domingo, fevereiro 22, 2009

sábado, fevereiro 21, 2009

NAF - Curso de Iniciação ao Laboratório de Fotografia

Mais um curso com a chancela do NAF:

Workshop

Mais informações aqui.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Uma síntese possível...

... para a descrição dos horrores da guerra, aqui.

Vale a pena seguir o blog da Alexandra Lucas Coelho sobre o conflicto na Faixa de Gaza.

Pelo casamento entre sexos aleatórios

domingo, fevereiro 15, 2009

Exotismo do quotidiano

 Nuno Vieira Matos, Vigo, 2006
Quando tenho o prazer de vaguear pelas ruas de uma cidade, certos elementos atraem-me numa imagem mental que se assemelha  a uma esfera de ferro cujo percurso vai sendo alterado por pequenos ímanes que sem magnetismo suficiente para capturar o objecto rolante. Antes, limitam-se a serem sereias frustradas. Estes elementos fazem uma ancoragem da minha atenção criando padrões nas fotografias que, despreocupadamente, vou tirando.

 Nuno Vieira Matos, Porto, 2008

Um desses elementos são os símbolos do catolicismo maioritário nas ruas da Europa. Para quem, como eu, foi criado no seio de uma família católica (variando entre o não-praticante quase negligente e o praticante quase fervoroso), torna-se facto aceite que os símbolos desta crença se espalhem em várias formas em vários espaços. Assim, quase me surpreendo ao ver no meu conjunto de fotografias de rua, que estes ícones aparecem recorrentemente, camuflados ou integrados numa paisagem ampla ou apenas num pormenor de montra.

 Nuno Vieira Matos, Madrid, 2007
 Nuno Vieira Matos, Paris, 2006
Não espero obter, da reunião destes elementos, uma análise psicológica nem uma catarse que peca por tardia. Trata-se de uma curiosidade como se, finalmente, visse esta iconografia como extemporânea, quase exótica e que parece estar em estado avançado de fusão com o padrão urbano.
 Nuno Vieira Matos, Barcelona, 2008

domingo, fevereiro 08, 2009

A mulher no Camera Work

Alfred Stieglitz, na sua fama de prepotente e arrogante, não deixou de mostrar sarcasmo na altura de dar nome à revista que viria a dominar a divulgação da fotografia avant-gard nos primeiros anos do século XX: Camera Work. A primeira edição é de 1903 e irá terminar em 1917 num total de 50 números. Embora, na sua maioria, Alfred Stieglitz tenha dado a conhecer o movimento pictorialista, usa igualmente a Camera Work para divulgar arte Europeia e, nos dois últimos números, o seu testamento artístico: a Straight Photography. A passagem de uma corrente para a outra vem não só modificar o objecto fotográfico como vem pôr um fim na crescente importância da técnica sobre a visão fotográfica. Talvez um resultado natural do condicionamento do objecto fotográfico mimetizando o condicionamento, por simulação da pintura, do fazer fotografia. Em adição ou em alternativa, a forte manipulação a que as impressões estavam sujeitas facilitavam a troca de prioridades.

O pictorialismo foge da objectividade tentando capturar impressões, levando a fotografia para o campo da subjectividade. Paradoxo aparente já que era o meio tornado ideal para capturar a realidade, os momentos tal e qual vividos num formato de reportagem. Se a fotografia ambicionasse entrar no conjunto de técnicas artísticas terá de retratar para lá da realidade. O forte grão aliado a um baixo contraste, uma certa ideia de desfocagem, tal seria a representação de um sonho ou de um pensamento. Não há lugar à nitidez, ao detalhe. O subjectivo é difuso, nem que seja por oposição ao real documentado.

Não posso deixar de puxar para aqui o retrato feminino que aparece em Camera Work. Curiosamente, Camera Work aparece numa altura em que era socialmente aceite o nú fotográfico e excluído todo o nú pintado ou esculpido. De facto, quando Alfred Stieglitz começa a incorporar a arte de vanguarda europeia nas páginas de Camera Work, os nús de Rodin e Matisse vão provocar uma diminuição drástica do número de subrescritores. 

Gertrude Kasebier, "Portrait (Miss N.)", 1903 (In Camera Work #1)

Gertrude Kasebier ficou conhecida pelos seus retratos em pose descontraída sob luz natural. Frequentemente a modelo enchia quase por completo todo o enquadramento.

Robert Demachy, "Severity", 1904 (In Camera Work #5)

O pictorialista francês Robert Demachy oferece impressões fortemente manipuladas a fazer lembrar pintura ou, como esta sua alegoria à severidade, desenhos a carvão.

René le Bègue, "Study", 1906 (In Camera Work #17)

Os nús de René le Bègue quase que desenhados em tela (quase na imoralidade?).

Anne W. Brigman, "Soul of the Blasted Pine", 1909 (In Camera Work #25)

O primitivismo quase pagão de Anne W. Brigman como contra-cultura pela libertação feminina, quer a nível pessoal como a nível artístico. Nesta fotografia, como em muitas outras, Anne é a sua própria modelo.
Clarence H. White and Alfred Stieglitz, "Torso", 1909 (In Camera Work #27)
Clarence H. White que viria a se tornar o líder do movimento pictorialista após omissão de Alfred Stieglitz.

Julia Margaret Cameron, "Ellen Terry at Age Sixteen", 1913 (In Camera Work #41)

Ellen Terry, a futura actriz Shakesperiana mais conceituada do Reino Unido, a posar para Julia Margaret Cameron, pouco antes de se casar. A fotografia talvez revele um pouco do futuro já que o casamento viria a provar-se desastroso para Ellen. 


Pena que, em nenhum dos 50 números da revista, nos apareça um exemplo de Straight Photography para um retrato feminino nos cânones da beleza vigente. Mas por outro lado, o apelo à realidade objectiva e o contexto histórico apenas davam espaço à crueza da rua, do passeio, do trauseunte, da pobreza, da urbe e do seu caos e das diagonais vibrantes da cidade.


segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Un año de amor

Há canções que me fazem quase querer passar por um desgosto de amor apenas pelo prazer de ter uma banda sonora que me arrancaria uns soluços e resoluções mais ou menos dramatizadas. Descubro esta música (talvez até Luz Casal) com Pedro Almodôvar que empresta à permanente dignidade ferida de um transformista a potência calma mas pronta a explodir da interpretação de Luz Casal.

Recordarás nuestros días felices, 
Recordarás el sabor de mis besos 
y entenderás en un solo momento 
Qué significa un año de amor.