domingo, fevereiro 15, 2009

Exotismo do quotidiano

 Nuno Vieira Matos, Vigo, 2006
Quando tenho o prazer de vaguear pelas ruas de uma cidade, certos elementos atraem-me numa imagem mental que se assemelha  a uma esfera de ferro cujo percurso vai sendo alterado por pequenos ímanes que sem magnetismo suficiente para capturar o objecto rolante. Antes, limitam-se a serem sereias frustradas. Estes elementos fazem uma ancoragem da minha atenção criando padrões nas fotografias que, despreocupadamente, vou tirando.

 Nuno Vieira Matos, Porto, 2008

Um desses elementos são os símbolos do catolicismo maioritário nas ruas da Europa. Para quem, como eu, foi criado no seio de uma família católica (variando entre o não-praticante quase negligente e o praticante quase fervoroso), torna-se facto aceite que os símbolos desta crença se espalhem em várias formas em vários espaços. Assim, quase me surpreendo ao ver no meu conjunto de fotografias de rua, que estes ícones aparecem recorrentemente, camuflados ou integrados numa paisagem ampla ou apenas num pormenor de montra.

 Nuno Vieira Matos, Madrid, 2007
 Nuno Vieira Matos, Paris, 2006
Não espero obter, da reunião destes elementos, uma análise psicológica nem uma catarse que peca por tardia. Trata-se de uma curiosidade como se, finalmente, visse esta iconografia como extemporânea, quase exótica e que parece estar em estado avançado de fusão com o padrão urbano.
 Nuno Vieira Matos, Barcelona, 2008

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