quinta-feira, dezembro 11, 2008

A Melhor Juventude - Portugal



Ao ver este filme, reparei em grandes similitudes entre a recente História Social de Portugal e a de Itália. Podia escrever páginas e páginas a mostrar muitos detalhes, tanto nas relações familiares e de amizade, como nos ambientes político-sociais retratados, mas houve dois que me cativaram particularmente e me deixaram a reflectir, onde um espelha algo semelhante em Portugal e outro algo que se deveria ter passado em Portugal, mas nunca se passou, delegando o País para o fracasso e retrocesso no cenário dos países democráticos desenvolvidos.

Em ambos os países, existe uma descrença total, por parte das elites intelectuais não ligadas aos Media, no sucesso e viabilidade social no futuro. No filme, um bom exemplo disso detecta-se na cena em que o Personagem Médico se encontra no exame final do curso de Medicina e, depois de ter feito um excelente trabalho reconhecido pelos presentes, acaba por ser aconselhado pelo decano e especializado examinador impressionado a sair do País porque aquilo somente servia para os velhos como ele. Em Portugal passa-se o mesmo. Quantas vezes em Portugal me recomendaram não voltar à Pátria depois do Doutoramento? Muitas. E sempre foram Professores, Políticos, Empresários, etc...
Existe uma descrença absoluta no sucesso futuro em Portugal e, a meu ver, já vem de longe, basta ler o 1808. Já naquela altura se verificava que as elites priveligiadas eram as primeiras a passar um atestado de mortandade a Portugal.

No entanto, em Itália, como se verifica no filme, existiu, e existe hoje em dia, guerra aberta à corrupção, por parte da Esquerda que acredita num mundo melhor, numa Itália mais justa, social e economicamente viável e democrática, onde os negros e conservadores poderes instalados se encontram extintos a definhar na cadeia como justamente merecem. Infelizmente, em Portugal, essa Guerra nunca se travou e parece-me que existe uma enorme resistência por parte do nosso poder instalado para que tal se inicie. As mesmas elites que defendem e apregoam a necessidade do combate à corrupção, são aquelas que inibem a aplicação de projectos concretos, como por exemplo o plano de Cravinho, largamente chumbado por toda a Elite Política de Portugal em pleno periodo de governação do PS. Impressionante, não? Como diz um grande amigo: "em Portugal há mais gente no Poder a viver dos problemas do que das soluções", o que me parece ser uma grande infelicidade nacional. Principalmente quando a História nos ensina que nenhum País corrupto internamente jamais se encontrou entre os mais desenvolvidos.

Precisamos de um Tribunal de Contas e de um Ministério Público eficientes e de medidas políticas fortes e consequentes para atacar a corrupção de modo a se voltar a acreditar num futuro melhor para Portugal entre os mais desenvolvidos e fora das caudas centenárias. Nas Conversas do Cavaco já ninguém acredita, aquilo é para Inglês ver, precisamos de sangue forte e crente de que mudar o mundo é possível.

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