se percebe.

Enquanto isso, as pessoas morrem por falta de assistência médica. Demagogia? Não. Realidade. Vejam este vídeo que grita injustiça e revolta. Num país com tantos movimento “pró-vida” não se entende este abandono aos seus cidadãos.



Watch CBS Videos Online

Autofagia

Berlusconi quer acabar com o crime organizado

sábado, agosto 15, 2009

Pensando sobre Salazar


Neste blog já se escreveu muito, directa ou indirectamente, sobre Salazar, alguns exemplos podem ser consultados aqui, aqui e aqui.

Estando nos EUA a estudar numa Universidade populada por uma panóplia de estudantes, investigadores e professores provenientes de um extenso número de diversas nacionalidades, penso muito em Portugal e no que é ser Português. Salazar já se foi biologicamente, muito antes do Estado Novo, mas o seu legado mantém-se entre nós, em muitos aspectos. Sobre isso farto-me de escrever neste blog quando identifico, na Direita e no Conservadorismo do Portugal Democrático, muitos negros fantasmas de origem com proveniência no Salazarismo. Numa reforma ou revolução, o ideal da mudança passa por manter o que está bem e mudar o que está mal. Dado o temperamento político dos movimentos geradores de mudança, isso raramente acontece em plenitude e eficiência. Na minha opinião, há mais problemas em Portugal provenientes da manutenção do Salazarismo em muitos aspectos da nossa organização social, do que da extinção de muitas características Salazaristas durante o pós-25 de Abril. Sobre isso também escrevo muito.

Mas a meu ver, algo que merece reflexão é a definição da essência do Salazarismo, dos seus aspectos negativos e dos seus aspectos positivos. Esse debate é efectuado em Portugal com muita parcimónia e raramente tem um desenlace construtivo, mas sim o enaltecer das propagandas empoeiradas do Estado Novo ou a catarse das vítimas da sangrenta repressão. Essa dicotomia de debate verificou-se no já quase esquecido programa televisivo Grandes Portugueses, onde as vítimas e os ludibriados do Estado Novo votaram em Cunhal e Salazar respectivamente. Contrariamente aos típicos apologistas das grandiosidades de Salazar, Jaime Nogueira Pinto é um homem intelectualmente desempoeirado, que eu normalmente não me importo de ouvir. No entanto, fiquei muito desapontado ao ver Jaime Nogueira Pinto a usar as mesmas propagandas dos anos 30, 40 e 50 para enaltecer a figura de Salazar. Esperava mais de um homem com o qual muitas vezes concordo em termos de análise política, decepcionou-me a sua falta distanciamento intelectual relativamente ao que eu chamo filiação clubística. Esperava uma visão moderna de Salazar, mais reflectida, não negativa ou depreciadora, mas diferente da Propaganda do Estado Novo.

O Estado Novo nasceu antes da Segunda Grande Guerra, numa altura onde os movimentos Europeus de Esquerda e Direita não se bipolarizavam na dicotomia Comunismo - Fascismo. Obviamente que Salazar tecia simpatias pelo Nazismo Alemão e Fascismo Italiano, mas muitas diferenças podem ser apontadas entre o Estado Novo e esses dois movimentos políticos ditatoriais de extrema direita, que se tornaram os mais famosos na altura, mesmo não se encontrando isolados. Contrariamente ao que a Direita de hoje estranhamente advoga, seja a Liberal ou Conservadora, isso não implica que o Estado Novo não fosse uma ditadura corporativa de Direita onde os valores que a definiam eram projectados no estilo de vida da pessoa construída em volta de Salazar. Consequentemente à formação do teatro de guerra geopolítico durante a Segunda Grande Guerra, muitas ideologias de Direita e de Esquerda passaram para o esquecimento ou são hoje referenciadas ou discutidas em meios intelectuais ou políticos restritos, sem expressão nos Media.

Decidi perceber mais sobre a extrema Direita Europeia de cariz religioso depois de ter visto o final do filme "Le Journal d'une Femme de Chambre" de Luís Buñuel onde se mostrava uma manifestação de Extrema Direita em França com gritos de ordem muito semelhantes ao que hoje é a Direita de Jean-Marie Le Pen, tão semelhante em muitos aspectos, a meu ver, ao que foi a Direita de Salazar. Historicamente, há tanto de semelhante entre a extrema Direita Francesa e o Estado Novo, como por exemplo o modo como ambas lidaram ideologicamente com a descolonização.

Contrariamente ao Fascismo Italiano e Nazismo Alemão, o Estado Novo tem as suas raízes no pensamento político de Charles Maurras, mas acabando por sofrer as suas próprias mutações políticas provenientes da Inércia temporal dos valores nos fantasmas do Absolutismo Miguelista, que ainda hoje minam o progresso e a Democracia em Portugal.

Perceber Maurras, o Absolutismo Português do Sec XIX e as suas marcas no Portugal de hoje é um exercício individual que recomendo a cada Português para acabar de vez com os verdadeiros cancros que corroem a nossa democracia. Mais do que reformas ou revoluções colectivas, Portugal precisa de novos Portugueses, novos indivíduos que não sejam corruptos, beatos, clubistas, medrosos, dependentes, delactores, ladrões e submissos.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Placebo effect

Don't let them have their way
Don't let them have their way
You're beautiful and so blasé
So please don't let them have their way
Don't fall back into the decay
There is no law we must obey
So please don't let them have their way
Don't give in to yesterday
We can build a new tomorrow, today


Uma espécie de criacionismo

“El glaciar de la isla de Pinos, en la región occidental de la Antártida, se está derritiendo a un ritmo cuatro veces mayor que hace 10 años, según un estudio de científicos británicos publicado en la revista Geophysical Research Letters. Según la investigación realizada a partir del análisis de imágenes de satélite, la superficie de hielo del glaciar se está reduciendo a un ritmo de 16 metros por año, frente a los cuatro metros que perdía de acuerdo con los estudios realizados en 1999.”

Existe quem duvide do aquecimento global. Existe quem ache que este fenómeno é um cavalo de Tróia para conseguir ter mais Estado na sociedade. Dá origem a impostos, regras e subsídios. Entretanto vão aparecendo estas notícias de investigações científicas. Chato, né?

Duas palavras:

Ri Dículo. No entanto acho muito bem que os homens se mantenham virgens, mais sobra para mim...

quinta-feira, agosto 13, 2009

Crónicas

Carlos Esperança num acutilante artigo.

Diferenças

O artigo do João Teixeira Lopes sobre as diferenças entre o PCP e o BE está a causar muita celeuma.  No 5 dias, o Carlos Vidal e o Nuno Ramos de Almeida tentam desconstruir o texto do JTL. O que diz JTL?:

1. “O PCP mantém intacta a visão estalinista sobre o indivíduo e os Direitos, Liberdades e Garantias fundamentais”
2. “A legalização do aborto é uma causa do PCP porque incide sobre as mulheres trabalhadoras. Mas a paridade já não o é e os direitos LGBT muito menos.”
3. “Os massacres da nomenclatura chinesa sobre as minorias muçulmanas ou sobre dissidentes políticos encontram razão na necessidade de preservar um Partido Comunista ao comando do Estado, mesmo que a economia se reja já pelas leis selvagens de um capitalismo desenfreado.”
4. “O mesmo se passa face ao tresloucado regime da Coreia Norte que Cunhal condenou como sendo um regime de sucessão dinástica mas que a «geração Jerónimo» recuperou como genuína experiência socialista.”
5. “O PC insiste no centralismo democrático e no controlo das organizações satélite. O Partido é a Razão primeira e última.”

Estes são os pontos que julgo resumirem o artigo de JTL. Carlos Vidal tenta desconstruir o ponto 1 mas não chego a perceber se conclui. E o esvaziamento dos conceitos “Direitos Humanos” e “Democracia” não fazem grande sentido pois esses sim são indicadores de que a realidade está politicamente errada (penso que não era esta a perspectiva no texto de JTL).

Depois, Nuno Ramos de Almeida, apesar de discordar com “a posição do PCP em relação aos regimes ditatoriais da Coreia do Norte e da China” e com o centralismo democrático, não crê que “se possa definir o essencial da política do PCP por isso”.  Penso exactamente o contrário, pois estas visões e esta forma de organização reflectem opções ideológicas relevantes. Depois o Nuno teme que “Teixeira Lopes se esqueça do combate do PCP pela justiça social e pelos direitos dos trabalhadores, coisa de pouca monta, sem transcendência”. Claro que isto não é verdade e o Nuno sabe. Não foi a luta pelos trabalhadores que JTL colocou em causa.

Depois Nuno afirma que “o direito dos homossexuais viverem livremente a sua vida, é uma causa fundamental, mas não é da esquerda, nem da direita”. Em princípio não será, mas a praxis mostra que o é. Aliás, o companheiro de blog Paulo Jorge Vieira lembra que “o PCP é contrário (neste momento) à adopção por casais homossexuais. Tal como o PS! E ao contrário do Bloco de Esquerda que a defende no seu programa e nos seus projectos”. Para mim, a discriminação não acaba apenas com a possibilidade de os homossexuais se poderem casar. Sem possibilidade de adopção será sempre uma forma tímida de abertura.

Torna-se sintomático que o principal foco de discussão sejam os direitos LGBT e não o apoio dos regimes chineses e norte-coreanos. Pena.

Para Ler e Ouvir - Outros Outubros Virão

Dedicada ao meu camarada de Blog.



O que foi feito amigo, daquilo que a gente sonhou...
O que foi feito da vida, o que foi feito do amor?
Quisera encontrar aquele verso menino...
Que escrevi há tantos anos atrás
Falo assim sem saudade, falo assim por saber...
Se muito vale o já feito, mais vale o que será...
E o que foi feito é preciso conhecer para melhor prosseguir
Falo assim sem tristeza, falo por acreditar...
Que é cobrando o que fomos, que nós iremos crescer...
Outros outubros virão, outras manhãs plenas de sol e de luz...


Não podemos parar de acreditar. A luta nunca para, em tudo, porque o nosso cantar tem todo o sentido e sentimento e razao...

quarta-feira, agosto 12, 2009

Celebrar a vida...

... mesmo quando à nossa volta impera o oportunismo político, a crise económica que afecta o mais pobre, o conservadorismo dos costumes, a elite que vagueia entre a corrupção e a incompetência, os lucros que nos são atirados à cara em jeito de provocação, o monarquismo serôdio, a discriminação dos imigrantes e das minorias, o aumento do preço dos combustíveis e o lucro das gasolineiras, os preços exagerados das telecomunicações, os ditames das instituições religiosas, a hipocrisia da alta finança e dos políticos...

Mas a esperança prossegue o seu caminho. Para ajudar, deixo isto:

terça-feira, agosto 11, 2009

O Folclore do Costume


Que pimbalhada!
Blog 31 da Armada no seu melhor. Obviamente quero dizer no seu pior.
Se fosse o Lutas Livres estava tudo já na cadeia, mas como é um punhado de garotos ricos de roupa de marca a brincar aos Cavaleiros da Távola Redonda, fica-se pelo tom de brincadeira e gracinha educada como o nosso rico Salazar bem apreciava na Juventude Hitleriana e na Mocidade Portuguesa.

Note-se que estes estão sempre entre os primeiros a clamar pelo autoritarismo intransigente contra o Bloco de Esquerda, PCP e outros grupos de Esquerda.

Mas já se sabe o que a casa gasta, em Portugal, uns são filhos de Deus e outros são enteados.

"Parecem bandos de pardais à solta, os putos" do 31 da Armada...
Deixa a canalhada brincar, deixa o Cavaco trabalhar e vai para a cama descansado enquanto milhares de pessoas inteligentes pensam no mundo em vez de ti.

Não esquecer as Honduras

Um post certeiro do João J. Cardoso.
"A líder do PSD afirmou hoje que "não foi a única pessoa" a incluir António Preto nas listas de candidatos a deputados e defendeu que se o excluísse estaria a "antecipar-se" em relação à Justiça."


"Maria José Nogueira Pinto disse ontem, à SIC, que a inclusão de António Preto na lista de Lisboa não punha em causa a necessidade de o próximo governo reabilitar a ética, “uma vez que está a concorrer ao Parlamento e não ao governo”


MFL e MJNP gozam de grande credibilidade junto da opinião pública. Talvez seja o seu carácter autoritário de 'avozinhas' da nação, sombra de Margaret Tatcher wanna be. São as nossas damas-de-ferro, se bem que MFL poderá ser considerada uma perigosa marxista aos olhos do tories. A credibilidade vem também (é bom que se diga) da entrega à vida política de forma honesta e dedicada. Contudo, muito à semelhança do que acontece com Cavaco, estas senhoras não estão sozinhas e não apresentam qualquer pudor em se fazer acompanhar de personagens de carácter muy duvidoso. Seria então errado não responsabilizar estes dirigentes da escolha da sua equipa. Cavaco, por exemplo, sai sem um beliscão após a queda de Loureiro. Em semelhança, daqui a um mês António Preto será apenas mais um nome que a agenda política irá relegar para, um mais cómodo, segundo plano.

Negando o carácter de oásis, resta a MFL explicar que política de verdade é esta. Onde está o programa eleitoral do PSD? Que raio de noção de democracia MFL tem se apenas pretende divulgar o programa eleitoral junto à data de eleições por receio de plágio? It's politics and not Politics, stupid! Qual o problema? O PSD é um partido de poder (nota-se pelas grandes migrações internas reptilárias em busca dos lugares ao sol). O PSD não oferece renovação relativamente ao PS. O PSD faz parte de um sistema em estado de autofagia. O Bloco Central consome-se dos seus filhos de que é constituído. Por isso só consigo pensar em Saturno devorando os seus filhos (Goya).

segunda-feira, agosto 10, 2009

Eles comem tudo…

Pedro Sales em registo kafkiano-cómico-trágico-de-tão-real. Anda por aí um blogue, apoiado pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, onde se tentar evidenciar as diferenças entre PS e PSD/PPD com base no registo histórico dos dois partidos. Para mim, a praxis de ambos torna tudo muito claro. O Bloco Central existe e reveste-se de rotatividade para permitir apelidar o nosso sistema de democrático. 

domingo, agosto 09, 2009

Ideias para Portugal dos Pequeninos (II) - A Água


Durante a sua candidatura a Presidente da República, Manuel Alegre prometeu usar a bomba da dissolução da Assembleia da República se, uma vez Presidente, o Grupo Águas de Portugal fosse privatizado. Na altura, eu e todos os Jornalistas e Cronistas, que escreveram sobre o assunto, considerámos excessiva essa promessa. Será a privatização da água algo assim tão importante que mereça uma fractura na sociedade política? Numa inicial e pouco introspectiva reacção, eu diria que não.

Mas olhando para o meu umbigo e para fora da efervescência consumista dos tempos modernos, a minha resposta é bem diferente. Hoje a água compra-se em formatos e fases variadas. Nos supermercados, nas farmácias, na internet, pode-se comprar água engarrafada para beber, em spray para refrescar a pele nos dias quentes, em gelo para um whisky mais saboroso. Nasci nos anos 80, mas quando era bem novo nunca os meus pais compraram água engarrafada. Cresci numa aldeia igual a muitas outras aldeias do Norte de Portugal, na qual havia fontes públicas, tanques públicos, ribeiros públicos, de onde se podia tirar água para os mais variados fins como beber, tomar banho, lavar roupa, regar as terras, fazer gelo, usar numa embalagem de spray para refrescar nos dias mais quentes. Para qualquer um destes fins e outros, água sempre gratuita. Hoje, na minha aldeia, dado o excesso de várias actividades humanas a montante dos recursos aquíferos, todas as formas de abastecimento gratuito de água encontram-se impróprias para consumo.

De todos os meus amigos ou amigas de infância, somente um consumia água engarrafada em criança. Acredito piamente que há 100 anos ninguém acreditaria que hoje se teria de pagar o que hoje se paga pela água. Manuel Alegre nasceu mais de 30 anos antes de mim, obviamente que para ele lhe seja mais difícil de esquecer o que era água gratuita e que se revolte ao vislumbrar um futuro onde somente os ricos e afortunados terão acesso a água de qualidade. Eu imagino um futuro onde as frutas e vegetais provenientes de plantas regadas com águas não poluídas sejam produtos de luxo somente acessíveis às classes de topo na sociedade.

No meio deste raciocínio, o leitor pode contrapor que eu somente me refiro às aldeias e que possivelmente o acesso a água gratuita nas cidades nunca existiu no presente tempo moderno, implicando que toda esta mudança nos níveis de consumo é sinal do progresso e consequentemente natural. Quanto a isso, não sei.

Sei que existem fontes, aquedutos e linhas de água em todas as cidades de Portugal, que outrora eram usadas para consumo humano, mas que hoje se encontram contaminadas devido a actividade humana poluente. Por isso pergunto, não seria a reabilitação e descontaminação das fontes das cidades e aldeias um investimento público inteligente e sustentável para um futuro mais equalitário de acesso aos bens do planeta? Num tempo de crise onde se pede concensualmente por investimentos do Estado, não seria este um bom investimento criador de empregos, de um melhor futuro para Portugal e de uma redução dos orçamentos familiares no consumo de água?

Fica aqui o apelo ao debate sobre este tema.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Cavaco. O Inválido, o Incapaz ou o Incompetente?


Cavaco gere expactativas e descarta-se das promessas eleitorais como uma raposa salta pocinhas de valor.

A Califórnia da Europa, a Califórnia da Europa, esta era uma das promessas de Cavaco como Presidente. O sonho Californiano de Cavaco Silva ou o Sonho Arnold Schwarzeneggeriano de Portugal? Sonho meu nunca foi porque o Doutor Cavaco Silva nunca me enganou. Fico deprimido quando penso que ele conseguiu enganar mais de 50% dos Portugueses. Na realidade, se Cavaco se referia à crise que a Califórnia agora enfrenta, retiro a crítica.

A cooperação institucional ou a cooperação estratégica foi outro grito de guerra sem sentido na campanha presidencial esquizofrénica que Cavaco protagonizou. Dado o demonstrado sucesso da esquizofrenia, as Europeias protagonizadas por Paulo Rangel de Pacotilha e Algibeira foram pela mesma linha. Falou-se de tudo menos da Europa, assim como Cavaco atirou areia aos olhos dos Portugueses com questões que nada têm a ver com as competências institucionais do Presidente da República Portuguesa.

Quanto às suas competências institucionais, Cavaco falhou e falha descaradamente como aconteceu, por exemplo, duas vezes na Madeira ao se claramente violar a Constituição da República Portuguesa com conivência e silêncio absolutos do Presidente da República. Refiro-me ao momento em que um Deputado da Assembleia Regional da Madeira foi impedido de assistir a um plenário por parte de seguranças privados a soldo do PSD, o partido leproso de Cavaco. Também me refiro à visita de Cavaco à Madeira quando Alberto João Jardim insultou e excluiu a Assembleia Regional da visita presidencial. Cavaco nada disse sobre assunto, contra todas as expectativas que se podem ter de um activo e competente Presidente. Parece que o senhor Silva respeita muito o Dr. Alberto João Jardim, se calhar em demasia.

Mais recentemente, Cavaco dirigiu-se de mãos vazias a Portugueses em enormes dificuldades, dizendo "deixo-vos a minha solidariedade, o que é pouco, mas não tenho mais para dar" . Lembrei-me do discurso de posse de Winston Churchill como Primeiro Ministro da Grã-Bretanha e do seu Império no início da Segunda Grande Guerra. No entanto, contrariamente ao grande Estadista Inglês, Cavaco somente garante sangue suor e lágrimas, sem nunca chegar a proferir um discurso de vitória. Nunca o fez como Primeiro Ministro dos seus Governos geradores de corruptos e não o vai fazer como um Presidente que lava as mãos e salta do barco perante as dificuldades. Cavaco não quer vitória. Cavaco nem percebe que estamos em Guerra contra a recessão da prosperidade em Portugal. Cavaco é um gigante com pés de barro e um faminto ego narcísico, que lhe cega e manieta qualquer ímpeto de clarividência relativamente às verdadeiras necessidades de Portugal. Dada a pacatez da amálgama informativa Portuguesa, compreendo que o mais incauto cidadão possa reagir a estas palavras do Presidente com serenidade a pensar:
Claro, ele não gere o orçamento de Estado, isso é o malandro do Sócrates, que nem manifesta nenhum sintoma de doença degenerativa.
Coitadinho do nosso Presidente. Ele é somente o Presidente, que queriam dele?

Recentemente até mesmo a Primeira Dama, no seu estilo de Dona de Casa Despachada e iluminada pelos conteúdos informativos dos programas da manhã da televisão Portuguesa, veio cantar com o mesmo tom de irresponsabilidade do seu marido, fazendo notar que não há dinheiro em Belém.

A meu ver, Cavaco baixa os braços por outras razões alheias aos seus deveres institucionais, não é por incapacidade institucional que Cavaco se desmarca de ajudar o País a resolver a sua crise. Entre os papeis desempenhados hoje por Cavaco no panorama político, a maioria é alheia aos seus direitos e deveres institucionais, mas baseia-se antes na manipulação cobarde da actividade governativa através da credibilidade e do carácter de celebridade a ele concedidos pelos Media. Se Cavaco desejasse fazer algo pelos trabalhadores em dificuldades, usaria o mesmo poder não-institucional com a mesma facilidade com que o usa com outros fins.

Cavaco é ideologicamente de Direita, nada quer saber dos problemas dos outros, mas sim dos problemas dos seus. Cavaco e os seus não acreditam no Estado Social, acreditam no cada um por isso e o mais hábil sobrevive. Tendo sido gerado no seio da Direita Europeia Continental, Cavaco Silva não acredita que todos os homens são iguais e acredita na inevitabilidade da pobreza, relativamente à qual somente expressa tristeza, possivelmente cede uma esmolinha da sua carteira no fim da missa e liberta uma lagrimazinha no canto do olho em momentos de fragilidade institucional.

Coitadinho do Cavaco, deixem-no trabalhar. Ainda há muito para escavacar neste nosso Portugal que eu infelizmente amo, cada vez mais, a cada dia que passa.

Dedicatória

Dedicado ao meu colega de blogue (porque é fim de semana, porque está sol, 'cause I miss you).

Depois de muito pensar...

... encontrei sérias dificuldades em escrever alguma coisa sobre a polémica causada pelas afirmações de esse tal de Gabriel Olim sobre doação de sangue por homossexuais. A minha consciência não pára de reclamar que eu devo escrever algo porque o que este... senhor vem apregoar (sob a capa de "autoridade") é grosseiro e retrógrado. Mas depois, o assunto é tão ridículo que nem sei por onde começar (um pouco como "os meus dedos gaguejam" de tanto que querem escrever) . Mas então fez-se luz. Sabem o que faço com tipos como o Olim? Piadas, porque não consigo leva-los a sério. Ora vamos lá:

"O que é um homossexual a doar sangue?
Terrorismo biológico."

E tenho dito!

quinta-feira, agosto 06, 2009

Hiroshima mon amour


Hoje é o dia que marca o aniversário em que um cogumelo mortífero se formou em Hiroshima, mudando o rumo da visão do Homem pelo Homem. Assim como o Holocausto, o uso de armas nucleares devia ser evitado a qualquer custo. Contrariamente, uma Guerra fria desenvolveu um potencial nuclear bélico que ainda hoje congela a alma da humanidade na perspectiva de um futuro de bombas a cair.

Sou contra a Guerra, contra a agressão, seja ela na forma de um estalo ou de uma bomba atómica.

Vi dois grandes filmes recentemente, dois fimes que mudaram o meu modo de olhar o Homem. Impressionante isso ainda me acontecer aos quase 30 anos de vida.

Um deles, representado nesta foto, foi Hiroshima mon amour. Duras, sempre me vais mover o coração.

O outro filme foi Masculin féminin: 15 faits précis de Godard. Parece que nos anos 60, os jovens eram filhos de Marx e da Coca-Cola. Para mim hoje a Coca-Cola e' mãe solteira esperando pacientemente que o pai seja liberto da cadeia depois de injusta incarceração.

Ambos os filmes merecem ser vistos e revistos várias vezes. Eu ando a fazer isso.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Tenho pena…

…de não gostar de água das pedras. Se gostasse, imprimia este post para recitar nessas esplanadas de verão.

domingo, agosto 02, 2009

Atrevimento

Acabo de ver na telvisão o Cavaco a invocar o Zeca. Que vai fazer a seguir? Invocar o Saramago?