terça-feira, setembro 30, 2008

Steelers


Bem, era preciso os meus pais virem a minha casa para se ver mais de 30 segundos de um jogo do clube daqui da terra. Antes tinhamos ido passear e eu espantava-me não encontrar vivalma nas ruas. Rapidamente me apercebi de que toda a cidade pasmava em frente da televisão e deixava a rua deserta. Nada percebendo deste jogo, pasmados estão agora os meus pais com as loucuras que estes Pittsburgheanos cometem a assistir a isto ao vivo, nem o Benfica leva a tais devaneios dos adeptos. Bem, espero nunca perceber nada disto e espero esta ser a última vez que vislumbro por mais de uns quantos segundo os Steelers ou outros quaisquer macacos a jogar.

Here we Go!! Tum, Tum, Tum, Tum, Tum

Os Steelers perdem "as we speak".

sábado, setembro 27, 2008

In the Heights



Este musical ganhou os Tony Awards e foi o Herman José na sua última participação dos Incorríveis que me convenceu a ir ver. Digamos que o facto de ter ganho os Tony Awards me ajudou a decidir ir ver. Em geral, eu tenho uma opinião muito linear sobre obras de arte ou de intertenimento com cariz artístico: quando são más toda a gente consegue ter opinião sobre o que funcionou mal ou como mudar para melhorar, mas quando são boas ninguém consegue explicar porquê, é muito difícil apontar o que foi essencial para o sucesso, parece sempre tudo se encontrar numa proporcionalidade perfeita no sentido em que transcende o público para além da sua entediante condição humana. Segundo este modo de olhar para a Arte, este musical foi mau.

O facto de se trazerem ritmos latinos e urbanos para a Broadway é por si bem arrojado e muito interessante porque hoje em dia os imigrantes latinos pertencem à classe socio-cultural mais desfavorecida nos EUA e consequentemente a mais vitimizada pelos movimentos conservadores xenófobos contra a imigração. Nesse sentido foi um grito de identidade cultural para uma nova America. A música é muito boa, os actores são cumpridores e profissionais e consegue-se motivar a parte mais tímida da assistência a mover o corpo como se motivada a passar a noite numa pista a dançar. Talvez por isto tudo este musical ganhou os Tony Awards.
No entanto, a dramaturgia foi muito fraquinha e desenvolvida à volta de Personagens Tipo com histórias de vida altamente estereotipadas e miserabilistas que se alimentam de um sonho americano que tudo cura e motiva. A moral global da história é demasiado óbvia e simples e o que eu considero pior é o "déjà vu" da construção cénica. Tudo se passa num bairro de NYC onde todos os personagens moram e em relação ao qual possuem fortes laços emocionais. Há muito do Avenue Q que aqui reconheci.

Muitas vezes ouço alguns amigos que mal conhecem o cinema Francês a dizer que o cinema Francês e Europeu em geral é de difícil compreensão porque não tem história.
Aqui se encontra uma obra de simples compreensão sem história, como um fogo de artifício por exemplo. Ouvi dizer que o Cats era assim também, mas nunca o vi.
Fica assim: In The Heights!!

De volta!!



Olá. Por uns tempos parei. Parei porque comecei a sentir pânico de escrever, de transcrever mal o que me passa pelas ideias sobre o mundo que me rodeia. Deixei de me referir ao meu redor para falar do meu umbigo e parei antes de transformar isto num divã. A importância deste local desvanecia das minhas prioridades, e de facto desvaneceu e foi-se. Mesmo.
Estou vivo, tudo vai bem, sempre com as ideias baralhadas sobre o mundo que me rodeia e a ver se uso este espaço como acto de reflexão sobre o que assisto neste cantinho do globo. Ou seja, isto é para os amigos de quem tenho saudades e, na impossibilidade de conversar via chat ou skype por causa dos conflitos de horários de trabalho e de fuso horário, escrevo o que possivelmente conversaria entre imperiais, jantaradas e eventos sociais variados. Querem um blog de qualidade? Recomendo os Ladrões de Bicicleta para se estar na crista da política e economia no ponto de vista da Esquerda Portuguesa, o E Deus Criou a Mulher porque sou um heterossexual rebarbadíssimo discreto, o Renas e Veados para ver se esse blog arrebita e ajuda em força na luta por direitos fundamentais dos quais os Gays de Portugal ainda carecem e os blogs dos meus amigos porque são dos melhores amigos do Mundo e talvez da Europa.
Aqui vamos então.
Acabei de ver o debate presidencial nos EUA. Comparado com os EUA, Portugal é um palco político simplista e previsível. Depois do debate a minha mãe perguntou-me quem tinha ganho. Um amigo que viu somente a segunda parte do debate sobre política externa perguntou quem tinha sido melhor na primeira parte. A ambas as perguntas respondi não saber. Para mim o Obama bateu o McCain aos pontos, mas o McCain adoptou uma postura e uma atitude que apela à simpatia de quem elege um homem que fala a linguagem do americano de classe média no seu expoente máximo eloquência, espirituosidade e sedução em destruir um adversário numa discussão. Nesse ponto McCain foi um verdadeiro Rambo.
Considero impressionante McCain ganhar um debate hoje quando diz apoiar 90% das medidas da administração Bush, recusar o diálogo entre as nações rivais para resolver conflitos e não saber quem é Zapatero ou recusar-se a cooperar com Espanha. Este ponto é aberto a debate.
No entanto, fora o conteúdo, onde McCain demonstrou pouco perceber do mundo militar, político e social de hoje, ele ganhou com o seu estilo de comnunicar numa linguagem simples, de atacar Obama com fantasmas do tempo da Guerra Fria e com um logicazinha de Direita que em Portugal Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix tanto usaram nos Governos de Cherne e Santana, onde se advoga e propagandeiam cortes nos gastos do Governo, mesmo que sejam muitas vezes cegos e resultem em gastos acrescentados para o Estado e numa sociedade mais deficitária em termos de qualidade de vida e progresso.
Não sei quem ganhou o debate, eu confesso não compreender a heterogeneidade do Povo que reside nos EUA, logo não conheço o público alvo destes debates. Quem viu, quem se interessa, quem tem ideias fixas ou se encontra aberto a mudar de ponto de vista? Não sei. Aqui em Pittsburgh eu diria que infelizmente ganhou o McCain e em Portugal ganharia de igual modo.

Como explicar isto? Vou dar um exemplo que me apazigua a mente quando penso que Cavaco Silva é Presidente em Portugal:

Eu muitas vezes tenho a impressão que, em Portugal, um homem carrancudo de fato e gravata que sabe a tabuada dos 7 na ponta da língua é considerado mais apto para resolver os problemas da economia nacional do que um homem que publicou 7 artigos científicos em jornais de economia. Neste sentido McCain é um Cavaco em tamanho grande: um líder messiânico, que gere muito bem expectativas, que convence os americanos de viverem num oásis ou numa Califórnia de sonho, mas que errou e falhou redondamente em grande parte da sua obra passada e nas suas promessas, onde muito do que hoje é crise se deve ao seu mau talento de governação.

Como se elegem este tipo de bestas?
Gostava de saber, mas elas elegem-se, e bem!

Não morro de amores por Obama, mas gostei de ver um homem lúcido e a defender algumas ideias de Esquerda que eu considero imperiosas para se resolver a crescente crise social america que se encontra tapada pelas luzes ofuscantes da crise financeira.