segunda-feira, novembro 24, 2008

Poema no Dia Nacional da Cultura Científica

Sim, no seguimento do post anterior sobre precariedade, hoje vou fazer um post sobre a minha área de trabalho: Investigação Científica. Uma área que espelha bem a realidade social de Portugal em termos de diferenças de classe, onde uns vivem em precariedade e outros em largo e corrupto fausto de desperdício de fundos do Estado.
Mas este momento não se dedica ao lado negro da Cência em Portugal, mas sim ao canto dos descobridores modernos, dos que que se encontram aqui pela Adrenalina de mudar o mundo.

Manuel Heitor, Mariano Gago, esta parte é para vossas exc. senhorias lerem nos vossos cadeirões de braços ministeriais:

Ai Galileo!

Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo

que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,

andavam a correr e a rolar pelos espaços

à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileo Galilei.



Por isso eram teus olhos misericordiosos,

por isso era teu coração cheio de piedade,

piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos

a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso estoicamente, mansamente,

resististe a todas as torturas,

a todas as angústias, a todos os contratempos,

enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,

foram caindo,

caindo,

caindo,

caindo,

caindo sempre,

e sempre,

ininterruptamente,

na razão directa do quadrado dos tempos.


Até ao momento eu nunca ouvi outra pessoa a declamar este poema melhor do que eu.
Fica aqui a versão executada pelo autor, que também declamou pior do que eu, mas que fez muito em vida pela cultura científica em Portugal a custo zero, gostava de notar outra vez, a custo zero. Fica a homenagem ao Poeta.

1 comentário:

Anónimo disse...

O endereço certodo vídeo é: http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20081124173523