quarta-feira, maio 30, 2007

Insultos ao Primeiro Ministro

A guerra está instalada. Este caso lembra-me muita coisa. Antes do 25 de Abril, Portugal já era dividido territorialmente por oligarquias e grupos de influência ligados ao conservadorismo brejeiro e canastrão, sempre bem mascarado pelas missas de Domingo e bençãos do Padre Cura. Depois do 25 de Abril, a corrida por parte do PSD, PS e CDS a esses grupos com capacidade de mobilizar eleitorado foi essencial para se formarem e se estabelecerem como grandes partidos. Essa conquista não foi estática, mas o seu dinamismo foi somente nas aparências. Vou dar o exemplo de Viseu, durante muito tempo um bastião do CDS, mas que de um momento para o outro se tornou num bastião do PSD. Muitos Presidentes de Junta, Vereadores e Militantes sob a insígnia do CDS mudaram para o PSD, mantendo as funções que desempenhavam nos respectivos orgãos de poder. As pessoas eram as mesmas, tudo o mesmo, mudaram o logotipo e cores do partido dominante, nada mais.
Quando Cavaco Silva governou durante 10 anos foi a picada final na Partidarização da Função Pública. Houve tempo, ausência de oposição política e de oposição da Comunicação Social. Lembro-me das emissões da RTP a mostrarem os passeios de Cavaco Silva pelo jardim do Palácio de São Bento com a actual Primeira Dama, as imagens do Governante trabalhador a iniciar a sua actividade cedo pela manhã, nada mais, nada de críticas. Nesses 10 anos, Cavaco Silva conseguiu criar exércitos laranjas por esses gabinetes e repartições públicas a fora.
Não sei o que se passou na DREN, mas conheço o Portugal onde vivi. Na minha opinião, tenham ou não havido declarações insultuosas ao Primeiro Ministro, públicas ou privadas, isto nunca deveria ter acontecido, nunca se deveria ter punido assim ou de qualquer forma institucional esse soldado do PSD. O peixe morre pela boca. Pessoa que exerce cargos no Sistema de Ensino em Portugal com o comportamento de Fernando Charrua nunca será um bom profissional educativo. Fernando Charrua não só é um mal educado, mas também não respeita a autoridade resultante da democracia. Uma pessoa assim, com estes costumes, nunca vai conseguir ter o respeito dos colegas, nada percebe de Educação, pois sem sentido de respeito não consegue educar nem exercer actividades capazes no planeamento dessa actividade. A punição destes comportamentos é a sua incompetência profissional e não deveria ser o despedimento ou suspensão de mandato.
Os governos do PS e do PSD colocaram pessoas a exercer funções públicas de acordo com a cor partidária e agora devem perceber as consequências dessa prática no país de hoje. Acho que o PS deve dar uma lição ao PSD e iniciar um caminho diferente na nomeação e contratação dos trabalhadores do Estado. Adicionalmente, Fernando Charrua deve ser readmitido no seu palco de escárnio e maldizer político-partidário. Um governo tem que carregar nas suas costas algumas das más políticas dos governos anteriores para perceber quais os erros a não cometer. Portugal tem que acabar com o populismo e favorecimentos com fins eleitoralistas. Portugal deve-se preocupar com o que quer ser no futuro, com os seus valores.
Eu consigo imaginar que Fernando Charrua possa ser na DREN aquilo que ele chama ao Primeiro Ministro, consigo imaginar um barrigudo tachista decadente de fato e gravata a dizer caralhadas atrás de caralhadas com tom jucoso e de piada cebenta. Consigo imaginar o resto do Comando do PSD da DREN a rir-se e a enaltecer o seu ego de palhaço. Consigo imaginar o outro lado da barricada, todo irritado com a impossibilidade de ripostar, consigo imaginar a origem do excesso de importância dada ao caso pelas chefias, consigo imaginar o péssimo ambiente de trabalho, mas reprovo o desenlace ocorrido. Frontalidade e honestidade teriam tido melhores resultados, por muito que custasse.
Acabo com uma lembrança de Viseu, anos 90, Governo de Cavaco Silva, Fernando Ruas bem instalado na CMV. Mulher X, militante do PSD a ocupar tacho é denunciada às autoridades competentes por um colega independente por exercer uma actividade de corrupção. O desenlace foi a despromoção do independente e o abafamento do caso por todos, incluindo a imprensa, já na altura dominada pelo PSD. Nada aconteceu à militante Social Democrata. Moral da história? Nunca te metas com o PSD em Viseu, seja numa esplanada ou no WC, cala e come.
Espero que o PS não se comporte desta forma, pelo menos a Comunicação Social não o está a deixar, ao contrário do seu comportamento conivente nos tempos do Governo do actual Presidente da República Portuguesa, hoje defensor da seriedade e honestidade.

2 comentários:

Francisco Ferreira disse...

O problema desta gentinha é que não tem trabalho para fazer, e para mostar algum serviço fazem de tudo para dar nas vistas. Em vez de andarem a transformar os miúdos em atrasados mentais iletrados podiam trabalhar pelo bem comum do país e dar alguma educação às crianças.
O exemplo que esta gente passa é de sabujice e falta de trabalho. Já viste as novas regras para os exames de Português do 9ºano? Se não fosse tão triste acho que dava vontade de rir...

José Carrancudo disse...

A maior parte dos problemas que temos no ensino provém da incompetência profissional dos sucessivos titulares da pasta. Infelizmente, esta Ministra sabe tão pouco da Educação como os seus antecessores, e só se preocupa em poupar dinheiro.

O País está em crise educativa generalizada, resultado das políticas governamentais dos últimos 20 anos, que empreenderam experiências pedagógicas malparadas na nossa Escola. Com efeito, 80% dos nossos alunos abandonam a Escola ou recebem notas negativas nos Exames Nacionais de Português e Matemática. Disto, os culpados são os educadores oficiosos que promoveram políticas educativas desastrosas, e não os alunos e professores. Os problemas da Educação não se prendem com os conteúdos programáticos ou com o desempenho dos professores, mas sim com as bases metódicas cientificamente inválidas.

Ora, devemos olhar para o nosso Ensino na sua íntegra, e não apenas para assuntos pontuais, para podermos perceber o que se passa. Os problemas começam logo no ensino primário, e é por ai que devemos começar a reconstruir a nossa Escola. Recomendamos vivamente a nossa análise, que identifica as principais razões da crise educativa e indica o caminho de saída. Em poucas palavras, é necessário fazer duas coisas: repor o método fonético no ensino de leitura e repor os exercícios de desenvolvimento da memória nos currículos de todas as disciplinas escolares. Resolvidos os problemas metódicos, muitos dos outros, com o tempo, desaparecerão. No seu estado corrente, o Ensino apenas reproduz a Ignorância, numa escala alargada.

Devemos todos exigir uma acção urgente e empenhada do Governo, para salvar o pouco que ainda pode ser salvo.

Sr.(a) Leitor(a), p.f. mande uma cópia ao M.E.