segunda-feira, outubro 01, 2007

Em cheio no alvo!



Este nosso blog anda atrasado, vem tarde, toda a gente sabe há muito o que aqui comento, mas isto foi do melhor que ouvi/li nos últimos tempos e eu estou com uma vontade visceral de fazer aqui a minha homenagem a João Pacheco. João Pacheco fez no jantar de entrega dos Prémios Gazeta 2006 o que tinha de ser feito, no momento certo, no local certo, perante as pessoas certas. Melhor nunca vi. Estou muito orgulhoso de João Pacheco, mesmo. Como amigo fico muito contente pelo reconhecimento da mestria do seu trabalho, mas como homem de esquerda fico orgulhoso pelo sentido de oportunidade e pela elegância e força do golpe nessa máquina política camuflada de propaganda e boas intenções que hoje destroi aos poucos os direitos fundamentais do Homem em Portugal. Isto sim é acção cívica, sem raivas, radicalismos enervados ou sentido destrutivo. Directo e curto. Obrigado João.
Fica aqui uma lição de João Pacheco de como um homem de esquerda neste mundo moderno pode actuar eficazmente contrariamente a uma linguagem de uma esquerda moderna que muita gente diz representar e que na realidade não toca ninguém nem fala para ninguém.
A reportagem do Jornal 2 com curta entrevista João Pacheco pode ser vista aqui.

Fica aqui o discurso na integral:
Lisboa, Ruínas do Convento do Carmo, 25 de Setembro de 2007


Obrigado.
Obrigado à minha família. Obrigado aos jornalistas Alexandra Lucas Coelho, David Lopes Ramos, Dulce Neto e Rosa Ruela.
Obrigado a quem já conhece “O almoço ilegal está na mesa”, “A caça à pedra maneirinha” e “Guardadores de sementes”.
Parabéns aos repórteres fotográficos Nuno Ferreira Santos e Rui Gaudêncio, co-autores das três reportagens, com quem vou partilhar o prémio monetário.
Parabéns também ao Jacinto Godinho, ao Manuel António Pina e à Mais Alentejo, que me deixam ainda mais orgulhoso por estar aqui hoje.

Como trabalhador precário que sou, deu-me um gozo especial receber o prémio Gazeta Revelação 2006, do Clube dos Jornalistas.
A minha parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social. Parece-me que é um fim nobre.

Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios a alguém, mas vou dedicá-lo.
A todos os jornalistas precários.

Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato.
Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos.
Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada - no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais - o que está em causa é a democracia.
E no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa.


Obrigado,
João Pacheco

1 comentário:

Nuno disse...

touché