sexta-feira, março 31, 2006

Os Lobos estão apresentados.

Depois da implementação do Estado Novo, muito se defecou por Portugal a fora. Na minha opinião o regime Salazarista assumia-se fascista por conveniência da moda de então e afinidade ditatorial. Mas na realidade, como dizia Salazar "Um Estado forte não precisa de ser violento", basta cultivar o que de mais mesquinho há no nosso lado negro rural, fazer das cidades as mais desinteressantes e aborrecidas do mundo, dar a economia às famílias amigas do Estado, trabalhando este em simbiose com elas e promover o pensamento pequenino.
Na minha opinião, o conformismo tipicamente português vem desses tempos. E não me refiro ao conformismo do mesmo modo a que a esquerda se refere usualmente, refiro-me sim ao conformismo dos nossos investidores que não investem ou arriscam, dos nossos cientistas que não investigam, dos nossos políticos que se agarram ao défice, dos nossos empresários que criticam sempre a intervenção do Estado na economia mas que se estão sempre a aproveitar dele para a sua actividade ter sucesso e dos nossos jornalistas que perderam o sentido de ética ao escreverem consoante as exigências da linha editorial do patrão ou das audiências, por muito falseadas que sejam, sem nunca arriscarem pela seriedade. Não é só nos sentidos revolucionários que faltam rebeldes, na minha opinião é em todos os sectores da sociedade. Digo rebeldes, mas rebeldes inteligentes e não hooligans destruidores do sistema.
Estes lobinhos têm um descendente, um senhor que muito defecou por esse país fora, há quem diga que um dia num wc do Portugal dos Pequeninos em Coimbra teve que se servir das mãos dada a ausência de qualquer papel higiénico. Um senhor que fez de Portugal um território de Oligarquias, mantendo-se no poder à custa delas e zelando pelos interesses das mesmas. Oligarquias ideológicas, de costumes, de autoridade, religiosas, culturais e económicas. O intocável chefe de família era um exemplo. Este podia viver numa casa sem andares superiores, chegar bêbado a casa, matar a mulher ao murro e no dia a seguir declarar ao agente polícia que a mulher tinha caído das escadas de casa, que não existiam, e sair intocável do caso direitinho para a tasca para beber mais um copinho.
Salazar cagou e fertilizou por este país fora um Portugal dos Pequeninos que ainda vive e respira.
Depois do 25 de Abril, os reprimidos tiveram liberdade e as oligarquias continuaram, com menos poder, mas continuaram. Algumas foram aliciadas pelos partidos políticos recém formados que aceitavam na sua rede de apoios qualquer peixe, pondo de lado as ideologias políticas de fundo. Alguém acredita que a Fátima Felgueiras, Alberto João Jardim, Valentim Loureiro, Narciso Miranda, Fernando Ruas, Cavaco Silva, Pedro Santana Lopes, Avelino Ferreira Torres ou o Paulo Portas têm alguma ideologia política? Alguém acredita que um destes sabe o que é ou se comporta como um Democrata Cristão, Socialista ou Social Democrata. Verdade seja dita que fascistas também não são, a política é o plano de acção desta gente, mas as suas convicções não são políticas, se tiverem alguma. Há o protagonismo, a representação das oligarquias seculares e a sede maquiavélica do poder a todo o custo. A mais forte influência na acção política desta gente acaba por ser sempre a obrigação de satisfazer as oligarquias que financiaram as suas campanhas eleitorais e carreiras políticas. O serviço público e a política acabam sempre por ser delegados para segundo plano.
Apresento aqui três filhos e irmãos deste sistema podre. Foram eleitos pelo Povo por isso merecem mais respeito, mas como dizia o João de César Monteiro "na altura do fascismo ainda valia a pena cuspir na cara da autoridade, agora é estragar saliva, não vale a pena". Acho muito bem que eles estejam onde estão, o facto de eles ocuparem os lugares que ocupam é um sintoma da sociedade e não uma causa para o que quer que seja. Se não fosse o Cavaco presidente, seria alguém bem pior, mais iletrado e "pseudo"-tecnocrata, se não fosse o Ruas em Viseu era um bem pior, mais racista e mafioso, se não fosse o Alberto João Jardim era alguém que nem quero imaginar para não ter pesadelos.
Se calhar sou eu que estou errado e Portugal está no rumo certo com esta gente ao leme. No entanto, vou tentando enfiar um remo na água para ver se mudo um pouco a direcção. Mesmo que essa mudança seja mínima, vale a pena tentar, a vida são dois dias e a Festa do Avante são três.

Quem tem medo do Lobo Mau? III

Este é o Lobo mais velho dos três irmãos Lobos Maus. É também o mais feliz.

quinta-feira, março 30, 2006

terça-feira, março 28, 2006

domingo, março 26, 2006

Porque é que este estudo me parece uma grande fraude?

Memórias da Natércia do Bando

O primeiro contacto que tive com a Natércia do Bando foi num telefonema que fiz para o Teatro Bando em 2002 para reservar um número de bilhetes para os membros do Grupo de Teatro do Instituto Superior Técnico assistirem a uma peça. Fiquei pelo menos uma hora a falar com ela ao telefone sobre a importância de cativar público jovem para o teatro. Antes do telefonema não pensava que um simples pedido de reserva iria resultar numa demorada íntima conversa sobre o sentido de se fazer teatro em Portugal. Foi estranho para mim, mas bom ao mesmo tempo. Ouvir pesoas desempoeiradas da inércia do tempo é sempre um enorme prazer, independentemente da sua filiação política ou religiosa.
Depois vieram os comentários da Natércia depois das peças a que assisti no Bando. Ela não me conhecia de lado nenhum, mas falava comigo como falaria com outra pessoa que assistisse às peças do Bando. Falava da Ana Brandão, do Miguel Moreira, do Gonçalo Amorim como mãe babada, do João Brites e do Horácio como mulher orgulhosa. O sentimento de dedicação à causa Teatro era agradável de se ver, mesmo se muitas vezes não concordasse com a orientação artística das peças do Bando.
Lá para o fim vieram as conversas sobre Teatro em alguns Domingos e Sábados à tarde no Bando, os relatos da sua experiência de vida, o modo paciente como lidava com as crises de afirmação e os "caralhos" e os "foda-se"s adolescentes do Miguel Moreira e a sua determinação em falar com os políticos da cultura em demonstrar que o desenvolvimento do país passa pelo desenvolvimento cultural.
Uma das minhas últimas memórias da Natércia é a sua participação na grande manifestação de Lisboa contra a guerra no Iraque em 2003, dia triste porque um grande amigo meu morria de amor e os iraquianos eram mortos pelos soldados americanos. A última de todas foi o jantar/comício em Lisboa (mercado da Ribeira) do Bloco de Esquerda para as eleições legislativas. Foi a última vez que a vi, a aplaudir o Francisco Louçã. Nunca mais soube dela, até antes de ontem...
É tudo, as memórias ficam, é a vida.
Até sempre, foi um enorme prazer!

sexta-feira, março 24, 2006

Faleceu Natércia Campos do Bando e o teatro em Portugal empobrece

Acabei de saber e custa-me a acreditar. Como é possivel as pessoas de mente eternamente jovem e aberta falecerem? Conheci Natércia Campos de a ouvir falar nuns encontros de conversa sobre Teatro que existiram no Teatro Bando em 2003. Nunca a conheci pessoalmente, mas sempre admirei o seu trabalho e a sua persistência na luta por uma cultura de valor em Portugal.

Portugal fica mais pobre.


Fonte: LUSA

Grupo "O Bando"

Morreu produtora teatral Natércia Campos

A produtora do grupo de teatro O Bando, Natércia Campos, morreu ontem à tarde na sede do grupo de teatro, em Palmela, foi hoje divulgado.

Nascida a 7 de Julho de 1935, Natércia Campos era assistente social, mas cedo se dedicou à cultura, tendo passado pelo Instituto da Alta Cultura, pela comissão instaladora da Universidade Nova de Lisboa e secretaria de Estado da Cultura e Investigação.

Após o 25 de Abril de 1974 foi secretária coordenadora dos departamentos de Ciências Sociais e Humanas e Ciências Exactas e Tecnológicas da Universidade Nova de Lisboa e, em 1976, ingressou no grupo de teatro A Comuna.

Natércia Campos integrou a equipa que dirigiu a área cultural da Expo´98 e realizou um programa cultural da RDP1, intitulado "Teatro é Cultura".

Fazia parte de "O Bando" há 19 anos, onde era produtora.

O seu corpo estará no teatro "O Bando" das 12h00 às 24h00 de amanhã.

O funeral parte de Palmela às 11h00 de domingo, para o Cemitério dos Olivais, em Lisboa.

Lusa

domingo, março 12, 2006

Uma boa reciclagem de uma estilo empoeirado!



Filme para quem tiver uma grande disponibilidade para apreciar uma boa fotografia e imagens campestres. O estilo de Sociedade retratado irrita a pessoa mais conservadora. Ignorando-se isso, o filme satisfaz no momento mas rapidamente se esvai da memória. Alguns meninos e meninas são bonitinhos e é agradavelzinho ver este mundinho de pequeninas coisas com um bom final romantico.

Broken Flowers



Este filme faz parte dos filmes que me irritam por serem desinteressantes. Para já detesto o Bill Murray, e vá para a merda quem me disser que ele é um bom actor. Um paspalho. UM PASPALHOOOOO. E sinceramente, esta dos homens de 60 anos a seresm quebra corações já cheira mal... Já foi no outro filme com a outra loirinha (nem me lembro do nome do filme, foi traumático), agora este... MUDEM A CASSETE.

E não me digam que isto é romantismo e poesia.

sexta-feira, março 10, 2006

A agenda política de Cavaco Silva (DN Online)

Um bom artigo para os idiotas de esquerda e progressistas que votaram no Cavaco de Direita e Conservador.

A esquizofrenia de Cavaco

Felizmente para a humanidade, a esquizofrenia é uma doença muito rara. Segundo a minha percepção desta doença de génese psiquiátrica, um esquizofrénico percepciona e relaciona-se com a realidade de um modo muito diferente do que faz a sociedade civil. Más interpretações do mundo, várias identidades, muitos são os sintomas que segundo o meu senso comum se atribuem a esta doença.
Cavaco Silva, quando era Primeiro Ministro afirmou, de um modo bem convincente, que Portugal era o Oásis da Europa. O seu lugar deu-lhe alguma seriedade nesta afirmação e como ninguém a contestou, nem mesmo a nossa rebelde comunicação social, lá os portugueses começaram a ficar convencidos de tamanha conquista política, social e económica para Portugal. Muito maior que a descoberta do caminho marítimo para a Índia, que igualmente às políticas de Cavaco, deu mais prejuízo que lucro. Bem, escuso fazer um grande esforço para explicar que Cavaco estava em pleno ataque de esquizofrenia quando se referiu a Portugal nesses termos, se calhar os medicamentos passaram da validade, não sei. O que sei é que na altura de Cavaco, não era preciso olhar para o valor do nosso salário mínimo (um dos mais baixos da Europa comunitária de então), mas bastava atravessar a fronteira até Badajoz, para uma pessoa se a perceber do nível de esquizofrenia de Cavaco. Então se uma pessoa atravessasse a fronteira dos Pirinéus, aí então iniciava um movimento cívico de abaixo assinado para enfiar o Cavaco no Júlio de Matos. Mas nada disso aconteceu, o tempo passou e passou bem favorável para os lados do senhor Silva. Os portugueses devem ter viajado pouco nesses tempos, dados os seus ja tipicos problemas financeiros.
Agora recentemente, Cavaco prometeu que com o país presidido por ele através de Belém, Portugal se iria transformar na Califórnia da Europa. Ele até disse que no seu tempo, Portugal era conhecido como tal. Uau, acho que os portugueses devem pensar seriamente em mudar o hino nacional escrito por Alfredo Keil para a música California Dreamin dos Mamas & Papas. Eu ainda pensei em começar o tal movimento cívico, mas logo desisti, como o Cavaco lá ganhou com os seus 50,5 %, o seu cargo de Presidente deve-lhe conceder imunidade em relação a essas coisas, logo não vale a pena a iniciativa, talvez daqui a 10 anos.
Acabo assim, desejando ao nosso novo Presidente da República muita saúde e esperando que nunca se esqueça de ver a data dos medicamentos, a nossa primeira Dama até podia fazer isso, já que não tem mais nada para fazer para além de inventar novas conjugações de formas verbais, que diga-se de passagem se têm mostrado muito proveitosas no desenvolvimento da nossa língua portuguesa.

California Dreamin, California Dreamin...

segunda-feira, março 06, 2006

Estes nordicos sao loucos.



Saraband: ama-se, gosta-se, mas sente-se um desconforto, uma angústia. Um dos filmes mais estranhos que vi nos últimos tempos. Estranha-se a simplicidade, a transparência, com que a solidão arremesa pessoas vulgares. Gosta-se da linha ténue entre a banalidade e a loucura.

sábado, março 04, 2006

Metro, Porno, Dodo.

A Cate.



Este filme é um espanto e esta mulher é uma deusa. Uma deusa um bocado esquisita, mas uma deusa.

CMU de Branco

Ossana nas Alturas

Ou... Xande no Empire.

Science: Alternative Energy Plan Criticized (... Ou: este gajo pica-se.)

(From Science)

"Just weeks after President George W. Bush vowed to wean the United States off oil and onto alternative energy sources, scientists and policy analysts are voicing concern that the research push is unlikely to yield the promised benefits.

Their worries were highlighted last week by events at the National Renewable Energy Laboratory (NREL) in Golden, Colorado, the Department of Energy’s main research centre for energy sources such as solar, wind and ethanol.

Just days after being laid off, 32 NREL staff were reinstated when it emerged that Bush was going to visit the lab during a
tour to promote his focus on alternative energy.

During his tour of the lab on 21 February, Bush blamed poor communication for the oversight. “I recognize that there have been mixed signals when it comes tofunding,” Bush said. “Unfortunately, there are sometimes decisions made, but as a result of the appropriations process, the money may not end up where it was supposed to have gone.”it looks great. If you look at all renewables, it looks less great.”

Energy research, including work on fossil fuels, would decline overall under the president’s budget, says Koizumi. He adds that there is no money set aside for later years for the energy initiative. Reaction elsewhere has been mixed. Solar energy crisis. Even within R&D, the numbers are not that good."

To make matters worse, analysts point out that a large part of the increased money is likely to be taken up by earmarks, in which legislators appoint money to projects in their home states. For example, the NREL has blamed the lay-offs on the large number of earmarks in the 2006 budget, which it says left it with a $28-million deficit in operation."

BBC News: Children and Chimps... Altruistic Behaviour

(From BBC News)

"Infants as young as 18 months show altruistic behaviour, suggesting humans have a natural tendency to be helpful, German researchers have discovered. In experiments reported in the journal Science, toddlers helped strangers complete tasks such as stacking books. Young chimps did the same, providing the first evidence of altruism in non human primates.

(...)

Scientists have long debated what leads people to "act out of the goodness of their hearts" by helping non-relatives regardless of any benefits for themselves.

Human society depends on people being able to collaborate with others - donating to charity, paying taxes and so on - and many scientists have argued that altruism is a uniquely human function, hard-wired into our brains."

The Edukators


Gosto. Recomendo.

Measure for Pleasure



Porque é que em Portugal não se faz teatro assim?

http://www.publictheater.org/view.php?mode=eventdisplay&eventid=142