terça-feira, junho 30, 2009

Gnoma

Apenas recentemente descobri Mão Morta. Já tinha ouvido falar; inclusive já tinha ouvido uma ou duas músicas mas sem prestar grande atenção. Mas (isto tinha que ter um mas senão o post terminava aqui) numa das minhas deambulações pelas prateleiras da FNAC veio-me parar às mãos o penúltimo álbum de originais: Nus (2004).  Comprei e lá dentro estava todo um mundo. Isto já foi há três semanas e ainda tenho o CD no carro (o meu posto de escuta por excelência por falta de tempo). Como amostra deixo a faixa n.º 2 do álbum. O refrão é cantado pelo Miguel Guedes dos Blind Zero. Enjoy.

GNOMA
[Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]

Dá-me mais quero mais
Desse vinho bem forte
Acre sol estival
De uma vida em desnorte
Já perdi o que tinha
A família a consorte
Para ser mero pó
Falta só vir a morte a morte

Tem calma irmão
Que a morte está aí para todos nós
E à parte as mães
Ninguém pode afirmar de viva voz
Que deixa cá algo
Quando a vida nos solta enfim os nós

Serve então mais um copo
Uma noite a beber
Não fará mal pior
E dará p’ra esquecer
O vazio que me ataca
Esta dor de viver
A feroz solidão
Que me faz q’rer morrer morrer

Tem calma irmão
Que a morte não precisa do teu sim
É coisa certa
Mais vale fazer da vida um festim
Canta antes dança
Que a vida não te surja mais ruim

Cantar eu?

Dançar dizes tu...

Serve então mais um copo para ajudar

Tem calma irmão
Que a morte não precisa ser assim
Canta e vais ver
Que a vida não te larga mais por fim


Da série “Estes gajos drogam-se”

A PT intencionava comprar 30% da empresa dona da TVI (Media Capital). O nosso PM alega desconhecimento desta vontade, apesar da golden share. O PM, tentando sacudir mais esta água do já bolorento capote, veta a acção de compra. Certo. Confuso? Nã! Isto é só o início.

Manuela Ferreira Leite (MFL) faz declarações de repúdio. So far so good; há que capitalizar isto para fazer oposição. Mas eis que surge Henrique Granadeiro, o chairman da PT a lembrar que foi um executivo social-democrata (era Manuela Ferreira Leite ministra das Finanças) que obrigou a PT a comprar a rede telefónica fixa, que pertencia ao Estado, para realizar receitas extraordinárias que permitissem equilibrar o défice das contas públicas.

Mas se acham que isto já está merdoso o suficiente eis que MFL não se fica e responde isto:

«se o PSD fez isso [tentou influenciar as linhas editoriais de jornais do grupo Lusomundo], só tem de considerar que fez mal»

e ainda mais isto:

«Nunca me lembro de algum dia na vida ter feito pressões sobre quem fosse»

Reparem ela não diz “Nunca na vida…”, nem tão pouco “Não me lembro de…” mas antes um sublime “Nunca me lembro de…”. Ou seja, ela pode fazer as pressões que bem entender que nunca se vai lembrar. Ora porra, eu com os meus problemas morais e consequentes remorsos  sem me aperceber que a culpa é da lembrança. Se mesmo assim a acusação continuar só tenho de dizer, em jeito conclusivo deixando cair a última sílaba, se eu fiz isso, só tenho de considerar que fiz mal. E assunto arrumado!

Sobre o golpe de estado nas Honduras…

… ver a explicação do Nuno Ramos de Almeida, a evidência do Miguel Madeira e a notícia do Ricardo Santos Pinto (r). Para mim poucas dúvidas existem da ilegalidade do golpe de estado.

Lamento ver a Palmira, que professa os ideais da liberdade no caso iraniano, aplaudir este atentado à democracia hondurenha.

Da série “Oh! This is so good”

sexta-feira, junho 26, 2009

Muito Obrigado Homem do Farol


Fiquei muito feliz ao ver o LutasLivres referenciado num dos blogs que acompanho desde há muito tempo. Quando o seu autor me perguntou se sabia o que era uma lemniscada, pensei na seguinte expressão que recentemente vi referenciada no livro "Theoretical Physics" de Georg Joos:


Mais uma vez, muito obrigado a um viajante com amarras a Lisboa e uma enorme paixão pelo mar.
Termino este post a presentear o Homem do Farol com a talentosa Ana Moura a cantar Fausto, o homem nascido em alto mar, que felizmente sempre se recusou a pisar terra firme por muito tempo:

quinta-feira, junho 25, 2009

Incoerências tão fofas

O PSD é um partido do chamado "arco governativo". Percebe-se pelo número de boys prontos para assumir posições de liderança na administração pública portuguesa. Então que se pode esperar de um partido como o PSD? Pelo menos que tenha rigor em tudo o que faz. Mas eis que hoje me deparo com estas duas notícias, ambas no Público, ambas publicadas hoje:

Ferreira Leite critica Jorge Miranda por se rebelar contra resultado da eleição
«A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, considerou hoje em resposta ao constitucionalista Jorge Miranda, que falhou a eleição para Provedor de Justiça, que em democracia é impróprio alguém "rebelar-se quanto ao resultado de uma votação".»
(nem vou falar dos 'seis meses' para não distrair)


Saída de Miranda pode levar a solução "mais consensual", diz PSD
«O vice-presidente social-democrata José Pedro Aguiar Branco escusou hoje comentar a desistência de Jorge Miranda da nomeação para Provedor da Justiça, mas comentou que a renúncia pode abrir caminho a "uma solução mais consensual".»


Não é fofo? Para que queremos a democracia quando podemos ser consensuais? (Mordo-me todo mas não vou falar dos 6 meses)

O PSD está aí...


Hoje ouvi o debate quinzenal na Assembleia da República (AR) e acompanhei mais tarde uma torrente de comentários de cariz jornalístico com algum suposto nível de imparcialidade. Tipicamente, o jornalismo Português adora gerir a sua acção geral em volta de simplificações que dividam a actualidade em branco ou preto, em bons e maus, em moral e imoral, em certo ou errado. Por isso, fiquei preocupado com o PSD cheio da sua também já típica força de quem berra muito, vai a todas, não indo a nenhuma, levanta problemas onde não existem, tece acusações sem fundamentos relativamente a assuntos periféricos e sem importância, sempre alheados e de costas voltadas às causas fundamentais da crise e aos factores estruturantes que a podem ajudar a resolver. O leitor mais maquiavélico pode partilhar a opinião relativamente à qual seja natural o PSD não se encontrar preocupado com a crise. Se calhar o PSD tem como prioridade derrubar o Governo e somente depois pensar em resolver a crise, num estilo de um problema de cada vez, quem muito faz com nada fica feito...

Eu posso perceber esse ponto de vista se o leitor mais maquiavélico não ouviu o debate da AR e somente formou a sua opinião na subsequente torrente de comentários de cariz jornalístico. Os jornalistas focalizaram-se, como usualmente é do seu bom agrado e conforto intelectual, somente em questões de rodapé relativamente ao cerne do debate, onde foi dado especial relevo à estrela de pacotilha e algibeira Paulo Rangel como se somente agora o seu estilo caceteiro tenha ocupado as imediações do Parlamento. Os Media apontaram os holofotes à questionável transparência da participação do Estado numa Fundação Privada sem provas quaisquer para além da verborreia bafienta que normalmente emana da cavidade bocal de Paulo Rangel de pacotilha e algibeira. Na linha da transparência, e mais uma vez sem provas, os Media também deram demasiada importância ao possível envolvimento do Estado no desenvolvimento de intenções por parte da PT em adquirir 30% da Media Capital. Relativamente a este último assunto, Ferreira Leite, na sua linha também já típica de chamar de mentiroso ao Governo, não se fez rogada em se juntar a esta festa da amalagama e do situacionismo que tudo esquece e sobre nada fala, porque relativamente às suas acusações não existe qualquer tipo de prova ou informação palpável.

Pouco ou quase nada se exibiu sobre o conteúdo da maior parte do debate na AR. Vi uma Direita pouco preocupada com o desemprego, com a crise da economia, com o agudizar das diferenças entre os ricos e pobres ou mesmo com o principal tema do debate: o Ensino Superior. No entanto, o tipo de atitude do mata tudo da Direita Portuguesa assusta-me porque cabe como uma luva nas linhas editoriais acéfalas das cadeias de televisão Portuguesas. Na Esquerda à esquerda do PS faz-se oposição a a sério no que toca a debater os assuntos estruturantes dos quais depende o desenvolvimento de uma sociedade moderna, sustentável no seu modo de organização e justa sem olhar a interesses corporativos ou motivados pelo vil metal. De acordo com este debate, no PSD e CDS renasce a mania de privatizar tudo, entregando o futuro de Portugal a quem foi o principal responsável pelas mais recentes crises. No entanto, como Berlusconi e Sarkozi, a nossa Direita lança assuntos periféricos aos Media e, no recato da ausência de exposição pública, desenvolve políticas que visam acabar com o Estado Social e extinguir a democracia Europeia como hoje se conhece. Da Esquerda vem um ataque cerrado ao Governo, relativamente ao qual os Media pouco conseguem usar para fazer a peixeirada que tanto gostam de vender nas televisões. A meu ver, isto era Portugal no fim do Guterrismo.

O eleitor que deseja governabilidade vota no PS ou no PSD e considero ingénuo pensar-se num Governo de Esquerda sem o PS. O principal inimigo da Esquerda deve ser o PSD e o CDS. Perante o corpo ausente dos Media Portugueses, a Esquerda do PCP e do Bloco de Esquerda deve atacar a Direita com a mesma verocidade com que ataca o PS sem diminuir ambos os ataques. Neste debate foi possível ver o futuro que um Governo de Direita nos reserva em Portugal em termos de liberdades civis, gestão do património público e emprego. Tudo vai piorar nestas áreas de acção política com o PSD/CDS. Cabe por isso ao PCP/BE atacar todas as políticas de Direita, sem demagogias, com clareza, sejam elas do PS, PSD ou CDS, de modo a se desmascarar publicamente o negrume que paira sobre Portugal ao se vislumbrar uma possível derrota da Esquerda nas próximas eleições.

Como sempre, o nosso cantar tem sentido e sentimento e razão.

terça-feira, junho 23, 2009

Ach’isto muito estranho

Tribunal chumba contas dos Executivos de Santana Lopes e Carmona

O TC tem feito um bom trabalho no que respeita a trazer transparência à finança da política. Por vezes dá a sensação que é uma ilha isolada num pântano lamacento que é a teia de interesses que mistura política e privadas. Este facto é tanto mais importante uma vez que é o dinheiro dos contribuintes que está em causa. Mas até aqui tudo bem e esta notícia é mais um passo no caminho da transparência embora a efectividade aconteça apenas com a responsabilização dos indiciados.

Mas por muito que não goste das personagens envolvidas não posso deixar de achar estranho que esta informação saia do TC logo agora em ano de eleições autárquicas em que Pedro Santana Lopes concorre de novo à CML. O relatório do chumbo refere-se a contas de 2003 a 2005 e estamos a meio de 2009. Quatro anos é muito tempo para que relatórios deste género vejam a luz do dia e transparência em diferido chama-se história. Depois não se admirem que tipos chatos como eu coloquem estas questões!

segunda-feira, junho 22, 2009

sábado, junho 20, 2009

Execrável

Sou a favor da auto-determinação do povo basco. A sua língua de origens pré-indo-europeias são um reflexo histórico dessa vontade. Agora, que haja um grupo que faça isto? Não é aceitável nem justificável. Que os autores do atentado sejam identificados e julgados. Que a ETA seja desmantelada. Em democracia não há espaço para outra via que não a política na resolução de conflictos and that's it!

OqueStrada, ou o novo beat português

Ontem adquiri o álbum dos OqueStrada, "Tasca Beat", e ainda não parei de o ouvir. Ainda saboreio a cinética algo lenta do processo de audição de um álbum e já posso afirmar que há potencial para o CD me acompanhar por várias semanas nas minhas deambulaçõs de carro.

Não sendo um trabalho original no contexto internacional ('stá ali muito de Kusturika meus amores) deixa marca na música portuguesa. Finalmente a sardinha goes wild e a desgarrada toma posição entre flutes de champagne e cigarrilhas trincadas (assim tipo cavalo de tróia mas sem épico e heitor). A parte gira/sarcástica/deliciosa? Este pessoal é assumidamente da margem sul, do "cu do cristo rei". Almada é a sede de um movimento expansionista que pretende "celebrar o fado". E eles estão cá todos e o sonho português tem uma roupagem kitsch e a tasca há-de sobrepôr-se aos neo-fiscais da asae.

A certa altura pode-se ler na informação contida no álbum que a OqueStrada "não é world music celebra o mundo à portuguesa". Estas merdas chateiam-me. Lá andava eu na minha terrena (e única) existência pensando que a world music era a transposição de uma certa forma de fazer música de cunho regional para um internacionalismo feito de fusões e entendimentos e vêem estes gajos estragarem-me a ilusão. Porra! Deixem-se disso e assumam. Ou então não, façam birra. Escrevam o que quiserem que a praxis vos contradiz (toma e embrulha pá!)

Mas "prontos", isto é ouvir e esperar que não fiquem por aqui (nem que sejam precisos outros 7 anos pá). Entretanto fiquem com esta:

quinta-feira, junho 18, 2009

Sobre o iberismo

Encontrei neste post de Carlos Loures uma das mais lúcidas visões sobre o iberismo. De facto, não consigo imaginar Espanha como uma nação nem Portugal mais país que algumas comunidades autónomas espanholas no que respeita à auto-determinação do povo. Explica. talvez, porque me sinto em casa em Espanha, perdão, na Ibéria!

Isto promete

Uma nova banda: Governo.
Um vocalista que vem da escrita (e por isso também escreve as letras): valter hugo mãe.
A música a cabo de quem sabe: António Rafael e Miguel Pedro dos Mão Morta e Henrique Fernandes dos Mécanosphère.
O vídeo: mr. esgar.
A sonoridade roça Anthony and the Jonhsons.

Isto promete!!

GOVERNO - Meio Bicho e Fogo from 8 e Meio on Vimeo.

… dir-te-ei quem és.

“Não afasto [a possibilidade de abandonar Estrasburgo na eventualidade de os sociais-democratas vencerem as legislativas]. Não me custa nada dizer que não afasto.” [link]
Paulo Rangel, 17.06.2009
[O Partido Socialista] "tem duas caras, uma para a Europa e outra para Portugal" [e por isso] "não apresenta uma candidatura séria".
"O PS tem uma cara para Bruxelas e outra cara para Portugal" [
link]
Paulo Rangel [a propósito de Elisa Ferreira] 10.05.2009

por Pedro Santos Cardoso (Dolo Eventual)

Priceless

Isto.

… como o macaco gosta de bananas

A Helena Matos presenteia-nos com isto:

«O Bloco de Esquerda criticou hoje José Sócrates por dizer que “é tempo de olhar para as políticas sociais” e acusou o PS de apresentar um projecto de lei que permite o trabalho domiciliário “a crianças de 14 anos”.» – Mas não é o BE que pretende o direito de voto as 16?

Não percebi se a Helena é a favor do trabalho domiciliário de crianças de 14 anos ou contra o voto de jovens de 16 anos. Em qualquer dos casos é reprovável. Porquê? Pelos motivos em que escrevi CRIANÇA de 14 anos e JOVEM de 16 anos. Claro que na cabeça da Helena trata-se apenas de 16-2 (como o título do post indicaria). Contudo, a mesma parece não saber que nestas idades dois anos de diferença têm a distância de um mundo de ideias e sonhos que se vão renovando vertiginosamente. Mas que raios, será que a Helena nunca teve 14 anos ou já nasceu com 16?

Nota: e aqueles comentários logo a seguir ao post? Uma maravilha!

segunda-feira, junho 15, 2009

Irão: revolução 2.0?

A Palmira chama a atenção para um fenómeno interessante:

"A BBC sugere o Twitter, Facebook, blogosfera e algumas páginas de internet para quem quiser manter-se informado sobre o que acontece no Irão (e em Portugal bem podemos esquecer a imprensa «tradicional» que aparentemente considera que o que se passa no Irão é irrelevante face à transferência milionária do Cristiano Ronaldo...)."

Da série "Estes gajos drogam-se"

PM e um Ministro da República Checa em agressões em plena conferência de imprensa. E este nem foi caso isolado.

domingo, junho 14, 2009

Do cooperativismo

Um bom exemplo de empreendorismo.

Das eleições no Irão

O rescaldo das "eleições" (sim, com aspas porra) no Irão pode ser seguido no jugular lendo os posts da Palmira.

Confesso ter tido esperanças na mudança de regime mas, de facto, não se pode esperar muito de regimes teocráticos.

Um fofo!

Sigo o blog Clube das Repúblicas Mortas devido ao imenso burburinho gerado na blogosfera aquando o seu aparecimento. Ainda não percebo porquê mas hei-de lá chegar por insistência. Mas está difícil. Quando Henrique Raposo argumenta que não escreve sobre Francisco Louçã por este ser um caso psiquiátrico. Lindo! Grande argumento. Lembrar-me-ei de o usar em discussões elevadas! Engraçado também é a seriedade do texto onde Henrique Raposo brinca com o acto falhado de referir PSR em vez de BE. Não, a sério, este Sr. Raposo é um fofo!

Socialismo

Este post pôs-me a reflectir na contradição na definição de socialismo provinda da praxis e da raiz marxista. Como sou um gajo que liga às questões de nomenclatura e com uma veia para o coleccionismo e categorização (razão pela qual não colecciono nada!), para mim as definições são de grande importância. Por isso, que o PS se chame Partido Socialista (passe redundância) causa-me urticária. Para mim, socialismo é uma definição de fim, quase um adjectivo para caracterizar "um amanhã diferente". Depois lá viriam os métodos, as doutrinas do procedimento: o comunismo, o anarquismo, o anarco-sindicalismo, o trotskismo, o reformismo, etc. Mas, e segundo a síntese dada pelo dicionário de José Pedro Machado, o socialismo poderá ser definido por: «Sistema daqueles que querem transformar a sociedade pela incorporação dos meios de produção na comunidade» (…) «pela repartição, entre todos, do trabalho comum e dos objectos de consumo». Ora, o nosso PS parece-me arredado destas lides doutrinárias, apontando mais para uma terceira via (ou outro vocábulo mais ou menos reboscado) onde um certo pragmatismo eleitoral vai substituindo coerência. Se é assim, pois que raios, mudem o nome ao partido. Não há que ter vergonha, coerência acima de tudo. O PS passaria a, por exemplo, Partido do Centro (um estudo do espectro político europeu apresenta o PS português como um dos menos à esquerda no grupo do PSE). O PSD viria como o Partido das Direitas, uma espécie de antibiótico de largo espectro. O CDS-PP largaria o CDS e ficaria como Partido Popular e esperar que o Partido das Direitas não o apagasse por redundância.

Na esquerda do hemiciclo, talvez o PCP incorporar o ML de outros tempos para não confundir com outros PC que lá vão andando em franjas residuais de eleitorado. Quanto ao Bloco de Esquerda, nada a apontar (embora em rigor colocar a Esquerda em plural não seria menos correcto).

Percebem porque não coleccionado nada, certo?

O corpo do homem

José Saramago escreve um post sobre a ganância temperada com pão ázimo: Corpo de Deus. A ler.

domingo, junho 07, 2009

Europeias 2009

Os resultados não surpreendem. As reacções também não.

No PS a derrota aparece espelhada nos rostos do Vital e do Sócrates. Ainda para mais, quanto o pseudo-socialismo do PSE perde em praticamente todos os países da Europa. A miudagem merece referência no que me parece quase um mimo paternalista. A seguir a JS lá grita os seus slogans.

No PSD a vitória aparece espelhada nos rostos surpreendidos do Rangel e da Manela. Ainda para mais, quando a direita conservadora e duvidosa (Rangel até falou em Berlusconi na sua alegria de menino que acabou de ganhar um presente) arrecada vitórias por esse continente fora. A miudagem merece referência no que me parece quase um mimo paternalista. A seguir a JSD lá grita os seus slogans.

No CDS o alívio do Melo e do Portas polvilhado por um ódio vísceral às sondagens exteriorizado por uma capa de rapazola que conseguiu safar-se da sua diabrura. A miudagem merece referência no que me parece quase um mimo paternalista. A seguir a JP lá grita os seus slogans.

Na CDU temos o Jerónimo e a Ilda que se congratulam por uma "vitória" que não se sente fora da CDU. De qualquer modo, o Alentejo ainda é PC. Mas o desalento transparece nas hostes comunistas naquele que se considerava oposição à esquerda.

No Bloco há uma vitória num dos melhores resultados eleitorais de sempre. O que se pode esperar nos próximos tempos é um ataque das outras formações partidárias ao "perigo do radicalismo de esquerda". Na blogosfera isso já se iniciou e o Insurgente, entre ameaças de emigração até previsões de um mergulhar na idade média, lidera a oposição.

Da minha parte fico preocupado com a vitória clara do PPE. Mas fico esperançado com esta súbida do Bloco. Está na hora!

Paulo, o Louco ou a esquizofrenia do PSD


Acabei de ouvir na Antena 1 o discurso de vitória de Paulo Rangel e agora fala o outro caceteiro populista do CDS/PP, o não sei quantos Melo. Raramente tenho aqui escrito, mas agora escrevo porque o Paulo Rangel de Pacotilha e Algibeira revelou ser louco, completamente louco no seu discurso. Estas foram umas eleições para o Parlamento Europeu, mas as palavras do candidato Rangel contrariam completamente essa realidade. Para Paulo Rangel, o Governo Socialista encontra-se inibido de Governar perante este resultado, mesmo sendo um Governo eleito por maioria absoluta e tendo tido, o PSD, um resultado ligeiramente superior ao que obteve na pesada derrota de Santana Lopes nas Legislativas. Isto revela loucura e uma deficiente capacidade de raciocínio lógico por parte de uma pessoa que vai representar Portugal na Europa. Vê-se agora claramente que Portugal perde com este senhor no Parlamento Europeu. Na verdade, como Sócrates admitiu, esta foi uma derrota para o PS, consequente de um claro descontentamento popular, que também levou ao dobrar dos resultados do Bloco de Esquerda e a um resultado final de 20% na esquerda à esquerda do PS. No entanto, Paulo Rangel, o Pacotilha e Algibeira, cego pela loucura, exacerba patologicamente a evidência da realidade e reage como se tivesse tido a vitória que o PS teve nas anteriores eleições para o Parlamento Europeu, na altura em que Ferro Rodrigues derrotou Durão Barroso com uma diferença de 10% e onde todos os partidos da esquerda subiram relativamente a resultados anteriores. Na altura Durão Barroso somente falou na tv aos portugueses dizendo que percebia a mensagem e tudo iria fazer para voltar a ganhar a confiança perdida.

A cereja no topo do bolo de Paulo Rangel foi acusar o PS de mau perder, não porque Sócrates tenha reagido de forma autista, como Durão Barroso relativamente aos partidos vitoriosos nas anteriores eleições, onde tudo ignorou, acabando por fujir, mas porque felicitou o PSD e o seu candiato pelo seu sucesso somente pela comunicação social sem ter sido pelo telefone. Bem, algo me diz que Paulo Rangel esperava um mau perder de Sócrates, preparou um discurso para isso e depois, perante uma realidade diferente, não conseguiu fujir do seu mundo ficcional.

Poderia também escrever sobre as suas palavras vazias: verdade, seriedade, humildade, etc...

No final, Paulo Rangel nada trouxe de novo ao PSD no seu discurso, continuou a fortalecer um PSD com mentira, falta de seriedade, falta de humildade, guerras de palavras sem sentido, cheias de amalgama e discurso circular sem resultados construtivos na realidade dos portugueses.

Paulo Rangel abriu guerra ao PS e encontra-se cegado pelo frenezim que as hormonas provocam nos homens em tempo de guerra.

A meu ver, o grande derrotado foi o PS e os grandes vitoriosos foram o PCP e Bloco de Esquerda, mas eu percebo que os hurros selvagens e tribais do PSD e de Paulo Rangel suscitem uma maior atenção por parte da comunicação social.

Sinto muito, mas mantenho a esperança num futuro melhor, onde Paulos Rangeis viverão pacificamente em lares de idade idielógicos onde Salazares e Caetanos se encontram neste momento.

Mais papistas que o papa (II)



Para o liberal que há em ti: isto.