terça-feira, dezembro 02, 2008

PCP - Partido Comunistão e Portuguesão


Tenho um enorme respeito pelo PCP a vários níveis. Por exemplo, a Democracia que existe em Portugal, e que ainda precisa de ser melhorada, existe em consequência de uma forte contribuição do PCP na luta contra o Fascismo nascido no Vimieiro. Isso, por si só, é um motivo para dobrar a língua sempre que ousar criticar pela negativa o PCP. Para além disso, tenho muito que louvar a actividade do PCP depois do 25 de Abril contra aqueles que se imiscuiram discretamente nas instituições democráticas arrastando para dentro delas velhas lógicas Salazaristicamente anti-democráticas e injustas para o bem social.

Por onde passei em Portugal conheci muitos ambientes que se geriam, e ainda se gerem hoje em dia, através de regras aristocráticas, feudais e absolutistas, negando a igualdade de oportunidades para todos e usando a ideia de que uns são cidadãos de primeira e outros de segunda e ainda outros de terceira ou quarta. O PCP sempre lutou contra a injusta assimetria entre classes em todos os sectores da sociedade e tem muito a ensinar a todos os partidos portugueses no que toca a equidade, honestidade e amor pela Pátria, considerando que Pátria deve ser o conjunto de todos os cidadãos, todos iguais na lei, nos direitos, nos deveres e nas oportunidades de vida. Dobro a língua duas vezes, três se for preciso, mas o PCP andou neste congresso como eu não gosto de o ver: orgulhosamente só contra a Esquerda e esquecendo-se do seu verdadeiro inimigo: a Direita que galopa de altaneio, seja na face do Plano Barroso onde se quer baixar os impostos, em vez de os aumentar para quem enriquece com a crise e dar dinheiro a quem mais precisa, ou na face de Manuela Ferreira Leite com a sua sede de injustiça Salazarista apoiada pelos discretos usurpadores da liberdade.

Fico muito irritado, decepcionado, a esvair-me em vergonha e tristeza quando vejo o camarada Sousa a ser um bravo Jerónimo contra o Bloco de Esquerda e a ala Esquerda do Partido Socialista e, pelo outro lado, a comportar-se como um rebelde inconsequente adolescente contra o Governo e os partidos da Direita assumida. Lembro-me dos debates nas últimas Presidenciais entre os diversos candidatos. Contra Cavaco, o Sousa comportou-se como uma educada costureirinha que respeita muito o senhor doutor, mas que gostava de o contrariar com toda a simpatia. Contra os restantes convidados viu-se um veradeiro Jerónimo de ataque feroz, especialmente contra Francisco Louçã, onde o machado de Guerra era constantemente e injustamente erguido contra quem se encontra mais próximo das suas ideias e dos seus sonhos de sociedade perfeita. Porquê? Será que há um lugar da Esquerda que é uma espécie de mulher desejada pelo macho alfa PCP que não se encontra disposto a deixá-la sair à rua sem escolta de guarda disposta a aniquilar o primeiro que ouse cruzar o olhar pela sua figura?

Será que as ideias podem ser possuídas? Na minha opinião, nada é verdadeiramente possuído, nem terra, nem vida, nem mulheres, nem homens, ainda menos as ideias. A posse é uma ilusão de segurança criada pelos seres pensantes para a vida custar menos a ser vivida. Por isso, acho que o PCP faz mal em assumir esta atitude de hegemonia da Esquerda ou de seja do que for. Eu percebo-a muito bem e basta conhecer o passado para perceber o comportamento dos comunistas do PCP. Houve um tempo em que o PCP era financiado pela URSS para minar e destruir Anarquistas, Trotskistas e outros dissidentes do Marxismo Leninismo definido por Estaline. O objectivo da URSS era fazer do PCP a única força disponível para quem desejasse lutar contra Salazar e Caetano e controlar assim um numeroso grupo de acção política em Portugal que lhe foi bem útil durante a Guerra Fria. Estou convicto que a criação de um Portugal Comunista nunca esteve nas prioridades da URSS, pois a Europa tinha sido irmamente dividida nos anos quarenta com o seu rival EUA. Mas isto não invalida o facto de o PCP ter sido o melhor movimento de luta pela liberdade e democracia durante o Fascismo em Portugal e por isso estarei eternamente grato.

No entanto, fico triste quando vejo vícios antigos, e sem propósito na actualidade, a mancharem o ritmo de luta do PCP por uma sociedade mais justa e equalitária.

Avante Camaradas, sou do Bloco de Esquerda, sei que vocês não podem comigo, mas eu sempre estarei do vosso lado contra a Direita porque sei que o nosso cantar tem todo o sentido e sentimento e razão.

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