sexta-feira, novembro 30, 2007

Porque a vida não é só o Académico

Também há o Lusitano e o Viseu Benfica. Eu, por motivos de proximidade e de amizade apoio o Lusitano, embora tenha familiares que já jogaram no Viseu Benfica.

terça-feira, novembro 27, 2007

Fotografia: Série em extensão

Eis o espraiamento do meu ser que se deixa intimidar pelo alongamento do espaço.

Nuno Vieira Matos, Alentejo, 2005

Nuno Vieira Matos, Alentejo, 2005

Nuno Vieira Matos, Castro Verde, 2006

segunda-feira, novembro 26, 2007

Sustentabilidade e Energia, um Contributo Nacional de Peso


Um grupo de estudantes de Doutoramento na Área das Políticas Públicas nos Estados Unidos da América ganhou recentemente um concurso para se publicar no Jornal USA Today uma carta aos candidatos presidenciais sobre Energia e Sustentabilidade, um tema que tem crescendo exponencialmente para um consenso Universal em volta do cerne da mensagem da carta publicada. Dentro desse grupo de estudantes encontra-se a compatriota Inês Azevedo, licenciada em Engenharia do Ambiente pelo IST e actualmente a desenvolver investigação na área de Tecnologias e Políticas em Energia e Desenvolvimento Sustentável. Como licenciada em engenharia, o terreno de investigação onde a Inês se movimenta passa por áreas como Microeconomia, Sociologia, Engenharia de Tecnologias e Ambiente, acabando por produzir novas maneiras de olhar politicamente para um mundo onde a maioria das decisões de cariz técnico e científico são efectuadas segundo lógicas bem distantes da realidade e conhecimento técnico-científico. Num mundo onde infelizmente os cientistas e os fazedores de leis/políticas se encontram divorciados e de costas voltadas uns para os outros. As alterações globais climáticas foram uma das maleitas resultantes desse divórcio com consequências terríveis para a vida do homem na terra. Venham mais portugueses e cidadãos do mundo em geral com o mesmo talento de Inês Azevedo.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Foi à frente da Sé da Guarda

O carro do teu pai já não funcionava há algum tempo, eu sabia que podia haver problema. Por isso propus ir de comboio para visitar os meus pais e o meu tio Manel ao Hospital e deixar-te o carro para as tuas necessidades. Disseste que não, eu voltava mais rapidamente com o carro e seriam menores as saudades. Eu insisti, mas as tuas vontades sempre foram inquestionáveis e extremamente insusceptíveis a qualquer mudança. Se calhar porque passaste o tempo todo até saíres de casa dos teus pais sem nunca te terem feito muitas vontades. Como de costume obedeci e voltei à terra Natal a ouvir o Debate Mensal da Assembleia da República contra o Durão Barroso. Coitado do Ferro Rodrigues, do Partido Ecologista Os Verdes, foram todos enchuvalhados pelo tom arrogante do Cherne Guerreiro.
Cheguei à Guarda para jantar. Eu quando vou para cima levo sempre uma ansiedade contida no peito, em risco de explosão. Eu adoro voltar a casa, mas não gosto de ficar muito tempo porque todos os meus amigos encontram-se fora ou com vidas atarefadas sem vagar para me enfiarem nelas com um jantar ou uns copos. Assim que cheguei, telefonei-te para dar beijinhos e falar de umas aves de rapina lindíssimas que econtrei na zona de Coimbra, eu acho que eram milhafres mas não estava certo. Lembro-me que adoravas as histórias que muitas vezes te contava ao deitar, telefonei-te também para contar que durante o caminho tinha inventado uma história sobre milhafres para te contar no Domingo antes de adormecermos. Sempre me custava estar longe de ti, não muito porque sentiria violentamente a tua falta, afinal eram somente dois dias, mas porque sempre que me ausentava custava-te sempre a encarar-me quando regressava a ti, nunca percebi porquê, perguntei-te umas quantas vezes, mas tu usaste sempre uma maneira de me fazer sentir mal por perguntar.
No Sábado fui passear sozinho pela parte velha da cidade. O dia era de Sol e muito convidativo a desejar estar com quem se ama. Umas horas antes, pela manhã tinha-te ligado e soube que estavas ter problemas em andar com o carro do teu pai, não pegava. Telefonaste ao teu amigo Ricardo para te ajudar e ele nada conseguiu fazer, acasbaste por ligar ao Seguro, eles trataram do assunto. Sugeriram que devias andar algum tempo com o carro a mais de 100 quilómetros/hora. Depois liguei-te antes do almoço para te falar da minha Avó e dos dióspiros que ela queria que eu te levasse e despachaste-me para não incomodar a tua condução. Naquele dia deslumbrante de sol, quando estava à frente da Sé da Guarda resolvi ligar-te para declarar todo o amor que tinha por ti. O dia assim o obrigava.
Atendeste o telefone e estavas a almoçar com o Ricardo em Sesimbra, o passeio estava a ser bonito. O Ricardo tinha ido ao quarto de banho e tu disseste-me com um tom muito preocupado, grave e sério que o Ricardo achava que nós nos telefonávamos muito. Eu respondi que não via problema nenhum nisso, temos coisas para dizer um ao outro, somos amantes, queremos dizer que nos amamos. Tu disseste com tom sofrido "Oh Xandeee, tu sabes que não é isso". "Então é o quê Margarida?" perguntei-te eu. Mais uma vez tu usaste a tua maneira mágica de me fazer sentir mal por te perguntar. E tudo acabou com a ilusão de que tudo era claro.
Cenas como estas repetiram-se aos milhares. A tua insatisfação com coisas que me pareciam banais e sem problema. Na verdade, isto sempre existiu desde o início da nossa relação. Ou porque o Nuno te tinha dito que passávamos muito tempo juntos, ou porque a Maria te dizia que eu era mais baixo e tinha um ar mais jovem do que tu, ou por outras mais questiúnculas onde eu não via problema, nem tu te dispunhas a me elocidar com simplicidade e clareza. Mais recentemente, um ano antes de acabarmos, no dia em que conheci o teu amigo Mexicano, ele disse-me que o mais provável era eu e tu acabarmos e que ele sabia o que isso era porque já tinha sido casado, estava disposto a dar-me todo o apoio que eu precisasse. Eu fiquei estupefacto, o nosso reencontro depois de teres ido trabalhar fora estava a ser fantástico, eu estava a adorar ser levado por ti a locais novos, a ser apresentado a pessoas novas e estava a viver o momento mais surreal da minha vida como teu amante. Contrariamente ao que acontecia no passado, não te fui aborrecer com estas questão, não queria estragar os dias de beijos e sonho. Não queria mais daqueles momentos que me faziam sentir culpado por questionar coisas que te parecem claras e indiscutíveis, não queria tocar nos teus tabus. Na verdade, o Leonardo tinha razão, soube depois de teres acabado tudo que até havia um Inglês atrás de ti. Nunca percebi bem o que se passou. Se calhar os teus amigos antes de me conhecerem já te queriam a estar com outra pessoa, ou simplesmente sozinha e descomprometida como eles. Sei é que nunca fui bem acolhido pelos teus amigos do teu novo trabalho, da tua nova vida. Sei é que a partir desse momento, os momentos em que questionavas tudo entre a gente aumentaram exponencialmente. Houve até quem lançou o boato que eu tinha problemas mentais. Estava tudo traçado, eu sentindo-me cada vez mais diminuído comecei a irritar-me mais e a discutir mais contigo. Mas por todos os meus erros já te pedi desculpas na minha última carta e não há um único dia em que não me arrependa do mal que proporcionei à nossa relação.
Quando tudo acabou cheguei a sentir-me aliviado por nunca mair ter de viver aqueles momentos agoniantes em que não sei porque tens problemas com algo e em que faça o que fizer acabo sempre por te magoar, para mal dos meus pecados. Mas recentemente em Vigo, conheci uma retrovira Americana professora de Yoga que ao quarto dia de queca fez-me algo semelhate, mas muito pior, se as nossas situações eram estranhas, aquilo foi o fim do mundo em termos de loucura. Acabei tudo ali e elevei-te a Santa. Por isso, fiquei até hoje a matutar na vida e decidi mudar-me primeiro a mim antes de voltar para a frente. Estou certo que tenho de ser outra pessoa para me relacionar com mulheres. Se pelo menos eu fosse gay, mas não, tenho mesmo de ser outra pessoa.
Por isso meu doce, velho e eterno amor, antes do ponto final deste texto quero enterrar isto tudo para passar para a frente, depois deste ponto final eu sou outra pessoa e estas cartas acabaram, as magoas, os arrependimentos, a tristeza, tudo isso acaba aqui.

Neste blog nunca mais se vai beber Cerveja Tagus.

O motivo encontra-se elucidado aqui.
Sinto-me bem enojado.

Durão Barroso

Na juventude Durão Barroso era um homem da luta, mas não como os do Vai tudo abaixo a dizer alguma coisa com sentido.

Recentemente, numa entrevista conjunta ao DN e à TSF, Durão Barroso contrariou o seu estilo dos tempos em que era jovem e assumiu num tom moderado e com pretextos branqueadores o seu erro em ter apoiado a Guerra no Iraque com base na tese da existência de armas de destruição maciça em solo Iraquiano. Foi claramente uma lavagem pilatiana de mãos enquanto a sua candidatura para renovar o seu mandato como Presidente da Comissão Europeia não estiver na boca do dia.
Há uns anos atrás, no Reino Unido, Tony Blair admitiu o mesmo erro, mas sem remeter a culpa para outros como Barroso acabou por fazer ao se referir a Clinton por exemplo. Tony Blair comportou-se como o homem livre e autónomo que é, assumiu as suas responsabilidades e acarretou com as consequências políticas dos seus actos. Nessa altura, a ruidosa e intrometida Comunicação Social Britânica não poupou em tempo de antena para expor e explorar a questão segundo o nível de importância que lhe é devida. Em Portugal, no Programa de Noticiário da RTP onde vi a notícia relativa a Durão Barroso, somente passou o excerto da entrevista onde Barroso assume ter errado. No mesmo programa mostraram-se entrevistas a personagens do mundo da Bola, fizeram-se reportagens em Directo sobre assuntos de importância menor quando comparados com a Guerra no Iraque e as suas consequências no que o mundo é hoje.
Não me quero armar em Santana Lopes, nem me atrevo pois falta-me o jeito para o engate e a admiração fiel da comunidade feminina, principalmente daquela senhora que serve um peixe muito bom num Restaurante em Buarcos, ao lado da Figueira.
Mas atrevo-me a dizer que este país encontra-se louco em deixar assim impune tamanha falha de um ex-governante da Nação a exercer as funções que exerce. Estamos agora com medo de manchar o prestígio nacional? Um dia destes acaba-se a Democracia em Portugal para não se manchar o prestígio.
Sempre que oportuno ou não, fala-se mal do legado trágico de Guterres. O legado de Durão Barroso relativamente à Guerra no Iraque foi uma ragédia de maiores proporções, mas nada se diz, nada se comenta, uma simples passagem radiofónica, nada mais.

Nostalgia

Aqui.
Os Um Zero Amarelo dos quais eu gosto muito com a presença de Ana Moreira, essa cara muito bonita do Cinema e Televisão nacionais.

sábado, novembro 17, 2007

Carta Póstuma de Ljubljana para Faro

O nosso casamento.

Desculpa não ter estado à altura,
Desculpa não ter arranjado por esses lados uma rede social interessante para te apresentar,
Desculpa não ter tido dinheiro para pagar uma empregada,
Desculpa não ter tido dinheiro ou influência para ter comprado um carro mais cedo,
Desculpa ter a pila torta,
Desculpa ter-te feito correcções ao teu modo de fazer comida,
Desculpa por ser intelectualmente e profissionalmente um falhanço,
Desculpa não te ter brindado com muitos mais presentes, supresas e carinhos,
Desculpa por ter contribuído para a tua vida com banalidades,
Desculpa as discussões,
Desculpa não te ter levado mais vezes a jantar fora,
Desculpa não te ter estimulado a felicidade,
Desculpa os mal entendidos,
Desculpa a presunção,
Desculpa ter-me enfiado num trabalho que me chupou o tempo que devia ter sido dedicado a amar-te e para as férias contigo no Brasil,
Desculpa ter estado sempre na tua mão até ter perdido valor,
Desculpa a falta de orgulho,
Desculpa ser um palhaço facilitista e preguiçoso,
Desculpa a falta de paciência,
Desculpa não ser o macho alfa dos teus sonhos com mulheres de fora da tua cabeça a invejarem-te,
Desculpa esta fragilidade que me torna num ser ainda mais repelente.

Nunca tive más intenções em relação a ti, mas de boas intenções está a minha vida cheia, nao é?

Desculpa ter sido um mau amante.

O dia mais feliz da minha vida foi o do nosso casamento.
Em Ljubljana chove, consegui decifrar uma seca em Portugal em letras garrafais num jornal deitado fora com uma imagem de um homem do campo a chorar...

quarta-feira, novembro 14, 2007

segunda-feira, novembro 12, 2007

Porque não?

Sem acabar com as pontuais séries de fotografia que vou 'postando' aqui arranjei uma forma mais estruturada de as mostrar: aqui.

"Dar um salto para a minha doce loucura"


Daqui para ali existe um limbo, sempre, nem que seja de uns segundos, o limbo existe sempre.

Esta frase do album de Ana Brandão e Carlos Bica encontra-se fora daqui, encontra-se numa viagem solitária.

Acordam-me com uma língua da Europa de Leste, acho ser a terceira vez esta noite. Automaticamente retiro o passaporte do bolso e mostro-o ao portador da lanterna. Ontem estive duas horas a falar com uma senhora Croata de olhos negros e vestida de preto com um lenço à cabeça sem falarmos a mesma língua. Fiquei a saber que tinha um filho a trabalhar num Cruzeiro de luxo que tinha recentemente passado em Lisboa. Tinha recebido um postal onde falava de uma rua que subia com muitos bares. Ela ficou a saber que me tinha divorciado, desistido do emprego, vendido tudo o que tinha e ganhava agora a vida a cantar Bob Dylan nos metros de cidades europeias. Para quem falava por gestos, acho ter sido uma conversa produtiva para duas horas.

Em Faro eu era um homem igual aos outros, olhava nos olhos das pessoas e via gente igual a mim. O meu olhar era recebido, falava com pessoas com o meu olhar. Trocas de olhar podem encher o nosso dia de palavras, mesmo quando nenhum som sai das nossas bocas.

Eu tinha de sair de Portugal. Todas as músicas da rádio falam de amor e o silêncio dava asas à minha voz para me torturar, macerar a culpa de ter sido um mau amante. Era-me impossível trabalhar, dormir, sair com amigos, estar com a família. Um dia fui a Huelva representar a seguradora em defesa de um homem segurado por nós que se encontrava em estado grave no hospital depois de um acidente de trabalho. Foi quando adormeci na esplana, debaixo do Sol mulher do Sul de Espanha, com uma cerveja nas mãos, que eu percebi que precisava de ouvir uma língua diferente daquela que eu usei para dizer amo-te à minha ex-mulher. Precisava de sair de tudo, precisava de ser uma outra pessoa. Mas que pessoa posso ser aos 35 anos?

Essa é a resposta que tenho andado a procurar por essa Europa fora. Quando se é pedinte entra-se noutro mundo. Somente os jovens de mala às costas e os sem abrigo falam comigo, esses agora são os habitantes do meu mundo. Os primeiros perguntam-me se vendo droga, os segundos se tenho vinho comigo. Os habitantes do meu mundo vivem em limbos, uns eternos outros de viagem por uns dias ou semanas. Quando olho para as pessoas que um dia fui, atarefadas na rua a fazer o que eu um dia também fiz com todo o sentido do mundo, não recebo um olhar em troca, quanto muito um sorriso nervoso e embaraçado a culminar num acelerar do passo de marcha para bem longe de mim.

Uma vez, há uns anos atrás, encontrei um amigo do Liceu na beira da estrada a pedir boleia. Levei-o a Tavira, ele andava a fazer Teatro de Rua de Junho a Setembro pelas cidades do Algarve. Falámos do que é ser-se actor e acabámos por falar sobre o que é ser-se uma pessoa, o que é ser quem somos. Eu sou um preconceito, essa foi a conclusão da conversa, todo o mundo, todos os conceitos são preconceitos. Foi isso, depois nunca mais o vi, ficou ao lado da bomba da BP e eu voltei para Faro, ia essa noite jantar com a minha ex-mulher e estava atrasado para o encontro.

domingo, novembro 11, 2007

2 milhões de pobres

Eu apoio a necessidade de os partidos políticos terem de satisfazer uma cota mínima de 50% de elementos do sexo feminino nas suas listas de candidatura para a Assembleia da República. Numa sociedade onde existe mais homens que mulheres, numa sociedade onde ainda existe descriminação sexual a variados níveis e em variados sectores públicos e privados, é impossível pensar-se numa representatividade Democrática e fidedigna da sociedade portuguesa na amostragem de indivíduos a exercerem o cargo de deputados na Assembleia da República sem uma presença forte das mulheres.
Tenho o mesmo ponto de vista relativamente aos pobres. Toda a gente sabe que os pobres não são eleitos deputados. Consequentemente, a pobreza na Assembleia da República é observada de várias janelas, com vários filtros. O CDS-PP olha para a pobreza com medo de dentro do Jaguar ou com pena de dentro da carrinha de caridade aos sem abrigo durante o Natal. O PSD vai na carrinha com o CDS-PP e acredita na pobreza como uma fatalidade sem possibilidade de derrubar em combate. Algum PS olha para a pobreza de dentro da Versalhes, o outro olha para os dados estatísticos e decide implementar o rendimento mínimo garantido. Como Antropólogos activos, o PCP e o BE entram dentro da pobreza, batem-se pelos pobres, mas os pobres não se identificam com a voz destes partidos.
Não seria a Democracia Portuguesa enriquecida se existisse uma cota de 20% de pessoas com rendimento mínimo ou baixo nas listas de candidatura dos partidos políticos portugueses para a Assembleia da República? Não seria o combate contra o crescente flagelo da pobreza mais realista e eficaz se 20% das pessoas da Assembleia da República soubesse verdadeiramente o que é a pobreza?