quarta-feira, dezembro 17, 2008

Ela Beijou-me

Nunca fui um homem de pagar por sexo. Não me apetece fazer agora auto-análise sobre isso, mas parece-me que tal seja consequência do meu horror ao estado degradante em que sempre vi as prostitutas de beira da estrada. No entanto, sempre tive um grande fascínio pela organização decadentemente glamorosa e erótica à volta daquela noite onde há prostituição.

Desde que cheguei a Paris tornei-me num solitário, um trabalhador dedicado, respeitado e apreciado pelas chefias que nada tem para fazer quando chega a casa que não seja uma actividade solitária. Os portugueses daqui são o meu povo no jogos do Benfica ou da Selecção, mas no resto, raramente me sinto bem com eles e sinto que eles não sentem especial desejo em estar comigo, o que me demove facilmente de ir ao Luar da Noite beber um copo depois do trabalho. Eu percebo, esta gente veio para aqui nos anos 40-50-60, eu tenho idade para ser filho deles e os filhos deles nada têm a ver comigo, olhando para Portugal como o que aquilo era antes do 25 de Abril. Com os Franceses do trabalho costumo ir beber uns copos, jogar à bola, ir às discotecas meter-me com as Francesas, mas tudo muito formal e masculinamente profissional. Com as Francesas nada se passa, o meu sotaque marroquino estraga qualquer romance e somente consigo ter conversas sobre férias em Portugal ou costumes e comidas portuguesas.

Por isso, por causa de um aflitivo estado de solidão, comecei a vaguear horas a fio por Paris nos tempos livres, mais precisamente durante a noite, visto eu trabalhar também ao Sábado e ao Domingo. Rapidamente me apaixonei pela cidade mulher que é Paris, uma cidade quente, onde em todas as ruas , em todos os parques, em todas as pontes me imagino a beijar uma mulher. Paris foi durante muito tempo a minha mulher. Mulher que traía muitas vezes antes de a trair definitivamente até aos dias de hoje, com mulheres que aceitavam o meu convite para sexo depois de conversas curtas no metro ou num bar em Pigale. Nunca paguei, nunca. Também nunca as levei para casa, isso seria trair Paris, trair a minha mulher.

Isto foi assim durante algum tempo até ter visto a Monica Bellucci num bar em Pigale a prostituir-se. Fiquei doido, mulheres assim não se vêem na vida real, só nos filmes ou nas revistas. Fiquei muito impressionado. Desejei beijar aquela mulher, levá-la para a minha cama para a tratar com ela merece, como uma deusa do sexo, do amor. Ia ao bar todas as noites, mas sempre fazendo por passar despercebido aos olhos da Monica. Via clientes, olhava para ela e sabia que queria viver com ela para sempre, queria que ela fosse a minha mulher, queria ser o seu homem, ter filhos e ser feliz para sempre com ela. Inicialmente tratei esse desejo como se tratam as impossibilidades, pensei ser possível encarar isto como um sonho, muitas vezes saí de casa decidido a saciar este desejo com sexo pago, ia para a cama com ela e pronto, isto passava, mas nunca me atrevi consporcar este meu sonho tão caro com algo tão masturbatório. Eu amava esta mulher, muito.


Mas um dia, meses depois de tortura e desejo, fui ao bar em Pigale uma noite, sentei-me ao lado dela e disse-lhe:
- Acabei de ganhar o Euromilhões e quero-te pagar uma mensalidade de 100000 euros para viveres comigo até eu ficar sem dinheiro. Depois vais-te embora.
Ela aceitou e, mais tarde, entre outras "coisas", acabou por me beijar assim.

Este post foi inspirado no seguinte filme. Mau filme, mas grande mulher.

Financiar os Bancos para tudo ficar na mesma

Aqui. Sobre isto o Cavaquito nada diz. Como é de costume, ele parece ter problemas pessoais no que toca à Banca.

domingo, dezembro 14, 2008

Não há nada pior...

... do que descobrir que uma pessoa da minha intimidade, pela qual nutro uma grande amizade, não me conhece e que normalmente me caracteriza como algo que não sou, como algo que odeio mesmo.

Um paradoxo:

Para mim há dois tipos de pessoas no mundo: os que vêm o mundo em bipolos e os que sabem que, em tudo, entre o preto e o branco, entre o mal e o bem, há vários graus de cinzento.

O que aconteceu?

Esta foi a segunda amizade na minha vida a dizer-me, de um momento para o outro, em plena convicção, a plenos pulmões e em tom de libertação, que as nossas opiniões sobre a política do mundo são totalmente díspares. Fiquei estupefacto, sem palavras... por exemplo: ambos apoiamos Obama, somos pela igualdade entre gente de diferentes sexos e orientações sexuais, somos pela Democracia em oposição à Autocracia e acrediatamos numa Europa unida, sem Estados separados, mas unidos por uma causa comum de identidade Europeia. Porquê esta aversão? Ainda por cima uma pessoa amiga com uma opinião que já foi várias vezes elogiada neste blog por mim e pelos restantes colaboradores que aqui escreveram.

Depois tentei racionalizar. Como na primeira amizade a reagir assim, ela disse-me que eu era contra o Mercado Livre e isso era absurdo para a minha pessoa amiga e completamente o oposto dela. Bem, eu não sou contra o mercado livre, acho que partes do mercado que geram monopólios naturais devem ser regulados por organismos do Estado democraticamente eleito. Sou da opinião que o sistema financeiro deve ser regulado para se evitar negócios de milhões a la BPN sobre bens irreais que acabam por danificar a economia real e que sectores lucrativos possuídos pelo Estado não devem ser privatizados se não for criado um ambiente de concorrência nesse sector. O recente destino da Galp em Portugal é um caso que exemplifica uma péssima privatização.

Adicionalmente, no plano da qualidade de vida, sou contra o mercado livre e desregulado de produtos que possam ser nocivos à Saúde Pública nos sectores das Indústrias Farmacêutica, Alimentar, da Cosmética, dos Brinquedos, das Ferramentas, basicamente de todos os produtos de interface com o ser humano, onde o uso de elementos tóxicos pode danificar a qualidade da vida humana.

De resto, em todos os outro sistemas de Mercado, sou completamente a favor do Mercado Livre como os Economistas Neoclássicos o definem e caracterizam.

Bem, como na primeira amizade a acusar-me de economicista autocrata, eu acho que ,neste caso, um diferente motivo causou uma aversão relativamente a mim e depois este motivo foi usado para me afastar. Funcionou de facto. Quanto ao real motivo, acabei por descobrir, mas faz parte de outro espaço de expressão.

No entanto, amizades de fora, isto fez-me pensar no mundo antes da crise, onde quem questionasse qualquer característica do neo-liberalismo era acusado de ser o oposto, o que a meu ver era errado, como depois vieram confirmar todos os economistas desse mundo fora, incluindo os galardoados com o Nobel.

Ser contra um extremismo não quer dizer que se é a favor do extremo oposto, muito pelo contrário, há um mundo para além dos extremos.

Como dizia Hugo Chavez: "...no mercado, como em tudo, quando há 100% igualdade, há 0% de liberdade e quando há 100% de liberdade, acaba por haver 0% de igualdade...". Raramente concordo com Chavez, mas esta sua simples frase contém a causa das maiores tragédias sociais, económicas e políticas ocorridas no recente panorama mundial.

Amigos do peito que eu amo, se me querem ver longe das vossas vidas por razões pouco nobres que vos custa assumir, arranjem outro motivo para o fazer por favor, eu não sou um autocrata Marxista-Leninista, nunca fui e nunca serei. Vale mais deixarem de me falar sem qualquer satisfação, custa menos.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

A Melhor Juventude - Portugal



Ao ver este filme, reparei em grandes similitudes entre a recente História Social de Portugal e a de Itália. Podia escrever páginas e páginas a mostrar muitos detalhes, tanto nas relações familiares e de amizade, como nos ambientes político-sociais retratados, mas houve dois que me cativaram particularmente e me deixaram a reflectir, onde um espelha algo semelhante em Portugal e outro algo que se deveria ter passado em Portugal, mas nunca se passou, delegando o País para o fracasso e retrocesso no cenário dos países democráticos desenvolvidos.

Em ambos os países, existe uma descrença total, por parte das elites intelectuais não ligadas aos Media, no sucesso e viabilidade social no futuro. No filme, um bom exemplo disso detecta-se na cena em que o Personagem Médico se encontra no exame final do curso de Medicina e, depois de ter feito um excelente trabalho reconhecido pelos presentes, acaba por ser aconselhado pelo decano e especializado examinador impressionado a sair do País porque aquilo somente servia para os velhos como ele. Em Portugal passa-se o mesmo. Quantas vezes em Portugal me recomendaram não voltar à Pátria depois do Doutoramento? Muitas. E sempre foram Professores, Políticos, Empresários, etc...
Existe uma descrença absoluta no sucesso futuro em Portugal e, a meu ver, já vem de longe, basta ler o 1808. Já naquela altura se verificava que as elites priveligiadas eram as primeiras a passar um atestado de mortandade a Portugal.

No entanto, em Itália, como se verifica no filme, existiu, e existe hoje em dia, guerra aberta à corrupção, por parte da Esquerda que acredita num mundo melhor, numa Itália mais justa, social e economicamente viável e democrática, onde os negros e conservadores poderes instalados se encontram extintos a definhar na cadeia como justamente merecem. Infelizmente, em Portugal, essa Guerra nunca se travou e parece-me que existe uma enorme resistência por parte do nosso poder instalado para que tal se inicie. As mesmas elites que defendem e apregoam a necessidade do combate à corrupção, são aquelas que inibem a aplicação de projectos concretos, como por exemplo o plano de Cravinho, largamente chumbado por toda a Elite Política de Portugal em pleno periodo de governação do PS. Impressionante, não? Como diz um grande amigo: "em Portugal há mais gente no Poder a viver dos problemas do que das soluções", o que me parece ser uma grande infelicidade nacional. Principalmente quando a História nos ensina que nenhum País corrupto internamente jamais se encontrou entre os mais desenvolvidos.

Precisamos de um Tribunal de Contas e de um Ministério Público eficientes e de medidas políticas fortes e consequentes para atacar a corrupção de modo a se voltar a acreditar num futuro melhor para Portugal entre os mais desenvolvidos e fora das caudas centenárias. Nas Conversas do Cavaco já ninguém acredita, aquilo é para Inglês ver, precisamos de sangue forte e crente de que mudar o mundo é possível.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Obama - uma Lição de Liderança Sustentável


Os tempos de crise que aí se encontram à porta são tempos que favorecem a divisão na sociedade. A meu ver, Obama sabe isso pois a História das crises recentes mostra que a Liderança e o Exercício do Poder nesses tempos funcionam muito bem segundo uma lógica de se dividir a sociedade entre os culpados pela crise e os que podem contribuir para a resolver. Todos os regimes totalitários e muitos dos líderes eleitos democraticamente ascenderam ao poder partindo a sociedade em dois e prometendo que uma das partes pagaria pela crise. Os Republicanos tentaram fazer isso por exemplo.

Mas Obama, mesmo sabendo que teria mais apoio popular e mediático se abdicasse da nata política da Administração Clinton, optou por unir a sociedade, escolher rivais e adversários, ir mesmo à Direita de Centro. Isso revela a sua enorme segurança como líder em exercer este acto de risco. Obama é um Social Democrata? Por enquanto parece ser. Para mim é interessante nunca ter ouvido uma estratégia clara da boca de Obama, ou da boca de Sócrates em Portugal. Sim, a gente pode, mas pode o quê? No entanto, Obama ganha ao não ser um Sócrates que divide a Sociedade entre os Comunas dos Professores e afins no Bloco de Esquerda, o PSD que levou Portugal ao fundo e o PS salvador da Pátria. Tenta ser uma Thatcher ao demonizar os funcionários públicos e os Sindicatos, e faz política sem transparência, usando-se de elites corruptas que acaba por favorecer injustamente com o prejuízo de Portugal.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

3 notas contra o meio tacanho e decadente de Pittsburgh

1


2


3

Uma música dedicada ao meu Pai



Sinceramente dedicada ao meu Pai, conheci-a ontem, gostei e pensei no chefão.
Um pouco velhadas e americana demais...
ai...
... como Pittsburgh!!
Serei já um Pittsburgheano tacanho a viver neste bosque decadente de velharias dos anos 70, 80 e 90?

terça-feira, dezembro 02, 2008

PCP - Partido Comunistão e Portuguesão


Tenho um enorme respeito pelo PCP a vários níveis. Por exemplo, a Democracia que existe em Portugal, e que ainda precisa de ser melhorada, existe em consequência de uma forte contribuição do PCP na luta contra o Fascismo nascido no Vimieiro. Isso, por si só, é um motivo para dobrar a língua sempre que ousar criticar pela negativa o PCP. Para além disso, tenho muito que louvar a actividade do PCP depois do 25 de Abril contra aqueles que se imiscuiram discretamente nas instituições democráticas arrastando para dentro delas velhas lógicas Salazaristicamente anti-democráticas e injustas para o bem social.

Por onde passei em Portugal conheci muitos ambientes que se geriam, e ainda se gerem hoje em dia, através de regras aristocráticas, feudais e absolutistas, negando a igualdade de oportunidades para todos e usando a ideia de que uns são cidadãos de primeira e outros de segunda e ainda outros de terceira ou quarta. O PCP sempre lutou contra a injusta assimetria entre classes em todos os sectores da sociedade e tem muito a ensinar a todos os partidos portugueses no que toca a equidade, honestidade e amor pela Pátria, considerando que Pátria deve ser o conjunto de todos os cidadãos, todos iguais na lei, nos direitos, nos deveres e nas oportunidades de vida. Dobro a língua duas vezes, três se for preciso, mas o PCP andou neste congresso como eu não gosto de o ver: orgulhosamente só contra a Esquerda e esquecendo-se do seu verdadeiro inimigo: a Direita que galopa de altaneio, seja na face do Plano Barroso onde se quer baixar os impostos, em vez de os aumentar para quem enriquece com a crise e dar dinheiro a quem mais precisa, ou na face de Manuela Ferreira Leite com a sua sede de injustiça Salazarista apoiada pelos discretos usurpadores da liberdade.

Fico muito irritado, decepcionado, a esvair-me em vergonha e tristeza quando vejo o camarada Sousa a ser um bravo Jerónimo contra o Bloco de Esquerda e a ala Esquerda do Partido Socialista e, pelo outro lado, a comportar-se como um rebelde inconsequente adolescente contra o Governo e os partidos da Direita assumida. Lembro-me dos debates nas últimas Presidenciais entre os diversos candidatos. Contra Cavaco, o Sousa comportou-se como uma educada costureirinha que respeita muito o senhor doutor, mas que gostava de o contrariar com toda a simpatia. Contra os restantes convidados viu-se um veradeiro Jerónimo de ataque feroz, especialmente contra Francisco Louçã, onde o machado de Guerra era constantemente e injustamente erguido contra quem se encontra mais próximo das suas ideias e dos seus sonhos de sociedade perfeita. Porquê? Será que há um lugar da Esquerda que é uma espécie de mulher desejada pelo macho alfa PCP que não se encontra disposto a deixá-la sair à rua sem escolta de guarda disposta a aniquilar o primeiro que ouse cruzar o olhar pela sua figura?

Será que as ideias podem ser possuídas? Na minha opinião, nada é verdadeiramente possuído, nem terra, nem vida, nem mulheres, nem homens, ainda menos as ideias. A posse é uma ilusão de segurança criada pelos seres pensantes para a vida custar menos a ser vivida. Por isso, acho que o PCP faz mal em assumir esta atitude de hegemonia da Esquerda ou de seja do que for. Eu percebo-a muito bem e basta conhecer o passado para perceber o comportamento dos comunistas do PCP. Houve um tempo em que o PCP era financiado pela URSS para minar e destruir Anarquistas, Trotskistas e outros dissidentes do Marxismo Leninismo definido por Estaline. O objectivo da URSS era fazer do PCP a única força disponível para quem desejasse lutar contra Salazar e Caetano e controlar assim um numeroso grupo de acção política em Portugal que lhe foi bem útil durante a Guerra Fria. Estou convicto que a criação de um Portugal Comunista nunca esteve nas prioridades da URSS, pois a Europa tinha sido irmamente dividida nos anos quarenta com o seu rival EUA. Mas isto não invalida o facto de o PCP ter sido o melhor movimento de luta pela liberdade e democracia durante o Fascismo em Portugal e por isso estarei eternamente grato.

No entanto, fico triste quando vejo vícios antigos, e sem propósito na actualidade, a mancharem o ritmo de luta do PCP por uma sociedade mais justa e equalitária.

Avante Camaradas, sou do Bloco de Esquerda, sei que vocês não podem comigo, mas eu sempre estarei do vosso lado contra a Direita porque sei que o nosso cantar tem todo o sentido e sentimento e razão.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Dia de Acção de Graças



O melhor nos Feriados Americanos é tudo estar calminho, trabalhar até dá gosto :)

segunda-feira, novembro 24, 2008

Poema no Dia Nacional da Cultura Científica

Sim, no seguimento do post anterior sobre precariedade, hoje vou fazer um post sobre a minha área de trabalho: Investigação Científica. Uma área que espelha bem a realidade social de Portugal em termos de diferenças de classe, onde uns vivem em precariedade e outros em largo e corrupto fausto de desperdício de fundos do Estado.
Mas este momento não se dedica ao lado negro da Cência em Portugal, mas sim ao canto dos descobridores modernos, dos que que se encontram aqui pela Adrenalina de mudar o mundo.

Manuel Heitor, Mariano Gago, esta parte é para vossas exc. senhorias lerem nos vossos cadeirões de braços ministeriais:

Ai Galileo!

Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo

que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,

andavam a correr e a rolar pelos espaços

à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileo Galilei.



Por isso eram teus olhos misericordiosos,

por isso era teu coração cheio de piedade,

piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos

a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso estoicamente, mansamente,

resististe a todas as torturas,

a todas as angústias, a todos os contratempos,

enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,

foram caindo,

caindo,

caindo,

caindo,

caindo sempre,

e sempre,

ininterruptamente,

na razão directa do quadrado dos tempos.


Até ao momento eu nunca ouvi outra pessoa a declamar este poema melhor do que eu.
Fica aqui a versão executada pelo autor, que também declamou pior do que eu, mas que fez muito em vida pela cultura científica em Portugal a custo zero, gostava de notar outra vez, a custo zero. Fica a homenagem ao Poeta.

O Dinheiro, A Chave e a Crise. Parte1- Precariedade no Emprego

Votar aqui contra a precariedade que, a meu ver, representa a maior chaga social do nosso país:

- o limbo entre a escravatura e a exploração laboral

- o resultado de uma visão fatalista do mundo do salve-se quem puder que se torna danosa para o progresso

- o retrocesso dos valores de Abril

- uma pouca vergonha quando se considera que Portugal é o país da Europa com maior fractura social, assimetria entre ricos e pobres e com o salário mínimo entre os mais baixos

Perante esta realidade, votar é um dever para com a Nação que se encontra a saque por parte de políticos carreiristas que em nada se preocupam com o bem social, aliados a Barões do Patronato que enriquecem em simbiose com a degradação do Estado e de vários dos seus patrimónios.

quarta-feira, novembro 12, 2008

"Proposition 8". Parte 1 - Anti-Natural?

Não há nada mais anti-natural que a Medicina, onde fazemos batota para contrariar a Natureza.

Não há nada mais anti-natural que a Tecnologia, onde alteramos a Natureza por uma melhor qualidade de vida, negando as suas características flutuantes.

Não há nada mais anti-natural que a História e o culto aos nossos antepassados, onde tentamos imortalizar quem morreu.

Eu não vejo nada de anti-natural na homossexualidade que não veja no amor, no casamento, na família, no capitalismo, nos movimentos sindicais, etc...

Sim, porque na Natureza o Natural é nascer, comer, reproduzir e morrer, e na verdade a humanidade e tudo o que se exclui no Homem destas simples tarefas é, entre muitos outras componentes, a negação da Natureza.

O Homem é anti-natural, sempre, mesmo que goste de pessoas do mesmo sexo, do sexo oposto ou dos dois.

E para mim, na minha cultura e subjectividade, tudo isto é natural e o anti-natural é nascer, comer, reproduzir e morrer sem nada mais que me defina como ser humano.

Os mesmos Direitos para tod@s!!!!! Isso sim é Democracia, outro conceito anti-natura...

quarta-feira, novembro 05, 2008

Muito Bem Obama!!



Estou contente, mas existe sempre em mim uma pontada de cepticismo, bem no fundinho, relativamente a um político Americano que promete mudança, uma viragem no sentido da Esquerda, do Povo, dos mais desfavorecidos.
Mas estou optimista. O que normalmente é raro.
No entanto, a esperança nunca morre, nunca, NUNCA: HOPE!!!
E isso para mim é cada vez mais importante pois hoje em dia a minha vida nada mais é do que um punhado de emaranhadas pequenas esperanças por um futuro melhor.
Yes we can!!!!
Parabéns OBAMA, vamos agora trabalhar...

domingo, novembro 02, 2008

Os Presidentes, os Capitalistas, os Conservadores e as Crises - Parte 1


Estava a ler este site sobre o historial dos impostos nos EUA quando me deparei com um facto histórico surpreendente e de elevada actualidade. Bem, muito simplificadamente, ou como se diz em americano "in a nut shell", parece que o Presidente Americano que precedeu à crise de 1929, John Calvin Coolidge, Jr., era Republicano, acreditava num Estado pequeno, em redução extrema de impostos, em mínima intervenção do Governo na Economia e Sistema Financeiro e no sistema Capitalista como via de progresso. Sendo um homem muito caladinho e quieto, parece que das poucas coisas emitidas pelas suas cordas vocais, ele dizia algo como: uma fábrica é uma Igreja da doutrina do progresso e um trabalhador que nela labore é um homem a exercer culto religioso. Bem, o Capitalismo Selvagem era para Coolidge uma cruzada santa onde tudo se punha de lado em nome da meta final: mais Capitalismo? Talvez!!

Bem, depois de Coolidge veio o pior Presidente Americano de sempre a seguir ao W. Bush, o Republicano Hoover, o homem que era recebido, nas cidades que visitava, por multidões a pedirem pão, famintas e desesperadas. O que era isto, a era Czarista Russa? Não, eram os EUA. Hoover foi o Presidente da Crise e para a resolver acreditava na Caridade, considerava que os Industriais (como ele anteriormente a ser Presidente) eram muito avarentos e deviam ser motivados pelo Governo a serem caridosos e criarem fundos de "sobras" para distribuir pão pelos americanos. No entanto, nunca mudou o sistema de investimento público, nem tão pouco as regras dos sistemas económico e financeiro para resolver a crise. Faz lembrar o Cavaco: acredita na bondade da Direita e ignora as eficientes propostas da Esquerda, tudo em nome de nada mudar, a não ser a ilusão de tudo estar melhor, quando na realidade o resultado da sua actividade está a ser o contrário.

Para fazer o ramalhete completo, Andrew Mellon, sim o da Carnegie Mellon University, o conselheiro de economia e finanças de Coolidge, considerado hoje o responsável pela implementação das políticas públicas que levaram à crise de 29. Um industrial com uma vida privada nada afectada pela crise, mas que foi o culpado pela fome, desemprego e criminalidade nos loucos anos 30.

Os culpados pela crise de 29 estão na foto aqui apresentada e fiquei impressionado ao ver que as causas dessa crise foram as mesmas da actual crise de 2008. Impressionado como leigo em economia ao ver que a originalidade dos neoliberais e libertários económicos não existe. O Capitalismo Selvagem que levou a Escola de Chicago a ganhar um Nobel não parece ser original, somente uma versão copiada de um sistema falhado que voltou a falhar.

Antes, os culpados não foram castigados, agora gostava de acontecesse o oposto. Mas vejo que posso esperar sentado, infelizmente.

A Parte 2 deste post será dedicada ao grande FDR e como a seu legado foi estragado e corrompido desde então até à actualidade, para mal de todos os EUA e do seu progresso social e económico.

sábado, novembro 01, 2008

Vi Em Rabino um Amigo



Bem, e foi um momento do meu dia a dia que quebrou a rotina e a banalidade de um estudande de Doutoramento que baseia a sua Pesquisa Científica em trabalho de laboratório.
Vinha com a minha bica cheia, ou "double expresso" em americano, pela rua abaixo em direcção ao Doherty, quando um homem de "quico" preto e roupas escuras me perguntou se eu era Judeu. Perguntei em estilo de engate de uma adolescente a quem lhe perguntam a idade, mas em vez de responder "que idade achas que tenho?", respondi: Porquê, tenho ar de Judeu?
Ele disse que sim, o que me levou a falar de Portugal, dos Marranos, dos Cristãos Novos, da possibilidade de aproximadamente um terço da população portuguesa ter ascedência Judaica e das alheiras. Aprendi muito sobre cultura Judaica dos dias de hoje, principalmente sobre as diferentes vertentes politico-religiosas, mas não tive a ousadia de dizer que acho que na questão Israelita há culpados em ambos os lados das barricadas, mas que a meu ver os Palestinianos têm mais razão nas suas lutas. No entanto, indiscutivelmente, discordo de qualquer método de luta terrorista, fique isso bem claro, ou de guerra, porque eu sou pela paz, paz, paz...
Conversei muito com ele, houve um momento caricato quando lhe falei do livro do Roth "The Plot Against America" e ele, não conhecendo a obra, pensou que o livro defendia qualquer tese em que o Judeus são o "Plot Against America", o que não é verdade, nem no livro, nem na realidade real. Já agora, recomendo vivamente esse livro, a mim recomendado por um grande amigo, para se quebrarem alguns mitos sobre o poder da comunidade Judaica no mundo. Também à parte, segundo muitos especialistas em literatura, se o Nobel nesse ramo de especialidade viesse para os EUA, viria para Phillip Roth.
Ok, moral disto tudo, tenho um novo amigo, o Rabino Cohen, um novo companheiro de conversa nesta vida "Pittsburgheana" solitária.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Notas breves e cheias de erros em tom telegrafico


piscar do olho

frases vazias

olhos nos olhos para a camara

os trabalhadores americanos sao os melhores do mundo

joe 6 pac

tom de pastor evangelista

engenheiros contra as mulheres da rua

o publico prometeu nao se manifestar

ha muito que nao me ria em gargalhada

gajo de alfama

(desregulacao-impostos) eu posso nao responder as perguntas mas falo directamente ao povo americano

Governo nao e's a solucao, e's o problema

decorou as deixas

the people of Alasca

my own area of experties, that is energy

I don't promesse anything except what is right for the american people

Just do what is right

we have got to clean up this planet

country comes first

terça-feira, setembro 30, 2008

Steelers


Bem, era preciso os meus pais virem a minha casa para se ver mais de 30 segundos de um jogo do clube daqui da terra. Antes tinhamos ido passear e eu espantava-me não encontrar vivalma nas ruas. Rapidamente me apercebi de que toda a cidade pasmava em frente da televisão e deixava a rua deserta. Nada percebendo deste jogo, pasmados estão agora os meus pais com as loucuras que estes Pittsburgheanos cometem a assistir a isto ao vivo, nem o Benfica leva a tais devaneios dos adeptos. Bem, espero nunca perceber nada disto e espero esta ser a última vez que vislumbro por mais de uns quantos segundo os Steelers ou outros quaisquer macacos a jogar.

Here we Go!! Tum, Tum, Tum, Tum, Tum

Os Steelers perdem "as we speak".

sábado, setembro 27, 2008

In the Heights



Este musical ganhou os Tony Awards e foi o Herman José na sua última participação dos Incorríveis que me convenceu a ir ver. Digamos que o facto de ter ganho os Tony Awards me ajudou a decidir ir ver. Em geral, eu tenho uma opinião muito linear sobre obras de arte ou de intertenimento com cariz artístico: quando são más toda a gente consegue ter opinião sobre o que funcionou mal ou como mudar para melhorar, mas quando são boas ninguém consegue explicar porquê, é muito difícil apontar o que foi essencial para o sucesso, parece sempre tudo se encontrar numa proporcionalidade perfeita no sentido em que transcende o público para além da sua entediante condição humana. Segundo este modo de olhar para a Arte, este musical foi mau.

O facto de se trazerem ritmos latinos e urbanos para a Broadway é por si bem arrojado e muito interessante porque hoje em dia os imigrantes latinos pertencem à classe socio-cultural mais desfavorecida nos EUA e consequentemente a mais vitimizada pelos movimentos conservadores xenófobos contra a imigração. Nesse sentido foi um grito de identidade cultural para uma nova America. A música é muito boa, os actores são cumpridores e profissionais e consegue-se motivar a parte mais tímida da assistência a mover o corpo como se motivada a passar a noite numa pista a dançar. Talvez por isto tudo este musical ganhou os Tony Awards.
No entanto, a dramaturgia foi muito fraquinha e desenvolvida à volta de Personagens Tipo com histórias de vida altamente estereotipadas e miserabilistas que se alimentam de um sonho americano que tudo cura e motiva. A moral global da história é demasiado óbvia e simples e o que eu considero pior é o "déjà vu" da construção cénica. Tudo se passa num bairro de NYC onde todos os personagens moram e em relação ao qual possuem fortes laços emocionais. Há muito do Avenue Q que aqui reconheci.

Muitas vezes ouço alguns amigos que mal conhecem o cinema Francês a dizer que o cinema Francês e Europeu em geral é de difícil compreensão porque não tem história.
Aqui se encontra uma obra de simples compreensão sem história, como um fogo de artifício por exemplo. Ouvi dizer que o Cats era assim também, mas nunca o vi.
Fica assim: In The Heights!!

De volta!!



Olá. Por uns tempos parei. Parei porque comecei a sentir pânico de escrever, de transcrever mal o que me passa pelas ideias sobre o mundo que me rodeia. Deixei de me referir ao meu redor para falar do meu umbigo e parei antes de transformar isto num divã. A importância deste local desvanecia das minhas prioridades, e de facto desvaneceu e foi-se. Mesmo.
Estou vivo, tudo vai bem, sempre com as ideias baralhadas sobre o mundo que me rodeia e a ver se uso este espaço como acto de reflexão sobre o que assisto neste cantinho do globo. Ou seja, isto é para os amigos de quem tenho saudades e, na impossibilidade de conversar via chat ou skype por causa dos conflitos de horários de trabalho e de fuso horário, escrevo o que possivelmente conversaria entre imperiais, jantaradas e eventos sociais variados. Querem um blog de qualidade? Recomendo os Ladrões de Bicicleta para se estar na crista da política e economia no ponto de vista da Esquerda Portuguesa, o E Deus Criou a Mulher porque sou um heterossexual rebarbadíssimo discreto, o Renas e Veados para ver se esse blog arrebita e ajuda em força na luta por direitos fundamentais dos quais os Gays de Portugal ainda carecem e os blogs dos meus amigos porque são dos melhores amigos do Mundo e talvez da Europa.
Aqui vamos então.
Acabei de ver o debate presidencial nos EUA. Comparado com os EUA, Portugal é um palco político simplista e previsível. Depois do debate a minha mãe perguntou-me quem tinha ganho. Um amigo que viu somente a segunda parte do debate sobre política externa perguntou quem tinha sido melhor na primeira parte. A ambas as perguntas respondi não saber. Para mim o Obama bateu o McCain aos pontos, mas o McCain adoptou uma postura e uma atitude que apela à simpatia de quem elege um homem que fala a linguagem do americano de classe média no seu expoente máximo eloquência, espirituosidade e sedução em destruir um adversário numa discussão. Nesse ponto McCain foi um verdadeiro Rambo.
Considero impressionante McCain ganhar um debate hoje quando diz apoiar 90% das medidas da administração Bush, recusar o diálogo entre as nações rivais para resolver conflitos e não saber quem é Zapatero ou recusar-se a cooperar com Espanha. Este ponto é aberto a debate.
No entanto, fora o conteúdo, onde McCain demonstrou pouco perceber do mundo militar, político e social de hoje, ele ganhou com o seu estilo de comnunicar numa linguagem simples, de atacar Obama com fantasmas do tempo da Guerra Fria e com um logicazinha de Direita que em Portugal Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix tanto usaram nos Governos de Cherne e Santana, onde se advoga e propagandeiam cortes nos gastos do Governo, mesmo que sejam muitas vezes cegos e resultem em gastos acrescentados para o Estado e numa sociedade mais deficitária em termos de qualidade de vida e progresso.
Não sei quem ganhou o debate, eu confesso não compreender a heterogeneidade do Povo que reside nos EUA, logo não conheço o público alvo destes debates. Quem viu, quem se interessa, quem tem ideias fixas ou se encontra aberto a mudar de ponto de vista? Não sei. Aqui em Pittsburgh eu diria que infelizmente ganhou o McCain e em Portugal ganharia de igual modo.

Como explicar isto? Vou dar um exemplo que me apazigua a mente quando penso que Cavaco Silva é Presidente em Portugal:

Eu muitas vezes tenho a impressão que, em Portugal, um homem carrancudo de fato e gravata que sabe a tabuada dos 7 na ponta da língua é considerado mais apto para resolver os problemas da economia nacional do que um homem que publicou 7 artigos científicos em jornais de economia. Neste sentido McCain é um Cavaco em tamanho grande: um líder messiânico, que gere muito bem expectativas, que convence os americanos de viverem num oásis ou numa Califórnia de sonho, mas que errou e falhou redondamente em grande parte da sua obra passada e nas suas promessas, onde muito do que hoje é crise se deve ao seu mau talento de governação.

Como se elegem este tipo de bestas?
Gostava de saber, mas elas elegem-se, e bem!

Não morro de amores por Obama, mas gostei de ver um homem lúcido e a defender algumas ideias de Esquerda que eu considero imperiosas para se resolver a crescente crise social america que se encontra tapada pelas luzes ofuscantes da crise financeira.

segunda-feira, maio 05, 2008

Série em aproximação

“O que é um close-up?” Perguntou a minha avó. E à cabeça só me vinham as imagens de garotas de idade escolar das mangas japonesas que vi há já algum tempo na TV. Optei pelo “Não sei...” para evitar ter sonhos mais tarde.

Nuno Vieira Matos, Rio de Onor, 2007

Nuno Vieira Matos, Rio de Onor, 2007

Nuno Vieira Matos, Bragança, 2007



quarta-feira, abril 09, 2008

Retrato d@ Estudante do IST


A média é um cálculo em que se aplanam todas as nossas normais excentricidades. Aplicá-la num conjunto de pontos dispersos significa sempre uma selecção, diminuindo a resolução do homem enquanto indivíduo e homogeneizando a colectividade. Ficamos apenas com o padrão, a norma, com o sujeito médio, o estereótipo; no fim perdemos algo e empobrecemo-nos.

Mais informações aqui.

sexta-feira, março 21, 2008

Fotografia: Série sobre o Monstro

Esta é a história de todos os Quasimodos, seres disformes que vivem nos espaços deixados pelos outros e que, com curiosidade ansiosa, observam a sua passagem. Neste turbilhão de registos visuais podem encontrar... perdão, podem confrontar-se com Esmeralda. Esmeralda vive nos interstícios dos espaços dos outros. Esmeralda é graciosa e tem jeitos de anca que Quasimodo não percebe mas que lhe agradam. Quasimodo sente um rubor que lhe estava vetado desde os tempos de adolescência e que era repelido através de actos mecânicos mais ou menos furiosos. Esmeralda é um evento destinado a morrer. Quasimodo recupera o seu corpo, sepulta-o numa moldura e vence a sua própria morte.

Nuno Vieira Matos, Madrid, 2007

Nuno Vieira Matos, Madrid, 2007

Nuno Vieira Matos, Madrid, 2007


terça-feira, fevereiro 26, 2008

Fotografia: Série sobre marinheiros

O marinheiro encontra-se devastado pelas súplicas do mar que lhe chega pelo flanco e o torneia pelo seu crânio onde ainda ressoam as ondas, fado e foclore, ressabiando a falta de graça em terra.

Nuno Vieira Matos, Aveiro, 2007

Nuno Vieira Matos, Aveiro, 2007

Nuno Vieira Matos, Aveiro, 2007


quarta-feira, fevereiro 06, 2008

4ªAberta do NAFIST


4ª Aberta
Laboratório fotográfico aberto ao público, quartas das 20h00 às 24h00
filbarrocas(AT)gmail.com
Existente no seio de uma sociedade preenchida por restrições que nos obrigam a viver numa dormência constante, uma vivência no limiar da satisfação pessoal e da concretização profissional, o Núcleo de Arte Fotográfica do Instituto Superior Técnico, no início da sua fase regenerativa, cria a "4Aberta". Um espaço físico/temporal aberto a qualquer pessoa, aberto a experimentação, um espaço que concilia a disponibilidade de partilha e uma vontade de preservação das origens da fotografia. Quatro horas de cada Quarta, das 20h às 24h, preenchidas pela iniciativa de cada elemento participante, estando o laboratório aberto a qualquer pessoa, quer tenha a aprendizagem necessária para trabalhar sozinha ou somente o interesse de assistir e aprender.

terça-feira, janeiro 29, 2008

sábado, janeiro 26, 2008

Fotografia: Série sobre fantasmas

Os fantasmas que se seguem subam ao palco. Os que abandonam as luzes não podem voltar atrás.

Nuno Vieira Matos, Arrifana, 2006

Nuno Vieira Matos, Arrifana, 2006

Nuno Vieira Matos, Arrifana, 2006

Mais uma parte do meu mundo acabou...

Aqui.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

domingo, janeiro 20, 2008

Dia do Dr. Martin Luther King, Jr. ou dia do Racismo e os EUA

Portugal é um país muito racista. Muitas vezes ouve-se o oposto sem qualquer justificação, com um tom de Dogma, e considero isso muito grave. A meu ver, existe um racismo cultural latente na nossa Educação, na nossa Identidade. Mais do que elaborar legislação de discriminação positiva para combater o flagelo do racismo, cabe a cada Homem em Portugal percorrer algumas etapas comportamentais:

1- Aperceber-se de que é racista e compreender que isso é mau
2- Pensar no que pode fazer para deixar de ser racista
3- Agir no seu cotidiano para contrariar a tendência racista inerente ao modus vivendis Português

Enquanto que em Portugal existe racismo assumido dentro dos nossos Taxis e ao virar da esquina em geral, um racismo sempre acéfalo na base da má-língua e da má educação, aparentemente nos EUA ninguém é racista. Ao se olhar para o cerne da Discriminação Racial nos EUA, verifica-se que essa aparência contraria a triste realidade que certos indicadores desmentem facilmente. Embora a Europa apresenta tristes realidades de racismo, as suas medidas contra o racismo são mais honestas e eficientes do que as verificadas nos EUA.

Os EUA são o país com maior taxa de encarceração no mundo. Dentro dos EUA, são os Estados do Sul os que se encontram no topo da lista no campeonato pela maior taxa de encarceração. Nesses Estados, a comunidade prisional é Afro-Americana numa esmagadora maioria e as penas mais pesadas são maioritariamente cumpridas por Afro-Americanas. No sistema educativo, a numerosa classe de mão de obra não qualificada Afro-Americana aparesenta défices escandalosos, quando comparada com as comunidades pobres Americanas-Americanas (Brancas e Protestantes). Na realidade que me toca, são quase sempre os Afro-Americanos que limpam o chão, conduzem o autocarro e me servem nos restaurantes de fast food. Na minha Universidade, a quantidade de estudantes Afro-Americanos com que me cruzo contam-se pelos dedos das mãos. Em Portugal, ainda se compreende com mágoa alguma da realida do racismos, as comunidades negras são imigrantes e sabe-se que sempre se mal trataram as comunidades imigrantes. Adicionalmente, existe muita gente com trauma de Guerra do Ultramar, com trauma de Salazarismo. Até se pode compreender o flagelo do Racismo em Portugal. Ainda por cima, em Portugal as pessoas são muito mais quentes a discutir, mais politicamente incorrectas, mais relaxadas a dizerem o que pensam e muitas vezes mais mal educadas, diga-se a verdade. Consequentemente, em Portugal, o Racismo salta aos olhos num modo diferente.

Como se compreende a realidade Americana acima descrita quando aqui ninguém é racista? Onde até um descendente Africano tem agora a possibilidade de ser Presidente? Aqui na minha realidade Americana, uma de milhares, mais facilmente se agride uma pessoa fisicamente do que verbalmente, eu acho que mais facilmente verei alguém queimar um Afro-Americano do que insultar. Aqui toda a gente é bem educada e ninguém é racista. Globalmente, existe o síndrome do "eu não sou racista" ao estilo dos moderados conservadores em Portugal, defende-se a excepção para se mascarar a regra. Muitas vezes me dizem: "eu racista? a America racista? eu até tenho amigos pretos!! Portugal é que é racista!!". O Obama, os amigos Afro-Americanos, as leis de discriminação positiva que somente favorecem alguns para Inglês ver, o dia do Martin Luther King, tudo não passa de um carnaval de aparências, de um lençol de seda a tapar lixo a céu aberto. Tudo não passa de uma grande hipocrisia. Mas não será isso que classifica o mainstream Americano: a hipocrisia?

Um país que vive de Dogmas falsos: onde não existe racismo, onde não existe machismo por causa da Hillary, onde existem armas de destruição em massa no Iraque, onde se ridiculariza Kioto e o aquecimento global, onde o sistema de Saúde faz maravilhas, onde os sorrisos são falsos, as conversas vazias, onde tudo é branco e bonito, onde não se vêm Afro-Americanos na Ópera, no Teatro, na Sinfonia, no Bailado, onde existe mais Afro-Americanos a servirem do que a serem servidos. As mentiras existem e existe o meu corpo ao lado das mentiras.
Recentemente tenho falado com amig@s de Portugal completamente convertid@s ao encanto dopante do estilo mainstream Americano, vazio e oco, desprovido de qualquer essência, ao mundo das aparências, ao Admirável Mundo Novo, ao sonho de Huxley. Os EUA são uma sopa de variedades e um país de contradições, muito difícil de caracterizar em linhas gerais. No entanto, acho que transversalmente a essa sopa, existe uma crescente hipocrisia que tudo mascara, um fingimento onde nada muda.

A meu ver, as coisas mudam-se com políticas reformadoras de peso e não com toques de cosmética. A pobreza combate-se com um Estado Social forte, a iliteracia e analfabetismo com uma política educativa forte por parte do Estado, os problemas de Saúde com um sistema de acesso Universal. O mesmo se devia fazer para acabar com o Racismo: Honestidade e mãos à obra para se mudarem mesmo as coisas, para se fazer das aparências uma vontade e uma realidade.

Fingir-se de morto

Salazar disse muitas vezes que para se ter sucesso na Política um homem deve fazer-se de morto, fingir não existir...

Queda em Angola

sábado, janeiro 19, 2008

"Estou com ele porque é um Porco"

Esta foi a frase que me fez hoje acordar para a vida: "Estou com ele porque é um Porco".
Ia para o trabalho com uma colega Chinesa quando comecei a falar dos signos chineses. A nossa chefe é Dragão e por isso possui a capacidade de exercer poder. Eu sou Macaco e por isso tenho muita energia e sentido de iniciativa. Ela é Cão como uma boa mulher deve ser, fiel e alegre com o seu dono. Aqui eu já me estava a passar. Mas o ramalhete completo foi quando perguntei qual era o signo de 2007. A resposta foi Porco, o signo do namorado dela. E é por isso que namoras com ele? - perguntei eu.
Sim, é fiel, sortudo, toma boas decisões e tem bom futuro, o marido ideal.
E todos o Porcos são assim?
Sim.
Somente porque nasceram no ano do Porco?
Sim.

Que bonito...

Pois, depois disto comecei a pensar, eu sou um grande macaco, sempre fui, daqueles que fazem uma tempestade num copo de água, violam a macaca mais próxima para aliviar o stress, ou chagam o juízo ao macaquinho mais bondoso e benevolente até o transformar num facínora pronto a matar ali mesmo com os dentes se for preciso.

Mas o melhor era ir ao registo civil ou ao local onde se pode mudar a data de nascimento e transformar-me num Porco. Depois ia para a China e copulava com orgasmos de 30 minutos tudo o que tivesse vagina. Dizia que casava, mas depois comportava-me como um grande Porco: deixava-lhes um contacto falso e punha-me a andar.