quarta-feira, abril 08, 2009

Um texto de José Maria Teles Menezes - Um Conservador nos Costumes e um Liberal na Economia

Se há característica na Esquerda que me irrita é o constante estado de indignação com que se movimenta no espaço público. Aquela gente indigna-se por tudo e por nada. Hoje, antes de ir para o Escritório, na pastelaria em frente a minha casa, ouvi um sujeito, com um ar sujo de taxista acabado de sair do turno da madrugada, a reclamar com as palavras que o grande Berlusconi expressou recentemente quando se dirigia às vítimas sobreviventes do terramoto em Itália: Aqui. Não percebo o que há de mal nestas palavras: "um fim-de-semana no parque de campismo". Obviamente, se o senhor Berlusconi, ou mesmo eu que sou da mesma estirpe, estivéssemos entre os sobreviventes desalojados do terramoto, um hotel de 5 estrelas seria o mínimo de conforto que poderia acalmar a nossa consternação e nunca o respeito de um chefe de Estado. Eu até acho que o Estado nem deve existir. Por mim privatiza-se tudo e, por exemplo, a minha empresa até podia gerir um hospital, ou uma prisão, ou um quartel dos bombeiros, um daqueles negócios que costumam levar o Estado às banca rota e os privados ao sucesso e a lucros impressionantes. Esse é o problema da Democracia, quem manda é eleito pelo Povo ignorante e não por quem sabe. E nós na Direita é que sabemos.
Mas voltando às palavras de Berlusconi, toda a gente sabe que sempre há-de haver pobres e ricos e que os ricos nesta situação de terramoto já se encontrariam bem longe e bem alojados a custo zero para o Estado que somos todos nós. Pois, é que isto custa a todos nós, mesmo pagando eu um décimo dos impostos que devia pagar. Eu só pago o que acho que devo pagar, não vai ser o Estado Ditador que vai mandar em mim. Pois o Berlusconi não fez melhor do que juntar o útil ao agradável. Eu e ele, nas férias fazemos cruzeiros e vamos a locais de topo em geral. Os pobres fazem campismo obviamente. Por isso, deviam estar habituados e bem agradecidos que se calhar até conseguiram uma desculpa para faltar ao trabalho. Espero bem que o Berlusconi lhes saiba depois cortar nas férias porque estamos em tempo de crise e não se pode esbanjar. Os esquerdalhos, em vez de agradecerem o jeitinhho de Berlusconi em pleno Abril solarengo, fazem o contrário, indignam-se. Que mal agradecidos!
Para mim existem dois tipos de pessoas, os da nossa classe e os outros, a ralé. A Esquerda nunca percebe o local moral da ralé na nossa sociedade. No Aborto por exemplo, antes de me casar, foi preciso levar namoradas e senhoras de conveniência a Badajoz ou a Inglaterra. Para nós, uma gravidez antes do momento certo destroi o nosso futuro e a nossa vida porque o nosso futuro é especial, ao contrário do futuro dos outros. A felicidade do mundo depende de nós, da nossa estabilidade emocional, do nosso conforto e bem estar. Os outros foram feitos para criar os fihos que tiveram sem permissão para os ter, um embrião é vida humana e somente pessoas especiais como nós podem praticar a infelicidade de ceifar vidas humanas. Por isso consideramos criminosa esta lei do aborto agora vigente em Portugal. Como diz o Professor Machado Vaz, nós sofremos de Mourinhismo, somos os especiais e Portugal estava moldado para nós no que tocava à prática abortiva.
Agora também nas drogas os esquerdalhos querem legalizar. Isso de consumir aquelas ganzas mal cheirosas é decadente, é coisa de Africano, de Bob Marley cebento, que horror. A legalização dessas coisas era do pior que podia acontecer em Portugal. Mas por exemplo, quando estou com a minha conveniente na Penthouse do Sheraton a snifar linhas de coca entre champagne e caviar, acho isso bonito, digno de classe e das pessoas da mais elevada craveira. Eu nem consigo imaginar um daqueles cebentos que me arrumam o carro a snifar linhas de coca, falta-lhes o bom gosto.
Bem, deixando-me de coisas, vou agora telefonar ao primo Aguiar Branco para ver se arranjamos alguém do calibre do Berlusconi para tirar a velha da Ferreira Leite do nosso rico PSD e fazer de Portugal aquilo que merece ser, um país para Mourinhistas de elevada classe e nobreza a governarem o resto da raia miúda.
Então vá...

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