segunda-feira, janeiro 29, 2007

Li mesmo agora e não percebo

Certas coisas não me entram na cabeça:

Estudo diz que liberalizar sector dos medicamentos aumenta despesa de doentes e do Estado

Lusa

Vem o Cardeal desempatar

Francisco Louçã e Marcelo Rebelo de Sousa têm andado a trocar via youtube argumentos sobre as suas inclinações de voto para o referendo próximo. Para mim Marcelo sempre foi um mal amanhado com uma lógica de discurso de tasca da aldeia embelezada pelo seu sotaque de Cascais, ego gigante e enorme falta de humildade. Para mim, leigo no Direito, legalizar ou despenalizar acabam por ter as mesmas consequências em termos de mudanças éticas e de valores na sociedade. Diferem no sentido em que despenalizar impede a existência de locais em Portugal para as mulheres interromperem a gravidez em segurança, ou a possibilidade de poderem recorrer a profissionais da Saúde para esse fim. Nada se resolve assim.
Como as familiares do Prof. Marcelo que necessitarem de abortar têm mais que dinheiro suficiente para ir abortar aos EUA ou a Marte se necessário, com todas as condições apropriadas, ele marimba-se para o povinho. Desde que no Domingo se vá à missa pedir perdão pelos pecados, tudo bem. Para o povinho não há condiçõezinhas de saúde, para o povinho não há nada, somente Rancho, Pão e vinho. O que é que eles querem? Ter os mesmos direitos que o Marcelo? Eles devem é ir ver o comício do psd, onde há canetas, bandeiras, t-shirts e um pouquinho de queijo para se comer com o pão. Muito Rancho e Alegria, o Manel engravida a Maria, o pai da Maria vai de espingarda a casa do Manel, o padre da aldeia tudo casa. Assim é que é!! Vem o Marcelo cantar o Rancho em Celorico de Basto, bebe-se vinho carrascão e come-se outro bocado de pão.
Foi precisamente da Igreja que veio o equilíbrio a este debate entre Louçã e Marcelo, vejam a grande entrevista no site da RTP da semana passada com o Cardeal de Lisboa D. José Policarpo, um homem muito mais desempoeirado e evoluído que Marcelo. Nessa entrevista, o Cardeal desmascara a demagogia de Marcelo a dizer que despenalizar e legalizar em termos simbólicos acaba por ser a mesma coisa.

sábado, janeiro 27, 2007

Caso Bragaparques



A responsbilidade não é minha, é da CML, eu só sou o Presidente da CML, nada mais, quem sou eu para ter responsabilidades sobre isto?

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Este homem é um senhor!!


Vi este filme tarde e a más horas, mas devo dizer que somente um realizador genial pode fazer da Penélope Cruz, mais do que uma gaja boa, uma boa actriz.
Um dia uma professora disse-me que depois de se estar algum tempo nos EUA um qualquer europeu acaba por se identificar mais com o seu continente em vez do que somente com seu país. As aldeias em Espanha parecem ser agora mais parecidas com a minha do que antes.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

PUBLICO.PT-Ministro da saúde diz-se "orgulhoso" por não abrir inquérito sobre caso de Odemira

Este senhor passa-se. O que se passou em Odemira foi do pior que se pode passar em socorrismo médico. Em Engenharia aprende-se que as coisas devem ser projectadas segundo o "most probable worst-case scenarium", isto para projectar uma ETAR ou uma unidade fabril por exemplo. Em saúde, o projecto de planos de acção deve ser mais cuidado e eficiente do que em projectos industriais porque a falha da vida humana é infinitamente mais grave do que uma falha numa linha de produção.
Eu compreendo que as estatísticas valem muito para se chegar a um diagnóstico relativo ao estado de saúde de um doente. Se eu contrair um virus raro e me dirigir ao Hospital em tempo de gripes, o mais provável é ser-me diagnosticada uma gripe. E se o Hospital não possuir um histórico informatizado dos meus estados de saúde, ainda mais aleatório pode ser o diagnóstico.
Em Odemira, os responsáveis pelo doente acidentado erraram no diagnóstico inicial, se calhar diagnosticaram o que lhes dava menos trabalho e requeria menos cuidados. Se calhar era o diagnóstico que eles desejavam ao doente, se calhar era o mais usual em doentes como o acidentado, mas não foi o real. O estado do doente piorou e mais tarde um novo diagnóstico revelou-se mais real, mas tarde...
O doente devia ter dado entrada no Hospital de Santa Marias horas antes do que na realidade aconteceu.
Não estou a dizer que se deve fazer os despiste de cancro ou gravidez, mas sim ser-se um pouco mais pessimista relativamente ao estado de saúde dos doentes pode ajudar a evitar o ridículo que se passou em Odemira.
Se numa unidade fabril um Engenheiro errar num projecto com resultados na produção e consequentemente nos lucros, é despedido.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Testemunhos de aborto.

Tocante e sobre as mulheres, o que interessa verdadeiramente neste referendo, os direitos e qualidade de vida das mulheres.
http://www.euvotosim.org/eu-abortei

sábado, janeiro 13, 2007

Pensamento do dia

Na Science o aquecimento global e as suas causas nefastas para a vida humana e ecossistemas no planeta Terra é uma realidade.
Para o New York Times a existência do fenómeno "Aquecimento Global" é algo questionável que apresenta muitas dúvidas.
Para o Presidente Bush II isso é com os outros, o Texas continua a ser quente e a casa branca tem ar condicionado e aquecimento. Tudo continua normal, menos o que se passa no Iraque...

Referendo sobre a IVG - Directo ao assunto

Deixemo-nos de tretas, vamos falar claro e real, sem fantasmas:

Custo para o Estado

Quem vai ao Hospital Público visitar um doente ou vai doente para receber cuidados médicos, repara que aquilo é tudo gente de classe média para baixo, gente que não tem possibilidades de ir a um consultório médico ou ao privado. No interior de Portugal, uma alternativa privada de qualidade ao Hospital Público raramente existe, mesmo assim conheço a realidade de gente com possibilidade para tal no interior Norte que vai a Coimbra ou ao Porto para ir ao privado, sempre caro e consequentemente mais eficiente. Hoje em dia, o aborto para as mulheres ricas ou com um pouco mais de possibilidades faz-se no estrangeiro em boas condições, onde os custos saem do bolso das mesmas. Extrapolando do facto de as classes mais abastadas potuguesas recorrerem mais preferencialmente ao privado do que ao público, seja em Portugal ou no estrangeiro, eu não prevejo qualitativamente um aumento dos custos para o Estado com estas pessoas. As mulheres pobres fazem o aborto clandestinamente nas garagens à Colherada e lavado com Água e Sabão Azul, acabando maior parte das vezes no Hospital Público. Eu acredito que no fim, os custos para o Estado vão ser os mesmos, ao fim e ao cabo, elas acabam no Hospital.

Verdade

Na verdade existe um problema de saúde pública em Portugal. Um problemas para as mulheres, onde as mais pobres acabam por ser as que mais sofrem. Uma mulher que tem de abortar é uma mulher desesperada, precisa de apoio e cuidados. Com o Sim a ganhar vai haver mais vida e nascimentos em Portugal, porque se as coisas forem bem feitas, uma mulher desesperada ao dirigir-se ao Hospital em vez da garagem ou cave da parteira da zona, vai encontrar apoio, pessoas que a podem ajudar a encontrar alternativas, vai encontrar esperança, pode desistir e levar para a frente a aventura de se ter um(a) filh@.

O aborto existe, é uma realidade.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

sexta-feira, janeiro 05, 2007

7 motivos para votar Não no referendo próximo

Recebi queixas relativamente ao facto de ser muito tendencioso para o lado do Sim no que toca a debater o Referendo da IVG. Bem, este Blog não representa nenhum organismo com deveres de imparcialidade, mesmo assim vou tentar ver o outro lado da questão apresentando 7 motivos para votar Não:

1- Porque as mulheres são todas umas levianas e precisam de freio, caso contrário faziam um aborto todos os dias depois do coito só por precaução, não fosse o Diabo tecê-las,
2- Porque quem manda nos destinos da vida é Deus nosso Senhor e já agora aproveito para dizer que vou deixar de me vacinar e tomar medicamentos e entregar o destino da minha saúde aos desígnios celestes,
3- Porque os comunas são pelo sim e eu odeio esses gajos que se consideram, de um modo franciscano, moralmente superiores e metem nojo com o seu discurso e modo de vestir, tomem banho, cortem o cabelo e comprem roupa da moda porra,
4- Porque a taxa de natalidade decresce em Portugal e isto um dia destes é só velhos e como eu quero os imigrantes fora daqui, tenho medo que a nossa sub-sub-espécie de humanos fique extinta do planeta,
5- Porque os paneleiros também votam Sim e eu quero ver esses gajos no espeto. Até, quando penso em paneleiros apetece-me fazer o Armageddon,
6- Porque a minha mãe é parteira e eu quero continuar a viver às custas dela,
7- Porque eu tenho problemas de autoridade e quero dizer não a tudo com desprezo pelas consequências, sem saber mesmo o que estou a fazer.

Espero ter respresentado o cerne Ideológico do movimento pelo Não.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Referendos e tal...

A minha idade não é muito avançada para estar a falar do que a vida me ensinou. Mas um coisa ficou bem retido na memória que circula no espaço entre as minhas orelhas: os referendos são ganhos por quem defende o absurdo em serem feitos, ou seja os do Não.
Boas e más pessoas encontram-se tanto na Esquerda como na Direita, mas zona política onde em Portugal o vigarista bem falante repleto de farsa costuma ter mais sucesso é na Direita. E isso encontra-se patente na recente história dos referendos em Portugal.
Quando foi o primeiro do Aborto, o Não reconheceu que existia aborto clandestino em Portugal ao nível de calamidade pública, onde o de classe abastada era feito no estrangeiro, dadas as possibilidades financeiras, e o de classe baixa em condições deploráveis e inumanas. O Não reconheceu o problema mas discordou da solução, prometeu que iria empenhar-se na melhoria do planeamento familiar e apoio a casais pobres, ficando-se tudo por terra. Em 10 anos nada de significativo se fez, somente medidas de caridadezinha pontuais, tudo continua na mesma. Hoje tudo se encontra na mesma.
Quando foi o da Regionalização, onde na Madeira e Açores ganhou o Não como no resto do país, foi o mesmo: a Direita reconheceu o problema mas discordou da solução. Defendeu que sim existia em Portugal muito centralismo no Porto, em Lisboa e em certos pontos no Litoral, sendo a mudança necessária, mas a Regionalização não era considerada por eles a melhor via. Alguma via alternativa foi apresentada entretanto? Nada, tirando aquela medida populista de Santana Lopes em transladar as Secretarias de Estado do Turismo e da Agricultura para Faro e Santarém respectivamente, tudo continua na mesma.
Infelizmente, a Direita em Portugal é maioritariamente assim, vigarista e mentirosa. Reconhece que as mulheres deviam ter mais presença nos cargos de responsabilidade política, mas é contra as cotas e nunca apresenta medidas para resolver o problema que reconhece existir. Quer tudo na mesma e vem com conversas da treta para calar povo e a efemeridade dos Media.
Por isso, caros leitores, se acham que existe um grande problema em Portugal relativamente à prática abortiva, se acham que as coisas devem mudar, votem Sim, porque é lá que se encontra a mudança: os que defendem o ensino de educação sexual nas escolas, os que desenvolveram e apoiam o planeamento familiar, os que reconhecem o drama do aborto para as mulheres, principalmente as mais pobres, encontram-se todos lá, no Sim.
No Referendo pela IVG (vulgus aborto) vota SIM.