domingo, novembro 11, 2007

2 milhões de pobres

Eu apoio a necessidade de os partidos políticos terem de satisfazer uma cota mínima de 50% de elementos do sexo feminino nas suas listas de candidatura para a Assembleia da República. Numa sociedade onde existe mais homens que mulheres, numa sociedade onde ainda existe descriminação sexual a variados níveis e em variados sectores públicos e privados, é impossível pensar-se numa representatividade Democrática e fidedigna da sociedade portuguesa na amostragem de indivíduos a exercerem o cargo de deputados na Assembleia da República sem uma presença forte das mulheres.
Tenho o mesmo ponto de vista relativamente aos pobres. Toda a gente sabe que os pobres não são eleitos deputados. Consequentemente, a pobreza na Assembleia da República é observada de várias janelas, com vários filtros. O CDS-PP olha para a pobreza com medo de dentro do Jaguar ou com pena de dentro da carrinha de caridade aos sem abrigo durante o Natal. O PSD vai na carrinha com o CDS-PP e acredita na pobreza como uma fatalidade sem possibilidade de derrubar em combate. Algum PS olha para a pobreza de dentro da Versalhes, o outro olha para os dados estatísticos e decide implementar o rendimento mínimo garantido. Como Antropólogos activos, o PCP e o BE entram dentro da pobreza, batem-se pelos pobres, mas os pobres não se identificam com a voz destes partidos.
Não seria a Democracia Portuguesa enriquecida se existisse uma cota de 20% de pessoas com rendimento mínimo ou baixo nas listas de candidatura dos partidos políticos portugueses para a Assembleia da República? Não seria o combate contra o crescente flagelo da pobreza mais realista e eficaz se 20% das pessoas da Assembleia da República soubesse verdadeiramente o que é a pobreza?

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