quinta-feira, novembro 22, 2007

Durão Barroso

Na juventude Durão Barroso era um homem da luta, mas não como os do Vai tudo abaixo a dizer alguma coisa com sentido.

Recentemente, numa entrevista conjunta ao DN e à TSF, Durão Barroso contrariou o seu estilo dos tempos em que era jovem e assumiu num tom moderado e com pretextos branqueadores o seu erro em ter apoiado a Guerra no Iraque com base na tese da existência de armas de destruição maciça em solo Iraquiano. Foi claramente uma lavagem pilatiana de mãos enquanto a sua candidatura para renovar o seu mandato como Presidente da Comissão Europeia não estiver na boca do dia.
Há uns anos atrás, no Reino Unido, Tony Blair admitiu o mesmo erro, mas sem remeter a culpa para outros como Barroso acabou por fazer ao se referir a Clinton por exemplo. Tony Blair comportou-se como o homem livre e autónomo que é, assumiu as suas responsabilidades e acarretou com as consequências políticas dos seus actos. Nessa altura, a ruidosa e intrometida Comunicação Social Britânica não poupou em tempo de antena para expor e explorar a questão segundo o nível de importância que lhe é devida. Em Portugal, no Programa de Noticiário da RTP onde vi a notícia relativa a Durão Barroso, somente passou o excerto da entrevista onde Barroso assume ter errado. No mesmo programa mostraram-se entrevistas a personagens do mundo da Bola, fizeram-se reportagens em Directo sobre assuntos de importância menor quando comparados com a Guerra no Iraque e as suas consequências no que o mundo é hoje.
Não me quero armar em Santana Lopes, nem me atrevo pois falta-me o jeito para o engate e a admiração fiel da comunidade feminina, principalmente daquela senhora que serve um peixe muito bom num Restaurante em Buarcos, ao lado da Figueira.
Mas atrevo-me a dizer que este país encontra-se louco em deixar assim impune tamanha falha de um ex-governante da Nação a exercer as funções que exerce. Estamos agora com medo de manchar o prestígio nacional? Um dia destes acaba-se a Democracia em Portugal para não se manchar o prestígio.
Sempre que oportuno ou não, fala-se mal do legado trágico de Guterres. O legado de Durão Barroso relativamente à Guerra no Iraque foi uma ragédia de maiores proporções, mas nada se diz, nada se comenta, uma simples passagem radiofónica, nada mais.

3 comentários:

Francisco Ferreira disse...

É sempre bom ver que a idade dá bom senso e sentido de dever às pessoas. O Durão Barroso era um bocado atado quando era mais novo.

Nuno disse...

Sim tens razão. Entretanto, devido a excesso de zelo diplomático viria a apoiar uma guerra baseada numa mentira (dos 4 das lajes o último a admiti-lo). O problema é a falta de memória. Atado meu caro é quando não há sentido de responsabilidade.

Francisco Ferreira disse...

Não sei porque dizes que a guerra é baseada numa mentira. Toda a gente sabe que os árabes têm o nosso petroleo.