sábado, janeiro 17, 2009

Poirot

Há umas semanas atrás comprei um mimo: o DVD dos episódios duplos da série televisiva "Poirot", dramatizados dos livros de Agatha Christie. Voltam as lembranças de quando era pequeno à volta da personagem interpretada por David Suchet. Poirot é arrogante mas de uma forma simpática, amistosa, o que me leva a um sentimento que julgo próximo do masoquismo. 

Poirot "vive" no contexto histórico das duas grandes guerras (ele próprio é um refugiado belga em Inglaterra) mas demonstra grande optimismo (principalmente nele próprio). É um homem do progresso, alguém que vive a plenitude da urbanidade e que dificilmente suporta a vida pouco asséptica do campo. A cidade consegue-lhe oferecer repasto para as suas "little grey cells". Poirot tem como chavões a ordem, o método e a lógica e é deliciosamente organizado, metódico e lógico. Penso até, que a passada curta deste homem com cabeça "em forma de ovo" é uma belíssima exteriorização destas máximas.

Para terminar, deixo esta pérola. No episódio "Morte nos Céus" faz uma introdução ao movimento surrealista mostrando à jovem hospedeira, que viria a ser a sua assistente no resto do drama, o "segredo" para se admirar aquela arte "avant-garde": não podemos olhar estas obras com a lógica do dia-a-dia; elas estão fora da nossa lógica (citação de cor). Não pude conter um sorriso. 

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