sábado, agosto 04, 2007

De Chicago a Urbana-Champaign são 3 horas de campos de milho



Passei toda esta última semana numa workshop de Verão na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, duas cidades pequenas unidas por um campus de uma Universidade Estadual. Viajei de avião até Chicago e depois de Shuttle (carrinha para 9 passageiros) até Urbana-Champaign. De Chicago nada vi, somente uns arranha-céus ao longe a encararem de frente um lago a espelhar o azul e as nuvens cheio de barquinhos e velas. Três horas de viajem separam o Aeroporto de Chicago (O'Hare) da Universidade de Illinois e são três horas de campos de milho a ladearem a estrada de ambos os lados, um mar de campos de milho cortado por uma estrada e aqui e ali penetrado por ilhas de gigantescos silos, equipamentos de processamento de espigas de milho como debulhadoras e afins e garagens de tractores cercadas por fracas habitações construídas com materiais pré-fabricados a exibirem antenas parabólicas. De vez em quando a viatura que me transporta é ultrapassada por bandos de gordos road-runners a conduzirem Harley Davidsons ultra equipadas com múltiplos adornos. Esta é a terra do Presidente Lincoln. Vejo a América dos brancos pobres, vejo os ambientes rurais dos filmes de Domingo à tarde, mas sem me despertarem qualquer admiração. Contrariamente, todos sinais de presença humana me parecem prisões, focos de castigo e isolamente cercados por um denso mar de campos de milho. Uma hora de viajem neste mar e o podcast da entrevista ao Ministro Augusto Santos Silva por Maria Flôr Pedroso acabam por me embalar.

Acordo em Urbana-Champaign, saio do shuttle e fico alojado num quarto de uma Residência Universitária. Depois de largar as malas, passear pelo Campus, comer, correr, telefonar aos meus pais e passear mais um pouco reparei que já cumprimentava pessoas que no mesmo dia tinha visto mais de uma vez em diferentes locais, reparei que pela primeira vez valorizava Pittsburgh, uma cidade que é mais do que as suas Universidades. Agora, mais do que nunca estou bem satisfeito em estudar em Pittsburgh. Nunca pensei alguma vez me sentir assim. Lembro-me adicionalmente porque nunca me interessou ir estudar para Cidades/Universidades como Coimbra, locais onde uma homogeneidade de estilos e de modos de vida cansa qualquer ser humano passada uma semana de se lá estar. O Campus de Urbana-Champaign é muito bonito, tem muitos jardins, a arquitectura dos edifícios faz lembrar os filmes que retratam ambientes de Universidades Americanas, mas aquilo não é para mim. Os pubs e cafés passam muito bom som, mas mesmo assim não, sinto-me com muita sorte em estar em Pittsburgh.

A workshop foi interessante, aprendi muito, conheci muita gente, na maioria pessoas a trabalharem no mesmo que eu, dei o meu contacto aos quatro ventos, mas somente pedi dois contactos. Um foi de um professor Europeu muito interessante com o qual debati investigação, cinema, viajens e cultura e partilhei duas garrafas de vinho num jantar com bebedores de coca-cola e ginger ale. O outro foi da mulher mais bonita que alguma vez vi.

Volto para Pittsburgh, volto para o trabalho, para esta aventura de perceber e estudar a Natureza. Sinto-me motivado, aqui vou eu.

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