domingo, setembro 30, 2007

A minha esquerda

segunda-feira, setembro 10, 2007

Madeleine

Hoje a primeira coisa que me disse um amigo Americano mal me viu foi:
"Então agora os Ingleses vão a Portugal matar os filhos?"
Ao que eu respondi com um tom a dizer "calminha, alguma decência por favor" completamente influenciado pela imprensa imparcial Portuguesa e pela imprensa Inglesa defensora da pureza das acções dos seus compatriotas:
"Calma, isto ainda se encontra tudo em apertada e inconclusiva investigação policial."
Ao que ele me retorquiu: "Eles encontraram DNA da menina retirado de restos de cadáver encontrados no carro, roupas e peluche usados pela mãe. Que queres mais? Uma fuga durante um Domingo, quando as coisas funcionam mais lentamente, depois tudo ter sido descoberto?"
"Pois, não sei..." finalizei com algum embaraço antes de rapidamente começar a falar sobre Mecânica de Sólidos.
Confesso que não acompanho a imprensa que se dedica a este tipo de notícias aqui nos EUA, mas fiquei impressionado. Eu que pensava que em Portugal nós já púnhamos o carro bem à frente dos bois quanto a este caso...

sábado, setembro 08, 2007

Marcelo Rebelo de Sousa a Presidente?

Parece que Marcelo Rebelo de Sousa considera candidatar-se a Presidente depois de Cavaco Silva ser constitucionalmente impossibilitado de continuar o seu reinado de terror.



Fica este videozinho para se perceber que Marcelo tem toda a capacidade de dar continuidade ao trabalho socialmente castrante e conservador que Cavaco Silva agora desempenha. Como se verifica neste vídeo, parece que quando era líder do psd, Marcelo pensava já ser um Cavaco. Temos um caudilho em pessoa, força Portugal.

FCP em Pittsburgh


Foi hoje que pensei estar a experimentar um momento de alucinação espontânea. Espontânea no sentido de ser resultante de altas febres que me têm assomado o corpo e a minha capacidade de pensar ou formular julgamentos em vez de no sentido de ser resultante do consumo de substâncias como aquelas que se costumavam experimentar em tempos idos na já não obrigatória inspecção militar: as substâncias ilícitas.
Vinha febril e cambaleante, de saco nas costas, a subir o corredor (sim subir, um dia explico) do Porter Hall da Carnegie Mellon University em Pittsburgh, quando vejo um rapaz com o equipamento do FCP a sorrir e a caminhar com alguma pressa. Pensei o pior do meu estado de saúde, estava certamente a alucinar. Prontamente, sem pensar, como se num sonho, decidi perguntar-lhe se era Português. Esperava todo o tipo de respostas, esperava muito mais na verdade. Por exemplo, esperava que ele me fizesse um gesto para olhar para o que se passava atrás de mim e lá se encontrassem, em pleno momento de sexo louco, Pinto da Costa a recitar poesia em Sueco e, ao mesmo tempo, a penetrar por trás uma chinesa loira a gritar " o meu pai é o Pinto da Costa, a minha mãe o Vítor Baía". Mas não, a resposta em Inglês foi "não, eu somente acho que o Oporto é o maior". Eu retorqui a sorrir, completamente inspirado pelo rumo inesperado do evento "não, o maior é o Sporting". "Que é isso, uma equipe de Inglaterra?" perguntou o rapaz com curiosidade sincera. Eu respondi com o ar convicto de quem percebe muito de bola "não, é uma equipe do País de Gales", ao que ele finalizou a conversa antes de voltar aos seus afazeres com um conclusivo e banal "ok".
Voltei para a minha bicicleta para ir para casa. Dormi a tarde toda para ajudar a curar a bronquite que me chateia a vida há mais de 3 semanas. Sonhei certamente, não me lembro, não importa...
Aos meus grandes amigos de Viseu e do FCP as minhas saudades e o reconhecimento de que o "Oporto is the best", mesmo sendo eu um sportinguista dos antigos.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Fotografia: Série nocturna

Encontrei-a nos meus sonhos de acordado. Cirandava pelas pedras da calçada evitando as surpresas dos desníveis entre paralelipípedos e ampliava eu os seus movimentos até me sair dos lábios o saltitar. Mas ela não saltitava, apenas caminhava mais célere e tentando não prolongar o toque no chão de pedra. A certa altura, quando os olhos já ardiam, eu reparei que ela judiava com as sombras, caminhando na orla esforçada de uma lâmpada amarela que pendia do alto de uma coluna fria e cinzenta. Juro que lhe ouvia o riso abafado enquanto ameaçava um passo mais ousado mas que se quedava na luz. Fui seguindo-a e o sonho foi perdendo vontade de ser, como cansaço. Abracei-a para tornar-me bela a sua confusão e segui em frente, talvez para ser sonhado.


Nuno Vieira Matos, Ourém, 2005


Nuno Vieira Matos, Ourém, 2005


Nuno Vieira Matos, Ourém, 2005


Nuno Vieira Matos, Ourém, 2005

quarta-feira, setembro 05, 2007

Polícia para quem precisa...

Um dia tinha de acontecer.

Sim, foi hoje. Foi hoje. Depois de dias horrorizado a olhar para as pantufas a destoar do pijama usado por alguns clientes de supermercados americanos, colegas de aula, passeadores de cães e afins, foi a minha vez. Acabei mesmo agora de sair à rua de pijama e chinelos para depositar uma carta no marco do correio, aquele de m pequeno, como aqueles muitos outros R2D2 pintados de azul que povoam os EUA a fazerem concorrência aos ilegais, aos imigrantes, aos não-residentes, aos afro-americanos, aos BBQs com homens brancos musculados com a namorada/sexo vazia debaixo do braço em jardins de flores e arbustos bucólicos. Aconteceu. Sem me dar bem conta do sucedido, aconteceu, reparei no exacto momento em que despejava a carta no marco. Sei que agora irei iniciar uma longa viagem de morte cerebral lenta.

Guy Burgess: White picket fences! God bless America! White picket fences and apple pie! Shirley Temple! The Ku Klux Klan! Hiroshima! Nagasaki! The CIA! White socks, Bobby socks! Rednecks! God bless America! String up those niggers! Fry them communists! God bless America, land of the free!


Quando comer com as mãos eu comunico. Quando mudar para East Liberty deixo de dar notícias, irei vender filmes porno pirata e pedir que me paguem um burger.
Fica o que estou a sentir.

Merda para esta desigualdade social, merda para estes putos ricos de Porsche e para estes rapers do bairro. Merda para estas fronteiras, merda para estes muros, merda para esta Guerra, merda para estes traumas, merda para este medo, merda para estas armas, merda para esta venda de tudo, merda para este vampirismo de fofocas e boatos...
Quero respirar.
Agito os braços freneticamente no ar, no vazio, sentado na mesa da cozinha, ao lado da janela fechada e com o estore corrido, sinto-me peixe que o deixou de ser, peixe transformado em homem nas profundezas do Oceano, longe demais da superfície para lá chegar a nado, pelo menos com o pouco ar que resta nestes pulmões debilitados, cortados, perfurados por arames de aço inoxidável, a libertarem um muco amarelo acastanhado.
Perguntei-me sobre o que fazer com o meu tempo livre. Um amigo disse-me (escreveu): escreve.

segunda-feira, setembro 03, 2007

domingo, setembro 02, 2007

Fotografia: Série sobre espaços onde não estou

Existem espaços que foram concebidos para serem preenchidos de tal forma que se transfiguram quando vazios. Acontece-me pois frequentemente ficar fascinado por essa transfiguração como que sobre aqueles lugares pairasse uma idealidade perdida, nostálgica. Não me atrevo a corromper um lugar assim (quem diz lugar facilmente derrapa para momento, sensação ou impressão). Fico-me pela exposição da película para levar um bocadinho de fascínio comigo. Torna-se normal sentir, de vez em quando, uma vontade de revisitar estes locais e assim tenho o conforto de os saber não sujeitos à decomposição.

Nuno Vieira Matos, Paris, 2006


Nuno Vieira Matos, Paris, 2006

Nuno Vieira Matos, Paris, 2006