sexta-feira, julho 31, 2009

quinta-feira, julho 30, 2009

Raquel

Raquel sonhava com o redentor daquela vida morna açoitada de vez em quando por um olhar trocado com o rapaz indiferenciado que partilha a carruagem do Metro. O rapaz indiferenciado é um dos conceitos mais democráticos que por aí vai existindo. Dotado de uma não beleza (na medida que não é particularmente bonito nem grosseiramente feio), com proporções balizadas pelos primeiro e terceiro percentis e roupagem mediana. Claro que , para Raquel, este rapaz indiferenciado, tão normalizado que nunca poderá aspirar ao plural, funciona apenas como um espelho interactivo. Raquel calibra-se com ele; mede o impacto da sua figura cuidada durante os possíveis 10 minutos que dispõe de manhã cedo para o efeito, no rapaz indiferenciado. A sorte de Raquel? O rapaz indiferenciado é curioso; por vezes, a mera observação dos pormenores calca o desejo sexual, permitindo ao rapaz levantar-se na próxima estação sem a necessidade do volume solidário de uma mão no bolso. Contudo, Raquel não ousa trajar mais que uns corsários ou um decote que apenas aflora o início do vale que afunila tantos dos nossos pensamentos. Para Raquel, os olhos são os mais importantes; por isso pinta-os com um estojo que a tia lhe ofereceu marcando uma cumplicidade de virgens secas sempre prontas a desdenhar nas ninfetas que, todos os dias, pululam os comerciais e as novelas do horário nobre. Raquel segue a dieta que a revista apregoa nessa semana; Raquel está sempre atenta às cores que as colegas de trabalho usam; Raquel quer estar na moda para não sobressair, apenas o suficiente para não comentarem o seu mau-gosto. De resto, os seus olhos, pintados a preceito com o estojo de titi, irão ser o seu chamariz do beija-flor. Raquel não gosta de aves de rapina.

Raquel conheceu três redentores e, em todos eles, teve as certezas de um entusiasmo pueril. Ostentou perante titi o desfloramento provocado pelo segundo redentor e invocou o seu ciúme invejoso. Titi amargou e secou ainda mais; morreu enrugada. O terceiro redentor batia-lhe porque tinha de ser; o terceiro redentor fodia-a porque tinha de ser; Raquel apanhava estoicamente e estoicamente era penetrada por um pénis insuflado de álcool e escárnio. Raquel assumia assim uma missão confiada por um rol de gerações sentadas à lareira desfiando rosários. Raquel aprendeu que os redentores também mentem. O segundo era casado e o primeiro, afinal, não a amava. O terceiro encontrou o destino debaixo de um camião e ainda hoje Raquel lembra de quanto sente sua falta. Raquel já não procura o olhar do rapaz indiferenciado. Raquel engordou e agora procura o olhar reprovador das fêmeas atiçadas que, com ela, partilham a carruagem do metro. Deixou de acreditar em redentores e nunca mais teve a sensação estranha de um rubor que terminava nas faces mas que se iniciava nas sombras de uma vergonha. Para o fim já rezava à sua titi não por remorso mas porque lhe sentia a falta. Um dia, no meio da sua rotina diária, Raquel faz um desvio, volta à casa de banho, abre o armário que ladeava o espelho onde todos os dias conferia que seus olhos ficavam impecavelmente pintados; retira os anti-depressivos legados pelo primeiro redentor. Com normalidade e sentido de missão, Raquel abre a sua garganta a um jorro de pequenos discos que lhe vão criando uma secura quase paralisante na garganta. Por fim, já com o amargor daqueles químicos dissolvidos na saliva insuficiente, Raquel senta-se na cama e pensa que hoje não irá trabalhar.

terça-feira, julho 28, 2009

Ideias para Portugal dos Pequeninos (I) - O Verde


Com eleições à porta, decidi fazer reflexão sobre alguns temas relativamente aos quais ninguém na vida política se vai referir por nada terem a ver com a crise vista pelos Media e pelos principais protagonistas do Centrão. A esses textos chamarei "Ideias para Portugal dos Pequeninos".

Acabei de receber os meus pais por uns tempos aqui em Pittsburgh. Foi bom porque o Verão estava a correr mesmo mal em termos de saúde e por arrasto também de trabalho e soube bem. Tangentes à parte, Pittsburgh é uma cidade cheia de Parques com densa floresta. No entanto, dada a proximidade do mar, o ar de Lisboa desnuda de árvores bate Pittsburgh aos pontos. Mas eu gosto de Parques como os de Pittsburgh, ou como o Central Park, onde estive na semana passada a ouvir a primeira de Mahler pela Filarmonica de Nova Iorque, ou mesmo como os de Bruxelas, ou os mais ordenados de Paris.

Gostando dos Parques, levei os meus pais aos Parques. Ambos me fizeram notar o quão impressionante era a diversidade da flora e a valorização dada pelos Americanos, tipicamente individualistas, a esses espaços que são de todos e de acesso gratuito. Lembrei-me dos tempos em que estive em França e de ter ficado impressionado, na altura, em conversas com Franceses e Alemães, com o modo como os Espaços Verdes são valorizados na Europa que teve Revoluções Industriais, ou se calhar na Europa que não é Portugal.

Eu tenho a impressão que somente uma minoria valoriza Espaços Verdes em Portugal.
O Plano Verde de Ribeiro Telles por exemplo. Quem o apoia seriamente? Uma minoria, caso contrário já estava em estado avançado de execução.

Quando se pensa em reabilitação hurbana por exemplo, nunca se pensa num Central Park para Lisboa. O Aeroporto da Portela, uma vez extinto, poderia ser transformado num grande Espaço Verde. Será que alguém partilha comigo este ponto de vista? Ou um grande empreendimento carregadinho de casinhas será uma opção mais apoiada pelo grande público Lisboeta?

Outro exemplo de desamor relativamente aos Espaços Verdes é o de Viseu.
Viseu é uma cidade tipicamente apelidada de "Cidade Jardim", no entanto todos os Espaços Verdes foram edificados antes do 25 de Abril de 1974.

Podia-me cansar a dar exemplos de Espaços Verde rurais com enorme potencial turístico, mas pouco procurados pelos Portugueses e sei que todas as cidades devem ter os seus casos de urbanização em massa sem a presença das árvores.

O que quer isto dizer? Os Portugueses não gostam do verde? Preferem o azul do mar e o vermelho do Benfica?
Eu acho que não, achar nada, estou convicto que não, mas gostava de saber porque somente uma minoria valoriza este debate.

sábado, julho 25, 2009

Cavaquismos

A minha resposta a isto faz-se em formato de lista:

  • Saramago;
  • Subsídios europeus a fundo perdido

Que oportuna!

MFL deverá estar profundamente triste por não poder participar naquelas “festas populares”. Vamos ver quanto tempo demora a recuperação!

Cavaco em formação

Cavaco rumou à Áustria para uma pequena formação sobre blocos centrais. Quando ganhou as presidenciais e comentadores afirmavam então que deveria ser visto como o presidente de todos os portugueses eu desliguei a televisão e, entre dentes, mandei-os à merda. Agora, a besta política (não quero ofender o Grego) apresenta a sua própria agenda política fazendo campanha de forma dissimulada. Onde pára a sua tão conceituada honestidade?

terça-feira, julho 21, 2009

Ménage à trois

No fim de semana comprei o último álbum dos Placebo – uma das minhas bandas de referência – Battle for the Sun. Ontem coloquei-o a tocar no carro (o meu posto de escuta). Passados uns segundos já tinha o volume em níveis demasiado elevados e até a distorção das colunas me agradou. Está tão bom mas tão bom que até choro.

Entretanto, no Sábado fui ver The Killers. Para além dos êxitos mais imediatos não conhecia mais nada da banda. O vocalista/compositor/homem-dos-sete-instrumentos é giro, tem pinta. A música é agradável a fazer lembrar The James e Placebo (see the connection?). Mas agora, com ouvido em Placebo e lembrança em The James, os The Killers parecem-me uns meninos – o que, com o nome da banda, os torna ligeiramente ridículos. BTW, a Duffy também actuou e convenceu!

The James é candura, uma alegria imensa, faz-me lembrar que ainda há restícios de criança em mim e é isso que me vai mantendo à tona. Placebo é sensual-animal, é carne e suor, é almíscar e açúcar, é violentamente são. A dualidade criança-homem, racional-instinto, amor-sexualidade. Ao pé disto, The Killers são um passatempo. E só para lixar, acho o Brian Molko mais bonito!

E claro, o teaser (porra, digam-me que isto não é delicioso):

quinta-feira, julho 16, 2009

Jardim do Atlântico

Jardim quer tornar o comunismo inconstitucional à semelhança do fascismo. Nada mais espero que umas baboseiras de uma mente em alcoolismo crónico.

Agora, o que é de facto importante: o que eu espero que a direcção nacional do PSD. Não quero apenas a demarcação, quero uma atitude mais assertiva. Ruptura! (isso mesmo, sem acordo ortográfico que aquele 'p' é mesmo para fazer doer). Ou isso, ou os seis meses sem democracia afinal não foram apenas "uma maneira de falar". Além de MFL, também gostaria de ouvir Paulo Rangel dissertar sobre o assunto. Porquê!? Porque, claramente, trata-se do novo delfim de MFL e já se prepara para voltar do Parlamento Europeu caso o PSD vença as eleições legislativas (juro que não entendo em que isto possa ser diferente da polémica com Elisa Ferreira e Ana Gomes).

Anda o País todo a tratar Jardim como se fosse um infante a que permitem todos os disparates. Talvez seja daquelas bochechas e do ar redondo. Contudo, pobre país que permite tais dislates e abana a cabeça com ar condescendente.

terça-feira, julho 14, 2009

Estou cansado. Os olhos ardem. Ainda é Terça-feira. Beberico licor de bolota (o nome não faz jus). E apetece-me ouvir isto (I am the father):

domingo, julho 12, 2009

Frustração

O meu amigo Samuel chamou-me hoje à parte e contou-me o quão maravilhoso foi o concerto que os Dave Mathew Band deram em Portugal no Sábado.  Melhor (ou pior para mim): vieram acompanhados pelo Tim Reynolds. Resultado, um grande concerto com direito a uns extras especiais!

Porra Samuel, isso tudo para quê? Para despedaçar este coração sensível? Não sabes tu que a inveja é dos pecados maiores?

Só para saberem do que estou a falar, deixo-vos uma das músicas que mais gosto: Ants Marching, tocada pelo Dave e pelo Tim. Raios!

Delicioso

Do Aventar (um blogue recente que está aí para ficar – e ainda bem), ‘postado’ pelo Luís Moreira:

« (…) Mas isto recorda-me uma deliciosa estória que se contava na minha juventude, acerca de uns bravos que se tinham enredado nos prazeres do teatro. Numa das cenas a D. Inês de Castro, rodeada pelas suas aias esperava pelo seu amor D. Pedro. Nisto entra um fogoso paio com uma carta, que dá a ler a D. Inês, que muito exaltada, a manda destruir.

Aqui, o nosso paio devia queimar a carta mas, para grande desespero de todos, tinha-se esquecido da tocha para lhe pegar o fogo. A D. Inês percebe o problema e tem uma saída genial para a situação. E grita, rasga-a antes que D. Pedro saiba do que seu pai, El-Rei de Portugal, é capaz!

Rasgada a carta, entra em cena D. Pedro que furibundo, grita:

Cheira-me a papel rasgado!

Enfim, o espectáculo, que era um drama, deu numa gargalhada geral.»

sábado, julho 11, 2009

E o PS a controlar a TVI


A tendência de alguma Direita, como a motivada por Pacheco Pereira, Ferreira Leite e Paulo Rangel de pacotilha e algibeira, para a teoria da conspiração é algo que está sempre a irritar-me. Parece que as águas já passaram e ficou a espuma, o sentimento de que algo está mal mas não se sabe a razão. Mas para quê saber a razão. Parece que de acordo com esses doutos juizes deste pequeno mundo, que falam de toga e capelo com a moral debaixo do sovaco sujo, podre e trocada, José Sócrates é mau ponto. Porquê ninguém o sabe dizer, mas isso nada interessa, o que interessa é ir para a cama descansado a pensar em nada enquanto há milhares de pessoas inteligentes no munco a pensar em tudo.

Pois no meio desses assuntos inteligentes que se debatem em cede laranja está a tentativa de controlo da TVI por parte do PS. Parece que era muito mau, mas afinal não era, era um acto negocial por parte de uma empresa que é cotada na Bolsa de Nova Iorque. As elites do PSD reagiram de modo semelhante quando Pina Moura foi trabalhar para a Prisa e se levantou a teoria de tentativa de controlo da TVI por parte do PS. Pinto Balsemão rasgou as vestes, indignou-se profundamente por exemplo, assim como Marcelo Rebelo de Sousa, o meu rico Cavaquito Silva, ou seja, a escumalha do costume que se preocupa muito com a comunicação social. A meu ver porque a querem controlar, mas isto já é muito psicanalítico.

No entanto, Pina Moura foi para a Prisa, a TVI é o maior opositor do Governo e aquilo que toda a gente sabe e parece que não se passou nada. A meu ver, José Sócrates faz muita coisa mal, a principal é não perceber que as reformas políticas devem-se fazer de acordo com convicções de Esquerda e não para gerir os poderes da comunidade civil portuguesa de modo a obter o máximo de apoios políticos, acabando por hipotecar o futuro de Portugal. O Cavaquismo cometeu o mesmo erro, veja-se o caso SLN, o principal produto da teia de interesses que fez Cavaco ser Primeiro Ministro, Professor Universitário em nome Sagrado de Deus sem abilitações para o ser e Presidente da República Portuguesa.

Ó Laurindinha...

O Delito de Opinião transcreve parte de uma entrevista a Laurinda Alves:

"Se for dar um passeio pela praia e se for nas minhas conversas com Deus, muitas vezes 'falo' em inglês. Sei que é uma coisa completamente absurda, para a qual não tenho explicação. (...) Deus é multilingue, mas talvez perceba que o inglês é mais incisivo para certas coisas."

Estas coisas chateiam-me. Não tanto por Laurinda falar com deus, afinal está no seu direito (e ainda bem que é com aquela personagem; qualquer outra dava direito à casa amarela onde vão permanecendo os percentis extremados da sociedade). O que realmente me chateia é o facto de Laurinda falar com deus em inglês alegando que assim consegue níveis de incisão não conseguidos com a nossa pacata língua. Não posso concordar. Se deus é multilíngue e uma vez que as suas capacidades são sempre prefixadas por um pomposo omni, então Laurinda até poderia falar o português cantado e feliz do Brasil que ele conseguiria deslindar as suas mais secretas intenções. Se tal for o caso, Laurinda usa o inglês porque ela necessita ignorando as capacidades mui elevadas de tal ouvinte. Ora, isto parece-me pecado!

Em adição, parece-me que a Laurinda passou pouco tempo nessas tascas portuguesas onde homens, ao despique, vão distribuíndo jargão de sílabas fortes e salivantes e que tanto podem ser usadas para o humor fácil e expressivo, como podem servir para, de forma incisiva, achincalhar a classe política (a que Laurinda não pertence, por isso é que se apresentou como a candidata da renovação).

Voltei a lembrar-me porque nem sequer abria a Xis, que vinha à boleia da Pública, no regaço do jornal.

quinta-feira, julho 09, 2009

Falta-me paciência...

... para parvoíces.

O Insurgente é um blogue da direita liberal (à europeia) que eu vou seguindo para melhor perceber as teorias associadas a esta(s) ideologia(s). Reconheço inteligência em alguns autores apesar do único objectivo aparente daquele blog ser o de diabolizar o Estado. Ou seja, tudo o que possa acontecer de mal estará ligado ao Estado das mais diversas maneiras. Em adição, tudo o que cheire a regulação é imediatamente cilindrado ora com textos de autoria dos bloggers ora por excertos de publicações de outrém. Contudo, esta cruzada contra o Estado e suas formas de regulamentação tem o problema que todas as cruzadas têm: o exagero acrítico.

Isto tudo, porque o João Luís Pinto, a respeito de "manifestos, parasitismos culturais e obras públicas" (que abragência!) publica parte de um artigo que eu achei deliciosa. De forma resumida, eis o que apresenta:

«Katrina, o furação devastador que assolou Nova Orleães em 2005, levou inúmeros políticos à televisão no pleno exercício da política. Estes legisladores, movidos pelas imagens da devastação e das vítimas revoltadas que perderam as suas casas, fizeram promessas de que iriam proceder à “reconstrução”. Foi um gesto de extrema nobreza da parte deles fazer algo de humanitário, erguer-se acima do nosso egoísmo abjecto.

Prometeram fazê-lo com o seu próprio dinheiro? Não. Iriam usar dinheiro público. Tenha em conta que esses fundos seriam retirados de outro lado, como no provérbio: “Tira-se a Pedro para se dar a Paulo”. Esse outro lado será menos mediatizado. Poderá ser a investigação contra o cancro financiada por capitais privados ou os futuros esforços para combater a diabetes. Pouco parecem dar atenção às vítimas do cancro que padecem, sós, num estado de depressão não televisionada.

(...)

Morrem mais doentes de cancro todos os dias do que as pessoas vítimas do furacão Katrina; são eles quem mais precisa de nós – não só da nossa ajuda financeira, mas da nossa atenção e da nossa amabilidade. E poderão ser eles a quem o dinheiro será retirado . indirectamente ou, até mesmo, directamente. O desvio de dinheiro (público ou privado) da investigação poderá ser responsável pela morte dessas pessoas – num crime que permanecerá no silêncio.
»

Óbvio! Os sacanas dos políticos foram tirar o dinheiro precisamente aos doentes de cancro e diabetes. Mas aí, fico com uma dúvida! Sendo a saúde nos EUA um exemplo a seguir (as pessoas escolhem onde querem ir, a apólice do seguro que mais convém, etc.), não seria redundante o Estado dar atenção aos doentes do cancro e diabetes? O seguro não cobre? O mercado não resolve pela eterna lei da oferta e procura?

Ou não percebo as nuances desta linha de pensamento ou este texto insere-se na categoria de desonestidade intelectual. Percebem porque me falta a paciência?

Carta aberta...

... a um qualquer sexólogo de revistas femininas de dona de casa.

Descobri recentemente um blogue chamado e deus criou a mulher. Agora, sempre que o Reader me indica um novo post deste blogue vou a correr ver com um certo brilhozinho nos olhos. Serei normal?

terça-feira, julho 07, 2009

Carlos Paredes

Carlos Paredes era dotado de uma sensibilidade única que conseguia sublimar nas cordas dedilhadas daquela guitarra portuguesa. A consequência é que “Asas sobre o mundo” tornou-se o álbum maior, aquele que apresento como embaixador da música portuguesa aos meus amigos além fronteiras, aquele que tomo como referência da portugalidade tocada. Da profunda tristeza e de uma alegria chorada, da saudade saturada e há muito esgotada. Do livre pensar e do agrilhoamento a uma terra de sal. Do tudo ou nada. Mais estranho é o facto de não conseguir ouvir o álbum por inteiro que, esgotado de tanto resistir, irrompo em lágrimas e tenho de fugir…

Ficam os verdes anos, obra emblemática de uma época.


Maria João Pires

Embora não concordando com a totalidade (primeiro parágrafo) julgo que este texto do Pedro Picoito responde às investidas de uma certa direita liberal “que (…) não tem outra ideia para a cultura que não seja contar tostões”.

Estou com uma vontade dos Diabos de Sérgio Godinho

domingo, julho 05, 2009

Júlio Pomar

Hoje tive a oportunidade de ver  uma exposição de Júlio Pomar que abarca o período de 1943 a 2003 e que inclui as fases mais relevantes: neo-realismo, tauromaquias, corridas de cavalos, Maio de 68, banhos turcos, erótica, tigres e a série dos corvos. Pena não estar representada a série de raguebi, da mesma altura da série do Maio de 68, e a série erótica estar pobremente representada. Positivo: a exibição do documentário “Pomar, o risco”, uma reportagem de uma hora (RTP) que já havia visto em Serralves e que, de forma resumida, traça os principais marcos da vida do pintor.

Deixo aqui um dos quadros da exposição que mais me marcou: o retrato de Frida Kahlo representada como Eva no seus símbolos (maçã e serpente). O tigre aparece no canto inferior esquerdo e nas obras de Pomar representa a carga feminina. Com Kahlo, sabemos que esse tigre tem de estar ali.


Frida kahlo dans le rôle de eve, Júlio Pomar

A exposição está no Centro de Arte Manuel de Brito (Palácio dos Anjos, Algés) e termina a 13 de Setembro.

 

Só para chatear: de seguida dei um pulo à FNAC e eis que me deparo com Vanessa da Mata na parte da música às compras. A Vanessa mulher é lindíssima o que me vai provocar ataques de ansiedade quando ouvir a Vanessa música.

sábado, julho 04, 2009

Histórias de caçadeira

Hoje interrompi um jejum de algumas semanas e fui ao cinema. Na sala estavam cerca de 10 pessoas (o que não augura nada de bom para o King) para verem Histórias de Caçadeira (Shotgun Stories).

A fotografia do filme é belíssima e explora a imensidão da América profunda, perdida no espaço e num tempo que se esforça por acompanhar a velocidade ditada pelos media e multimedia. É também o filme onde fico a conhecer Glenda Pannell (no papel de Annie Hayes).
Glenda Pannell has reason to worry in 'Shotgun Stories'

O filme é um anti-clímax e coloca-nos no papel de Tântalos sanguinários formatados para um certo estilo de cinema onde impera o moralismo atroz do antigo testamento. Apesar de tudo este é um filme para sorrir. Apenas tenho pena de uma coisa (quase a ponto de iniciar uma petição): a banda sonora deveria ter incluído Red House Painters. Aí teriam conseguido arrancar-me lágrimas e uma depressão de uma noite. Só para terem um sabor do filme:


sexta-feira, julho 03, 2009

Debate do Estado da Nação na Assembleia da República (DENAR)


Eu ouvi o DENAR na sua totalidade via rádio na internet, ou seja sem imagens. O debate correu muito bem ao Governo e a Sócrates como seu chefe, directo responsável e representante. O PSD estava desnorteado no seu discurso, o glamour populista de Rangel de pacotilha e algibeira estava a falhar, o CDS estava aos tiros no escuro com palavras de honra e dignidade em vazio absoluto e o PCP e BE estavam a enervar o Governo mas com dificuldade em ultrapassar os preconceitos do PS relativamente aos partidos à sua Esquerda, tão bem aceites pelo eleitorado e pelos Media de Portugal.
Sócrates estava a conseguir dar a volta ao PCP/BE, ao PSD e aos Media, estava a conseguir recolocar o discurso na defesa do Estado Social e no não baixar os braços, contrariamente aos planos do PSD relativamente à Educação, à Saude, à Segurança Social, à Quimonda, à Auto-Europa, aqueles assuntos relativamente aos quais o PSD nada diz por tudo querer privatizar, aqueles assuntos demasiado complicados para a mesquinhez intelectual dos Media.
Pois, estava o Paulo Rangel de pacotilha e algibeira a definhar, os Media a bocejar, o importante a ser discutido, quando o circo voltou nos gestos irados de Manuel Pinho.
Estava o Primeiro Ministro a apontar para a frente e o PSD, na linha do populismo dos Media que adora seduzir e comandar, ganhou a sorte grande, partiu para o parte tudo, destroi tudo, mata tudo e tudo, sempre motivado pelo moralismo hipócrita da Direita, e o que se debateu sobre assuntos muito importantes morreu e ficou nas actas nunca lidas da AR, e nos arquivos visuais e radiofónicos que nunca se disponibilizam na internet ao contrário dos assuntos populistas de vazio ideológico verbalizados por Ferreira Leite, Rangel de pacotilha e algibeira e Paulo Portas.

Ai que saudades do meu rico Salazar

Demitir-se (também)

Agora que Manuel Pinho se demitiu por fazer uma grosseria na Assembleia da República com toda a oposição a aplaudir a decisão resta-me fazer uma pergunta. Alberto João Jardim não quer fazer o mesmo e demitir-se? Sempre quero ver o Paulo Rangel a pronunciar-se sobre tal personagem. O novo herói da direita tem uma boa oportunidade para ser coerente.

quinta-feira, julho 02, 2009

Demitir-se (actualizado)

Manuel Pinho excedeu-se. Independentemente do mérito (ou falta dele) nestes últimos 4 anos, Pinho não podia fazer isto e muito menos em plenário da Assembleia da República. A piorar? A projecção internacional do titular da pasta da Economia. Certo que já pediu desculpas e a oposição deve aceitar. Mas Pinho só tem uma saída: demitir-se!

Parece que Pinho fez o que era esperado e sensato: demitir-se. Entretanto á uma certa falta de classe de alguns bloggers que concorrem com a grosseria de Pinho. Exemplos? Olhem este! Não só ofensivo (olho por olho, dente por dente não é minha gente?) como errado. Pinho não foi demitido, demitiu-se! Honestidade porra!

Priceless

quarta-feira, julho 01, 2009

Pina Bausch

Pina Bausch
Pina Bausch
Pina Bausch

Muitas vezes referenciada neste blog. A minha mais forte referência artística faleceu e doi-me tudo, não sei que escrever. Quando estiver mais calmo escreverei algo mais dignificante sobre uma das pessoas que mais influenciou e moldou o que me pode definir hoje como homem.

Amo-te Pina.
Sinto muito nunca ter tido a oportunidade de ver uma obra tua ao vivo, sinto mesmo muito, gostava de te ter visto, de te ter dito o que muitos te devem ter dito, mas sendo eu a dizer...
Estou a escrever disparates...