quarta-feira, outubro 31, 2007

Fotografia: Série em carris

Quando eu era miúdo tinha como vizinha mais ou menos próxima a estação de comboios que viria a descobrir, idêntica, em vários outros sítios. Assim como o som da motorizada ainda me faz lembrar as odiadas sestas em casa dos meus avós porque esta teimava em, pavlovianamente, passar em frente dos nossos olhos fechados, o som do comboio faz-me recordar a minha infância. Nessa altura as coisas simplificavam-se: o comboio não necessitava de ter uma origem e um destino; teria apenas que se preocupar em passar. Desde que se materializasse naqueles breves instantes, o comboio cunmpria a sua função de existir no meu mundo. Ficavam apenas os carris para os jogos de equilibrismo e para nos ensinar o ponto de fuga. Os carris que simplesmente vinham de lá e iam para acolá.

Nuno Vieira Matos, Régua, 2007

Nuno Vieira Matos, Vila Nova de Cerveira, 2007

Nuno Vieira Matos, Paris, 2007

sexta-feira, outubro 26, 2007

A noite de lua cheia sem nuvens



Eu percebo...
Eu percebo...
Eu percebo porque choram as crianças,
Eu percebo porque somente os doentes criticam o sistema de saúde Americano,
Eu percebo porque me doem as costas,
Eu percebo porque os sindicatos são contra o sistema de saúde Americano,
Eu percebo porque caíram as torres gémeas,
Eu percebo porque as mulheres não percebem quando estão giras,
Eu percebo porque é impossível mudar o sistema de saúde Americano sem presença das seguradoras,
Eu percebo porque se partem os copos nas minhas mãos,
Eu percebo porque o Fordismo é um osso duro de roer para se mudar a insustentável sociedade de consumo Americana,
Eu percebo porque me pedem comida na rua e eu nada dou,
Eu percebo porque me falha a memória,
Eu percebo porque existe diferença de classes,
Eu percebo porque vivo em paradoxos constantes,
Eu percebo porque o mercado não funciona,
Eu percebo porque o Estado injecta dinheiro em Wall Street e deixa milhares de pessoas numa miséria intelectual, cultural e consequentemente de tudo na vida,
Eu percebo porque cada vez mais os políticos são profissionais,
Eu percebo porque nenhum corpo de mulher me cativa tanto como o teu,
Eu percebo que não percebo nada e que isto nada mais é do que um cliché...

Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é Fado

Isto não é Fado, um dia vi a Senhora Dona Amália a dizer Obrigado, obrigado..., bem ao longe. Depressa fui comprar flores, mas quando voltei ela já estava fora de vista.
Isto não é Fado, a Senhora Dona Mariza canta bem como a Senhora Dona Amália. Se algum dia a vir vou comprar as flores mais depressa.
Agradecer-lhe ter cantado o que eu agora estou a sentir neste laboratório.



A letra é lamechosa demais para mim, diria mesmo que se encontra antes do limiar do ridículo, mas estou mais ou menos lá, mas sou do sexo masculino, obviamente a letra é de mulher.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Fotografia: Série dos meus jardins

Os jardins de minha infância estão povoados de depressão que se torna mais funda quanto mais me espanta a não reversibilidade desses anos. Então, num golpe de magia amudada desertifico-os, despojo-os de todos e para lhes dar um ar mais limpo corto rente as texturas de modo a apenas ficarem superfícies. Fico assepticamente só, com dor de peito e dificuldade em respirar. Nestas alturas os olhos fecham e abrem muito rapidamente para apagar estas lembranças como se esse fosse o meio eficaz de eliminar recordações. Mas eu sei que apenas as adia.


Nuno Vieira Matos, Paris, 2006

Nuno Vieira Matos, Paris, 2006

Nuno Vieira Matos, Paris, 2006

quarta-feira, outubro 24, 2007

Galos de Barcelos em Pittsburgh (EUA)



Foto de Mauren Amelia Antkowski.

Festa - Lisboa - IST - Dolce Farinheira!



Foto de Ana Simões

Diz o GTIST:

A festa onde vais querer estar!

Apetece-nos tentar provocar incidentes urbanos coloridos a partir de enchidos cinzentos. Vinde participar no que poderá muito bem ser a criação de um novo conceito de entertainment, sem publicidade, sem moranguinhos, sem vergonha na cara, e, sobretudo, alimentado a:

SOPA, FARINHEIRA, BOLAS DE SABÃO, TEATRALIDADES, O AMOR E BOA MÚSICA
(de J.S. Bach a Arcade Fire, passando por António Variações e Carlos Paião).

SÁBADO, DIA 27 OUTUBRO, das 22H às TANTAS
NO TELHADO DA SALA DO GTIST
ENTRADA LIVRE (SUJEITA A PRESENÇA)
dj's, vj's, bj's e nj's internacionais! Muita e boa música! muita e boa cerveja!

VEM! O GTIST PRECISA DE TI! TU PRECISAS DO GTIST! VEM! TU!

Passem este e-mail para os vossos amigos, amigas e outros conhecidos. Eles nunca vos perdoarão se não o fizerem. Nós também não.

A Meteorologia prevê temperaturas à volta de 14º para essa noite e um céu limpo. O GTIST prevê mais calor e alguma névoa de origem marítima.

terça-feira, outubro 23, 2007

Os 3 pastorinhos (Inspirado em declarações de Manuel da Fonseca)


A foto vem daqui, tirada por Manuel da Fonseca.
Toda a gente que leu nas aulas de Religião e Moral as obras completas da lenda dos 3 pastorinhos de Fátima sabe que o Francisco era o mais reguila. Pois reza a lenda que, Nossa Senhora de Fátima, irritada com as diabrices de Francisco deu um "chuto na mona" do petiz sem bem pensar nas consequências. Tempos idos em que a violência infantil não era crime. Ficam as provas.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Red Devils


Pai, desculpa, perdoa-me por favor, não me deserdes.
Lembra-te que em tempos jogaste numa equipa com o nome de Viseu Benfica.
Isto tudo porque pertenço a uma familia Sportinguista e de momento estou a jogar no torneio de bola da Universidade numa equipa com o nome de Red Devils, claramente inspirado na claque do clube rival. Na equipa nós até somos encorajados a usar vermel..., aham..., desculpem..., encarnado.
Familiares queridos em geral e querido pai em perticular, peço-vos mil perdões pelo acto infiel.
Pensei pelo lado positivo, podia ser pior, vale mais isso que a droga ou o Partido Republicano.

Paradoxo do dia

Pior do que ser Médico é não o ser.

domingo, outubro 21, 2007

Quem és tu romeiro? NINGUÉM !!! (ou um espião comunista)



Ontem saí da toca e fui a um bar Pittsburghiano, mas decente, bem decente, bom som, bandas ao vivo, malta menos decadente do que é costume, fumo ao estilo de Portugal, bem bom para as circunstâncias de Pittsburgh. Fui com malta conhecida e com malta conhecida de malta conhecida que encontrou lá ainda mais malta conhecida. Em termos de noite, Pittsburgh é uma cidade ao estilo do Portugal rural. Muito homem na noite e poucas mulheres: umas quantas doidinhas da terra e umas quantas estrangeiras, nada mais.
A noite toda bebi a bebida social e tentei conhecer pessoas, somente naquela de evitar ficar a olhar para a tv ou para o infinito num local repleto de gente, nada de engates ou esquemas mais avançados. Como os homens estavam numa de caçar Fêmeas e as mulheres estavam debaixo de caça intensiva, senti uma solidão profunda e dolorosa a noite toda. Vagueei pelo bar, mergulhei na multidão, e não me senti menos só do que se estivesse ficado em casa a ver o filme Iraniano que já estou para ver há algum tempo. Na semana passada tinha ido ao mesmo bar somente com um amigo, sem ver gente conhecida e senti-me mais acompanhado. Tentei meter conversa com malta, mas a coisa não pegava, encontrei até alguma hostilidade vinda da malta conhecida da malta conhecida. Eu percebo, eu mesmo se estivesse numa de engate nunca dava conversas a um tipo como eu. Tudo bem.
A melhor tentativa de conversa foi com um primo de NY de uma amiga, a única pessoa que ainda estabeleceu uma conversa comigo de 2 minutos. Apresentei-me, perguntei-lhe de onde ele era e depois disse-lhe que era de Portugal (Viseu). Ele perguntou-me, o que faz um tipo de Portugal em Pittsburgh, ao que eu lhe respondi inicialmente antes de procurar a verdade: a fazer um doutoramento. Ao que ele perguntou, mas porquê Pittsburgh. Bem, podia-lhe ter dito a verdade, vim atrás do amor, mas isso acabou tudo e agora nem sei bem o que ando aqui a fazer para além de trabalhar e limpar a casa. Mas ele estava com ar de poucas conversas e de poucos amigos e, para além disso, a minha intimidade fica para os blogs. Por isso respondi-lhe: porque sou um espião comunista. Acabou a conversa por ali, um pouco como acabam os momentos de humor dos malucos do riso, com umas caras exageradas e uns olhos esbugalhados. Se calhar Em Frei Luís de Sousa, Almeida Garret devia ter optado por uma comédia nonsense e punha um comunista a responder a Telmo.
E assim se passou mais uma noite social em Pittsburgh, a ver se aprendo a nunca mais tentar interagir com os indígenas, principalmente enquanto não fizer uma mudança de sexo. No Halloween vou-me vestir de mulher e vou ver se a simpatia aumenta. Vou levar uma arma na carteira no caso de alguém se entusiasmar e querer sexo. Eu visto-me de mulher no Halloween para meter susto como a Thatcher, a Ferreira Leite ou o J. Edgar Hoover, nunca para paneleirisses. Quem é que pensam que eu sou?
NINGUÉM !!!

Publicidade (alguns dias já passaram, mas ainda se pode disfrutar muito em Almeirim)


Nos dias 19-20, 26-27 de Outubro e 02-03 de Novembro de 2007 realizar-se-á a exposição «OUTRO SOB VÁRIOS ASPECTOS» na TABERNA TOINO DA CUNHA, Rua Condessa da Junqueira, nº 98, em ALMEIRIM.

Intervenientes:

Escultura - Ricardo Manso

Vídeo - João Manso

Design - Tiago Marques

Fotografia - Filipe Bonito

Instalação - João Cavaleiro

Música - Pedro Azinheira

A exposição pretende abordar a temática do "outro" - a influência exterior na criação individual - através de diferentes suportes e perspectivas. Para além disso, haverá também um conjunto de acontecimentos paralelos impulsionados pela mesma temática:

Sexta 19 de Outubro

22:00 Inauguração + Conversa sobre a exposição com convidados


Sábado 20 de Outubro

18:30 Workshop de desenho orientado por Ricardo Manso

22:00 - Concerto com Gume Lume


Sexta 26 de Outubro

22:30 Projecção do documentário "Arritmia" realizado por Tiago Pereira


Sábado 27 de Outubro

17:30 - Projecção de curtas de animação

22:00 - Concerto com Bubble Bath


Sexta 2 de Novembro

22:00 - Concerto com Campino Project


Sábabo 3 de Novembro

18:30 - Workshop de layout orientado por Tiago Marques

22:00 - Performance "Sem nome, alguns acontecimentos não identificados" por elementos do GTIST + Festa de encerramento com selecção musical de Artur Gil

+ info em:

http://www.expovariosaspectos.blogspot.com/

http://www.myspace.com/outrosaspectos

quarta-feira, outubro 17, 2007

sexta-feira, outubro 12, 2007

Fotografia: Him

You don't fit in our lifestyle! We're fast, we're radicals! We know want we want! This is our time and we will swallow you. I'll take a picture of you and I'll email it to the poors. They will love you. I will sell you. They will buy you. I will profit from you. I adore you the same way I despise you. I lend you to the poors. Kiss him and the land of plenty is yours.

Nuno Vieira Matos, Linha de Sintra, 2005

Nuno Vieira Matos, Vigo, 2006
Nuno Vieira Matos, Vila Nova de Cerveira, 2006

terça-feira, outubro 09, 2007

"Algo me diz que..."


No outro dia o meu amigo Pops dizia-me que ele era mesmo bom a programar e a organizar programas, esse é o seu talento natural. Ouvir a expressão "eu sou mesmo bom a..." despoletou automaticamente em mim um exame de consciência sobre as coisas em que eu sou mesmo bom. Esse exame acabou em chumbo vergonhoso com pontos negativos e tudo, parecia-me nada existir no qual eu seja mesmo bom. Hoje lembrei-me que isso não é bem assim. Fui como aqueles alunos que se lembram das respostas a uma pergunta num exame bem depois da hora de entrega, não havendo qualquer efeito na nota final, mesmo sabendo, fica para sempre nos papeis de registo de notas como não sabendo. Para mal dos meus pecados, esse tipo de desenlaces em exames é a história da minha vida. Pois a minha lembrança retardada veio triste como todas as outras até ao momento.
Uma noite estava eu em Drave com uns amigos. O Miguel meditava numa tentativa de concentrar em si as energias da terra para depois as usar no engate a gajas, eu pegava num longo pau durante um curto silêncio que cortava uma conversa sobre Sepúlveda com o João. Levantei o pau e disse "Algo me diz que esta noite ainda é uma criança", espetando vigorosamente de seguida o pau no chão. Aquele chão tremeu assim que sentiu o meu "Algo me diz que" associado ao penetrar do pau. Logo depois de fecundar levemente a terra, começou a ouvir-se um ronco cavernoso e bem fundo a aproximar-se da gente solo acima. O medo pediu-me cobardemente que tocasse naquele chão. O tremor passou e dissipou-se pela superfície daquela aldeia, da minha crusta terrestre. Nós os três abraçámo-nos e a minha noite não teve mais trevas. Até o filho da puta do escuteiro que dormia na sua tenda acordou com aquela luz. Fica-se aqui a saber, fora do exame chumbado, aquilo em que eu sou mesmo bom, nos meus "Algo me diz que...", eles fazem a terra tremer, isso eu faço mesmo bem, embora quero informar antes de mais conversas que nada tive a ver com o Tsunami que vitimou a Índia, o Sri Lanka , a Tailândia e a Indonésia.
Recentemente, uma mulher acabou uma relação amorosa comigo, não foi a primeira e "algo me diz que" não vai ser a última. Com este meu jeitinho em ver castelos de granito onde se encontram castelos de cartas. Quando se acaba uma relação sem iniciativa própria é como chumbar no exame, falhar na entrevista de emprego. Para além de me lembrar das respostas correctas bem depois do chumbo, eu escrevo com uma letra péssima, tanto os exames escritos como as relações e as entrevistas de emprego e mesmo algumas amizades. O examinador não percebe mais de metade do que escrevo ou tem mais que fazer para além de se degladiar com o horror de rabiscos e gatafunhos desenhados no papel. Nem sempre me aceitam na revisão de prova para ler o que escrevi. Os examinadores da minha vida quase sempre regem o seu Código Deontológico inspirados no provérbio de jogo de cartas: carta batida não é recolhida. São os calos da vida...

segunda-feira, outubro 01, 2007

Fotografia: Série à volta da sombra do branco

Vi-te debaixo daquela lona branca que se projectava no solo através da sua sombra. Mirei-te no meio da multidão tentando salvaguardar parte do teu espaço usando o corpo em losângulo e os lábios cerrados. Sem aviso prévio ao homem do tambor deste um passo em frente enquanto deixavas os cotovelos a marcarem o espaço acabo de abandonar. Depois curvaste à direita enquanto reagrupavas os braços na direcção do teu corpo. Quando voltei a cara para acompanhar a tua figura já so te vi o pé esquerdo em jeito desfocado, que a esquina te escondeu. Deixaste-me ali sozinho com a sombra. Cheirou-te a beijo ali perto concerteza, e tu foste como predador do sangue que estava a ser comprimido nos lábios e nos seios. Não te segui que nos sonhos tenho dificuldade em correr mas imagino que ficaste a olhá-los para ver como se faz.

Nuno Vieira Matos, Vila Nova de Cerveira, 2006

Nuno Vieira Matos, Córdoba, 2006

Nuno Vieira Matos, Málaga, 2006

Em cheio no alvo!



Este nosso blog anda atrasado, vem tarde, toda a gente sabe há muito o que aqui comento, mas isto foi do melhor que ouvi/li nos últimos tempos e eu estou com uma vontade visceral de fazer aqui a minha homenagem a João Pacheco. João Pacheco fez no jantar de entrega dos Prémios Gazeta 2006 o que tinha de ser feito, no momento certo, no local certo, perante as pessoas certas. Melhor nunca vi. Estou muito orgulhoso de João Pacheco, mesmo. Como amigo fico muito contente pelo reconhecimento da mestria do seu trabalho, mas como homem de esquerda fico orgulhoso pelo sentido de oportunidade e pela elegância e força do golpe nessa máquina política camuflada de propaganda e boas intenções que hoje destroi aos poucos os direitos fundamentais do Homem em Portugal. Isto sim é acção cívica, sem raivas, radicalismos enervados ou sentido destrutivo. Directo e curto. Obrigado João.
Fica aqui uma lição de João Pacheco de como um homem de esquerda neste mundo moderno pode actuar eficazmente contrariamente a uma linguagem de uma esquerda moderna que muita gente diz representar e que na realidade não toca ninguém nem fala para ninguém.
A reportagem do Jornal 2 com curta entrevista João Pacheco pode ser vista aqui.

Fica aqui o discurso na integral:
Lisboa, Ruínas do Convento do Carmo, 25 de Setembro de 2007


Obrigado.
Obrigado à minha família. Obrigado aos jornalistas Alexandra Lucas Coelho, David Lopes Ramos, Dulce Neto e Rosa Ruela.
Obrigado a quem já conhece “O almoço ilegal está na mesa”, “A caça à pedra maneirinha” e “Guardadores de sementes”.
Parabéns aos repórteres fotográficos Nuno Ferreira Santos e Rui Gaudêncio, co-autores das três reportagens, com quem vou partilhar o prémio monetário.
Parabéns também ao Jacinto Godinho, ao Manuel António Pina e à Mais Alentejo, que me deixam ainda mais orgulhoso por estar aqui hoje.

Como trabalhador precário que sou, deu-me um gozo especial receber o prémio Gazeta Revelação 2006, do Clube dos Jornalistas.
A minha parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social. Parece-me que é um fim nobre.

Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios a alguém, mas vou dedicá-lo.
A todos os jornalistas precários.

Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato.
Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos.
Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada - no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais - o que está em causa é a democracia.
E no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa.


Obrigado,
João Pacheco