terça-feira, junho 26, 2007

Porto



Acabei de ver o Prós e Contras sobre o Porto com aquele malta toda que olha para Portugal como um país a duas cidades. É impressionante como gente de topo nos tecidos empresariais e no firmamento político do Norte se comportou como carroceiros zangados com argumentos de criancinhas contra Lisboa ignorando o resto do país. Foi bonito ver o Eng. Belmiro de Azevedo a dizer que o Alqueva é em Lisboa e benificia Lisboa e o Dr. Ludgero Marques a queixar-se de Lisboa ser tão longe e de as acessibilidades Porto-Lisboa serem tão caras. Como é possível esta malta ser a nata do Porto? Acho que fica clara a razão pela qual o Investimento estrangeiro tem mais sucesso do que o nacional. Fico a perceber perfeitamente a crise que se vive no Norte quando vejo autênticas carcaças acéfalas a serem consideradas a nata do tecido empresarial do norte e a serem levadas a sério.
Quanto ao Dr. Rui Rio e afins, fiquei pasmado, mas não vou tecer comentários pois seria um desperdício de tempo dedicar palavras a canastrões.

terça-feira, junho 19, 2007

Bolhinhas



Quando umas saloias do comando da terceira idade do PSD de Abrantes se manifestam a chamar de urso, mal cheiroso e fdp na frente do Primeiro Ministro, o mesmo vai acalmar o alarido e acaba tudo em canções.
Quando jovens de esquerda se manifestam contra uma ideologia apologista da morte, seres humanos armados de escudos, gás e cassetetes com implantes cerebrais de pitbulls são lançados aos manifestantes.

terça-feira, junho 12, 2007

American steel (smile)

Hunt Valley, MD, EUA, 2007

A América que conheço é desenhada a linhas direitas limpas a pano e álcool e contornada a ângulos rectos podendo criar alguma sujidade onde afunila a descoberta. Todos os dias uma senhora enorme, de fato treino e ténis Nike, sai à rua com um espanador também ele enorme e limpa a minha vista. Educadamente pede aos senhores automobolistas para lavarem a chapa do seu veículo até reluzir e zanga-se a rir se algum, mais incauto faz uma travagem mais forçada. O alcatrão terá de estar impecável, apenas listado de branco menos para a comodidade de quem conduz que para criar linhas condutoras de quem olha. As árvores também são persuadidas a manterem as suas indisciplinadas folhas em ordem; a autoridade alinha os caules e as abas verdes mais não têm que se imobilizar. Comigo quieto com medo de quebrar uma instrução que ninguém me indicara, a grande senhora olha para mim e faz um sorriso puxado pelo arquear dos sobrolhos. Lá estava eu, sujinho e de linhas curvas, sem a gravidade necessária para me encurralar nos ângulos e ainda atanrantado pelo tamanho das bestas motorizadas que, delicadamente, rolavam pelo asfalto.

Hunt Valley, MD, EUA, 2007

Para melhor me encarar, a grande senhora veste um conjunto verde musgo, ligeiramente penugento como um pêssego envergonhado. Rodeia-lhe o pescoço uma corrente de ouro com apontamentos de pérola e as mãos são seguras por anéis mais grossos que o tubo de escape da pick-up que por alí cirandeava. As cortinas dos seus lábios são então apanhadas por um cordel atrás de cada orelha e eis que surge em completo esplendor o complexo dentário, alinhado e branco, cheio de rectas, enchente da boca sem uma gota de saliva. A saliva fazia ricochete na parte de trás dos dentes provocando frequentes engasgos apenas denunciados pelos movimentos trementes e irregulares do grosso pescoço. Peguei na minha Pentax, fiz uma leitura com o fotómetro e regulei a velocidade de abertura dois stops abaixo para queimar a película. Sabia de antemão que aquele branco não era reprodutível num simples sistema mecânico, que necessitaria de desenvoltura tecnológica, algo grande, feito de ferro com chips de fabrico chinês que comunicassem entre si a melhor maneira de simular a brancura daqueles dentes. Mas eu gosto deste branco sujo. Claro que a grande senhora não apreciou a texturização da simplicidade e chamou a pick-up que farejava de forma desconfiada uns híbridos que ali perto se aqueciam ao sol. Tomando-me como agressor a pick-up de frente cromada reluzente tenta uma investida que apenas é travada pela ordem dada em falsete pela grande senhora. Ensaio a fuga pela linha que estava mais perto e deixo-me escorregar até ao ângulo recto que se encontrava dois quarteirões mais à frente.
Hunt Valley, MD, EUA, 2007

Refugio-me no mall, debaixo de um papel de chocolate deixado por alguém e espero. Sei que tenho de fugir mas enfrentando ainda brancos assépticos e músculos tensos. Coloco aquele papel de chocolate no bolso no caso de ter me esconder de novo.

segunda-feira, junho 11, 2007

Paris, je t'aime


Acabei de ver este filme e lembrei-me das saudades que eu tenho de Paris, o quanto amo Paris, o quanto me fazem falta as ruas que me engolem a solidão e me acompanham e acariciam como se de uma só mulher se tratassem. Aquela mulher que nunca encontramos, a não ser nos sonhos antes de acordar bem tarde na manhã. Aquela mulher que me completa quando me abraça. Aquele sonho onde me pergunto porque raio não faço amor o mais rapidamente possível com esta mulher.
Mais do que Lisboa, mais do que Viseu, mais do que qualquer outro local no mundo, sinto falta de Paris. Cheguei lá a primeira vez pela Gare de Austerlitz, feito emigrante dos anos 50, reparo agora que nunca mais de lá saí...

domingo, junho 10, 2007

Para dizer Sporting



Foto de Leonardo Reyes-Gonzalez numa festa de despedida de um amigo que vai para o Iraque combater. Espero que tudo corra o menos mal possível porque numa Guerra nada corre bem.

quinta-feira, junho 07, 2007

Fast Food Nation




Este filme passou-me completamente despercebido e ainda bem que tropecei nele e o vi. Um retrato rigoroso e conciso sobre os problemas com que a Esquerda se deve preocupar nos dias de hoje. Quem pensa que longe ficam os tempos em que os trabalhadores viviam em plena precariedade encontra-se enganado.
Que queremos do nosso futuro, da nossa qualidade de vida?
Hoje o Homem encontra-se suprimido e enclausurado numa máquina incontrolável de produção em série que age com o pretexto de sustentar o crescimento económico e a capacidade lucrativa das empresas.
O que me impressionou mais neste filme foi o facto de o "espaço cénico" se passar no Estado de Oregon e eu identificar plena similitude entre grande parte dos locais representados no filme e os que vivo aqui na Pennsylvania. No outro dia conheci um senhor que veio para Pittsburgh nos anos 60 e contou-me como a cidade e as outras nos EUA em geral perdem significativamente as suas características típicas e cada vez mais uma homogeneidade de estilos, hábitos e culturas assombra todos os EUA.
Acho que nos Estados onde os movimentos Sindicais se encontram menos desenvolvidos, as situações de precariedade laboral expostas no filme são muito mais chocantes.
Aqui na Pennsylvania, os movimentos Sindicais ainda participam activamente com algum sucesso na defesa de certos direitos, cada vez menos, mas ainda participam.
O desafio da Esquerda de hoje é encontrar e definir consensualmente as novas frentes de luta por uma vida melhor para tod@s, independentemente da classe social, racial, cultural ou étnica a que pertencem.

quarta-feira, junho 06, 2007

Dar a César o que é de César, dar a Deus o que é de Deus


Acabei de ver o debate entre Republicanos que querem ser candidatos a Presidente dos EUA. Entre muitas coisas, muito mais mediáticos e demagógicos que os Democratas, mas acima de tudo, muito se falou em Deus. Deus para aqui, Deus para ali, muito Deus...

terça-feira, junho 05, 2007

segunda-feira, junho 04, 2007

Sistema de Saúde Universal

Ontem, em vez de ficar especado no MTV Movie Awards e nos problemas da coitadinha da Paris Hilton, vi o debate na CNN dos candidatos Democratas com desejo a se candidatarem à Presidência dos EUA.
Fiquei muito contente em saber que no Partido Democrata existe um consenso em implementar um Sistema de Saúde Universal e em reconhecer as suas vantagens, desvantagens e desafios.
Quando se tem uma Saúde somente para alguns, os mais ricos, compreende-se que a qualidade do serviço prestado seja de alta qualidade. Amig@s meus/minhas tiveram acesso a tecnologias que eu nunca vi em Portugal, por exemplo. Adicionalmente, o carácter empresarial da Saúde Americana resulta na vantagem de acabar por legalmente obrigar os Hospitais a praticarem o máximo de rigor associado à tecnologia mais avançada no momento de modo a evitarem qualquer negligência médica que resulte em processos judiciais com possível lesão nas suas finanças.
O carácter empresarial da Saúde Americana peca nas suas motivações e objectivo final: o Lucro. Para se obter lucro não se praticam certos tratamentos ou muitas práticas de obtenção de diagnóstico. Parece que o objectivo não é tratar doentes. Para se ter assesso a uma Saúde de qualidade e atenciosa, é preciso ter-se um seguro bem caro. Isto resulta em enormes situações de injustiça entre os mais ricos e os mais pobres, principalmente no que toca aos níveis de acessibilidade aos cuidados médicos. Eu tenho seguro, mas mais de uma vez ouvi numa consulta: "isto o seu seguro não cobre, logo ficamos por aqui". Nada de grave no meu caso, eram preciosismos, mas eu sou saudável. Parece-me que não se pratica muito a medicina preventiva, o que pode resultar em surpresas muito desagradáveis e, na minha opinião, em maiores custos para os Hospitais.
O desafio em se implementar um Sistema de Saúde Universal nos EUA é lidar com a resistência que se espera por parte da oligarquia bem instalada e politicamente influente das empresas Seguradoras e Farmacêuticas.
Fica-se à espera de mais propostas. Como serão as estratégias no concreto? Como se irão efectuar as negociações com a inércia capitalista? E com o bolso dos Cidadãos? Por exemplo, será necessário o aumento da carga fiscal, ou basta uma inteligente engenharia financeira?
Fico a esperar, mais ou menos atento.

Água na Boca

CONFRARIA GASTRONÓMICA DO CABRITO E DA SERRA DO CARAMULO

A Confraria Gastronómica do Cabrito e da Serra do Caramulo é talvez uma das mais recentes Confrarias do nosso país. Teve o seu início num grupo de amigos, ligados à Serra do Caramulo e apreciadores do cabrito criado nos seus pastos e confeccionados nos fogões ou fornos a lenha na louça do barro preto de Molelos. A partir de aqui oficializou-se com a institucionalização da Confraria, tendo lugar a entronização e 1º Capitulo em 9 de Dezembro de 2006 assim os seus 17 confrades fundadores, juraram defender, prestigiar, valorizar e divulgar o cabrito e a serra do caramulo, e também a conservação do património gastronómico da serra do Caramulo assim como divulgar o nome da serra do Caramulo e do cabrito.
Propõe-se, esta confraria a ter como linhas principais de acção: A divulgação e conservação do património gastronómico da Serra do Caramulo, em especial do cabrito, atribuindo prémios, realizando conferências, colóquios, promovendo reuniões, festas, convívios e concursos; A promoção de acções concretas no sentido do desenvolvimento e difusão do nome da Serra do Caramulo nos aspectos gastronómicos, turísticos, culturais e sociais; o fomento e desenvolvimento entre os membros da Confraria e os que com eles colaborem de sentimentos de amizade, solidariedade, honestidade, fraternidade e progresso: A cooperação com outras confrarias ou Associações congéneres ou de índole cultural e entidades oficiais ou privadas no sentido da prossecução dos objectivos da Confraria.

1ª Semana Gastronómica do Cabrito e da Serra do Caramulo.

Realizar-se-á de 6 a 10 de Junho de 2007, onde participarão 11 restaurantes espalhados pela serra, que servirão cabrito criados nos pastos do Caramulo e confeccionados, segundo as receitas tradicionais. Espera-se um grande fluxo de turistas que nos restaurantes devidamente assinalados poderão deliciar-se com o maravilhoso cabrito do Caramulo. Paralelamente, durante estes dias, haverá um programa que será amplamente divulgado, onde poderemos encontrar a Feira do Mel e Feira de Artesanato, Espectáculo de Cavaquinhos, Passeios pedestres e outros.