domingo, outubro 21, 2007

Quem és tu romeiro? NINGUÉM !!! (ou um espião comunista)



Ontem saí da toca e fui a um bar Pittsburghiano, mas decente, bem decente, bom som, bandas ao vivo, malta menos decadente do que é costume, fumo ao estilo de Portugal, bem bom para as circunstâncias de Pittsburgh. Fui com malta conhecida e com malta conhecida de malta conhecida que encontrou lá ainda mais malta conhecida. Em termos de noite, Pittsburgh é uma cidade ao estilo do Portugal rural. Muito homem na noite e poucas mulheres: umas quantas doidinhas da terra e umas quantas estrangeiras, nada mais.
A noite toda bebi a bebida social e tentei conhecer pessoas, somente naquela de evitar ficar a olhar para a tv ou para o infinito num local repleto de gente, nada de engates ou esquemas mais avançados. Como os homens estavam numa de caçar Fêmeas e as mulheres estavam debaixo de caça intensiva, senti uma solidão profunda e dolorosa a noite toda. Vagueei pelo bar, mergulhei na multidão, e não me senti menos só do que se estivesse ficado em casa a ver o filme Iraniano que já estou para ver há algum tempo. Na semana passada tinha ido ao mesmo bar somente com um amigo, sem ver gente conhecida e senti-me mais acompanhado. Tentei meter conversa com malta, mas a coisa não pegava, encontrei até alguma hostilidade vinda da malta conhecida da malta conhecida. Eu percebo, eu mesmo se estivesse numa de engate nunca dava conversas a um tipo como eu. Tudo bem.
A melhor tentativa de conversa foi com um primo de NY de uma amiga, a única pessoa que ainda estabeleceu uma conversa comigo de 2 minutos. Apresentei-me, perguntei-lhe de onde ele era e depois disse-lhe que era de Portugal (Viseu). Ele perguntou-me, o que faz um tipo de Portugal em Pittsburgh, ao que eu lhe respondi inicialmente antes de procurar a verdade: a fazer um doutoramento. Ao que ele perguntou, mas porquê Pittsburgh. Bem, podia-lhe ter dito a verdade, vim atrás do amor, mas isso acabou tudo e agora nem sei bem o que ando aqui a fazer para além de trabalhar e limpar a casa. Mas ele estava com ar de poucas conversas e de poucos amigos e, para além disso, a minha intimidade fica para os blogs. Por isso respondi-lhe: porque sou um espião comunista. Acabou a conversa por ali, um pouco como acabam os momentos de humor dos malucos do riso, com umas caras exageradas e uns olhos esbugalhados. Se calhar Em Frei Luís de Sousa, Almeida Garret devia ter optado por uma comédia nonsense e punha um comunista a responder a Telmo.
E assim se passou mais uma noite social em Pittsburgh, a ver se aprendo a nunca mais tentar interagir com os indígenas, principalmente enquanto não fizer uma mudança de sexo. No Halloween vou-me vestir de mulher e vou ver se a simpatia aumenta. Vou levar uma arma na carteira no caso de alguém se entusiasmar e querer sexo. Eu visto-me de mulher no Halloween para meter susto como a Thatcher, a Ferreira Leite ou o J. Edgar Hoover, nunca para paneleirisses. Quem é que pensam que eu sou?
NINGUÉM !!!

1 comentário:

Catarina disse...

Olá Alexandre, não me conheces, nem eu a ti :) aliás, agora conheço o que li neste post, graças ao nosso amigo Bruno com o qual tive a oportunidade de partilhar alguns meses de Boston, lutando diariamente com todas as situações que tão bem descreves aqui. Não sei que mais dizer senão que gostei mt d ler o q escreveste e que tb eu já partilhei desses sentimentos, felizes aqueles que não têm que passar por eles, ou ent n...