sexta-feira, abril 27, 2007

Vertigem dos olhos

A provocação cheirou-lhe a algo que não conhecia, não tinha previsto este acontecimento e agora estava desesperado por uma ideia. Sabia, também, que este pânico só iria piorar o estado de ansiedade em que se encontrava. Mas mesmo assim esperou. Quieto. Esperou, quieto. Ali, junto ao portão. Ali pá! Junto ao portão verde! As mãos procuram alguma coisa nos bolsos, com fúria, quase rebentam as costuras que criam uma bolsa onde podemos fechar o punho. O pé esquerdo não pára, o pé esquerdo bate no chão como se estivesse a dar uma música que puxasse o ritmo. Os olhos estão acossados por uma vertigem... nota-se pelo movimento rápido da pupila, frenético. De vez em quando tosse e puxa vigorosamente ar pelo nariz com um trejeito de lábio. Há ali um misto de nervosismo e de personagem, qualquer coisa entre o descontrolo e o dever ser. Não passa ninguém nesta rua, nem carros ou motas. Coça o nariz e olha para o céu aproveitando para se esperguiçar. Ele sabe que nesta altura estará vulnerável, com os músculos relaxados e aquela sensação de inundação no cérebro que o leva a fechar os olhos para não transbordar. Acabando isto fico teso novamente e os olhos voltam à vertigem.
Eu não pude dizer-lhe que estava a olhá-lo. Ainda pensei em lho dizer mais tarde mas fui adiando, cada vez mais e, sem me aperceber, punha mais peso naquela decisão. Eventualmente o peso fez-me ancorar no silêncio e nunca lhe disse "vi-te no outro dia naquela rua" e ele nunca me explicou a vertigem dos olhos.

quinta-feira, abril 26, 2007

Recebi este texto de uma mailing list a que pertenço, nada li nos jornais sobre isto...

Relato que recebi, de uma amiga minha, sobre o desenlace repressivo da manif antifascista de ontem:
Ontem a polícia de intervenção espancou muitos jovens que se manifestavam contra o fascismo.
Ontem vi uma amiga a ser espancada à minha frente e não pude fazer nada.
Ontem, dia da liberdade, fomos agredidos e ameaçados porque lutamos contra as manifestações nazis e fascistas, contra o museu do salazar e porque queremos igualdade para tod@s.

Só consegui tirar duas fotos... depois fui ameaçada de porrada e de ficarem com a minha máquina fotográfica. Refugiei-me numa loja indiana (a que vende lenços no final da rua do Carmo com o rossio) e um polícia ficou a vigiar-me para não tirar fotos enquanto via um fotógrafo a ser espancado e a ser roubado o seu equipamento fotográfico por ter tirado fotos aos jovens a serem espancados.

Depois de um anormal ter lançado o tal verylight a polícia bateu em tod@s que encontrou pelo caminho...sem justificação com uma violência brutal. A manif era de pessoas que estão contra o capitalismo e o fascismo...pessoas pacíficas que lutam pela igualdade e que levaram porrada sem nada terem feito...

Tenho amigos que tiraram fotografias, filmaram, que foram espancados e dois colegas da faculdade que foram detidos e que tiveram de receber tratamento hospitalar devido à porrada que levaram da polícia.

Ontem no dia da liberdade o chiado encheu-se de sangue e não houve um único jornalista que tivesse tido a coragem para denunciar esta violência.

Ontem ficou comprovado que a liberdade de expressão é só para alguns...para aqueles que têm dinheiro para outdoors e museus...

Uma profunda tristeza.........

Gipsy Punks!

São absolutamente lindos, magníficos exemplares de alegria cinética, ciganos em Nova Iorque (assumidamente não "de"), intrusos, sempre intrusos. Um bigode em sintonia transversal com um corpo delgado num sorriso de criança, obscenidades lançadas ao ar, enviadas por viva voz do alto de quem vê tudo. Surrealistas, kafkianos, anarco-punks, esquerdalhos, deliciosamente amarelos, infantis, adultos, velhos mesmo, livres, muito livres, outsiders, taxi drivers, losers, ciganos, judeus...

Emir Kusturika com arranjos de punk e letras saídas do automatismo da alegria exagerada e bestial clareza poderiam caracterizar os Gogol (porque gostam) Bordello. O álbum, Underground World Strike, o único que ouvi da banda, ouve-se várias vezes sem exaustão. Grita-se...

This is my life and freedom is my profession
This is my mission throughout all flight duration
There is a core and it's hardcore
All is hardcore when made with love
Love is a voice of savage soul
This savage love is
Undesctructable

A Construção de Medos Ontem na Sessão Solene na Assembleia da República



Eu já não tenho pachorra para os discursos paternalistas de Cavaco Silva. Acho que o 25 de Abril veio para os Portugueses aprenderem a pensar sem gurus facho-espirituais, principalmente quando o governo de Cavaco Silva (o guru) foi dos mais corrutpos que eu vivi. Mas sobre isso falarei mais tarde, não é por isso que aqui mostro a foto de um monstro, eu somente acho Cavaco Silva uma fraude politicamente correcta, nada de muito grave.
Esta foto é dedicada ao senhor deputado Paulo Rangel que discursou pelo PSD ontem na Sessão Solene do 25 de Abril na Assembleia da República e disse as seguintes palavras:
“nunca, como hoje, se sentiu este ambiente de condicionamento da liberdade”.

Ontem, ao final do dia da Liberdade vi o seguinte documentário.
Aconselho o senhor Deputado Paulo Rangel a ver este documentário para ver com quem ele se parecia durante alguns momentos do seu discurso de ontem ao tentar criar a noção de insegurança, a ilusão da opressão.
Senhor Deputado Paulo Rangel, muitas vezes quem mais vive obcecado em fanatizar as pessoas com a ideia da vinda da opressão é quem acaba mais por oprimir.

Obviamente que isto são manobras populistas de diversão de quem em nada discorda das políticas do Governo e quer ganhar as eleições para fazer do mesmo e ainda pior. Questões relevantes e reais foram levantadas pelos outros partidos representados na Assembleia da República, até mesmo pelo CDS-PP ao criticar a vontade dos grandes partidos em mudar a lei eleitoral, que resultaria numa bipolarização partidária da Assembleia e num Governo em eterna rotatividade entre o PS e o PSD.

quarta-feira, abril 25, 2007

A Liberdade está a passar por aqui!


A pedido do nosso Presidente



Hoje, o nosso Muy Estimado Presidente Prof. Dr. Cavaco Silva despiu a sua roupagem de ideologicamente neutro para vir dar um toque sublime no status do desfile do 25 de Abril. De facto, o nosso Presidente acha por bem que se deve inovar ao modo como, todos os anos, é comemorada a Revolução dos Cravos. Como que adivinhando (ou não) a opinião do nosso Presidente, dois alcólitos foram céleres em "inovar". Assim, na mesma altura do desfile, pudemos todos vibrar com a inauguração do Grandioso Túnel do Marquês, perto de 2 km nas entranhas de um dos sete seios desta Lisboa. Tivemos fado, tivemos precurso pedonal e, no bom espírito português, as prontas queixas da vox populi que lá atravessava os quase 2 km do túnel. Ademais, é sempre agradável ver como o protocolo incluía uma fuga do Muy Elevado Presidente da Câmara Municipal de Lisboa das perguntas (sempre demasiadas perguntas) dos irritantes (sempre demasiado irritantes) jornalistas sobre o facto de ter sido constituído arguido no caso Bragaparques.


O segundo alcólito, o nosso Excelentíssimo Primeiro-Ministro José Sócrates, também alterou o protocolo de modo a corresponder ao pedido do Presidente da República Portuguesa. Pois então, na recepção do Primeiro-Ministro no Palácio de S. Bento, após sessão comemorativa na Assembleia da República, pode-se a ouvir a Orquestra Ligeira do Exército (OLE!) a tocar... Queen, com o tema... We are the champions. Qual Zeca Afonso ou José Mário Branco? Qual Grândola ou Pedra Filosofal?... Não, nada disso: Freddy Mercury a dar o mote. Pudemos então assistir à chegada triunfal do nosso Primeiro-Ministro como que vindo de uma batalha, cabelos desalinhados pelo fervor guerreiro, poeirento pelo ardor do combate. Por um momento, José Sócrates foi um Capitão de Abril mas internacionalizado, como se quer a economia.


Quanto ao Presidente Cavaco Silva, esse fica feliz por mais um disparate lançado. Isto porque quem não percebe o que se vive naquele repetido desfile do 25 de Abril não percebeu a mudança, não pesou as consequências para quem viveu a prisão do Estado Novo.


Mais um pequeno apontamento: cravos cravaram nas redes que cercam a antiga sede da PIDE, protesto para que a memória não se apague, muito menos por um condomínio de luxo, se bem que o nosso Presidente iria gostar da inovação.


P.S.: Gritei e cantei uma grândola pelo Alexandre! 25 de Abril sempre!

A todos um Bom 25 de Abril!!



A esta hora já é 25 de Abril em Portugal. Há 33 anos já as tropas se reuniam, já estava tudo planeado. Que inveja tenho dos que durante esta noite foram a Almada ou dos que foram ao Bairro Alto, ou ao Alto de Santa Catarina, ou mesmo ao Chapitô para ver o fogo de artifício no outro lado do Tejo. Lembro-me agora de noites de véspera de 25 de Abril muito bem passadas. A chover ou não. Saudade. Nos últimos 3 anos passei o 25 de Abril fora de Portugal, fora de Lisboa, mas sempre com um cravo ao peito, real ou fabricado.
Se perguntarem por mim, daqui apouco, durante a tarde estarei na marcha a descer a Avenida da Liberdade até ao Rossio. Na verdade é o Feriado em que mais me custa estar fora de Portugal e Lisboa. Quem me ler, gritem a dobrar, por mim.
No outro dia aqui em Pittsburgh perguntaram-me qual era o Feriado Nacional de Portugal. Eu respondi muito inocentemente: O 25 de Abril...
Depois perguntaram-me o que se fazia nesse dia. Eu respondi que a gente participa na marcha, ouve e canta música revolucionária, usa um cravo ao peito. Depois comecei a lembrar-me do tempo em que a minha mãe não me deixava usar cravos ou a boina da l'Humanité com a foice e o martelo que o meu avô me tinha comprado na Festa do Avante, que nunca me disseram o que era ou porque é que eu não ia a essa festa com eles. Isto tudo porque a minha mãe tinha medo que me fizessem mal na rua daquela aldeia das Beiras onde vivi enterrado nas heranças do fascismo durante uns quantos anos. Pois o 25 de Abril veio para se dizer Fascismo nunca mais.
Mas esse pensamento foi interrompido feito coito bem alinhavado por uma outra pergunta/advertência dos meus amigos americanos: Alexandre, nós aqui nos Feriados famosos e populares gostamos de comer, de beber, de churrasco e fogo de artifício. Não existe nenhum Feriado assim em Portugal?
Nesse momento respondi: sim, os Santos Populares por exemplo, mas a gente o que faz mais em Portugal é beber e comer. Lançamos fogo de artifício por muitos mais motivos para além dos Feriados, como por exemplo para ver quem é melhor: o Porto ou Gaia.
Bem, nevermind the bollocks...
Um feliz 25 de Abril para todos, Viva o Salgueiro Maia, Viva o 25 de Abril, viva a Liberdade.
Curtam o 25 de Abril, eu vou tentar com boa música claro.

P.S.- Um grande bem-vindo ao Nuno, a mais recente aquisição do Lutas Livres

terça-feira, abril 24, 2007

Grândola

A Antena 1 comemora 50 anos de Música Popular Portuguesa pedindo a várias personalidades cinco músicas da sua vida. À hora que ouço a Antena 1 apenas escuto a primeira música escolhida pela sempre mutável personalidade. Tem passado muito José Mario Branco, algum Zeca Afonso e Sérgio Godinho, menos Amália e ainda pude escutar António Variações uma vez. Cada música é introduzida pela voz da personalidade do dia, explicando o porquê da escolha, quase sempre porque aquela melodia se ligou a uma boa memória.

Na última sexta-feira foi a vez do pianista (que até então era-me desconhecido) Afonso Malão. A música escolhida foi a Grândola Vila Morena do Zeca Afonso (por reflexo condicionado canto em voz alta os dois primeiros versos, parado num semáforo... vermelho). Em 1974 Afonso Malão contava cinco anos. Em 25 de Abril de 1974 era o recente proprietário de um instrumento musical (que um leigo como eu não decifra na marca). Com cinco anos, em 25 de Abril de 1974, Afonso menino, viu um reboliço nas ruas, que já vinha sendo cantado nos discos que os pais, secretamente, guardavam. Afonso menino sentiu que tinha de participar, o reboliço pareceu dos bons e um miúdo de cinco anos gosta destes reboliços. Então, usando a majestosa visão dada pelo Afonso homem, Afonso menino deu um concerto do alto da varanda da casa dos pais tocando de ouvido a Grândola da esperança, a Grândola que entoava nas ruas de então.

Enquanto a música tocou na rádio, entoei a plenos pulmões os versos da nossa Grândola como se o Nuno menino estivesse no alto de uma varanda, no reboliço da liberdade.

25 de Abril sempre!

Ontem ao fim da tarde


Eu andava de bicicleta à volta dela como um menino, de mochila às costas, fisga no bolso e uns quantos dentes de leite de fora da dentadura.

Ela caminhava em linha recta, de costas direitas e olhar em frente, intocável.

Eu cortava pedaços do meu corpo para a horrorizar, as minhas orelhas, o meu nariz, os meus braços, as minhas pernas, as tripas de fora. Eu fiquei morto, feito em pedaços espalhados pela rua.

Ela jantou cabidela bem acompanhada à luz das velas.

Afinal gosto de Michael Jackson


Foto retirada daqui.

Eu acho que na sociedade a mulher e o homem devem ter os mesmos direitos e deveres. Mas eu acho acima de tudo que na Constituição da República e no Código Civil é mais fácil culmatar as diferenças injustas entre os sexos do que na vida que me rodeia. Hoje em dia os meus amigos pensam que eu sou homossexual, eis outra dicotomia que se encontra desfasada de igualdade de direitos e deveres: homo/hetero(...)ssexual. Eu nada tenho contra duas pessoas do mesmo sexo fazerem amor de todas as maneiras possiveis e imaginárias até se amarem para o resto da vida ou se largarem depois do frenezim da paixão. Até tenho muitos amigos que são gays. Tudo bem, tudo positivo, onde estava eu no meu raciocínio?
Ha, os meus amigos não gays. Pois eles pensam que eu sou gay porque comecei a ter uma fama na comunidade feminina que vou agora clarificar ao público.
Embora seja do Sporting por afinidade paterna, a minha infância passou-se na rua onde moravam os meus avós, no bairro de Benfica. Nessa rua somente havia meninas, nada de meninos. Eu sei que já está traçado o cenário de preconceito para se ver um menino a ficar como as meninas. Nada disso, fiquei foi a conhecer bem as meninas e a perceber o que elas gostam bem lá no fundo, o que mais tarde me veio a dar jeito com as minhas namoradas e engates. Mas houve uma coisa que me ficou das mulheres. Não, não foi o quase generalizado ódio pelos tachos e panelas, que muitos homens erradamente pensam ser vocação feminina. Não, nada disso. Fiquei com a cada vez mais rara vontade de perder a virgindade depois do casamento. Não é religião nem conversa de padre, nunca fui a uma missa, nem nunca fui baptizado. O esquerdismo dos meus pais salvou-me dessa carneirada secante. Virgindade depois do casamento foi o resultado de tardes passadas em volta da magia dos desenhos animados com princesas e príncipes encantados. Pois toda a gente sabe que as princesas são virgens até ao casamento, mas se um rapaz levar a sério, como eu o fiz, aquele imaginário sabe bem no fundo que o príncipe nunca andou metido com outras, nem o Rei o mandou à desobriga. O príncipe é casto e puro como a princesa. Toda a gente sabe. Mas toda a gente masculina não viveu intensamente os meus prazeres de menino ao lado das minhas amigas.
Mas o que é isto de virgindade masculina? Nas mulheres pode-se ver pelo romper do hímen, ou seja a primeira penetração vaginal. Para mim é a mesma coisa, a penetração vaginal será para a princesa que se casar comigo, nesse momento perderei a virgindade. Quem me estiver a ler pensa neste momento que eu sou louco. Pois quem me dera que fosse somente quem se encontra a ler este desabafo. A nossa sociedade é sexista e será durante muito mais tempo, mesmo depois da Constituição da República e do Código Civil estarem há muito com esse problema do sexismo resolvido. Uma mulher querer perder a virgindade depois do casamento é visto com respeito, um homem é visto como um anormal. Eu pratico sexo, tudo, desde bem novo, e gosto muito de praticar, mas no momento da penetração vaginal a coisa fica parada. De resto faço tudo.
Durante a minha adolescência até dava jeito, maior parte das raparigas tinha medo da penetração vaginal, mas agora aos 27 anos isso não existe. Quer dizer, eu tenho um amigo que estudou Direito na Figueira da Foz e namorou com uma miúda que fazia tudo menos penetração vaginal, ainda me meti com ela depois de eles terem acabado, mas ela era muito religiosa para mim e a gente estava sempre a discutir. A coisa nem chegou a relacionamento de mais de 15 dias. Contando que somente a via aos fins de semana, foi coisa de 4 dias e uns telefonemas.
Pois quanto ao resto é muito simples, no início das saídas à noite acabava sempre com uma miúda nos braços a ir para um local mais recatado. Toda a gente via. E toda a gente sabe como são as mulheres, quantas mais se comem, mais nos aparecem em cima, elas gostam de homens com muita saída. Por isso, esses tempos das primeiras saídas à noite foram ouro para mim. Porque também toda a gente sabe como são os homens, com quantas mais mulheres se relacionam, mais respeito têm entre os seus iguais. Acontece que a coisa agora se virou do avesso.
As pessoas falam, se têm boca, mais do que para ir a Roma, é para falar, principalmente quando se sentem defraudadas. Depois de tantas noites sem penetrar, a notícia espalhou-se. Somente depois do casamento. Agora vou sozinho para casa depois dos copos e muitos amigos perguntam-me se tudo se encontra bem comigo, se existe algo para falar ou desabafar, dizem-me que posso ter a sexualidade que me apetecer, nada de preconceitos, na boa.
Eu fico-me calado a beber cerveja e a tentar desviar a conversa para o livro da Carolina Salgado, mas o ambiente fica sempre muito pesado.
Hoje sento-me a pensar em casar, mas eu nem consigo governar a minha vida sozinho, quanto mais com uma outra pessoa ao meu lado. Eu até tenho recorrido ao serviço mais antigo do mundo, andam por aí umas Russas que nem digo nada, é um serviço discreto e confidencial.
O meu problema é a minha pequena escolha de vida não ser aceite por ninguém na sociedade. Até as mulheres honradas que querem ir virgens para o casamento exigem que o noivo já tenho tido larga experiência de penetração vaginal.
Eu acho que isso está mal, mas é a vida, cá se vai andando contra a natura e a moda.
C'est la vie.

domingo, abril 22, 2007

Parte de conversa sobre Massacre na Virginia Tech

Colega de Trabalho Americano: Em Portugal este tipo de coisas não acontece?
Eu: Na minha aldeia há uns quantos indivíduos que quando bebem querem bater em toda a gente que vêem à frente, mas somente têm os pulsos.

sexta-feira, abril 20, 2007

Concordo com o Velho Presidente

Aqui.
Relativamente ao seu percurso académico, José Sócrates não foi corrupto, não beneficiou de favores especiais e posteriormente não abusou mais do título de Sr. Eng. que outros tantos licenciados em engenharia que eu conheço sem estarem inscritos ou aprovados pela Ordem. Conheço um Advogado em Portugal que, desde há muito tempo, recebe todas as cartas de um Banco como Sr Eng., em vez de Sr. Dr., parece que nunca teve vagar para ir clarificar esse ligeiro mal entendido. Que se vai fazer? Por em causa o direito do Advogado a exercer a sua actividade, por em causa a capacidade de funcionamento do Banco? José Sócrates está a exercer engenharia por acaso?
Quanto a muitas das suas políticas, aí já não concordo com muita coisa que o Governo Sócrates tem feito, como por exemplo o facto de negligenciar constantemente a crescente assimetria de rendimentos entre os mais pobres e os mais ricos, sem nunca apresentar nenhuma proposta para contrariar esta tendência. Mas isso a Direita Conservadora, Liberal e Instrumental está a favor.
A todos os políticos portugueses de Direita que já perderam a pilinha para brincar com ela gostava de pedir que parassem de olhar para Portugal na perspectiva da Revista Caras e começassem a fazer política a sério. Eu sei que um dia José Sócrates vai sair do Governo, mas eu gostava que fosse por um motivo mais ligado à política. Eu já percebi que a Direita quer fazer de Portugal um Brazil, um país onde condomínios de luxo e favelas vivem em harmonia separados por uma fina cortina de artilharia pesada. Mas não sabia que a Direita queria um Portugal onde o populismo impera na condução do rumo das suas políticas. Eu acredito no Estado Social como forma de combater as assimetrias sociais e estou farto destas politiquisses ao estilo do Paulo Portas onde se zomba por causa dos sapatos, ou das meias, ou de falsas questões morais, sem nunca se ir ao cerne dos problemas de interesse.

quinta-feira, abril 19, 2007

Na Ressaca do Massacre na Virginia Tech EUA

Aqui na CMU, entre os meus colegas, o massacre na Virginia Tech foi a gota de água para se ter iniciado um conjunto de conversas e debates ocasionais sobre os modos de vida nas Universidades Americanas, sobre o desespero que leva a casos como o passado na Virginia Tech, mas também sobre terrorismo e os motivos que levam um ser humano a optar por essa via. Aqui nos EUA e mais especificamente em Pittsburgh, as Universidades podem ser geralmente consideradas autênticos oásis de tolerância, pluralismo e humanismo, oposto ao que cada vez mais vivencio fora do ambiente da universidade. Verdade seja dita, eu vivo numa cidade de longe menos liberal que NY ou LA.
Mas o medo paira no ar. Nos últimos dias, o número de falsas ameaças de bomba tem aumentado nas Universidades Americanas. Eu acho que a primavera e a estupidez natural de alguns estudantes leva a estas coisa. Mas aqui na CMU foi ainda mais diferente, mais original.
Parece que uma pessoa tem uma daquelas estruturas cilíndricas de metal em forma de bomba ao estilo das usadas na 2a Guerra Mundial que eram lançadas de aviões. Hoje essa pessoa decidiu transportar esse suporte antigo de "bomba" na bagageira do seu carro. Parece que alguém a viu a transportar a "bomba" vazia de explosivos para dentro da mala do carro e, cheio de medo, avisou as autoridades. Resultado: alguns edifícios evacuados, alta tecnologia robotizada a analizar o carro do amante de intrumentos de guerra, que foi submetido a detenção e todos os procedimentos normais nestes casos.
Nada foi detectado, somente um cilindro de metal vazio dentro de um carro.

Tens o meu apoio Ségolène Royal



De nada vale eu dizer que apoio Ségolène Royal, mas é a única entre os candidatos que fala da França que eu vivi, fracturada socialmente, a sangrar desigualdade, uma França que precisa de mudar. E eu concordo com as suas prioridades de mudança. Pela primeira vez apoio um socialista, mas sem votar, minto, votei em Soares filho para a CML, perdi. Espero que agora o sentido do resultado seja diferente.

terça-feira, abril 17, 2007

Duas Novas Entradas para o Top

Dois blogs recentemente criados que vale a pena ler:
Um dedica-se ao debate de temas da economia e sociedade com um ponto de vista de Esquerda:

http://www.ladroesdebicicletas.blogspot.com/

Ladrões de Bicicleta

E o outro é o(a) Fénix a renascer mais uma vez do Fogo: Rua Luxuriano.

domingo, abril 15, 2007

Irlanda, o Mito Vivo

Muitos dos defensores de uma dimunição significativa da presença do Estado democraticamente eleito nos sectores de actividade de Portugal costumam dar o exemplo da Irlanda como um sucesso onde a diminuição de impostos resultou em crescimento económico.
Primeiro, eu não acho que diminuição de impostos (A) e diminuição significativa da presença do Estado democraticamente eleito nos sectores de actividade de um país (B) sejam a mesma coisa ou que A seja parte integrante de B.
Segundo, eu acho que na Irlanda os impostos foram diminuídos porque a economia cresceu e não o contrário.
Neste ponto fica a pergunta: mas então porque é que a economia na Irlanda cresceu e a de Portugal estagnou?
Em geral, a resposta a esta pergunta é simplesmente porque ambos os países seguiram estratégias diferentes de desenvolvimento.
O que quero eu dizer com isto?
Enquanto Cavaco Silva e Guterres (os seus Governos) gastaram os fundos da UE em Betão e Obras, onde até o sector da construção é dos mais competitivos e desenvolvidos em Portugal, na Irlanda investiu-se em Qualificação Profissional dos Irlandes e em mecanismos de Exportação. O sucesso deste último foi muito facilitado pela boa relação de investimento que existe entre os EUA e a Irlanda.
Eu estou muito longe de ser um fundamentalista das nacionalizações, acho que o Estado deve dar liberdade de manobra ao desenvolvimento empresarial, industrial e comercial ao nível do investimento privado. Acho também que o Estado deve financiar empresas/industrias no Sector Tecnológico que, embora não apresentem condições de rentabilidade a curto prazo, possam a longo prazo ser uma mais valia para Portugal.
O que também não sou é um fundamentalista do Estado Zero e das privatizações. Acredito que a ineficiência de serviços se deve à falta de reciclagem de modelos de Gestão obsoletos. Aqui nos EUA (Pittsburgh), quando vou a locais de atendimento de serviços privatizados como a Electricidade por exemplo, acabo por verificar os mesmos problemas que durante os anos 90 se vivenciavam em Portugal no mesmo sector com gestão pública: longos tempos de espera, enganos na contagem e nas facturas, mau atendimento, falta de mais locais de atendimento espalhados pela cidade, etc...
Quando em França me dirigia a locais de atendimento de serviços recentemente privatizados ficava maravilhado com o atendimento e acima de tudo com a aplicabilidade de legislação que limita o lucro desses serviços e os obriga a seguir um conjunto de normas para a boa qualidade de serviço prestado.
Na minha opinião, a dicotomia nacionalizações/privatizações não são bases de ideologia Política, mas sim ferramentas para se servirem estratégias e planeamentos políticos, sejam eles de Direita ou de Esquerda.
O segredo para o desenvolvimento encontra-se na definição e seguimento sério de estratégias e objectivos e não na defesa cega de ferramentas que tanto podem dar para um lado como para o outro, podendo acabar Portugal num país socialmente mais desigual e com uma qualidade de vida mais baixa.
Acabo por dizer que estou ciente de que, para além de falta de reciclagem nos mecanismos de gestão, nos países do Sul da Europa existe uma propensão para políticas lesivas para a eficiência de serviços públicos. Medidas com o objectivo de um Governo ganhar popularidade com fins eleitoralistas, mas com resultados no excesso de funcionários, muitas vezes não qualificados, nos organismos do Estado.
Nessa situação, sendo o Povo quem mais ordena, é precisamente o Povo que se deve perguntar o que pode fazer pelo País quando vai votar nas Urnas e não o que o País pode fazer pelo Povo.

quinta-feira, abril 12, 2007

Entrevista ao 1o Ministro sobre 2 anos de Chefia de Governo

Foi muito interessante ver a entrevista ontem. Eu sempre odiei o tom branqueador das entrevistas aos políticos por parte das estações de televisão públicas ou privadas. Sempre gostei mais das entrevistas ao saudoso estilo de Carlos Magno e Amaral Dias aos Sábados ao meio dia na TSF, quando existiam.
Gostei de ver jornalistas mais acutilantes, no entanto, devo dizer que, intelectualmente, os entrevistadores fracassaram. Centraram-se em questões de conversa de tasca e sempre que José Sócrates entrava num registo mais profundo, os jornalistas redireccionavam a entrevista para um tom mais vazio e estéril. Centraram-se em Chavões vagos e do censo comum falaciosos e nunca souberam interpelar com inteligência o Primeiro Ministro. Aos jornalistas Maria Flôr Pedroso e José Alberto Carvalho somente recomendo que leiam mais jornais e aprendam melhor os temas que pretendem debater.
E digo mais, esta entrevista teve um tom agressivo (que eu acho bem) associado a um centralismo em falsas questões morais que chegou a assemelhar-se às famosas Audições McCarthy nos anos 50 dos EUA. Com que então um estudante que faltou a umas quantas aulas, que podia ter deitado fora os recibos de propinas pagas, que passou nas cadeiras sem alta mestria, que frequentou cadeiras onde os professores lançaram as notas em Agosto, que se inscreveu em programas antes dos seus certificados de abilitações estarem disponíveis não pode ser Primeiro Ministro?
Então meus amigos, nem eu, nem qualquer antigo estudante que tenha frequentado o IST com o meu conhecimento pode exercer esse cargo, porque o super-homem não existe e muita mentira existe à volta de Jesus Cristo. Claro que o Primeiro Ministro foi politicamente correcto para sequer ter replicado algumas verdades sobre o Ensino Superior como por exemplo o facto de as notas serem lançadas em Agosto porque existe Época Especial em Setembro, caso contrário as notas somente seriam lançadas antes das matrículas em Setembro e o facto de não existir Avaliação Contínua, que faz com que muitas vezes as aulas não sirvam para nada e acaba por ser mais vantajoso estudar em casa e ir ao exame do que assistir a aulas inúteis e sem qualquer sentido de pedagogia para uma boa aprendizagem.
Em vez de se centrarem no que interessa sobre Portugal, Maria Flôr Pedroso e José Alberto Carvalho preferiram o tom vazio do 24 horas. Foi pena.

quinta-feira, abril 05, 2007

Grandes Comediantes

Foto.
Acho que já é tempo de os nossos artistas agirem mais perto das pessoas, do real para mudar as estupidezes, absurdos e irrealidades que a realidade de vez em quando apresenta.
Grandes Gato Fedorento. Isto faz mais pela Democracia do que qualquer censura aos fascistas. Obrigado.

segunda-feira, abril 02, 2007