quarta-feira, outubro 31, 2007

Fotografia: Série em carris

Quando eu era miúdo tinha como vizinha mais ou menos próxima a estação de comboios que viria a descobrir, idêntica, em vários outros sítios. Assim como o som da motorizada ainda me faz lembrar as odiadas sestas em casa dos meus avós porque esta teimava em, pavlovianamente, passar em frente dos nossos olhos fechados, o som do comboio faz-me recordar a minha infância. Nessa altura as coisas simplificavam-se: o comboio não necessitava de ter uma origem e um destino; teria apenas que se preocupar em passar. Desde que se materializasse naqueles breves instantes, o comboio cunmpria a sua função de existir no meu mundo. Ficavam apenas os carris para os jogos de equilibrismo e para nos ensinar o ponto de fuga. Os carris que simplesmente vinham de lá e iam para acolá.

Nuno Vieira Matos, Régua, 2007

Nuno Vieira Matos, Vila Nova de Cerveira, 2007

Nuno Vieira Matos, Paris, 2007

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