domingo, janeiro 20, 2008

Dia do Dr. Martin Luther King, Jr. ou dia do Racismo e os EUA

Portugal é um país muito racista. Muitas vezes ouve-se o oposto sem qualquer justificação, com um tom de Dogma, e considero isso muito grave. A meu ver, existe um racismo cultural latente na nossa Educação, na nossa Identidade. Mais do que elaborar legislação de discriminação positiva para combater o flagelo do racismo, cabe a cada Homem em Portugal percorrer algumas etapas comportamentais:

1- Aperceber-se de que é racista e compreender que isso é mau
2- Pensar no que pode fazer para deixar de ser racista
3- Agir no seu cotidiano para contrariar a tendência racista inerente ao modus vivendis Português

Enquanto que em Portugal existe racismo assumido dentro dos nossos Taxis e ao virar da esquina em geral, um racismo sempre acéfalo na base da má-língua e da má educação, aparentemente nos EUA ninguém é racista. Ao se olhar para o cerne da Discriminação Racial nos EUA, verifica-se que essa aparência contraria a triste realidade que certos indicadores desmentem facilmente. Embora a Europa apresenta tristes realidades de racismo, as suas medidas contra o racismo são mais honestas e eficientes do que as verificadas nos EUA.

Os EUA são o país com maior taxa de encarceração no mundo. Dentro dos EUA, são os Estados do Sul os que se encontram no topo da lista no campeonato pela maior taxa de encarceração. Nesses Estados, a comunidade prisional é Afro-Americana numa esmagadora maioria e as penas mais pesadas são maioritariamente cumpridas por Afro-Americanas. No sistema educativo, a numerosa classe de mão de obra não qualificada Afro-Americana aparesenta défices escandalosos, quando comparada com as comunidades pobres Americanas-Americanas (Brancas e Protestantes). Na realidade que me toca, são quase sempre os Afro-Americanos que limpam o chão, conduzem o autocarro e me servem nos restaurantes de fast food. Na minha Universidade, a quantidade de estudantes Afro-Americanos com que me cruzo contam-se pelos dedos das mãos. Em Portugal, ainda se compreende com mágoa alguma da realida do racismos, as comunidades negras são imigrantes e sabe-se que sempre se mal trataram as comunidades imigrantes. Adicionalmente, existe muita gente com trauma de Guerra do Ultramar, com trauma de Salazarismo. Até se pode compreender o flagelo do Racismo em Portugal. Ainda por cima, em Portugal as pessoas são muito mais quentes a discutir, mais politicamente incorrectas, mais relaxadas a dizerem o que pensam e muitas vezes mais mal educadas, diga-se a verdade. Consequentemente, em Portugal, o Racismo salta aos olhos num modo diferente.

Como se compreende a realidade Americana acima descrita quando aqui ninguém é racista? Onde até um descendente Africano tem agora a possibilidade de ser Presidente? Aqui na minha realidade Americana, uma de milhares, mais facilmente se agride uma pessoa fisicamente do que verbalmente, eu acho que mais facilmente verei alguém queimar um Afro-Americano do que insultar. Aqui toda a gente é bem educada e ninguém é racista. Globalmente, existe o síndrome do "eu não sou racista" ao estilo dos moderados conservadores em Portugal, defende-se a excepção para se mascarar a regra. Muitas vezes me dizem: "eu racista? a America racista? eu até tenho amigos pretos!! Portugal é que é racista!!". O Obama, os amigos Afro-Americanos, as leis de discriminação positiva que somente favorecem alguns para Inglês ver, o dia do Martin Luther King, tudo não passa de um carnaval de aparências, de um lençol de seda a tapar lixo a céu aberto. Tudo não passa de uma grande hipocrisia. Mas não será isso que classifica o mainstream Americano: a hipocrisia?

Um país que vive de Dogmas falsos: onde não existe racismo, onde não existe machismo por causa da Hillary, onde existem armas de destruição em massa no Iraque, onde se ridiculariza Kioto e o aquecimento global, onde o sistema de Saúde faz maravilhas, onde os sorrisos são falsos, as conversas vazias, onde tudo é branco e bonito, onde não se vêm Afro-Americanos na Ópera, no Teatro, na Sinfonia, no Bailado, onde existe mais Afro-Americanos a servirem do que a serem servidos. As mentiras existem e existe o meu corpo ao lado das mentiras.
Recentemente tenho falado com amig@s de Portugal completamente convertid@s ao encanto dopante do estilo mainstream Americano, vazio e oco, desprovido de qualquer essência, ao mundo das aparências, ao Admirável Mundo Novo, ao sonho de Huxley. Os EUA são uma sopa de variedades e um país de contradições, muito difícil de caracterizar em linhas gerais. No entanto, acho que transversalmente a essa sopa, existe uma crescente hipocrisia que tudo mascara, um fingimento onde nada muda.

A meu ver, as coisas mudam-se com políticas reformadoras de peso e não com toques de cosmética. A pobreza combate-se com um Estado Social forte, a iliteracia e analfabetismo com uma política educativa forte por parte do Estado, os problemas de Saúde com um sistema de acesso Universal. O mesmo se devia fazer para acabar com o Racismo: Honestidade e mãos à obra para se mudarem mesmo as coisas, para se fazer das aparências uma vontade e uma realidade.

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