sexta-feira, maio 26, 2006

Fernando Marques-Um Artista que ultrapassa os limites conhecidos da comédia!


Se gosta de teatro, pare de ler por favor. Isto dedica-se a quem não gosta ou não tem opinião sobre essa forma de arte moribunda. Desde que me lembro de existir que sempre ouvi dizer que o teatro em Portugal morre lentamente, aos poucos na penumbra e amparado pelas elites de Lisboa. Eu concordo um pouco com esse preconceito, mas acho que o pior do teatro Português é ser geralmente mau e isso deve-se ao facto de ser feito em circuito fechado e de não existirem incentivos nem perpectivas de sucesso em se enveredar pela prática teatral. Faz teatro quem pode e não quem deve. O mesmo se passa no cinema, quando o Manuel Oliveira falecer, morre o cinema.
Mas isto é uma perspectiva negativista de algo que já devia ter morrido há muito tempo e que dá mau nome à arte Portuguesa. Tirando todos os preconceitos que circundam a palavra teatro, recomendo vivamente a peça de teatro da Susana Vidal que está no Instituto Superior Técnico em Lisboa. Veja aqui.
Nela participa Fernando Marques (foto), um criativo português que reinventa os conceitos da comédia de um modo despreconceituoso e livre. Para quem odeia teatro, o estilo dos actores portugueses e as obras do La Féria e afins, veja algo que quebra com isso tudo num modo muito próprio.
O último dia é Domingo 28, vale a pena, não perca.

Bate bate...



Porque um dia os filhos passam a tomar conta dos pais, bom som, bom filme, a Paris como eu a vi: diversificada, cosmopolita, fracturada, sumptuosa, crua, perigosa, deslumbrante, sexy e sempre Francesa.
Je t'aime Paris! Ouvi numa voz feminina com sotaque Italiano num raro domingo em que Montmartre se encontrava coberto de neve. Eram 19 horas, as luzes da Torre Eiffel acendiam-se e o Sacré Coeur era o centro do mundo. Desci as escadas com o grupo de Canadianos e Bascos, bebi um copo de Bordeaux num Bistrot da esquina e comprei um postal com um gato negro para te enviar. Je t'aime...

Hiretsukan


Se eu morasse em Brooklin fazia música assim durante a semana e fazia performances sobre o silêncio durante o fim de semana para me manifestar contra a Guerra no Iraque.

terça-feira, maio 16, 2006

Sophie Scholl


Vi o filme Sophie Scholl - The Final Days. O portuguesinho que sou não conseguiu deixar de pensar na PIDE, no Tarrafal, nas torturas, nos homens lançados da janela da sede da polícia política e na lavagem cerebral da população portuguesa de então. Comecei a ler o livro do Pacheco Pereira sobre Cunhal, isto depois de ter ouvido o autor a falar sobre o seu trabalho de pesquisa e os tempos da luta contra a ditadura de Salazar, fiquei curioso.
O que mais me impressiona é o facto de o livro ser tão exaustivo a descrever as tramas e esquemas do PCP, mas quando chega à parte brutal do modo como os prisioneiros políticos eram violentados e humanamente abusados, não chega, não diz, nada se passa. Simplesmente diz enlouqueceu ou adoeceu no Tarrafal ou morreu na prisão e um ponto final até à próxima trama da URSS ou do PCP.
Quando o ouvi falar sobre essa sua obra, lembro-me de ele dizer que a PIDE nunca matou os comunistas, embora tivesse poder e conhecimento para isso. Na PIDE não eram mais do que uns brutos da classe do Povo bairrista. Depois perguntei-lhe o que tinha sido a operação mar verde e os deportados para a morte no Tarrafal. O Pacheco pereira respondeu, num modo de desprezo de quem come bolos numa pastelaria na avenida de Roma e é incomodado pelo ciganito faminto para lhe pagar um bolo de arroz, que eu tinha razão, de facto quem ia para o Tarrafal ia para desaparecer, mas tanto como a operação mar verde, tudo se passou fora de Portugal. Então perguntei-lhe rapidamente, porque o senhor Pacheco Pereira já olhava de alto a sala à espera de uma pergunta menos incómoda, mas em Portugal não morreu ninguém nas mãos da PIDE? Aumentou o tom de indiferença e disse que sim, morreram, mas era por acidente, torturas que se excediam e corriam mal, no global o homicídio não era corrente ou usual.
Acabou com o meu tempo de intervenção a dizer-me que eu tinha muita sorte em nunca ter vivido no tempo de Salazar. Depois acabou de vez com a conversa a contar um exeplo do que a PIDE fazia mesmo de mal. E foi assim:
Parece que um dia no Porto ia um autocarro cheio de gente e começa uma zanga acesa entre o condutor e um senhor. Parece que toda a gente no autocarro estava a dar razão ao condutor, mas o outro senhor sacou do cartão da PIDE, parou o autocarro e mandou tudo embora. Isto era o que o ofendia na altura daquilo que ele não chama Fascismo. Dizia que aquilo da PIDE era tudo uma cambada de brutos e pobres de espírito, sem formação.
Pois bem, afortunados sejam os cegos ou os pobres de espírito. Sorte teve o Pacheco Pereira em nunca ter sido preso e torturado pela PIDE, talvez, como fizeram a muitos outros, lhe parassem mais do que o autocarro.

quinta-feira, maio 04, 2006

Europa

Um investigador Americano fez-me a proposta de tirar algum tempo dos meus 15 dias de férias para ir aprender umas técnicas laboratoriais à Alemanha. E disse-me assim: Já que vais passar férias na Europa, podias passar pela Alemanha para aprender umas coisas no laboratório x. Pois é, pediu-me para ir à Alemanha do mesmo modo que eu pediria a um amigo para comprar copos no IKA caso fosse ao Jumbo de Alfragide. Eu até vou para o mesmo país, não é? A União Europeia, onde o Cherne Barroso preside em modos acéfalos de fantoche. Eu fiquei a olhar para ele uns segundos sem saber o que dizer e respondi que ia considerar a proposta.

Autocarros

No outro dia estive numa paragem onde passam 4 carreiras distintas de autocarros que me levam a casa. Eram 19 horas em dia de semana, o que se pode considerar ainda hora e dia de algum movimento. Esperei 45 minutos.
E eu que me queixava quando tinha de esperar mais de 10 minutos por um autocarro de um determinado percurso em Lisboa!
Assim acontece por terras do tio Sam.

quarta-feira, maio 03, 2006

Teatro bom e de qualidade em Lisboa (coisa rara, aproveitem...)


O Grupo de Teatro do IST (GTIST) diz:

"Pintámos as paredes, pintámos o tecto, construímos o nosso refúgio alpino,
longe do mundo bombardeiro e... começámos a pôr a mesa para a ceia. Vamos cá
estar até ser seguro, até tudo estar mais calmo, até baixar o preço do
barril de petróleo ou até a dispensa estar vazia (o primeiro dos dois).


Não venham para ver escândalos, estes estão lá fora! Dias 4, 5, 6 e 7 de
Maio pelas 22h enquanto a atrocidade nos invade aqui na sala do teatro do
IST, dia 19 de Maio, invadimos a praia normanda do FATAL, regressando 23,
24, 25, 26 e 27 de Maio, de novo às 22h para a capitulação. Depois, o
Escândalo não mais nos abandona. Nas mais pequenas coisas, nos pormenores
onde o diabo mora, nas nossas constantes prisões.


O novo trabalho do GTIST inspirado na vida e obra de Per Paolo Pasolini, com
a encenação de Susana Vidal, vai estar em cena na sala de teatro do IST, nos
dias *4 a 7 e 23 a 27 de Maio pelas 22h*. Os preços são de 3€ para
estudantes do IST, 4€ para estudantes e 6€ bilhete geral. Dia 19 o
espectáculo será também apresentado no FATAL 2006."

Eu gostava de dizer que a sala de teatro do IST é no campus do IST na Avenida Rovisco Pais, ao lado da Alameda Don Afonso Henriques, ao lado do campo de ténis, no mesmo edifício onde se encontra a Secção de Folhas, entre a Torre do Departamento de Química e o edifício onde se encontra a Cantina e a Associação de Estudantes.

Metro: Linha Vermelha (Alameda) e Linha Amarela (Saldanha)
Autocarros: Uma catraifada deles, consultem o site da Carris
Estacionamento: De noite é relativamente fácil estacionar ao lado do IST. Não deixem nada de valor dentro dos carros.

segunda-feira, maio 01, 2006