domingo, dezembro 14, 2008

Não há nada pior...

... do que descobrir que uma pessoa da minha intimidade, pela qual nutro uma grande amizade, não me conhece e que normalmente me caracteriza como algo que não sou, como algo que odeio mesmo.

Um paradoxo:

Para mim há dois tipos de pessoas no mundo: os que vêm o mundo em bipolos e os que sabem que, em tudo, entre o preto e o branco, entre o mal e o bem, há vários graus de cinzento.

O que aconteceu?

Esta foi a segunda amizade na minha vida a dizer-me, de um momento para o outro, em plena convicção, a plenos pulmões e em tom de libertação, que as nossas opiniões sobre a política do mundo são totalmente díspares. Fiquei estupefacto, sem palavras... por exemplo: ambos apoiamos Obama, somos pela igualdade entre gente de diferentes sexos e orientações sexuais, somos pela Democracia em oposição à Autocracia e acrediatamos numa Europa unida, sem Estados separados, mas unidos por uma causa comum de identidade Europeia. Porquê esta aversão? Ainda por cima uma pessoa amiga com uma opinião que já foi várias vezes elogiada neste blog por mim e pelos restantes colaboradores que aqui escreveram.

Depois tentei racionalizar. Como na primeira amizade a reagir assim, ela disse-me que eu era contra o Mercado Livre e isso era absurdo para a minha pessoa amiga e completamente o oposto dela. Bem, eu não sou contra o mercado livre, acho que partes do mercado que geram monopólios naturais devem ser regulados por organismos do Estado democraticamente eleito. Sou da opinião que o sistema financeiro deve ser regulado para se evitar negócios de milhões a la BPN sobre bens irreais que acabam por danificar a economia real e que sectores lucrativos possuídos pelo Estado não devem ser privatizados se não for criado um ambiente de concorrência nesse sector. O recente destino da Galp em Portugal é um caso que exemplifica uma péssima privatização.

Adicionalmente, no plano da qualidade de vida, sou contra o mercado livre e desregulado de produtos que possam ser nocivos à Saúde Pública nos sectores das Indústrias Farmacêutica, Alimentar, da Cosmética, dos Brinquedos, das Ferramentas, basicamente de todos os produtos de interface com o ser humano, onde o uso de elementos tóxicos pode danificar a qualidade da vida humana.

De resto, em todos os outro sistemas de Mercado, sou completamente a favor do Mercado Livre como os Economistas Neoclássicos o definem e caracterizam.

Bem, como na primeira amizade a acusar-me de economicista autocrata, eu acho que ,neste caso, um diferente motivo causou uma aversão relativamente a mim e depois este motivo foi usado para me afastar. Funcionou de facto. Quanto ao real motivo, acabei por descobrir, mas faz parte de outro espaço de expressão.

No entanto, amizades de fora, isto fez-me pensar no mundo antes da crise, onde quem questionasse qualquer característica do neo-liberalismo era acusado de ser o oposto, o que a meu ver era errado, como depois vieram confirmar todos os economistas desse mundo fora, incluindo os galardoados com o Nobel.

Ser contra um extremismo não quer dizer que se é a favor do extremo oposto, muito pelo contrário, há um mundo para além dos extremos.

Como dizia Hugo Chavez: "...no mercado, como em tudo, quando há 100% igualdade, há 0% de liberdade e quando há 100% de liberdade, acaba por haver 0% de igualdade...". Raramente concordo com Chavez, mas esta sua simples frase contém a causa das maiores tragédias sociais, económicas e políticas ocorridas no recente panorama mundial.

Amigos do peito que eu amo, se me querem ver longe das vossas vidas por razões pouco nobres que vos custa assumir, arranjem outro motivo para o fazer por favor, eu não sou um autocrata Marxista-Leninista, nunca fui e nunca serei. Vale mais deixarem de me falar sem qualquer satisfação, custa menos.

2 comentários:

Nuno Teles disse...

eu gostava e' que me explicassem o que e' o mercado livre...

abr

alexandre disse...

Bom comentario! De facto "livre" nao e' a melhor expressao e eu tambem nao sou a melhor pessoa para usar a nomenclatura mais correcta em economia.

Neste contexto, referia-me 'a ausencia de regulacao por parte do Estado nas trocas comerciais, seja em taxas adoaneiras ou noutro tipo de restricoes 'a livre producao e circulacao de bens ou produtos ao nivel global.